Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • Veterinário fake inventa diploma, engana conselho e atua por 5 anos no DF

    Veterinário fake inventa diploma, engana conselho e atua por 5 anos no DF

    Getty Images
    cachorro no veterinário

    Um homem que exercia ilegalmente a profissão de médico veterinário no Distrito Federal teve o registro anulado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-DF) após a descoberta de que ele comprou diploma e o vinculou, de forma fraudulenta, a uma instituição privada de ensino superior em São Paulo.

    Mesmo sem formação legítima, Ronald Patrich Teixeira, 46 anos, atuou por anos como anestesista, uma das funções mais sensíveis e arriscadas da prática veterinária.

    Segundo as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ele se apresentava como médico veterinário desde, pelo menos, 2020. Além de atuar profissionalmente, ele afirmava ser proprietário de uma clínica veterinária no Guará (DF).

    O Metrópoles apurou que, antes de trabalhar na unidade do Guará, Ronald teria arrendado um hospital veterinário na Asa Sul, mas perdeu o controle do estabelecimento após deixar de pagar despesas básicas e profissionais que atuavam no local. O imóvel acabou retornando aos antigos donos da clínica.

    O esquema do homem começou a ruir após veterinários que trabalhavam com ele desconfiarem de sua conduta profissional, especialmente diante de casos clínicos mais complexos. As suspeitas foram levadas ao CRMV-DF e à PCDF, que instaurou inquérito para verificar a autenticidade do diploma apresentado por Ronald.

    Durante a apuração, a universidade citada no documento negou qualquer vínculo acadêmico com o investigado. Diante da confirmação da fraude, o CRMV-DF foi formalmente notificado e decidiu pela anulação do registro do falso veterinário.

    Em portaria oficial, o conselho determinou que a punição tenha efeito retroativo, o que significa que, do ponto de vista legal, Ronald nunca esteve regularmente inscrito na profissão. O CRMV também solicitou a notificação do Ministério Público, para que outras providências sejam adotadas.

    Segundo a legislação brasileira, uso de documento falso e o exercício ilegal da profissão são crimes. Em caso de condenação, o envolvido pode ser penalizado com reclusão de 2 a 6 anos, além de multa.

    Histórico inventado e risco à vida animal

    À reportagem, uma pessoa que trabalhou diretamente com Ronald relatou que ele construía um currículo acadêmico fictício para reforçar sua credibilidade no meio profissional.

    Segundo a testemunha, que terá a identidade preservada, o homem dizia ter mestrado e doutorado em medicina veterinária, além de afirmar que havia se formado em São Paulo, coordenado um hospital em Minas Gerais e cursado pós-graduação em Portugal.

    “Ele nunca dava opinião própria sobre os quadros clínicos e sempre concordava com o que os outros diziam. Parecia um veterinário fraco, inseguro, mas ninguém imaginava que ele tivesse comprado um diploma”, afirmou.

    A situação se agravou quando colegas perceberam indícios mais concretos da fraude. “Tudo veio à tona depois que alguém viu uma conversa que ele havia deixado aberta no computador”, relatou o ex-colega de trabalho.

    Ainda segundo o depoimento, profissionais passaram a questionar se o CRMV-DF teria verificado adequadamente a autenticidade do diploma antes de conceder o registro e a carteira profissional. Em um dos episódios mais graves, Ronald teria insistido na realização de um procedimento inadequado.

    “Presenciei quando ele defendeu uma conduta errada. Mesmo após alertas, outro cirurgião acabou aceitando a ideia, o procedimento deu errado e, na tentativa de corrigir, a situação piorou”, contou a testemunha.

    Procedimentos incorretos e beijo na bochecha

    Uma segunda testemunha ouvida pela reportagem relatou que Ronald se apresentou a ela como especialista em anestesia e dermatologista. A pessoa, que também terá a identidade preservada, contou que muitas vezes presenciou o homem fazer procedimentos que não pareciam corretos. “Mas como eu acreditava que ele tinha mais experiência que eu, não contestava”, declarou.

    Segundo a testemunha, o investigado tinha comportamentos inadequados com profissionais mulheres. Conforme relatado, Ronald costuma dizer que sentia “ciúme” da roupa que as trabalhadoras vestiam, “tentava se relacionar” com elas e chegou a acordar uma das vítimas com um beijo na bochecha.

    “Ele não tentou esconder nenhum pouco o que fazia”, contou ao Metrópoles a testemunha.

    Uma terceira pessoa contou que Ronald frequentemente “cometia diversas imprudências”. “Quando a dona— também veterinária — descobria, muitas vezes ele colocava a culpa em outros veterinários da clínica”, pontuou.

