Alunos da rede pública do DF vivem imersão em mostra de Sergio Camargo

Cerca de 200 estudantes da Escola Classe 01 do SHI Sul (Lago Sul) trocaram as salas de aula pela experiência sensorial do Teatro Nacional Claudio Santoro. Nesta quinta-feira (12/3), crianças de 8 a 11 anos participaram de uma visita guiada à exposição É Pau, É Pedra…, que reúne obras icônicas de Sergio Camargo. A iniciativa do Metrópoles, que contou com suporte de transporte e alimentação, buscou democratizar o acesso à cultura para estudantes da rede pública de ensino.

Segundo Priscila Noronha, coordenadora pedagógica da unidade, a atividade extraclasse é um pilar essencial na formação dos estudantes. Para ela, a oportunidade é valiosa por atender crianças que, muitas vezes, não teriam acesso a esses espaços de forma particular.

A recepção dos alunos à estética de Sergio Camargo — marcada pelo uso de madeira, mármore e a dualidade entre o preto e o branco — foi de entusiasmo e curiosidade. Lis Bella Sanfilippo, de 10 anos, destacou a harmonia entre as obras e a arquitetura do local.

“Ele tem muita imaginação. As obras combinaram muito com o teatro. É minha primeira vez aqui e achei incrível”, relatou a estudante, que planeja seguir carreira como atriz.

Já para Yasmim Amorim, de 9 anos, o diferencial foi a interatividade e a natureza dos materiais. “Achei legal porque as obras são de madeira e pedra, materiais naturais que dão vontade de mexer. É uma exposição que tem de tudo”, comentou.

O impacto visual das peças geométricas também prendeu a atenção dos menores. Zion Pizanee, de 8 anos, avaliou a experiência com nota “99 de 0 a 100”. O aluno do 3º ano ficou impressionado com a escala das obras e a sobriedade das cores.

A exposição segue aberta ao público, oferecendo um panorama lúdico e educativo sobre a produção de um dos maiores nomes da escultura brasileira, agora sob o olhar renovado das novas gerações de Brasília.

O professor Carlos Souza destacou a importância de aproximar crianças da arte ainda na escola. Segundo ele, o contato direto com as obras ajuda a ampliar o repertório cultural dos alunos e desperta curiosidade.

“Eu mesmo não conhecia a arte dele profundamente, mas trazer os estudantes para ver de perto mostrou o quanto essa experiência é rica para o aprendizado”, afirmou Carlos.

O educador também contou que um dos momentos mais marcantes foi quando os alunos começaram a compreender o significado de “É Pau, É Pedra”. Inicialmente, o nome causou estranhamento, mas a compreensão surgiu quando as crianças observaram os materiais utilizados.

Para o professor, esse tipo de atividade mostra que o aprendizado não acontece apenas dentro da sala de aula. “As saídas pedagógicas são momentos muito ricos, porque tiram os estudantes da rotina e mostram que educação também acontece em espaços culturais como exposições e museus”, disse.

Já a professora Francielle Costa relatou que a exposição do escultor Sergio Camargo chama a atenção justamente por apresentar esculturas abstratas que exploram efeitos de luz e sombra. Segundo ela, esse tipo de obra desperta a curiosidade das crianças e estimula a interpretação.

Durante a visita, um dos estudantes comentou que uma das esculturas lembrava ao mesmo tempo um bebê e um período gestacional, mostrando como a arte pode provocar diferentes leituras.

Para a educadora, o contato com esse tipo de produção artística também contribui para o aprendizado em sala de aula. “A experiência permite que os alunos conheçam outras formas de expressão além das pinturas mais tradicionais, ampliando a percepção sobre a arte e enriquecendo o repertório cultural dos estudantes.”

A aluna também disse que gostou especialmente de uma obra inspirada no tabuleiro de xadrez. Como ela pratica o jogo, a peça chamou ainda mais sua atenção. “Eu achei muito interessante porque eu jogo xadrez. É uma coisa que faz a gente pensar bastante e também é mais uma aprendizagem”, destacou.

A mostra É Pau, É Pedra… é uma oportunidade rara de compreender a amplitude e a coerência da pesquisa de Sergio Camargo em solo brasiliense. Organizada em núcleos que facilitam a compreensão do público leigo, a exposição segue em cartaz até 13 de março no Foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro.

O projeto reafirma o compromisso do Metrópoles com a difusão e valorização da cultura brasileira em suas múltiplas expressões. Ao ocupar um espaço de alta relevância simbólica e arquitetônica, a mostra amplia o diálogo entre arte contemporânea, memória cultural e vida urbana, consolidando o veículo como um agente ativo na promoção de experiências culturais na capital federal.

A exposição conta com o patrocínio dos Cartões Caixa e Visa Infinite, além do apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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