Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Show de Christian Chávez é cancelado no Rio e cantor se pronuncia

    Show de Christian Chávez é cancelado no Rio e cantor se pronuncia

    Reprodução/Instagram @christianchavezreal
    Foto colorida de Christian Chávez - Metrópoles

    O show de Christian Chávez, que aconteceria no sábado (7/2) no Rio de Janeiro, foi cancelado poucas horas antes da abertura dos portões. Parte da turnê Para Siempre Tour, que vem atraindo fãs em diferentes cidades do país, a apresentação seria no Teatro Opus Città.

    A expectativa era grande: muitos admiradores compraram ingressos antecipadamente, organizaram deslocamento e se prepararam para uma noite especial ao lado do ídolo. No entanto, poucos minutos antes da abertura dos portões, a equipe do local surpreendeu o público informando que o espetáculo não poderia ser realizado.

    Em nota publicada nas redes sociais, o teatro explicou que, em razão das fortes chuvas que atingem a cidade do Rio de Janeiro, foi identificada uma ocorrência estrutural pontual envolvendo parte do revestimento em gesso do teto no último piso do teatro, ocasionada pelo elevado volume de chuva.

    “A Opus Entretenimento informa que o show do artista Christian Chávez, que ocorreria hoje, dia 7, no Teatro Opus Città, no Rio de Janeiro, precisou ser cancelado. Em razão das fortes chuvas que atingem a cidade do Rio de Janeiro — que, inclusive, motivaram alerta emitido pela Defesa Civil. Não houve feridos: As pessoas que se encontravam no teatro foram prontamente evacuadas, de forma preventiva e segura, e não havia público na área onde foi registrada a ocorrência”, escreveram.

    O show de Christian Chávez será remarcado. “A apresentação será remarcada para uma nova data, que será divulgada em breve pelos canais oficiais. Os ingressos já adquiridos permanecerão válidos.  A Opus Entretenimento lamenta o ocorrido e reforça que todas as medidas adotadas visam, prioritariamente, a segurança do público, dos artistas e das equipes envolvidas”.

    Christian Chávez se pronuncia

    Em suas redes sociais, Christian Chávez também se pronunciou e se desculpou com os fãs.

    “Oi, pessoal. Infelizmente o show de hoje precisou ser cancelado por motivos de seguranças. Por conta da tempestade que aconteceu hoje, houve um problema na estrutura do local. A prioridade é cuidar do público, da equipe e dos artistas. Obrigado pela compreensão e, em breve, traremos novas notícias. Amo vocês”, disse ele.

  • Barril de petróleo furado e papeis podres do Master (Gustavo Krause)

    Barril de petróleo furado e papeis podres do Master (Gustavo Krause)

    Kevin Dietsch/Getty Images
    Donald Trump

    O ano de 2026 começou intenso e veloz. A tradição da pausa do calendário gregoriano – Natal e Réveillon – foi afetada pelo choque de eventos que prejudicaram o ambiente de festa, descanso e reflexão. Dentro e fora do Brasil. Por coincidência, o mês de janeiro tem sido cruel, sem desmerecer o abril, como o mais cruel dos meses, assim referido por T.S. Eliott na abertura do grandioso poema “Terra Desolada”  (tradução controversa).

    Por motivos diferentes da inspiração poética, 06 de janeiro de 2021 registrou o grave atentado ao Capitólio, ameaça concreta à democracia americana; o 08 de janeiro de 2023 marcou a nossa história política pelo vandalismo furioso dos “idiotas úteis” que degradou o patrimônio público, porém, esbarrou na força institucional da ordem democrática; por fim, o 03 de janeiro de 2026 passará para a história como mais um episódio da voracidade expansionista dos impérios, no caso, o neoimperialismo trumpista, amparado pelo corolário da Doutrina Monroe, a  Doutrina Donroe.

    Trump não enganou. Está saindo pior do que a encomenda. Há um equívoco conceitual em se falar numa política externa do governo Trump. O Presidente dos EUA não é político, conceito nobre, estranho a um cidadão que não tem o menor respeito pelos valores, princípios e o conjunto de regras de convivência pacífica  que resolvem divergências, conflitos, com o diálogo civilizado.

