O Acre registrou crescimento de 11,8% no agronegócio em 2025, segundo dados do relatório Resenha Regional, do Banco do Brasil, divulgado em dezembro. O resultado coloca o estado acima da média nacional do setor e reforça a participação da atividade agropecuária na economia acreana em um contexto de desaceleração do crescimento do país.
O agronegócio acreano expandiu para além da média nacional no ano de 2025/Foto: Reprodução
De acordo com o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve encerrar 2025 com alta de 2,2%, abaixo dos 3,4% registrados em 2024, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A desaceleração ocorre mesmo com a agropecuária liderando as projeções de crescimento entre os três grandes setores da economia.
Para 2025, a agropecuária deve crescer 10,3% no país, acima da indústria, estimada em 1,6%, e do setor de serviços, com projeção de 2,2%. Apesar disso, os serviços permanecem como o principal componente da economia nacional, respondendo por mais de 70% do PIB.
O relatório aponta que os estados com maior expansão do agronegócio tendem a apresentar os melhores resultados econômicos em 2025. Mato Grosso lidera, com crescimento estimado de 7,1% no PIB total, impulsionado por alta de 20,6% no agro. Mato Grosso do Sul aparece em seguida, com avanço de 5,9% no PIB, sendo 19,8% provenientes do agronegócio. Nesse cenário, o Acre se destaca regionalmente ao registrar crescimento agropecuário acima da média nacional.
As projeções para a safra de 2026 apresentam divergências entre os principais órgãos de acompanhamento. O primeiro prognóstico do IBGE estima produção de 332,7 milhões de toneladas, retração de 3,7% em relação à safra anterior. Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 0,8% na produção de grãos, o que representaria novo recorde.
As diferenças se concentram, principalmente, nas estimativas de soja e milho. Para a soja, o IBGE projeta produção de 167,7 milhões de toneladas, com crescimento de 1,1%, enquanto a Conab estima alta de 3,6%, atribuída à expansão da área plantada. No milho, o IBGE prevê queda de 9,3%, influenciada pela redução da produtividade da segunda safra, enquanto a Conab projeta retração de 1,6%.
No algodão, o IBGE estima redução de 4,8%, concentrada no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, enquanto a Conab projeta queda de 1,2%. Para o arroz, as duas instituições indicam diminuição da produção em 2026, associada à redução da área plantada no Rio Grande do Sul.
A produção de café deve crescer 6,8%, segundo o IBGE, impulsionada pela bienalidade positiva do café arábica, com destaque para Minas Gerais. Já a cana-de-açúcar apresenta projeções distintas: alta de 0,3% pelo IBGE e retração de 1,6% segundo a Conab.
Na pecuária, a Conab projeta aumento de 2,4% na produção de carne bovina em 2025, seguido de queda de 4,3% em 2026. A produção de aves deve crescer 2,3%, enquanto a suinocultura pode avançar 4,5%, impulsionada pelo consumo interno e pelas exportações.
O relatório também destaca a revisão da série histórica do PIB agropecuário pelo IBGE. A queda de 2024 foi ajustada de -3,2% para -3,7%, alterando a base de comparação. Com a incorporação de novos dados e informações do terceiro trimestre de 2025, a projeção de crescimento do PIB agropecuário deste ano foi revisada de 8,2% para 10,3%.

Deixe um comentário