    Em nota, assinada pelo presidente do CRMV-DF, Rodrigo Antonio Bites Montezuma, a entidade disse que os atos praticados indevidamente por Ronald podem ser alvo da responsabilização penal, que já está em andamento segundo a polícia do DF. O conselho disse, ainda, que o falso veterinário pode ser responsabilizado se tiver causado prejuízos a terceiros.  “Todas as autoridades competentes, federais e distritais, bem como o Sistema CFMV/CRMVs estão sendo informadas da situação”, disse.

    O CRMV-DF disse, também, que o caso aparenta ser isolado, mas que “mesmo assim os procedimentos de verificação estão sendo revistos para evitar qualquer recorrência e que o site www.crmvdf.org.br possui na aba serviços on-line, a possibilidade de consulta a profissionais e empresas registradas no DF, e se estuda uma campanha de selo de certificação dos estabelecimentos demonstrando a sua regularidade na prestação de serviços veterinários”, disse.

    O outro lado

    O Metrópoles tentou contatar Ronald Patrich Teixeira, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Conselho Regional de Medicina Veterinária também foi procurado. O espaço segue aberto para possíveis manifestações.

  • Golpista usa IA e imita apresentador de TV em prêmio fake de R$ 50 mil

    Golpista usa IA e imita apresentador de TV em prêmio fake de R$ 50 mil

    Arte/Metrópoles
    golpe ia videochamada

    Imagine atender a uma videochamada e, do outro lado da tela, reconhecer imediatamente o apresentador de um programa de sorteios do qual você participa. Ele sorri, diz seu nome e anuncia: “Você ganhou R$ 50 mil”. Golpe? Provavelmente não seria essa a sua primeira suspeita.

    É exatamente nessa confiança que criminosos estão apostando ao usar deepfake, uma tecnologia de inteligência artificial capaz de clonar imagem e voz  de outra pessoa, para aplicar golpes cada vez mais sofisticados por meio de chamadas de vídeo.

    Uma servidora pública do Distrito Federal, que preferiu não se identificar, foi alvo de uma tentativa de golpe nessa modalidade no último domingo (11/1). Por pouco, os criminosos não tiveram acesso aos seus dados bancários.

    “Recebi uma videochamada pelo WhatsApp, de um número de São Paulo, com a foto de perfil do programa Viva Sorte. Quando atendi, apareceu o apresentador Renato Ambrosio, que falou meu nome e disse que eu havia ganhado R$ 50 mil. Como eu realmente comprava títulos de capitalização do sorteio, não desconfiei. Parecia tudo muito real”, relata a mulher.

    O Viva Sorte é um título de capitalização que permite concorrer a prêmios com o número adquirido. Os sorteios são divulgados aos domingo no programa televisivo apresentado por Ambrosio e pelas redes oficiais da premiação.

    A vítima conta que o golpista usava a imagem de Ambrosio e tinha a mesma voz que ele. O falso comunicador pediu a chave Pix e o CPF dela para fazer a transferência do valor e orientou que, em seguida, ela compartilhasse a tela do celular quando acessasse o aplicativo do banco.

    “Eu cheguei a pular de alegria ao saber que tinha ganhado o prêmio. O apresentador fake até falou o meu nome completo e meu e-mail na ligação”, comenta.

    O golpista explicou que o intuito da gravação era ver o valor do prêmio sendo depositado na conta dela. “O meu aplicativo do banco estava instalado em outro aparelho meu. Eles pediram que eu filmasse o aplicativo do banco, foi quando comecei a desconfiar”, conta.

    De acordo com a servidora, o golpista chegou a dizer que poderia demorar um pouco para o dinheiro cair na conta dela, tendo em vista se tratar de uma quantia alta.

    “Enquanto eu pegava meu outro celular, ele chegou a perguntar o que eu faria com os R$ 50 mil e disse que, no dia seguinte, a produção do programa entraria em contato para marcar a gravação da entrega de um cheque simbólico”, relembra.

    O golpe só não se concretizou porque a mulher pediu ajuda aos filhos para verificar a veracidade da ligação na internet. Foi então que um deles encontrou, na página oficial do verdadeiro apresentador do programa, um vídeo alertando sobre golpes que usam indevidamente sua imagem.

    “Imediatamente encerrei a ligação quando percebi que se tratava de uma tentativa de golpe”, diz.

    A vítima conta que procurou uma delegacia da Polícia Civil do DF para saber como deveria proceder, já que, apesar de não ter informado dados bancários, os golpistas tinham sua imagem e seu CPF.