    Trump, rei dos cínicos (nada a ver com a corrente filosófica fundada pelo grego Antístenes), é o sujeito que “sabe o preço de tudo e o valor de nada” na definição magistral de Oscar Wilde. Para o presidente americano, a democracia não vale um barril de petróleo furado; a soberania dos povos, um punhado de “terras raras”; o multilateralismo não passa de uma aliança dos fracos e perdedores (os “loosers”) para se proteger dos fortes e vencedores (os “winners”) na visão binária e arrogante do mundo.

    Convenhamos, quem prestar minutos de atenção ao Presidente americano vai perceber ele não tem um corpo: Trump é uma paisagem. Desértica. Agressiva. Dela emanam faíscas que derretem o gelo das calotas polares; labaredas que incendeiam a paz e promovem o trágico morticínio das guerras.

    Por sua vez, o narcisismo patológico e o ego monstruoso infantilizam a política. O prêmio Nobel é o pirulito que foi negado ao menino birrento pelo Comitê Norueguês. O preço a ser pago é a Groenlândia. Pelo valor geográfico estratégico.  Pela disponibilidade das “terras raras”, insumo essencial para os produtos criados pela moderna tecnologia. O espetáculo deprimente protagonizado por Maria Corina Machado não aplacou a apetite do estranho pacificador.

    O desdobramento inspirou uma embromação: a criação do Conselho de Paz. Para quem somente admite o argumento da força, a patranha está na proposição de um espaço em que o diálogo seria o mecanismo adequado para soluções consensuais. Trump quer uma “ONU” para chamar de sua. O premiê canadense, Mark Charney, em Davos, contrapôs um discurso firme, digno, exemplar: “Estamos no meio de uma ruptura da ordem mundial, e não diante de uma transição[…] O fim de uma ficção confortável e o início de uma realidade brutal […] A ordem baseada em regras está se esvaindo, que os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”.

    Na sequência, Trump segue o roteiro de dizer e desdizer; usar superlativos para elogios cavilosos e ofensas gratuitas. Não se resume a um movimento tático para confundir. Vai mais longe: é um método para manter a instabilidade da ordem global. Gerar incertezas. Semear o medo. Ocupar as mídias com um enorme bombardeio de factoides. Dessa forma, a paisagem Trump, sombria e ameaçadora, fortalece o autoritarismo em franca expansão, no século XXI, turbinado pelo afrontoso processo de erosão democrática.

    Trump não é um homem de Estado. É o insensato CEO da formidável multinacional – os EUA – que, numa das mãos, maneja enorme poder econômico e, na outra, carrega as armas letais de potência nuclear. A esperança é que a democracia, nas eleições americanas de meio de mandato, derrote a caquistocracia, o governo dos piores.

    No plano nacional, a liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro, jogou papeis podres no ventilador e afetou o feriado de milhões de brasileiros. Escândalo monumental. Para muitos, Papai Noel foi reduzido a uma sigla da burocracia financeira: o FGC. Para outra multidão, os prejuízos alcançam empréstimos consignados, a previdência de sevidores estaduais e municipais, a clientela de baixa renda, todos enfeitiçados pelos “atraentes produtos” do Will Bank, braço do Master, batizado pelo pernóstico anglicismo incorporado ao hermético idioma do mercado financeiro.

    Na ponta, todos nós, cidadãos brasileiros, vamos pagar o “spread”, cobrado pelos bancos nas operações financeiras. A cada dia, “a maior fraude bancária da história do país”, acumula sujeira de forma espantosa. Não devia surpreender. Este é modelo de negócios da corte brasiliense. Aperfeiçoado. Começa pela construção de uma rede de influência e proteção. Bem articulada. Que se alastra pelos poderes da República exibindo o viço e a força das raízes patrimonialistas e conexões corporativistas. É imundície para todo lado.

    Para além das suspeitas, há evidências de conflitos de interesses; para além de impressões digitais, há claros sinais de advocacia administrativa.

    Existem, todavia, contrapontos à ação deletéria que atinge a confiança institucional: o jornalismo vigilante, a emergência do debate público, o ativismo da sociedade civil e o controle social exercido pelas entidades de fiscalização, investigação. A expectativa é que cumpram com o dever legal.

    Diante de “tenebrosas transações”, o debate público tem se ocupado da adoção de um código de conduta/ética pelo STF. Por dever de ofício, os profissionais do direito sabem que a ética é a medida do caráter e da integridade das pessoas. Prescinde de regras impostas a exemplo do agir de forma justa, observando princípios interiores e valores inegociáveis.

