Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Barbie PM e viatura-motel: sexualizar policiais nas redes é crime?

    Barbie PM e viatura-motel: sexualizar policiais nas redes é crime?

    Lara Abreu / Arte Metrópoles
    Policiais sexualizadas: perfis falsos e conteúdo proibido são banidos

    O uso deInteligência Artificial (IA) nas redes sociais para criar imagens sexualizadas de policiais femininas tem chamado atenção das autoridades de Segurança Pública. Na última semana, diversas páginas compartilharam a foto de uma mulher loira, com aparência atraente, vestindo uma blusa idêntica à da Polícia Civil — sem indicação de estado — fazendo uma selfie. Ao lado dela, apareceria um agente, supostamente dirigindo uma viatura.

    Embaixo da foto gerada por IA, tinha um vídeo de uma mulher transando dentro de um carro, com a legenda: “Delegada é flagrada dentro de um carro com parceiro de farda em rua escura”.

    Outras contas replicaram a mesma imagem, alterando apenas os títulos, mas mantendo a narrativa de que uma suposta delegada estaria envolvida em relações sexuais com um colega durante o expediente.

    Na mesma rede social, outros perfis exibem a chamada “Barbie da PM e uma policial acompanhada da legenda: “Ninguém sabe, mas hoje eu raspei a minha ‘ppk’ antes do serviço”. As fotos foram borradas, pois ainda não há confirmação de que se trate de pessoas reais; algumas podem ter sido geradas ou modificadas por IA.

    Imagens: 

    Investigações

    Embora a imagem aparente ser fictícia e, portanto, não configure crime penal diretamente, a situação gera constrangimento às corporações e caracteriza sexualização indevida de mulheres, afetando a imagem institucional. O episódio tem motivado investigações, e algumas contas já foram suspensas com base no Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização de provedores e usuários por conteúdos que violem direitos civis, incluindo a criação de perfis falsos ou difamatórios.

    Além do direito civil de solicitar a exclusão de perfis fraudulentos, plataformas como a Meta possuem diretrizes que proíbem a criação de contas com informações falsas ou que objetivem constranger terceiros.

    Criação de perfis falsos

    A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) diz que atua de forma permanente no enfrentamento a crimes digitais, inclusive envolvendo o uso indevido de tecnologias avançadas, como Inteligência Artificial. A corporação possui a Delegacia Especializada na Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) e divisão pericial no Instituto de Criminalística, capacitada para atuar com tecnologia de IA.

    Todas as delegacias da PCDF estão aptas a apurar crimes digitais conforme a natureza do fato, e os policiais civis recebem capacitação contínua por meio da Escola Superior de Polícia, especialmente em temas relacionados a crimes cibernéticos e novas tecnologias.

    A PCDF orienta que qualquer pessoa que se sinta lesada ou tenha conhecimento de situações envolvendo uso indevido de imagem, criação de perfis falsos ou manipulação de conteúdo digital procure a corporação para registro da ocorrência, incluindo a possibilidade de denúncia anônima, garantindo a adequada apuração dos fatos.

  • Fundos ligados a políticos do MT receberam milhões após acordo da Oi

    Fundos ligados a políticos do MT receberam milhões após acordo da Oi

    Reprodução/Redes Sociais
    Mauro Mendes e o filho_capa

    Uma ação popular ajuizada no Mato Grosso (MT) aponta que empresas ligadas a parentes do governador Mauro Mendes (União Brasil) e do deputado federal licenciado e chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União Brasil), teriam se beneficiado de um acordo para o pagamento de uma dívida tributária da empresa Oi, no valor de R$ 308 milhões. A movimentação, segundo a denúncia, também teria favorecido o desembargador Ricardo Almeida, do Tribunal de Justiça do MT (TJMT).

    A ação foi movida pelo ex-governador mato-grossense Pedro Taques (2015 e 2019), que também é ex-procurador da República. Taques é adversário político de Mauro Mendes na disputa por uma das duas vagas do estado para o Senado nas eleições deste ano.