    Segundo ela, o atendente explicou que, como não houve prejuízo financeiro nem repasse de valores via Pix, ela poderia acessar o site do Banco Central, entrar na área de registros pelo Gov.br e verificar se havia contas, empréstimos ou outras movimentações abertas em seu nome.

    A mulher afirmou que seguiu a recomendação, gerou o relatório e constatou que “não havia nada irregular”, o que a deixou mais tranquila.

    Casal perdeu R$ 30 mil

    Um casal de aposentados da zona norte de Marília, no interior de São Paulo, perdeu mais de R$ 30 mil, após cair no golpe aplicado por criminosos que se passaram pelo apresentador de TV.

    A mulher, de 72 anos, recebeu uma videochamada de um homem que afirmou que ela havia sido sorteada em uma promoção de título de capitalização, com prêmio de R$ 50 mil. O golpista, que usava um cenário semelhante ao de um programa televisivo, solicitou dados bancários e pessoais para “efetuar o depósito do valor”.

    Convencido pela encenação, o casal seguiu as instruções dos criminosos, abriu contas em um banco digital e enviou documentos e fotos. Pouco depois, receberam um depósito de R$ 6 mil, o que aumentou a confiança na suposta premiação.

    Com acesso às contas, os golpistas realizaram transferências via Pix e contrataram empréstimos em nome das vítimas, causando um prejuízo total superior a R$ 30 mil. O casal só percebeu a fraude após ser alertado por um vizinho.

    Alerta para golpe

    O apresentador Renato Ambrosio alertou o público sobre golpistas que estão usando sua imagem para tentar enganar pessoas. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele reforçou que não liga para ninguém, não pede dinheiro e não comunica prêmios por telefone.

    Ambrosio destacou que, se alguém receber uma ligação usando o rosto dele, deve desconfiar imediatamente, já que a voz e o comportamento não correspondem aos dele.

    “Eu não ligo para ninguém pedindo dinheiro. Se alguém te ligar com este rosto aqui, é golpe. Bloqueie”, afirmou o apresentador.

    Veja vídeo:

    Ainda no alerta, o comunicador pediu que as famílias orientem pais e mães para evitar que caiam em golpes. Ele enfatizou que, ao receber qualquer ligação suspeita, o correto é bloquear na hora, pois se trata de criminosos tentando tomar dinheiro de pessoas honestas.

    Ambrosio afirmou que o aviso já foi repetido diversas vezes, inclusive no Viva a Sorte, mas que muitos ainda insistem em acreditar nos estelionatários.

    Em postagens feitas pelo Instagram oficial do sorteio, a empresa de capitalização também fez alertas sobre o golpe. “Se alguém te ligar por vídeo dizendo ser do Viva Sorte: é fraude”, reforçou.

    “O Viva Sorte e o Renato não enviam links suspeitos no WhatsApp; não pedem a confirmação do seu prêmio; e muito menos cobram taxas para que receba seu prêmio. Nunca compartilhe sua tela e envie dados bancários”, salientou a empresa de sorteios.

    Por fim, o Viva Sorte reforçou que não houve vazamento de dados pela plataforma. “Todas as informações dos clientes estão protegidas em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Estamos tomando todas as medidas cabíveis e legais perante a situação seguindo com todas as denúncias”, pontuou.

    Golpes difíceis de identificar

    Segundo o professor e advogado especialista em direito digital e inteligência artificial Lucas Karam, hoje já existem ferramentas gratuitas e de fácil acesso capazes de clonar com perfeição vozes, imagens, gestos e expressões faciais de pessoas reais.

    “Com o advento da tecnologia e a evolução da inteligência artificial, hoje já não é mais possível distinguir o real do artificial”, alerta o especialista.

    De acordo com ele, essas ferramentas vêm sendo usadas para construir narrativas altamente persuasivas, com o objetivo de enganar vítimas em golpes cada vez mais elaborados, muitas vezes utilizando a imagem de celebridades para gerar credibilidade.

    Apesar de o Brasil ainda não contar com uma legislação específica que regulamente o uso da inteligência artificial, Karam explica que isso não significa ausência de punição.

    “Mesmo sem uma lei específica sobre deepfakes, existem outros dispositivos legais que acabam enquadrando essas condutas”, afirma.

    Entre os crimes que podem ser caracterizados estão a falsidade ideológica e a fraude eletrônica, por exemplo, quando alguém utiliza a imagem de outra pessoa para obter empréstimos ou vantagens financeiras.

    O especialista ressalta a importância do senso crítico e da checagem de informações em fontes confiáveis antes de qualquer decisão. “Filtrar informações e desconfiar sempre é a melhor forma de se proteger nesse novo cenário digital”, conclui.

  • Caso Bacabal: buscas por crianças entram na 3ª semana sem respostas

    Caso Bacabal: buscas por crianças entram na 3ª semana sem respostas

    Arquivo pessoal
    Foto colorida dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA) - Metrópoles

    A força-tarefa, responsável pela procura dos irmãos, foi ampliada ao longo do fim de semana com a entrada da Marinha do Brasil, que passou a atuar no Rio Mearim com o uso do side scan sonar. O equipamento permite o mapeamento do fundo do rio e da coluna d’água mesmo em ambientes de baixa visibilidade.

    Em paralelo, as buscas na mata continuam, assim como as  investigações policiais. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins,todas as hipóteses são apuradas pela Polícia Civil. Segundo ele, já há um inquérito policial instaurado, conduzido por uma comissão formada por delegados, agentes e investigadores da Polícia Civil.

    Força-tarefa

    Dados divulgados pelo governo do Maranhão indicam que participam da operação, que reúne forças federais, estaduais, apoio interestadual e voluntários.

    As equipes já realizaram varreduras em uma área de mata superior a 3.200 km², o equivalente a cerca de 450 mil campos de futebol. A região foi dividida em quadrantes e contou com ações aéreas, uso de helicóptero, drones e cães farejadores.

    A composição da força-tarefa inclui:

    Últimas pistas

    A área central das buscas foi definida com base no relato de Anderson Kauan, de 8 anos. Primo das crianças, ele também desapareceu no dia 4 de janeiro, mas foi encontrado com vida três dias depois.

    Segundo o menino, o último local onde esteve com os primos é conhecido como “Casa Caída”, uma cabana abandonada próximo ao rio Mearim. No local, cães farejadores indicaram a passagem das crianças, o que levou à ampliação das frentes de trabalho na região.

    Desde então, as equipes intensificaram as buscas terrestres, fluviais e subaquáticas, incluindo o uso de embarcações e tecnologia de varredura no rio.

    Apesar do reforço, entretanto, nenhuma nova pista foi confirmada.

  • SP paga R$ 42 mil em passagem para secretário ir a evento em Cambridge

    SP paga R$ 42 mil em passagem para secretário ir a evento em Cambridge

    Viagem de secretário de Gestão e Governo Digital de SP para evento na Inglaterra custou cerca de R$ 62 mil no total aos cofres do Estado

  • Concurso CBMDF: 70 candidatos acusam banca de erro que pode eliminá-los

    Concurso CBMDF: 70 candidatos acusam banca de erro que pode eliminá-los

    Divulgação / CBMGO
    Bombeiros - Metrópoles

    Ao menos 70 candidatos que prestam o concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) alegam ilegalidades que podem interromper a busca dos cidadãos por um cargo público. De acordo com o grupo, a banca organizadora do certame descumpriu o próprio edital e se nega a responder aos contatos dos concorrentes.

    A banca organizadora do concurso é o Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan). Trecho do edital do certame, elaborado pelo instituto, diz que candidatos com deficiência, negros ou hipossuficientes (cotistas) que obtivessem pontuação suficiente na prova objetiva para se classificar na lista de ampla concorrência deveriam concorrer por esta lista, e não pela reserva de cotistas.

    O grupo de candidatos que se considera prejudicado aponta que 157 candidatos obtiveram pontuação igual ou maior que 71, que seria a nota mínima para concorrer na lista de ampla concorrência. Esses candidatos, porém, foram classificados para as vagas reservadas às pessoas negras, com deficiência ou hipossuficientes.

    Essa classificação supostamente indevida teria prejudicado 70 candidatos que obtiveram nota 64, que seria a mínima para concorrer às vagas reservadas aos grupos minoritários. Como os candidatos que alcançaram pontuação igual ou maior que 71 (suficiente para estar na ampla concorrência) foram realocados às reservas dos cotistas, aqueles que deveriam ter vagas de cotistas podem acabar sendo eliminados.

    Desespero

    O Metrópoles conversou com uma das candidatas que concorrem às vagas reservadas e obteve nota 64 no concurso do CBMDF. Ela relata que teve crises de pânico quando percebeu o erro na lista dos aprovados na prova objetiva, divulgada na quarta-feira (14/1). “Fiquei muito desesperada, tive crise de pânico, chorei bastante”, relata a mulher, que solicita condição de anonimato.

    De acordo com a concurseira, o Idecan não tem dado explicações aos candidatos, nem mesmo para afirmar que a lista pode estar correta. “Estamos tentando entrar em contato com a banca há três dias para explicar esse erro no edital. Já enviamos mais de 200 e-mails e não obtivemos resposta. Se a gente perder a vaga, o erro vai ser irreparável”, comenta a candidata.

