
No caso do Banco Master e em qualquer outro caso, a Polícia Federal estava obrigada a suspender suas investigações tão logo esbarrasse em algum nome com direito a foro especial. Mais ainda se se tratasse de um ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do Brasil. É o que manda a lei.
A Polícia Federal informa que foi isso o que ela fez ao investigar as irregularidades cometidas por Daniel Vorcaro e seus parceiros e que culminaram com a liquidação do Banco Master. Contudo, não é o que parece que aconteceu, tal a quantidade de informações vazadas sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Primeiro, soube-se que Toffoli era um dos donos de um resort no Paraná, parte do qual pertencia a uma empresa ligada ao Master. Toffoli relutou em admitir a verdade até quando não deu mais, afastando-se da relatoria do processo que tramitava no Supremo. Sabe-se agora que Moraes sempre esteve próximo de Vocaro.
À parte o fato de que a mulher de Moraes, como advogada, tenha prestado serviços ao Master, Moraes e Vorcaro reuniram-se pelo menos em cinco ocasiões. Na manhã de 17 de novembro do ano passado, dia da primeira prisão de Vorcaro, ele e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp. E numa delas, o banqueiro escreveu:
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Notícia de quê? Bloquear o quê?
Segundo Malu Gaspar, colunista de O Globo, Moraes logo respondeu a Vorcaro, “mas não é possível saber o que ele disse”. Isso porque o que se seguiu foram três mensagens de visualização única, do tipo que se apaga assim que o destinatário as lê. Vorcaro foi preso naquele mesmo dia às 22h em São Paulo.
Pretendia voar em um jatinho particular para Dubai, cidade dos Emirados Árabes Unidos. A Polícia Federal o prendeu em Guarulhos e tomou seu celular. Ao examiná-lo depois, encontrou outro registro de diálogo entre Moraes e Vorcaro, esse datado de 1º de outubro, mas novamente com o conteúdo apagado.
Em nota enviada à coluna de Malu, e contrariando o que apurou a Polícia Federal, a assessoria de imprensa do Supremo afirmou:
“O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.
É o que basta para desmentir o que foi dito pela Polícia Federal em relatório enviado ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo? Fachin entregou aos seus pares cópias do relatório. Foi a Polícia Federal que deixou vazar as informações embaraçosas sobre Toffoli e Moraes? Ou foi um ministro do próprio tribunal?
Toffoli e Moraes estão postos na berlinda. Ou se puseram na berlinda por sua livre escolha. A esperança é que ainda haja juízes em Brasília.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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