    Taques, que atualmente chefia um escritório de advocacia no MT, apresentou outras cinco representações com pedidos de investigação sobre o suposto episódio. Elas foram protocoladas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Procuradoria-Geral da República (PGR), no Tribunal de Contas do Estado (TCE), no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na Assembleia Legislativa de MT.

    Dívida tributária

    De acordo com a ação popular, o governo do MT executou, em 2009, uma dívida fiscal de ICMS contra a empresa de telefonia Oi, que está em processo de recuperação judicial, depois da suspensão de um decreto de falência no final de 2025. Nove anos depois, em 2018, o processo contra a companhia foi concluído a favor do estado do Mato Grosso.

    Em 7 de novembro de 2020, porém, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu uma guinada no caso. Ela determinou que a lei que dava sustentação à cobrança do ICMS era inconstitucional. Com isso, surgiu um fato novo e a Oi passou a ter o direito de entrar na Justiça com ação rescisória do débito.

    Para isso, contudo, havia um limite de tempo. Segundo a ação popular, ele teria vencido em 7 de novembro de 2022 e a Oi só protocolou a rescisória no dia 9 de novembro. Ou seja, com o atraso, a empresa teria perdido o direito de recorrer da medida. A atual denúncia afirma que a Procuradoria-Geral do MT (PGE), órgão que advoga pelos interesses do estado, não contestou a suposta perda do prazo processual.

    Em outubro de 2023, acrescenta a ação popular, a Oi vendeu os direitos creditórios ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados por R$ 80 milhões. Dois meses depois, em dezembro de 2023, o mesmo escritório propôs um acordo ao estado do MT para encerrar o litígio. O valor da dívida, nessa ocasião, foi estimado em R$ 583,4 milhões. Depois, com a negociação, foi reduzido para R$ 308 milhões.

    Com aval da PGE, o acordo foi firmado em 25 minutos, no dia 10 de abril de 2024. Nessa data, diz o processo, a papelada saiu às 16h57 da PGE com o parecer favorável, foi homologada pelo procurador-geral às 17h16 e chegou ao gabinete do governador às 17h19. O documento recebeu a assinatura final às 17h22. A ação afirma que, a partir daí, houve o pagamento dos R$ 308 milhões para o escritório de advocacia.

    Rede de fundos

    Segundo a ação, o repasse dos R$ 308 milhões foi para uma rede de sete fundos de investimento. Na ponta dessa estrutura financeira estariam o Royal Capital FIDC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios) e o Lotte Word (outro FDIC), ambos administrados pelo Banco Master. A seguir, viriam o Golden Bird FIDC, o Coliseu FDIC, o Venture Finance, o GS Heritage FIM e o 5M Capital FIP (Fundo de Investimento em Participações).

    Empresas

    O ponto central da ação popular afirma que, na outra ponta do suposto esquema, estavam nove empresas que foram beneficiadas, com investimentos dos fundos. O Lotte Word teria usado recursos para adquirir direitos creditórios de companhias como a Universal Comercializadora e Mega Comercializadora de Energia. Ambas, cita a ação, pertencem ao pai de Fábio Garcia, o chefe da Casa Civil do MT.

    O Royal Capital, acrescenta a ação, teria cedido direitos creditórios para o escritório de advocacia Ricardo Almeida. Posteriormente, recursos do Lotte e do Royal teriam irrigado os demais fundos (Golden Bird, Coliseu, Venture Finance, GS Heritage e 5M Capital).

    O Coliseu teria aportado R$ 34 milhões para adquirir cotas do Lotte Word e do Venture FIDC. Este, por sua vez, adquiriu R$ 100 milhões em debêntures da Sollo Energia e R$ 19 milhões em notas promissórias da Minerbras Mineração. As duas empresas têm como sócio-administrador o filho do governador, Luis Antônio Taveira Mendes, conhecido como Luisinho (na foto em destaque, ao lado do pai).

    O ex-governador Pedro Taques, procurado pelo Metrópoles, afirmou que a ação popular é resultado de uma investigação conduzida desde maio de 2025. “Nesse período, estando em risco de serem identificadas essas relações societárias e de controle de fundos e empresas, Luis Taveira Mendes passou a figurar como ex-sócio das empresas implicadas na rede, como no caso da Minerbras Mineração e do seu fundo 5M Capital”, diz. Taques acrescentou que o “enredo descrito aponta para o protagonismo do advogado Ricardo Almeida”, nomeado desembargador do TJMT, em 2025, pelo governador Mauro Mendes.

    Desembargador contesta

    Procurado pelo Metrópoles, o desembargador Ricardo Almeida contestou as acusações feitas pelo ex-governador mato-grossense. “Os fatos mencionados referem-se a período anterior à minha atuação como desembargador, quando ainda exercia a advocacia. À época, meu escritório foi regularmente contratado para intermediar a aquisição de créditos da Oi S/A em favor de fundos de investimento legalmente constituídos”, afirmou.

    Almeida afirma que a aquisição dos créditos e as tratativas de composição com o estado de Mato Grosso “foram conduzidas de forma regular e resultaram na celebração de termo de composição devidamente homologado pelo Poder Judiciário, com significativo desconto em favor do Estado”.

    De acordo com Almeida, a legalidade da aquisição do crédito foi reconhecida pelo juízo da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, após manifestação do administrador judicial. “Da mesma forma, o juízo do Núcleo de Justiça Digital de Execuções Fiscais Estaduais 4.0 da Comarca de Cuiabá, após ouvir o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, reconheceu a regularidade dos pagamentos efetuados, nos termos do acordo homologado”.

    Por fim, o desembargador diz que “todas as decisões judiciais mencionadas encontram-se transitadas em julgado” e que “os valores restituídos pelo estado de Mato Grosso decorrem de decisão do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança realizada em desfavor da Oi S/A”.

    Resposta do governo

    Por meio de nota, o governo do Mato Grosso, respondeu às acusações em cinco tópicos. Veja a íntegra:

    1- “O acordo conduzido pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) ocorreu no processo da Oi de forma correta, legal e com vantagem para o estado, evitando o bloqueio das contas. Em 2010, o estado bloqueou dinheiro da Oi e o tributo objeto do bloqueio foi considerado inconstitucional pelo STF, ou seja, o estado tinha a obrigação legal de devolver o valor corrigido

    2- “Esse crédito que a Oi tinha para receber foi cedido pela empresa a terceiros, de forma legal, fato atestado pelo administrador judicial e pela Vara da Recuperação Judicial.

    3- “A PGE formalizou um acordo para evitar mais prejuízo ao estado e parcelou o pagamento, conseguindo mais de R$ 300 milhões de economia aos cofres públicos. Portanto, todo o trâmite deste processo seguiu os princípíos da legalidade e vantajosidade.

    4 – “Eventuais fatos ocorridos após o pagamento estão exclusivamente na área privada e não tem qualquer vínculo com o estado.

    5 – “Pedro Taques se coloca como candidato ao Senado e, ao que tudo indica, está tentando criar narrativas falsas ou desvirtuando a legalidade e a verdade. Ele já está sendo devidamente processado por isso”.

     

  • PIS/Pasep 2026: guia definitivo de quem recebe e como consultar

    PIS/Pasep 2026: guia definitivo de quem recebe e como consultar

    O pagamento do PIS/Pasep começa em fevereiro. Valor chega a R$ 1.621 e consulta pode ser feita pelo app da Carteira de Trabalho Digital

  • Lula participa de sessão de abertura do Ano Judiciário no STF

    Lula participa de sessão de abertura do Ano Judiciário no STF

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
    Lula

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta segunda-feira (2/2), da sessão solene de abertura do Ano Judiciário, marcada para as 14h, no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. A cerimônia marca a retomada oficial dos trabalhos do Judiciário após o recesso de fim de ano.

    O evento deve reunir ministros da Corte, autoridades dos Três Poderes e representantes de instituições do sistema de Justiça. A presença do presidente da República segue a tradição institucional da solenidade, que tem caráter simbólico e não envolve julgamento de processos.

    Os presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), também confirmaram presença na cerimônia.

    Dentre os integrantes do Supremo, apenas o ministro Luiz Fux não deve comparecer presencialmente. Segundo nota divulgada pelo gabinete dele, o magistrado foi diagnosticado com pneumonia dupla causada pelo vírus Influenza e seguirá orientação médica para evitar atividades presenciais. Apesar do quadro de saúde, Fux deve acompanhar a sessão por videoconferência.


    Abertura do Ano Judicial


    A reabertura ocorre em um momento de forte exposição do STF no debate público. Nos últimos meses, a Corte tem sido alvo de questionamentos sobre a conduta de magistrados, especialmente após revelações relacionadas ao escândalo do Master, o que ampliou a pressão por maior transparência e pela adoção de um código de ética específico para os ministros.

     

    Além do Judiciário, esta segunda-feira também marca a retomada das atividades do Congresso Nacional após o recesso parlamentar. No Legislativo, uma das expectativas do governo para o primeiro semestre é a análise, pelo Senado Federal, da indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

    Atualmente, a Corte funciona com apenas 10 ministros, desde que Luís Roberto Barroso deixou o STF em outubro do ano passado. A eventual confirmação do nome indicado pelo Palácio do Planalto deve recolocar o tribunal em sua composição completa e tende a influenciar o equilíbrio interno da Corte em um ano de debates sensíveis no campo político e institucional.

  • Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do orçamento do Carnaval de Rua

    Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do orçamento do Carnaval de Rua

    Jéssica Bernardo/ Metrópoles
    daniela mercury carnaval sp 2025 2

    A Prefeitura de São Paulo cortou R$ 12,3 milhões do orçamento voltado para custear as despesas com infraestrutura do Carnaval de Rua de São Paulo. Em 2026, a gestão Ricardo Nunes (MDB) investiu R$ 42,5 milhões no evento. Neste ano, o repasse ficará em R$ 30,2 milhões e será pago integralmente com a verba do patrocinador da festa.

    Os valores foram confirmados, na sexta-feira (30/1), pelo CEO da SPTuris, a empresa de turismo da capital paulista, Gustavo Pires. Ao Metrópoles, ele justificou a redução de investimentos como uma “adequação na operação como um todo”.

    “Ano passado a gente teve vários trajetos que não tiveram o público que era esperado. Então, por exemplo, Av. Luiz Dumont Villares, a gente extinguiu. Por quê? Porque não teve público. […] É uma adequação natural. No processo a gente vai tendo um aprendizado”, disse Gustavo.

    Os gastos com infraestrutura envolvem a verba utilizada, por exemplo, na contratação de banheiros químicos e gradis, e o repasse de R$ 2,5 milhões feito aos blocos de rua – 100 blocos recebem R$ 25 mil da Prefeitura.

    O Metrópoles questionou ao CEO se a redução não poderia impactar negativamente a organização do Carnaval neste ano, mas Gustavo negou. Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto por “todos os órgãos” envolvidos no Carnaval, que estaria “totalmente seguro”.

    Pela primeira vez, os R$ 30,2 milhões utilizados para financiar a infraestrutura da festa deste ano serão pagos integralmente pelo patrocinador do evento, a Ambev. A reportagem apurou que, do total pago pela Ambev, a Prefeitura transferiu para as contas da SPTuris cerca de R$ 10 milhões até o momento.

    Blocos pedem verba

    A decisão da Prefeitura de cortar os investimentos na infraestrutura do Carnaval de rua acontece no mesmo momento em que blocos têm anunciado risco de cancelar seus desfiles por não conseguirem patrocínio de empresas. Um dos mais famosos da cidade, o Sargento Pimenta suspendeu o desfile na capital paulista neste ano após ficar sem patrocinador.

    Parte dos blocos, como o feminista Pagu, defendem que a Prefeitura aumente o repasse de verbas feito aos grupos. O valor segue o mesmo desde 2024.

    Nunes, no entanto, disse que não vai aumentar as verbas e que um bloco não pode “ficar acomodado” com o apoio do governo.

    “A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio.”

    Na última sexta, o prefeito alegou que prefere ampliar o número de blocos atendidos, “se tiver recurso”, do que aumentar os repasses. “Prefiro passar a atender 150 blocos, 200 blocos”, disse.

    O edital que permitiu os repasses aos blocos foi criado pela própria gestão do emedebista em 2024. Um ano antes, a prefeitura promoveu outro edital de fomento aos blocos, com o intuito de socorrer os grupos prejudicados pela pandemia de Covid-19, com repasse maior.

  • Governo Lula tirou R$ 48,6 bilhões do cálculo da meta fiscal

    Governo Lula tirou R$ 48,6 bilhões do cálculo da meta fiscal

    Hugo Barreto/Metrópoles
    O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad em cerimonia do governo

    O governo federal anunciou, na última quinta-feira (29/1), o cumprimento formal da meta fiscal de 2025, que prevê déficit zero.

    No entanto, o resultado mais relevante das contas públicas só foi possível graças à exclusão de R$ 48,7 bilhões em despesas do cálculo oficial do resultado primário, uma prática permitida pelo atual arcabouço fiscal, mas que intensificou o debate sobre a saúde das contas públicas brasileiras e a transparência do regime fiscal.

    Os dados oficiais do mostram que, em 2025, o déficit primário total do governo central, que envolve Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social, foi de R$ 61,6 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do rombo registrado em 2024, de R$ 42,9 bilhões (em valores não corrigidos pela inflação).

    Ao excluir R$ 48,7 bilhões em gastos considerados “fora da meta”, o déficit contabilizado para fins da meta fiscal ficou em R$ 13 bilhões, ou 0,1% do PIB.

    A meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) era de déficit zero, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, o que corresponde a cerca de R$ 31 bilhões em 2025.

    Ou seja, sem os R$ 48,7 bilhões em exclusões, a equipe econômica não teria cumprido a meta fiscal formalmente pactuada.

    As exclusões que permitiram ajustar o déficit para dentro da meta são previstas no arcabouço fiscal, que introduziu novas regras para o controle de despesas e metas primárias. Entre os principais itens retirados do cálculo estão:

    As exclusões são permitidas quando os gastos são considerados não estruturais, temporários ou vinculados a decisões judiciais, ou quando há autorização legislativa específica, como no caso de algumas despesas em defesa nacional.

    Exceções a meta fiscal

    O arcabouço fiscal foi concebido para substituir o antigo teto de gastos, amarrando o crescimento das despesas a limites de receita e introduzindo gatilhos automáticos se metas não forem atingidas.

    No entanto, a prática de excluir itens significativos da base de cálculo tem gerado criticas entre economistas e especialistas em política fiscal, por diversas razões.

    Uma delas é a desancorarem das expectativas, isso porque analistas afirmam que o governo está transformando a meta em um instrumento mais flexível e menos efetivo, o que pode dificultar a avaliação real do esforço fiscal do governo e afetar a confiança de mercados e agências de risco.


    Entenda o que é o arcabouço fiscal


    Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, mesmo que o governo tenha cumprido formalmente as metas de primário em 2024 e 2025, não houve necessariamente um esforço fiscal. De acordo com a IFI, a utilização de abatimentos de despesas das regras fiscais e de receitas não recorrentes para alcançar os objetivos pode caracterizar essa falta de esforço.

    Para o head de macroeconomia do ASA, Jeferson Bittencourt, a variação da meta como referência de esforço fiscal adicional do governo tem que ser relativizada, porque metade da melhora prometida se perde em exceções adicionais.

    “Se olharmos a melhoria de resultado primário prometida pela meta, seja comparando o centro ou o piso, esta melhora é de 0,25% do PIB para 2026 em relação a 2025. Isso equivale a um resultado primário R$ 34,3 bi melhor de um ano para outro. Ocorre que, concomitantemente a esta promessa de melhora, há esta autorização para, no mesmo período, uma elevação das exceções à meta”, explicou.

    Perspectivas para 2026

    Com a meta de 2025 formalmente cumprida, o olhar dos especialistas já se volta para 2026, ano em que o governo espera consolidar superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões, com a mesma margem de tolerância de 0,25% para cima ou para baixo, sendo que o piso é o déficit zero.

    Analistas projetam que o governo tentará repetir a fórmula de exclusões e manobras fiscais para manter a meta de 2026 dentro dos parâmetros legais, mesmo com demandas por gastos públicos e pressões inflacionárias.

    Apesar disso, pressões de longo prazo, como o crescimento das despesas obrigatórias, juros da dívida e outras demandas sociais, continuam a desafiar a política fiscal.

    Um dos instrumentos que podem ser usados para aliviar essas pressões é o “empoçamento”, já citado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma ferramenta a ser utilizada.

    Segundo o subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde, o governo deve abater cerca de R$ 62,5 bilhões dos cálculos para cumprir a meta fiscal em 2026. 

    De acordo com ele, devem ser retirados do cálculo para cumprir a meta:

  • A turnê histórica que levou Caetano Veloso e Bethânia ao Grammy 2026

    A turnê histórica que levou Caetano Veloso e Bethânia ao Grammy 2026

    Beatriz Queiroz/Metrópoles
    Imagem colorida de Caetano Veloso e Maria Bethânia no palco - Metrópoles

    Maria Bethânia, de 79 anos, e Caetano Veloso, de 83, transformaram em turnê o reencontro artístico que o público aguardava havia décadas. A Caetano e Bethânia Tour, que também originou o álbum Caetano e Bethânia Ao Vivo, ganhou reconhecimento internacional neste domingo (1º/2), com a vitória dos irmãos na categoria de Melhor Álbum de Música Global no Grammy 2026.

    A parceria levou ao cenário internacional um repertório que há mais de 60 anos ocupa lugar central na música brasileira. Referências de sua geração, Caetano e Bethânia mantêm relevância artística com obras que atravessam épocas e formatos de consumo.

    Embora tenham dividido projetos e participações ao longo da carreira, a turnê marcou uma reunião estruturada dos dois nos palcos, concebida como celebração da trajetória artística de ambos.

    O projeto foi pensado como um espetáculo de formato mais próximo e centrado no repertório, revisitando canções que atravessaram gerações e ajudaram a definir a música popular brasileira nas últimas décadas. Para artistas e público, o encontro representou um momento simbólico de convergência entre duas carreiras que sempre caminharam em diálogo.

    No Grammy 2026, o álbum concorreu na categoria de Melhor Álbum de Música Global ao lado de trabalhos de Sounds of Kumbha, Burna Boy, Youssou N’Dour, Shakti e Anoushka Shankar com Alam Khan e Sarathy Korwar.

    Para o músico Rodrigo Karashima, diretor do Karashima Instituto de Música, a indicação funciona como reconhecimento de um percurso já consolidado.

    “Sendo um encontro histórico entre dois ícones da música brasileira, essa indicação representa uma coroação de dois artistas que nem precisavam de mais nada na carreira. A voz incrível de Bethânia, prestes a completar 80 anos, mostra quão diferenciada ela é. E por mais que no imaginário geral se mencione ‘talento’ ou ‘nasceu para isso’, existe muito trabalho envolvido, coisas que o público não vê”, diz o músico Rodrigo Karashima, diretor do Karashima Instituto de Música.

