
Tudo indica que não foi por pressão dos colegas que o ministro Dias Toffoli abdicou da relatoria do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, mas sim porque concluiu que seria o melhor a fazer. Afinal, sete deles o apoiavam e apenas dois (Edson Fachin, presidente do tribunal, e Cármen Lúcia), aparentemente não.
Então, quando o ministro Flávio Dino sugeriu que se divulgasse uma nota, assinada por todos, dizendo que apoiavam Toffoli e que não haveria suspeição nem impedimento dele, Toffoli admitiu deixar a relatoria do caso:
“Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar hoje… é melhor e eu aceito”.
Foram mais de três horas de reunião. Dois ministros participaram dela virtualmente – Luiz Fux no Rio, André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”, em São Paulo. Era para ser secreta, secretíssima. Mas há consenso no Supremo de que ela foi gravada por um dos presentes. Toffoli é o suspeito. Ele nega.
O site PODER 360 publicou trechos das falas dos ministros, todas favoráveis a Toffoli. Seguem algumas:
Gilmar Mendes – Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar.
Luiz Fux – O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.
Nunes Marques – Para mim, isso é um nada jurídico. […] Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil.
André Mendonça – Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli [com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro]. Isso não existe. Está aqui claro que não existe relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa. Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado.
Cristiano Zanin – Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do Superior Tribunal de Justiça, e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares. Isso aqui tudo é nulo.
Flávio Dino – Essas 200 páginas [do relatório da Polícia Federal] para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, senhor presidente, que o senhor deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência.
O ministro Alexandre de Moraes não teve falas literais publicadas, mas aparece como um duro crítico da Polícia Federal, que entregou ao presidente do tribunal o relatório que incrimina Toffoli.
Outras falas literais de ministros:
André Mendonça – E a questão de eventos [dos quais Toffoli participou], se for considerada, todos nós somos suspeitos de tudo. […] Pode acontecer com qualquer um de nós [a investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim.
Os eventos aos quais Mendonça se referiu, parte deles foram patrocinados pelo Master.
Flávio Dino – Eu já disse para o meu amigo e irmão Dias Toffoli: veja que já tem maioria. Mas não vai ser unânime. Mas o ministro Dias Toffoli tem voto para continuar. […] Em qualquer outro pedido de arguição [de ministro] eu sou STF futebol clube.
Toffoli também disse na sua exposição que seria a favor de um código de ética para o Supremo se todos os ministros estivessem de acordo em divulgar as suas declarações de Imposto de Renda, o IR de suas empresas e dos seus familiares ascendentes, descendentes e colaterais até o 2º grau e afins. Gilmar o aparteou:
“Nós não estamos aqui para discutir Código de Ética”.
Como se vê, os ministros não estavam ali para examinar os achados da Polícia Federal contra Toffoli, mas para defendê-lo, se defenderem por tabela, e criticar a Polícia Federal. Ficaram mal na foto – isto é: na gravação. Quem gravou cometeu um crime que deveria ser investigado. Por que não chamam a Polícia Federal?
Os advogados do Master salivam à espera do momento ideal para pedir a anulação do processo. Muitos deles atuaram na Lava-Jato.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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