Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Pastor expulso por desfalcar caixa de igreja recebia R$ 49 mil de salário

    Pastor expulso por desfalcar caixa de igreja recebia R$ 49 mil de salário

    Reprodução/Redes sociais
    pastor com pegando com bandeira do Brasil

    Em meio a uma grave crise financeira, um dado chama atenção no relatório produzido por uma comissão independente de membros da Igreja Batista Filadélfia, no Guará: o salário do então presidente da instituição disparou nos últimos anos, mesmo com o avanço das dívidas e o agravamento da situação fiscal.

    De acordo com o documento, o pastor Marcos Campos recebia R$ 37 mil em 2021. No entanto, sua remuneração teve um salto expressivo de 33%, alcançando R$ 49.877 em fevereiro de 2025. O aumento ocorreu em paralelo ao crescimento da dívida, dos juros e de tributos não quitados, consumindo a liquidez da igreja justamente em um momento de fragilidade financeira.

    O relatório aponta que, enquanto a remuneração da presidência apresentava a maior expansão absoluta entre os custos da instituição, as contas da igreja seguiam deteriorando. Atualmente, o passivo total chega a R$ 1,8 milhão.

    Dívidas tributárias

    Desse montante, R$ 1.490.571 correspondem a dívidas tributárias — o equivalente a 82% do total — enquanto R$ 322.119 referem-se a outras obrigações. O documento também evidencia um déficit mensal de R$ 275 mil, considerado um sintoma de desequilíbrio estrutural entre receitas e despesas.

    Outro fator que contribuiu para o colapso financeiro foi o investimento de R$ 3,9 milhões em obras nos últimos cinco anos, realizado sem planejamento financeiro adequado ou formação de reservas.

    A auditoria que revelou os números foi conduzida por uma comissão de membros da igreja e validada pelo contador da instituição em assembleia. O relatório resultou na exclusão do pastor da presidência.

    Escândalo agrava crise

    A crise financeira ocorre paralelamente a um escândalo criminal envolvendo o filho do ex-presidente, Gabriel de Sá Campos, de 30 anos. Ele se tornou réu após ser acusado de abusar sexualmente de adolescentes que frequentavam a igreja no Guará. Preso desde dezembro do ano passado, o ex-líder religioso está atualmente no Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo da Papuda.

    As investigações apontam que os crimes ocorreram desde 2019 e envolveram vítimas com idades entre 10 e 16 anos. Segundo a Polícia Civil, ele utilizava sua posição de liderança para ganhar a confiança dos jovens e cometer abusos de forma premeditada.

    Relatos indicam que os crimes ocorreram tanto na igreja quanto na residência do acusado, em situações como encontros privados, festas e atividades organizadas por ele.

    Omissão e silêncio

    O caso também levanta suspeitas sobre a conduta da antiga liderança da igreja. Ao tomar conhecimento de uma das denúncias, o então presidente teria tratado o caso como “brincadeira” e pedido silêncio à família da vítima.

    Em reuniões internas, integrantes da liderança minimizaram as acusações, classificando-as como “mal-entendidos” e defendendo que os problemas fossem resolvidos internamente, sem acionamento das autoridades.

    Mesmo após o afastamento formal, o acusado continuou frequentando a igreja e tendo acesso a áreas restritas, segundo relatos. Há ainda denúncias de intimidação contra vítimas e familiares, incluindo ameaças e abordagens sem a presença de responsáveis legais.

    Colapso financeiro e moral

    Para os membros da comissão responsável pela auditoria, o cenário é resultado de uma combinação de má gestão financeira, ausência de transparência e falhas graves na condução institucional.

    O relatório descreve a situação como crítica e aponta que a igreja enfrenta não apenas um colapso financeiro, mas também uma profunda crise moral e de governança.

    A instituição agora tenta lidar com as consequências de anos de decisões que, segundo o documento, comprometeram tanto sua sustentabilidade quanto sua credibilidade perante os fiéis.

