
Análises das amostras coletadas do asteroide Ryugu mostraram que ele possui todos os cincos componentes essenciais para a vida na Terra: a adenina, citosina, guanina, timina e uracila. Também chamados de nucleobases, os “ingredientes” são os responsáveis por formar o RNA e o DNA.
A presença dos componentes não é inédita e também já havia sido identificada no asteroide Bennu. Com isso, aumentam as evidências de que os ingredientes básicos para a vida no nosso planeta podem estar em maior abundância no Sistema Solar.
“A detecção de diversas nucleobases em materiais de asteroides e meteoritos demonstra sua presença generalizada em todo o Sistema Solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o inventário químico pré-biótico da Terra primitiva”, escrevem os autores da análise.
A investigação liderada pelo biogeoquímico Toshiki Koga, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre, teve os resultados publicados na revista Nature Astronomy nessa segunda-feira (16/3).
Ingredientes da vida no asteroide
Para a vida se formar na Terra, duas moléculas básicas são essenciais: o ácido desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA). O código genético de ambos é formado pelos cinco compostos químicos básicos.
No entanto, até o momento, apenas a uracila já havia sido detectada no Ryugu. A nova análise de duas amostras do asteroide identificou a presença das cinco nucleobases nos dois pedaços.
Além do Ryugu e do Bennu, alguns ingredientes básicos já foram achados em outros dois meteoritos ricos em carbono. Porém, todos os objetos tinham proporções diferentes das moléculas.
Enquanto o Ryugu era composto em níveis semelhantes de todos os compostos, o Bennu era mais rico em citosina, timina e uracila. Segundo os pesquisadores, a diferença tem relação com a quantidade de amônia e as condições químicas do asteroide.
O novo achado evidencia ainda mais que o bombardeio de asteroides no início da Terra ajudou a formação de vida em nosso planeta.
“A detecção universal de todas as cinco nucleobases canônicas em amostras dos asteroides carbonáceos Ryugu e Bennu destaca a potencial contribuição dessas moléculas exógenas para o conjunto de matéria orgânica que sustentou a evolução molecular pré-biótica e, em última análise, possibilitou o surgimento do RNA e do DNA na Terra primitiva”, concluem os pesquisadores.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário