Advogada fala pela 1ª vez após ter 63% do corpo queimado em incêndio

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Foto colorida da advogada Juliane Vieira, de 29 anos - Metrópoles

Após três meses internada e quase 20 procedimentos cirúrgicos, a advogada Juliane Vieira, de 29 anos, falou pela primeira vez desde o incêndio que mudou sua vida. Ela recebeu alta do Hospital Universitário de Londrina (HU), no norte do Paraná, no final de janeiro e agora inicia uma longa fase de reabilitação.

Juliane teve 63% do corpo queimado ao retornar a um apartamento em chamas, no dia 15 de outubro de 2025, para salvar a mãe, Sueli Vieira, de 51 anos, e o primo Pietro, de 4 anos. O incêndio ocorreu no 13º andar de um prédio residencial no centro de Cascavel, no oeste do estado, e teve início na cozinha do imóvel. A Polícia Civil concluiu que o fogo foi acidental.

Em sua primeira entrevista após a alta, exibida pelo programa Fantástico, a advogada relembrou os momentos de tensão e os sentimentos que a levaram a se arriscar para resgatar a família. “Eu lembro de tudo. Acordei com os gritos do meu primo avisando que tinha fogo”, contou.

Ao sair do quarto, Juliane se deparou com as chamas já espalhadas pelo apartamento. O primo estava do outro lado do fogo. Ela conseguiu pegá-lo no colo, mas percebeu que a porta principal estava trancada. Sem saída, subiu no suporte do ar-condicionado e colocou a criança na janela do apartamento do andar de baixo. “Falei para ele ficar quietinho e segurar na redinha. Por obra divina, a moradora abriu a janela”, relatou.

A criança foi acolhida pela moradora do apartamento inferior, Seliane, que havia saído de casa e retornado para buscar uma bolsa. Do lado de fora do prédio, o técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes ajudaram no resgate e conseguiram salvar Sueli.

Resgate complicado

Juliane ainda tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não encontrou apoio. Ela foi puxada de volta ao apartamento por um bombeiro. Nesse momento, a advogada e o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. O militar teve queimaduras de terceiro grau e ficou internado por cinco dias.

Gravemente ferida, Juliane foi atendida inicialmente em Cascavel e, depois, transferida de helicóptero para Londrina. Ela permaneceu cerca de três meses na UTI, passou mais de um mês em coma induzido. Ela chegou a ter o caso classificado pela equipe médica como um dos mais complexos da história da unidade.

Segundo a cirurgiã plástica Xenia Tavares, a advogada chegou ao hospital com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores. Ao todo, Juliane passou por quase 20 cirurgias.

Mesmo após a alta, os desafios seguem intensos. Juliane relatou desconforto constante, coceira, sensação de calor e a necessidade de vários banhos por dia. Atualmente, ela ainda depende da ajuda da mãe para tarefas básicas, mas faz fisioterapia diariamente e já consegue retomar alguns movimentos.

A previsão médica é que o tratamento continue por um longo período, com procedimentos caros e demorados. A advogada dificilmente conseguirá retomar a rotina profissional antes de um ano. Ainda assim, ela afirma que pretende voltar a advogar e continuar os estudos. “É um processo lento, mas eu estou viva. E isso já diz muita coisa”, finalizou.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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