    No entanto, que venham “os códigos”! E que atendam à máxima latina, tão a gosto da rebuscada erudição dos homens da lei: “Quod abundant non nocet”, traduzindo, “o que abunda não prejudica”.

    Gustavo Krause foi ministro da Fazenda 

  • Resumo do BBB 26 hoje: madrugada tem revolta de Samira, aliança de brother questionada e ‘fake news’

    Resumo do BBB 26 hoje: madrugada tem revolta de Samira, aliança de brother questionada e ‘fake news’

    A indicação de Samira ao Paredão, por meio da dinâmica do Duelo de Risco, rendeu uma madrugada agitada entre os brothers, neste domingo (9). A a atendente de bar se frustrou com a escolha de Juliano Floss e Sol Vega, e não se conteve. A sister tirou satisfação com o dançarino, chorou e ainda prometeu […]

  • Bad Bunny no Super Bowl 2026 vira marco cultural e disputa política

    Bad Bunny no Super Bowl 2026 vira marco cultural e disputa política

    John Nacion/ Variety via Getty Images
    Programação de shows em SP em 2026 tem artistas internacionais, grandes nomes nacionais e festivais de música - Metrópoles

    Neste domingo, 8 de fevereiro de 2026, Bad Bunny será o principal artista do show de intervalo do Super Bowl LX, o chamado Halftime Show da final do campeonato da National Football League (NFL), um dos eventos esportivos mais assistidos no planeta. A confirmação do cantor porto-riquenho para o espetáculo, tradicionalmente um dos momentos mais icônicos do calendário televisivo e musical mundial, desencadeou uma ampla gama de reações — que vão do orgulho cultural à controvérsia política — e transformou a participação dele em um dos temas mais comentados na mídia internacional.

    Bad Bunny no Grammy Awards 2026
    Bad Bunny no Grammy Awards 2026

    Uma escolha histórica

    Bad Bunny chega ao palco do Super Bowl após uma carreira marcada por enorme sucesso global, incluindo a vitória no Grammy de Álbum do Ano em 2026 com Debí Tirar Más Fotos, o primeiro álbum totalmente em espanhol a alcançar o reconhecimento máximo da premiação. Ele será o primeiro artista a liderar o show do intervalo predominantemente em espanhol, o que muitos analistas e fãs veem como um marco de representatividade da música latina e da cultura porto-riquenha em um dos palcos mais assistidos da televisão mundial.

    Em coletiva prévia ao evento, Bad Bunny declarou que os 13 minutos de apresentação serão uma celebração da música, da cultura latina e da alegria compartilhada. Ele disse que não pretende dar detalhes do repertório, mas que o público não precisa falar espanhol para se divertir, bastando, nas palavras dele, “apenas dançar”.

    Estratégia e impacto cultural

    A escolha de Bad Bunny também foi entendida pela própria NFL como parte de uma estratégia de crescimento global e de conexão com diversos públicos, especialmente a comunidade latina nos Estados Unidos, que representa um segmento demográfico significativo. A liga manteve a decisão mesmo diante de críticas, reafirmando que a meta é apresentar um espetáculo de alto nível e ressoar com audiências amplas, em vez de ceder a pressões de grupos que questionaram a escolha.

    A celebração da cultura latina foi também perceptível fora dos estádios. Na Bay Area, em San Francisco, onde o Super Bowl será sediado, fãs organizaram eventos como concursos de imitadores de Bad Bunny, reunindo centenas de pessoas em festas de rua que destacaram a conexão emocional e cultural do público com o artista e a música dele.

    jacquemus bad bunny estilo moda fashion - metrópoles
    Bad Bunny

    Críticas e polarização

    Ao mesmo tempo em que muitos veem a presença dele no Super Bowl como um avanço de visibilidade para artistas latinos, outros setores reagiram de forma crítica. A polêmica ganhou contornos nacionais nos Estados Unidos, especialmente entre grupos conservadores e apoiadores do presidente Donald Trump, que qualificaram a escolha do cantor como “inapropriada” para um evento que, segundo eles, deveria refletir valores tradicionalmente norte-americanos.

    Trump chegou a chamar a decisão de “absolutamente ridícula” e afirmou publicamente que não assistiria ao jogo, criticando o que chamou de alinhamento cultural e político de Bad Bunny com agendas contrárias às dele.

    Alguns desses críticos enfatizam que o repertório em espanhol ou as posições públicas do artista sobre políticas de imigração, incluindo declarações contrárias ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), representam um ataque aos valores patrióticos americanos.

    Repercussões dessa polarização incluem iniciativas de grupos conservadores que planejam eventos alternativos ao Halftime Show, como o All-American Halftime Show, organizado como contraproposta com temática patriótica e artistas distintos, buscando oferecer uma opção considerada mais alinhada com determinadas visões ideológicas.

    Donald Trump durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça
    Donald Trump

    Debates sobre identidade e política

    Paralelamente às críticas diretas, o debate em torno de Bad Bunny também expôs tensões maiores sobre a definição do que significa “cultura americana”. A reação adversa contra a participação do cantor tem menos a ver com música do que com narrativas ideológicas mais amplas sobre imigração, língua e identidade nacional. Eles apontam que artistas não-americanos se apresentaram antes, e que o foco em língua espanhola está sendo usado como símbolo de disputas culturais mais profundas.

    Discussões públicas também apareceram em programas de televisão nos Estados Unidos, onde comentaristas defenderam a participação de Bad Bunny e refutaram críticas que classificam a música ou presença dele como “não-americanas”. Eles lembraram, por exemplo, que porto-riquenhos são cidadãos norte-americanos e que outros artistas internacionais se apresentaram no evento sem a mesma controvérsia.

    A arte além do campo

    Para além das polêmicas, a presença de Bad Bunny no Super Bowl reforça um aspecto recorrente do show do intervalo: ele não é apenas um interlúdio musical, mas um momento em que esporte, cultura pop e, muitas vezes, questões sociais, se encontram diante de uma audiência global. A performance prevista, além de celebrar a carreira de um dos maiores fenômenos da música contemporânea, se tornou um reflexo das tensões e debates que atravessam a sociedade americana atual.

    Foto colorida do cantor Bad Bunny - Metrópoles
    Bad Bunny

    Além dos 13 minutos

    O Halftime Show de Bad Bunny no Super Bowl LX 2026 representa, simultaneamente, um marco cultural para a música latina, uma oportunidade de visibilidade global, um elemento de estratégia de mercado para a NFL e um pano de fundo para debates ideológicos sobre identidade e política nos Estados Unidos. A performance, prevista para acontecer em pouco mais de uma dezena de minutos, ganhou significado ampliado na interseção entre esporte, música e os debates que atravessam a sociedade contemporânea.

    bad bunny estilo moda fashion - metrópoles
    Bad Bunny no palco

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    PF e Funai destroem dragas e avançam contra garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó, no PA

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    Com foco em 48 municípios, governo lança edital para reduzir desmatamento na Amazônia

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  • O crescimento do populismo no mundo (por Gaudêncio Torquato)

    O crescimento do populismo no mundo (por Gaudêncio Torquato)

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    Brasília - Direita - Manifestação bolsonarista de 7 de Setembro tem cartazes em inglês, homenagens a Donald Trump e apelo às Forças Armadas - metropoles

    O populismo, outrora um fenómeno esporádico e localizado, tornou-se, nas últimas décadas, uma força global. De Donald Trump nos Estados Unidos a Lula e Jair Bolsonaro no Brasil, de Giorgia Meloni em Itália a Viktor Orbán na Hungria, passando por movimentos populistas em França, Polónia, Argentina e até Portugal, assistimos à emergência ou consolidação de lideranças políticas que se reclamam da “vontade do povo” contra as elites.

    Mas o populismo é um sintoma ou uma doença da democracia? Estará em crescimento sustentado ou apenas a surfar ondas temporárias de descontentamento? A resposta exige uma leitura crítica do nosso tempo.

    Embora o populismo assuma formas diferentes consoante os contextos políticos e culturais, há características comuns que o definem: a retórica da divisão entre “o povo puro” e “a elite corrupta”, o ataque às instituições tradicionais (como parlamentos, justiça e imprensa), a promessa de soluções simples para problemas complexos, e uma liderança forte, carismática e autoritária.