  • Operários do Metrô passam mal após comer marmita de empresa irregular

    Operários do Metrô passam mal após comer marmita de empresa irregular

    Imagem cedida ao Metrópoles
    Mais de 30 operários do Metrô relatam sintomas como diarreia severa após consumo de marmitas. Vigilância Sanitária constatou irregularidades - Metrópoles

    Mais de 30 operários que atuam nas obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo passaram mal após consumirem marmitas fornecidas por uma empresa terceirizada responsável pela alimentação dos trabalhadores. Os trabalhadores relataram sintomas como diarreia intensa e fortes dores abdominais após a refeição.

    Na hora do almoço da última quinta-feira (19/3), como de costume, os operários das obras receberam as marmitas por volta das 12h. O cardápio incluía carne de porco, carne bovina, arroz, feijão e salada, e todos se alimentaram normalmente no canteiro da obra. Na manhã do dia seguinte, sexta-feira (20/3), mais de 30 trabalhadores acordaram, apresentando os mesmos sintomas: diarreia intensa e fortes dores no intestino e na região abdominal.

    Em entrevista ao Metrópoles, um operário que prefere não se identificar descreveu o cenário. “A gente foi trabalhar, mas não deu. O canteiro inteiro passou mal. Foi diarreia para todo mundo. Eu mesmo não dormi a noite inteira, só indo ao banheiro”, contou.

    Segundo o relato, os sintomas se intensificaram já no início da manhã de trabalho, com idas constantes ao banheiro, mal-estar generalizado e dificuldade para seguir nas atividades. Diante da situação, os operários que passaram mal precisaram registrar seus nomes em um relatório do Metrô e foram afastados das funções naquele dia.

    O trabalhador contou ainda que precisou ir a uma farmácia para comprar medicamentos contra diarreia e dores abdominais. “Eu me senti até fraco. Me hidratei, cheguei em casa, consegui me alimentar melhor, mas fiquei com fraqueza o dia todo”, relatou. Segundo ele, os sintomas persistiram até a tarde de sábado (21/3), com melhora apenas no domingo (22/3). O operário afirmou que segue tomando os medicamentos indicados.

    “Textura gosmenta”

    O episódio, segundo o operário, não foi um caso isolado. Ele afirma que a qualidade da alimentação fornecida pela empresa terceirizada já é alvo de reclamações constantes entre os trabalhadores. De acordo com o relato, os problemas vão desde o sabor até a aparência dos alimentos, que muitas vezes chegam ao canteiro em condições consideradas inadequadas. “Não é de hoje que o pessoal reclama. Sempre teve problema com essa comida”, disse.

    Ainda segundo ele, há um histórico de insatisfação coletiva. No entanto, de acordo com o trabalhador, as queixas não resultaram em mudanças efetivas. “Toda vez que aparecia o pessoal, a gente comentava da comida, mas nunca resolveu” afirmou. Entre os exemplos citados, o operário mencionou episódios que reforçam a desconfiança sobre a qualidade da alimentação.“Teve uma vez que fui pegar salada e a beterraba estava com um cheiro ruim, com uma textura meio gosmenta”, contou.

    Irregularidades na manipulação de alimentos

    De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), uma inspeção realizada na última segunda-feira (24/3) identificou irregularidades na manipulação de alimentos e nos processos de trabalho da empresa responsável pelas marmitas, o que resultou na autuação. Segundo o órgão, os problemas envolvem falhas nos procedimentos adotados durante o preparo e o manuseio dos alimentos.

    A pasta informou ainda que, em uma vistoria anterior, realizada no dia 20 de março, foi constatado que as refeições são preparadas no próprio local por uma empresa terceirizada. Na ocasião, os fiscais foram informados de que não havia registros de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) em outras unidades, e a cozinha estava fechada no momento da inspeção, o que limitou a verificação completa das condições de funcionamento.

    “Isso é um absurdo, um total descaso com os trabalhadores. Ninguém aqui é cachorro para ficar comendo comida velha, na verdade, nem com cachorro se faz isso. Nós somos trabalhadores, que levantam cedo para chegar na obra”, afirmou o funcionário.

    Procurado, o Metrô de São Paulo informou, em nota, que tomou conhecimento das denúncias sobre a qualidade da alimentação e que acompanha o caso. As obras são executadas pelo Consórcio do Lote 3, formado pelas empresas PowerChina Brasil e Mendes Júnior, responsável pela contratação dos profissionais e pelo fornecimento da alimentação. De acordo com o posicionamento, o consórcio já presta assistência aos trabalhadores e conduz a apuração das possíveis causas do episódio.

