Advogado aliciou detentas, exigiu ver seios e se masturbou dentro da Colmeia

Material cedido ao Metrópoles
Cláudio Martins Lourenço, advogado acusado de ao menos 9 estupros - Metrópoles

O que deveria ser um canal sagrado de defesa técnica entre advogado e cliente, tornou-se, segundo denúncias gravíssimas, um cenário de horror e exploração sexual dentro da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), unidade prisional conhecida como Colmeia.

O advogado Cláudio Martins Lourenço, envolvido no caso de suposta agressão por parte de policiais civis em uma delegacia do DF, é alvo de relatos detalhados que descrevem um esquema de aliciamento de detentas vulneráveis, para a satisfação de sua lascívia pessoal.

De acordo com os depoimentos de internas, que constam em uma investigação conduzida pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama), em novembro de 2202, Cláudio utilizava uma estratégia específica: buscava mulheres com condenações longas, a chamada “cadeia alta”. Sob o pretexto de estar “construindo reputação”, ele oferecia serviços jurídicos gratuitos ou com valores irrisórios, chegando a fazer doações em dinheiro para as famílias das presas e custear cursos de remição de pena.

No entanto, o preço cobrado não era financeiro. Marcela (nome fictício), custodiada há dois anos, relatou que após os primeiros contatos, as reuniões virtuais deixaram de tratar de teses de defesa. “Ele só fazia perguntas aleatórias sobre o convívio interno e não falava da minha pena”, afirmou.

Atos obscenos e coerção

O relato mais chocante veio de Joana (também fictício), presa desde 2018. Ela narrou aos policiais que, em agosto de 2022, o advogado passou a demonstrar comportamento inquieto durante as videoconferências. A situação escalou para o contato presencial dentro do parlatório da PFDF.

Segundo a detenta, em uma visita, Cláudio apresentava sinais de estar sob efeito de substâncias. No recinto, ele teria ordenado que ela se levantasse e mostrasse os seios. Diante da recusa, o advogado teria exposto o órgão genital e se masturbado na frente da cliente, chegando a ejacular na parede da sala de atendimento.

“Se você pilantrar comigo, você vai ver! Você me deve para o resto da vida!”, teria ameaçado o advogado ao perceber a resistência da vítima.

Passado Obscuro

A investigação informal entre as detentas revelou um histórico perturbador: Cláudio havia sido policial militar, expulso da corporação justamente por crimes sexuais. Relatos que circularam no presídio mencionam comportamentos sádicos e degradantes em seu histórico.

A presa afirmou ter testemunhado, por um orifício na porta da sala de atendimento (onde faltava a fechadura), o momento em que o defensor pedia para sua colega de cela exibir as mamas. Ela acredita que pelo menos uma dezena de internas esteja passando pela mesma situação, mas o medo impera. O advogado detém procurações, conhece endereços de familiares e possui informações sensíveis sobre a vida das detentas.

A coluna Na Mira apurou que Cláudio foi expulso da corporação após ser acusado de violar diversos dispositivos do Estatuto da Polícia Militar, condutas consideradas incompatíveis com a função.


Entenda o caso


Cláudio acumula 14 inquéritos policiais, nove Termos Circunstanciados (TCs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro. Cláudio é acusado de amarrar e defecar sobre uma das vítimas, uma garota de programa.

A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada” por agentes da Polícia Civil, na ocorrência registrada dentro da 24ª Delegacia de Polícia (Ceilândia).

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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