    O crescimento do populismo tem sido evidente não só em países em desenvolvimento, mas também em democracias consolidadas, onde, paradoxalmente, deveria haver mais resistência a este tipo de discurso. Segundo vários estudos internacionais, o número de eleitores que se identificam com partidos populistas triplicou desde os anos 90.

    Entre os fatores que alimentam o populismo, estão as crises econômicas e a desigualdade. A crise financeira de 2008, a austeridade que se seguiu, a precarização do trabalho e o aumento da desigualdade foram o terreno fértil para o crescimento populista. Milhões de cidadãos sentiram que o sistema económico deixou de os representar, tornando-se terreno fértil para promessas de “ruptura” e combate ao “sistema”.

    Mais recentemente, a pandemia e a inflação aceleraram esta sensação de perda de segurança económica, tornando os discursos simplistas ainda mais apelativos.

    Nos últimos tempos, tem crescido a desconfiança nas instituições democráticas. A percepção de que os partidos tradicionais são todos iguais, de que os políticos servem interesses privados, ou de que a justiça é lenta e parcial, mina a legitimidade democrática.

    Neste cenário, os populistas apresentam-se como “antissistema”, mesmo quando integram ou aspiram ao poder.

    Há, ainda, a considerar que muitos movimentos populistas de direita exploram o receio de perda de identidade cultural, associando a imigração e a multiculturalidade a uma suposta ameaça aos valores nacionais. A globalização, ao promover a circulação de pessoas, bens e ideias, é apresentada como uma força que dilui as fronteiras e enfraquece a soberania nacional.

    O populismo promete, assim, “recuperar o controle”: das fronteiras, da economia, da cultura.

    Outra frente de impulso são as redes sociais, que revolucionaram a forma como os cidadãos se informam e participam politicamente. Permitiram acesso direto a líderes, mas também facilitaram a desinformação, o discurso de ódio e a polarização. Os populistas, geralmente bons comunicadores, sabem explorar estas plataformas para amplificar as suas mensagens, contornar as mídias tradicionais e atacar os adversários sem filtros.

    Quem cresce mais é o populismo de Direita, que ganha mais visibilidade mediática, especialmente na Europa e América, Já o populismo de esquerda – que denuncia as elites econômicas, o neoliberalismo, e promete justiça social e redistribuição – tem se arrefecido nos últimos tempos. Ambos têm em comum o apelo direto ao povo, a desconfiança nas instituições e a rejeição dos partidos tradicionais. No entanto, diferem profundamente nas suas propostas políticas, com a direita focada na identidade e ordem, e a esquerda na igualdade e inclusão.

    Que consequências o crescimento do populismo tem para a democracia? O efeito sobre o sistema democrático é ambíguo. Por um lado, obriga o sistema a ouvir os marginalizados e a corrigir excessos de tecnocracia ou afastamento político. Por outro, fragiliza a democracia liberal ao atacar a separação de poderes, a liberdade de imprensa e os direitos das minorias.

    Em regimes mais frágeis, os populistas no poder podem caminhar para o autoritarismo, silenciando a oposição, controlando os tribunais e alterando regras eleitorais. A democracia transforma-se então numa casca institucional com pouco conteúdo pluralista.

    Vejamos o caso de Portugal, onde o populismo teve expressão marginal durante décadas, mas a partir da última década viu-se o crescimento de partidos como o Chega, que canalizam o descontentamento social com uma retórica populista, securitária e nacionalista. Ainda que longe de dominar o sistema, os seus resultados nas eleições e impacto no discurso público são significativos.

    Tal como noutros países, o populismo português nasce do descontentamento acumulado com as políticas tradicionais, do medo face à mudança e da sensação de injustiça permanente.

    Em suma, o populismo está a crescer no mundo, não como uma aberração, mas como uma resposta – legítima ou não – a falhas reais das democracias contemporâneas. Desigualdade, insegurança, corrupção e desinformação são combustível constante deste tipo de discurso.

    Enfrentar o populismo exige mais do que condená-lo moralmente. Requer reformar as instituições, reduzir as desigualdades, promover literacia política e devolver dignidade à ação pública. Só assim será possível responder às angústias do presente sem sacrificar os princípios fundamentais da democracia.

     

    GAUDÊNCIO TORQUATO é escritor, jornalista, professor emérito da ECA-USP e consultor político