    Histórico de problemas

    As obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo fazem parte de um dos principais projetos de mobilidade urbana da capital, com previsão de ampliação do trajeto entre a Vila Prudente e a Penha, além de uma segunda fase que deve estender a linha até Guarulhos. 

    Apesar dos avanços prometidos, o projeto tem sido marcado por uma série de polêmicas já relatadas anteriormente pelo Metrópoles. Em outubro de 2025, moradores da região denunciaram impactos diretos das obras em suas rotinas, incluindo rachaduras em imóveis, registros de saques em casas desocupadas e até o aparecimento de escorpiões em áreas próximas aos canteiros. Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público de São Paulo chegou a recomendar a suspensão das atividades, mas, à época, os trabalhos seguiram normalmente.

    A primeira fase da expansão prevê a construção de oito novas estações, conectando a Linha 2-Verde à Linha 3-Vermelha, enquanto a , ampliando ainda mais a capacidade do sistema. No entanto, os problemas relatados por moradores e, agora, por trabalhadores das obras, colocam em mostram os desafios enfrentados ao longo da execução do projeto.

  • Justiça travada: crime organizado leva 2 anos para ser julgado no DF

    Justiça travada: crime organizado leva 2 anos para ser julgado no DF

    Michael Melo/Metrópoles
    Delgatti

    O recorte mais recente do Painel Nacional do Crime Organizado, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), expõe um cenário preocupante no Distrito Federal, revelando a existência de processos complexos, alto volume de recursos e um tempo médio de tramitação que ultrapassa dois anos.

    Segundo o levantamento, ações envolvendo organizações criminosas levam, em média, 857 dias ou de dois anos e quatro meses para serem concluídas no DF,  um indicativo claro da dificuldade do Judiciário em acompanhar a sofisticação desses crimes.

    O recorte do DF revela um cenário de alta complexidade processual e volume expressivo de recursos judiciais relacionados a organizações criminosas ao longo de 2025. Os dados mostram que, apesar de avanços em julgamentos, ainda há um estoque significativo de processos pendentes e uma duração média elevada para a conclusão das ações.

    Peso da judicialização

    Até 31 de dezembro do ano passado, a capital da república registrava um total de 22 ações penais pendentes relacionadas ao crime organizado, além de 72 outras ações e impressionantes 3.527 recursos ainda em tramitação. Esse número evidencia que o maior peso da judicialização desses casos recai sobre as instâncias recursais, o que contribui diretamente para a morosidade do sistema.

    A distribuição desses processos revela uma forte concentração no Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por 3.148 dos casos pendentes. Já o Tribunal Regional Federal I (TRF I) acumula 308 processos, enquanto o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) concentra 124 ações. Esse cenário demonstra que as cortes superiores lidam com a maior parte da carga processual envolvendo organizações criminosas.

    Casos pendentes

    Esse fluxo constante de novos processos contribui para a manutenção de um estoque elevado, dificultando a redução da quantidade de casos pendentes. Durante o ano de 2025, o Judiciário do DF julgou 47 ações penais relacionadas ao crime organizado. No entanto, o número mais expressivo está novamente nos recursos: 10.744 foram analisadas no período.

    Nos julgamentos de mérito, houve 48 decisões procedentes — quando a Justiça acata o pedido — e 57 improcedentes, indicando um equilíbrio relativo entre condenações e absolvições ou rejeições de pedidos.

    Outro ponto importante diz respeito ao número de réus por processo. Entre os casos pendentes:

    Múltiplos recursos

    Esses dados mostram que, embora existam casos de grande porte com muitos envolvidos, a maioria dos processos não tem essa informação detalhada ou envolve poucos réus.

    O panorama de 2025 no DF revela um sistema judicial pressionado pelo grande volume de recursos e pela complexidade dos casos de organizações criminosas. Apesar do número significativo de julgamentos realizados, o estoque de processos ainda é elevado, especialmente nas instâncias superiores.

    A combinação entre alta litigiosidade, múltiplos recursos e longa duração processual indica que o enfrentamento ao crime organizado passa não apenas por ações investigativas, mas também por melhorias estruturais e processuais no Judiciário.

     

     

  • Pai de "serial estuprador", pastor deixou igreja com dívida de 1,8 milhão

    Pai de "serial estuprador", pastor deixou igreja com dívida de 1,8 milhão

    Reprodução/Redes sociais
    homem falando em microfone

    Um relatório financeiro produzido por uma comissão independente de membros da Igreja Batista Filadélfia, no Guará, revelou um cenário alarmante nas contas da instituição.

    O documento, elaborado após auditoria interna e validado pelo contador do templo em assembleia geral, expõe um rombo milionário e uma situação fiscal considerada crítica. Tudo sob a gestão do pastor Marcos Antônio Santos Campos. Ele é pai de Gabriel de Sá Campos, preso por uma série de abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes que frequentavam a igreja.

    Segundo o levantamento apresentado no último sábado, a igreja acumula uma dívida total de R$ 1,8 milhão. Desse montante, R$ 1.490.571 correspondem a débitos tributários — o equivalente a 82% do total — enquanto R$ 322.119 referem-se a outras dívidas.

    O relatório aponta, ainda, um déficit mensal de R$ 275 mil, evidenciando um desequilíbrio estrutural entre receitas e despesas. De acordo com o documento, o problema não é pontual, mas resultado de anos de gestão financeira considerada insustentável por parte do pastor.

    Obras milionárias

    Outro dado que chama atenção é o investimento de R$ 3,9 milhões em obras nos últimos cinco anos, realizado sem a criação de reservas financeiras adequadas, o que contribuiu para o agravamento da crise.

    Enquanto as contas da igreja mergulhavam no vermelho, o então presidente da instituição, pastor Marcos Campos, recebia um salário mensal de R$ 49 mil, conforme consta no relatório ao qual a coluna teve acesso. A divulgação do documento resultou na exclusão do pastor da liderança.

    A crise administrativa ocorre em paralelo a um dos mais graves escândalos envolvendo a igreja. Gabriel de Sá Campos, filho do ex-presidente, tornou-se réu em fevereiro deste ano por abuso sexual contra adolescentes que frequentavam a instituição, localizada no Guará (DF).

    Procurado, o pastor não havia enviado manifestação até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto.

    “Serial estuprador”

    O ex-líder religioso, de 30 anos, foi preso temporariamente em dezembro do ano passado, tendo a prisão convertida em preventiva semanas depois. Atualmente, ele está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP), no complexo da Papuda.

    As investigações apontam que os crimes ocorreram desde 2019 e envolveram ao menos quatro vítimas, com idades entre 10 e 16 anos à época dos abusos. Todos os casos envolvem adolescentes do sexo masculino.

    Gabriel atuava como líder de um “ministério da sexualidade”, área responsável por orientar jovens sobre educação sexual. Segundo a Polícia Civil, ele utilizava essa posição para conquistar a confiança das vítimas e cometer abusos de forma recorrente e premeditada.

    “Festas do pijama”

    Os relatos indicam que os crimes ocorreram tanto nas dependências da igreja quanto na residência do acusado. Em alguns casos, ele organizava atividades como “festas do pijama” ou convidava adolescentes para assistir filmes como forma de aproximação.

    As investigações revelaram um padrão de manipulação psicológica e seleção gradual das vítimas. O suspeito criava vínculos com um jovem por vez, cometia os abusos e, após o afastamento da vítima, passava a agir com outro adolescente.

    O caso também levanta questionamentos sobre a postura da liderança da igreja diante das denúncias. Quando tomou conhecimento de um dos episódios, o então presidente classificou o ocorrido como “brincadeira” e “ato involuntário”, pedindo silêncio à família da vítima.

    “Operação abafa”

    Em reunião de liderança, um diácono teria minimizado os fatos como “mal-entendidos” e sugerido que o caso fosse tratado internamente, sem envolvimento das autoridades, em uma possível tentativa de obstrução.

    Mesmo após o afastamento formal, o acusado continuou frequentando cultos e tendo acesso a áreas restritas da igreja.

    Há ainda relatos de intimidação por parte de familiares do investigado, incluindo abordagens a menores sem a presença dos pais e ameaças de processos contra as famílias das vítimas.

    Cenário aterrador

    O relatório financeiro e os desdobramentos criminais revelam uma crise profunda que vai além das questões econômicas. Para membros da comissão que conduziu a auditoria, o cenário é “aterrador” e exige mudanças estruturais urgentes na gestão e na governança da instituição religiosa.

    A combinação de colapso financeiro, denúncias graves e falhas institucionais coloca a Igreja Batista Filadélfia no centro de uma das mais delicadas crises já enfrentadas por uma organização religiosa no Distrito Federal.

  • Pressão alta, remédio, banho: as contradições de coronel em depoimento

    Pressão alta, remédio, banho: as contradições de coronel em depoimento

    Reprodução/TJM
    Homem branco cabelo curto, trajando camiseta amarela. Tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos - Metrópoles

    O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, apresentou uma série de contradições no interrogatório que prestou à polícia imediatamente após ser preso, em 18 de março.

    Ele é suspeito de ter assassinado a esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, 32, no apartamento onde moravam, no bairro do Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. O caso, registrado inicialmente como suicídio, passou a ser tratado como feminicídio após a perícia da cena do crime apontar a possível ação do tenente-coronel.

    Em cumprimento a mandados expedidos pela Justiça comum (TJSP) e pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM), Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março e levado ao 8º Distrito Policial da capital paulista, no bairro do Belenzinho.

    Em depoimento na delegacia, o tenente-coronel falou sobre a dinâmica do casal, problemas de relacionamento e as supostas tentativas de organizar uma separação amigável. Ele também se contradisse em diversos momentos, conforme apurado pelo Metrópoles.

    Pressão alta

    Geraldo usa a pressão alta como principal justificativa para o comportamento que adotou logo após encontrar a esposa baleada. Supostamente nervoso, ele fez diversas ligações antes de pedir socorro e entrou no banho pela segunda vez em poucos minutos.

    O tenente-coronel afirma tomou o segundo banho após “alguém” – que ele supõe ser um médico do SAMU ou um policial – medir sua pressão arterial, verificar que ela estava alta e indicar uma ducha para aliviar a condição.

    O delegado que interroga Geraldo aponta que, pelas câmeras corporais dos policiais presentes, em nenhum momento ele é visto sendo atendido ou tendo sua pressão aferida antes do banho.

    A autoridade policial também questiona o tenente-coronel sobre quem teria feito a medição. Geraldo disse inicialmente que quem mediu falou que a pressão estava alta, mas depois admitiu que não se recorda de quem foi, se foi de fato um médico ou um policial.

    O delegado ainda destaca que é contraditório e “estranho” o marido priorizar um banho mesmo após ver a esposa agonizando. A autoridade destacou que, enquanto Geraldo estava no banho “relaxando e refletindo” sobre a pressão, Gisele ainda estava viva e respirando, momento em que deveria ter recebido os primeiros socorros.

    Remédio

    Novamente por conta do suposto quadro de pressão alta, o tenente-coronel disse em interrogatório que foi medicado no local para atenuar o desconforto.

    O delegado reforça que as câmeras corporais dos policiais não mostram, em momento algum, Geraldo tendo a pressão aferida ou sendo medicado no apartamento antes de ir novamente para o banho.

    Para a autoridade policial, a decisão de tomar uma ducha foi extritamente pessoal, e não uma orientação médica recebida durante o atendimento da ocorrência.

    Mais tarde, ainda em depoimento, Geraldo confirmou que recebeu medicação apenas a Unidade Integrada de Saúde (UIS) do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 1 (CPA/M-1) da Polícia Militar.

    Banho

    O banho que o tenente-coronel tomou após supostamente balear a esposa na cabeça tem sido o indício central para apontar as contradições dele e sustentar a hipótese de feminicídio.

    No interrogatório, ele afirmou ter tomado um “banho rápido” para tentar abaixar a pressão arterial, que estaria muito alta. No entanto, o delegado reforçou a estranheza de que o marido tenha ido se banhar enquanto a esposa agonizava e precisava de socorro.

    O tenente-coronel também se contradisse ao falar sobre o uso de sabonete durante o banho. Ele afirmou que apenas ficou sob a água para abaixar a pressão, mas, em outro depoimento, disse que usou o produto “muito rápido”.

    Geraldo também se contradisse sobre ter feito a barba durante a ducha e sobre ter colocado cueca após o banho. Ele disse inicialmente ter aparado os pelos da face, mas depois voltou atrás quando a autoridade policial demonstrou estranheza com o relato.

    O tenente-coronel também afirmou ter se vestido tão depressa, pelo nervosismo, que teria se esquecido de vestir uma cueca. Imagens recuperadas das câmeras policiais, no entanto, mostram que ele vestia a peça íntima.


    Morte de PM Gisele levou à prisão de tenente-coronel


    A defesa do tenente-coronel Geraldo Neto impetrou um habeas corpus, que deve ser analisado ainda nesta quinta-feira (19/3), quando também será realizada a audiência de custódia – por videoconferência – e que poderá definir se ele permanecerá detido ou responderá ao processo em liberdade.

    Recebido com abraços

    O tenente-coronel da Polícia Militar foi recebido com abraços por colegas de farda ao chegar nas dependências do Presídio Militar Romão Gomes. O momento foi capturado em vídeo pelo youtuber Oslaim Brito. Veja:

    As imagens mostram o tenente-coronel chegando ao presídio em um carro descaracterizado, seguido por uma viatura da Corregedoria da PM. Em seguida, ele aparece na entrada da penitenciária sendo abraçado por um colega de farda, com “tapinhas” nas costas.

  • Salário médio de juízes em 2025 foi de R$ 99 mil, mostra levantamento

    Salário médio de juízes em 2025 foi de R$ 99 mil, mostra levantamento

    Getty Images/ David Talukdar
    Sessão é suspensa após a juíza dizer “que se dane a OAB” e mandar retirar os advogados do local

    O salário bruto médio mensal dos magistrados da justiça estadual brasileira foi de R$ 99 mil em 2025. O levantamento, publicado nessa terça-feira (24/3), foi feito pelas organizações Transparência Brasil e República.org.

    De acordo com o estudo, os tribunais de justiça estaduais pagaram mais de R$ 10,7 bilhões acima do teto constitucional em 2025.

    A análise aponta que 98% dos magistrados receberam valores além do limite permitido, que é R$ 46.366,19 mensal. Um a cada quatro magistrados recebeu R$ 1 milhão acima do teto no acumulado do ano. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) é o principal responsável por esses números, com 3.039 de seus membros (88% do órgão) recebendo acima de R$ 1 milhão extrateto.

    Esse fenômeno é impulsionado por “penduricalhos”, como pagamentos retroativos e licenças compensatórias, que elevam os salários médios a patamares muito superiores ao permitido pela Constituição.

    Discussão no STF

    Nesta quarta-feira (25/3), o STF retoma o julgamento sobre o pagamento de verbas indenizatórias a membros de Poderes sem previsão expressa em lei. Os pagamentos foram suspensos por liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes. Agora, os ministros avaliam se vão manter a decisão ou não.

    Eles devem se basear em uma nota técnica feita por uma  comissão criada pela Corte para apresentar propostas em relação aos penduricalhos no Judiciário. A comissão identificou que foram gastos R$ 9,8 bilhões com penduricalhos para a magistratura. No caso do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), foram R$ 7,2 bilhões.

    O documento propõe soluções transitórias e estruturais. No primeiro caso, seria a adoção da legislação do Imposto de Renda como parâmetro para definir verbas indenizatórias. Mas, a longo prazo, a solução seria uma definição clara do que é verba remuneratória e o que é efetivamente indenizatória, a criação de mecanismos para reajustar a remuneração de base de forma automática e a implementação de sistemas que permitam a fiscalização comparativa de todos os pagamentos em todos os níveis da federação.

  • Eleição em MG: Pacheco se aproxima do PSB, mas não fecha outras portas

    Eleição em MG: Pacheco se aproxima do PSB, mas não fecha outras portas

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), concede entrevista à imprensa antes de deixar cargo

    Belo Horizonte – O senador mineiro Rodrigo Pacheco, atualmente filiado ao PSD, é o “plano A” do presidente Lula (PT) para concorrer ao governo de Minas Gerais e dar palanque ao petista no estado para sua campanha de reeleição ao Planalto. Pacheco, porém, ainda não aceitou a missão oficialmente e um dos motivos é que falta um partido para lhe abrigar na missão.

    Com os prazos se apertando e as negociações se aprofundando, Pacheco ficou perto de um acordo com o PSB, presidido pelo pernambucano João Campos, mas a questão ainda não está fechada segundo aliados do parlamentar mineiro.

    O secretário-geral do PSB em Minas, Adenor Simões, confirmou ao Metrópoles que o partido quer ter Pacheco em seus quadros. “A conversa com o senador tem avançado e sempre com o objetivo de construir uma frente pra enfrentar os problemas do estado. Uma construção em grupo, onde os nossos pré-candidatos a deputados têm um papel importante”, afirmou ele, confirmando reunião com o senador para esta semana.


    O calendário eleitoral de 2026


    Pacheco vai se reunir com caciques do PSB, mas mantém portas abertas para articulações com outras legendas que poderiam recebê-lo: MDB e União Brasil. A negociação com esses dois partidos de centro tem sido complicada porque eles não são coesos e têm alas de apoio e de oposição a Lula.

    No PSB, teoricamente, o caminho seria mais fácil, mas Pacheco tem se mostrado paciente e resistido inclusive a dizer se vai ser candidato. Apesar disso, ele tem acompanhado o presidente da República em visitas a Minas.

    Pacheco tem insistido nas conversas de bastidor que precisa de uma coligação forte para enfrentar a direita em Minas e quer controlar no estado o partido que o receber.

    Troca é necessária

    O que Pacheco sabe é que não poderá concorrer por seu partido atual, o PSD. A sigla presidida por Gilberto Kassab já tem um pré-candidato consolidado em Minas, o governador Mateus Simões, que era vice e assumiu o cargo no último fim de semana, com a renúncia de Romeu Zema, pré-candidato do Partido Novo à presidência da República.

    Opositor de Lula e aliado de Zema, Simões é o candidato da situação em Minas. Ele, porém, enfrenta adversários fortes desde a direita. As pesquisas até agora indicam a liderança do senador Cleitinho (Republicanos) na disputa. Ele, porém, ainda não bateu o martelo sobre se candidatar mesmo, mas tem resistido a compor com Simões.

  • Argentina ré por injúria racial no Rio pede devolução de passaporte

    Argentina ré por injúria racial no Rio pede devolução de passaporte

    Reprodução
    Agostina Paez, turista argentina acusada de injúria racial contra gerente de bar em Ipanema RJ

    No primeiro dia de julgamento da argentina Agostina Páez, de 29 anos, por injúria racial, a defesa pediu a devolução do passaporte dela. Os advogados também esperam conseguir uma autorização para que ela possa cumprir a pena na Argentina.

    Agostina é acusada de fazer gestos racistas, que imitavam macacos, e xingar um funcionário de um bar localizado em Ipanema, na zona sul do Rio. O caso ocorreu em 14 de janeiro e foi registrado em um vídeo que viralizou na internet.

     

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    A argentina foi presa em flagrante e liberada com a condição de usar tornozeleira eletrônica e não deixar o país. O consulado da Argentina no Rio de Janeiro acompanha o caso e um representante esteve presente durante o julgamento nesta terça-feira (24/3). Nesta primeira sessão, foram ouvidas as testemunhas e o depoimento da ré.

    “Entramos na audiência esperando uma pena de pelo menos dois anos, a serem cumpridos na Argentina. Mas o promotor entendeu que o pedido de desculpas significava que Agostina compreendeu o que o racismo representa para o Brasil”, disse a advogada Carla Junqueira após a audiência.

    Segundo ela, a promotoria solicitou que Agostina pague aproximadamente US$ 50 mil em indenização a cada uma das vítimas.

    No último dia 11, Agostina usou as redes sociais para fazer um pedido de desculpas para as vítimas. Ela alegou que não tinha se manifestado antes por uma orientação dos advogados.

    “Não foi um erro pequeno meu ou algo sem importância […]. Eu cometi um erro e estou assumindo minha responsabilidade, e pagando as consequências disso. Eu realmente peço desculpas de coração a quem se sentiu ferido, humilhado com minha atitude”, disse Agostina.