    Caetano Veloso já havia sido indicado ao Grammy em outras ocasiões, inclusive na categoria de Música Global, e soma duas vitórias. A edição deste ano marca a primeira indicação de Maria Bethânia na premiação internacional.

    Ícones atemporais

    Iniciada em agosto de 2024, a turnê passou por cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. O repertório combinou clássicos das duas trajetórias com releituras recentes. Entre os destaques esteve Fé, de Iza, reinterpretada em cena com tom de afirmação e resistência, que se tornou um dos momentos mais comentados das apresentações.

    O projeto foi recebido como um marco para o público, ao reunir no mesmo palco dois artistas centrais da música brasileira em uma fase de plena maturidade criativa.

    Especialistas afirmam que a indicação dos irmãos para o Grammy não comprova a importância de sua existência,

    “A indicação de Caetano e Bethânia juntos ao Grammy não é só sobre dois gigantes. É mais uma etapa num processo longo de legitimação simbólica, que sempre envolve várias instâncias atuando em camadas: público, crítica, pares, mídia, mercado e, claro, prêmios consagradores”, afirma Dani Ribas, doutora em sociologia e coordenadora do Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus).

    Caetano Veloso

    Quando eles aparecem juntos, isso também funciona como um gesto de memória viva da MPB. Uma lembrança pública de que essa tradição não nasceu pronta, ela foi sendo construída em disputas, alianças e critérios de valor ao longo do tempo.

    Dani Ribas

    Já Rodrigo Faour, historiador da música brasileira, completa: “Um reconhecimento de dois artistas ímpares no cenário da música mundial, com seis décadas relevantes de carreira, sempre se renovando e renovando público. Não é para qualquer um. Um fato raro mundialmente”.

    “O fato de serem os dois juntos é muito representativo, não só por serem irmãos, mas para mostrar as novas gerações que uma carreira do tamanho da deles também se constrói na união pela arte — num mundo onde o que cada vez mais o que importa são cliques, algoritmos e likes”, aponta Karashima.

    A visão internacional

    Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que uma indicação ao Grammy tem peso internacional, mas também funciona como vitrine para a diversidade e a sofisticação da produção musical brasileira.

    “O Brasil sempre esteve em destaque quando o assunto é música, e agora com a indicação dos filmes brasileiros ao Oscar, vemos que a cultura e o fazer artístico brasileiro seguem fortes”, diz Karashima, enquanto Faour completa:

    “A força dos dois irmãos, juntos pela primeira vez numa turnê em estádios, algo de vulto, e cada um com seis décadas de carreira, pode ter chamado a atenção do júri pela força do repertório e da influência deles na cultura de um país continental como o Brasil.”

    Foto colorida de Maria Bethânia - Metrópoles
    Maria Bethânia
  • Sergio Camargo: curador destaca relação do artista com a Bossa Nova

    Sergio Camargo: curador destaca relação do artista com a Bossa Nova

    A exposição de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles, dialoga com a arquitetura de Brasília e a época da Bossa Nova

  • TSE debate construção de resoluções que vão orientar Eleições 2026

    TSE debate construção de resoluções que vão orientar Eleições 2026

    A elaboração e a revisão das instruções normativas estão sob a coordenação do vice-presidente da Corte, ministro Nunes Marques

  • BBB 26: enquete revela quem sai entre Ana Paula, Leandro e Brigido

    BBB 26: enquete revela quem sai entre Ana Paula, Leandro e Brigido

    Imagem criada por IA/Metrópoles
    Enquete Big Brother Brasil - Metrópoles

    O terceiro Paredão do BBB 26 foi formado neste domingo (1º/2). Ana Paula Renault, Brigido e Leandro disputam a permanência no reality show. O eliminado será anunciado na terça-feira (3/2).

    BBB 26: quem você quer eliminar no 3º Paredão?

    Ana Paula Renault

    Leandro

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    Divulgação/ TV Globo

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