    Ela afirmou, ainda, que “desconhecia” o racismo e não sabia da seriedade das ofensas. “Por ignorância, desconhecia o que era racismo e agora entendo que não é uma simples ofensa, e sim algo ofensivo para quem sofreu e sofre com isso até hoje”, complementou.

     

  • México: estudante mata professoras após exibir fuzil nas redes sociais

    México: estudante mata professoras após exibir fuzil nas redes sociais

    Reprodução/ Redes sociais
    Foto colorida de estudante exibindo fuzil horas antes de atacar e matar professoras em escola particular no México - Metrópoles

    Um adolescente de 15 anos foi preso nessa terça-feira (24/3) depois de matar a tiros duas professoras em uma escola particular do município de Lázaro Cárdenas, no oeste do México. Horas antes do ataque, o estudante publicou um vídeo nas redes sociais posando e exibindo a arma em frente a um espelho.

    De acordo com a polícia local, o jovem, identificado apenas como Osmer H., atacou as professoras María Del Rosario S., de 36 anos, e Tatiana B., de 37 anos, no corredor de entrada da escola. As duas morreram no local.

    O adolescente utilizou um fuzil semiautomático do tipo AR-15. A arma foi apreendida junto com um carregador. Osmer é enteado de um fuzileiro naval, que negou ser o proprietário da arma usada no crime.

    Segundo o jornal El País, conteúdos publicados pelo jovem nas redes sociais indicam possível associação ao movimento incel, uma comunidade on-line conhecida por discursos misóginos e antifeministas.

    O caso é investigado pelas autoridades locais.

  • Acordo Mercosul-UE valerá provisoriamente em maio, confirma governo

    Acordo Mercosul-UE valerá provisoriamente em maio, confirma governo

    O acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrará em vigor em 1º de maio de 2026, confirmou o governo brasileiro nesta terça-feira (24). A aplicação ocorre após a conclusão dos trâmites internos e a troca formal de notificações entre as partes.

    Em nota conjunta, os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informaram que, em 18 de março, o Brasil avisou à Comissão Europeia que concluiu o processo interno de ratificação do acordo.

    A resposta da União Europeia foi enviada em 24 de março, cumprindo as exigências previstas no texto para o início da vigência provisória.

    Na semana passada, o Congresso Nacional promulgou o acordo, mas faltam algumas formalidades. Segundo a nota conjunta, o decreto de promulgação, ato final que incorpora o tratado ao ordenamento jurídico, está em fase avançada de tramitação. Esse é o último passo para tornar o acordo obrigatório no país.

    Após mais de duas décadas de negociações, o acordo é considerado pelo governo um dos mais relevantes projetos de integração econômica do país. A expectativa é ampliar o acesso de empresas brasileiras a um dos maiores mercados do mundo.

    “O governo brasileiro reafirma seu compromisso com a plena implementação do Acordo Provisório de Comércio e seguirá trabalhando, em estreita coordenação com os demais Estados-Partes do Mercosul e com a União Europeia, para que seus benefícios se traduzam em crescimento, geração de empregos e desenvolvimento sustentável”, destacou a nota oficial.

    A medida deve favorecer exportações, atrair investimentos e integrar o Brasil às cadeias globais de valor, além de ampliar a oferta de produtos europeus no mercado interno.

    Ontem (23), a UE tinha anunciado a aplicação provisória do acordo a partir de 1º de maio. Apesar do avanço, o acordo enfrenta resistência dentro da Europa.

    Países como a França, com apoio de nações como Polônia, Irlanda e Áustria, temem impactos negativos sobre o setor agrícola, diante da concorrência de produtos sul-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a aceleração da aplicação provisória, enquanto agricultores e ambientalistas europeus também se opõem ao tratado.

    Por outro lado, países como Alemanha e Espanha apoiam o acordo por enxergarem oportunidades comerciais e estratégicas, como a diversificação de parceiros e acesso a recursos naturais.

    O texto ainda passa por análise no Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a entrada em vigor definitiva, caso sejam identificadas incompatibilidades com as regras do bloco.