    O grupo tem pressa para a resolução do caso, uma vez que, na próxima terça-feira (20/1), a banca examinadora deve divulgar as notas das redações dos candidatos. “Se esse prazo de recurso passar e a gente não conseguir um posicionamento, vai ficar muito mais difícil. Temos muita pressa”, comenta.

    A prova foi realizada em 30 de novembro e já havia gerado diversas reclamações devido ao tempo de prova e das remarcações de datas. “Estou sofrendo desde a semana anterior à prova, já são dois meses de muita ansiedade, muita pressão”, lamenta a candidata.

    “Só quem estuda para concurso sabe o que é dedicar um ano da própria vida para estudar, se esforçar, gastar dinheiro, tempo e investimento emocional e mental. “Quando encontrei outros colegas que tiraram a mesma nota que eu, todo mundo compartilhou do mesmo sentimento de angústia, de raiva, de indignação.”

    O grupo procurou assistência jurídica, e o advogado Eduardo Castro levou o caso à Justiça nessa quinta-feira (15/1). Ele tenta a suspensão do concurso até que o caso seja julgado ou a reintegração dos candidatos com 64 pontos alcançados na prova objetiva.

    “Organizamos um grupo de candidatos com 64 pontos para viabilizar a medida judicial coletiva, que foi protocolada em 15 de janeiro, com o objetivo de corrigir essa injustiça e fazer valer as regras do edital”, explica Eduardo Castro. O advogado demonstra otimismo em relação à Justiça.

    “Nossa expectativa é que o Judiciário atue de maneira eficiente e determine a suspensão do concurso ou, alternativamente, assegure que essas 70 pessoas prejudicadas tenham suas redações corrigidas e possam seguir normalmente nas próximas fases do certame”, conclui Castro.

    O caso tramita na 1ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. O Metrópoles acionou a banca organizadora Idecam e o Corpo de Bombeiros do DF e aguarda retorno dos órgãos.

  • Reag já fazia negócios com o Banco Máxima, transformado em Master por Vorcaro

    Reag já fazia negócios com o Banco Máxima, transformado em Master por Vorcaro

    Divulgação/Reag
    Imagem de escritório da Reag Investimentos

    Denúncias graves de fraudes já assolavam o Banco Máxima, transformado em Master por Daniel Vorcaro. Após vender a instituição financeira, um dos antigos donos, Saul Dutra Sabbá, foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo a três anos de reclusão, por gestão fraudulenta.

    No processo, o dirigente foi acusado de gerar ganhos fictícios entre os anos de 2014 e 2016. Ainda de acordo com a acusação, Sabbá teria simulado a valorização de investimentos do banco para reduzir os prejuízos no demonstrativo financeiro, além de ter adotado manobras contábeis fraudulentas para dissimular insuficiência de capital.

    A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal em São Paulo em 2021 com base em informações do Banco Central (BC) e investigações da Polícia Federal (PF). E, já à época, os investigadores apontaram o uso de fundos geridos pela Reag para viabilizar as fraudes.

    O juiz responsável pelo caso apontou que houve irregularidade na concessão de empréstimos a uma empresa de negócios imobiliários que “teve por fim a redução do prejuízo semestral do Banco Máxima S/A, verificado no último dia do ano de 2014”. Os valores desse empréstimo acabaram sendo usados por terceiros para adquirirem cotas de um fundo do qual o banco era o único cotista. Fundo, este, gerido pela Reag.

    Em dezembro de 2025, Sabbá assinou um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para não sofrer as consequências penais do crime de gestão fraudulenta. O acordo, que ainda será analisado pela Justiça Federal, prevê que Sabbá reconheça as irregularidades cometidas e pague multa de R$ 100 mil. O caso corre em segredo judicial.

    A relação de Daniel Vorcaro com o Máxima começou em 2017, com uma participação minoritária. No ano seguinte, ele assumiu o controle da instituição. Em 2021, o Máxima mudou de nome e é o atual Banco Master.

    O Master foi liquidado em novembro de 2025 por decisão do Banco Central (BC) um dia após Daniel Vorcaro ter sido detido por agentes da operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude de R$ 12,5 bilhões na venda de papéis pobres do Master para o BRB.

    O fundador da Reag, João Carlos Mansur, por sua vez, passou a ser investigado na segunda fase da mesma operação, deflagrada em janeiro. A Reag teve o mesmo destino do Banco Master, foi liquidada por decisão do BC na última quinta-feira (15/1).

  • Pedido de Lula acelera sucessão de Gleisi no governo; veja nome cotado

    Pedido de Lula acelera sucessão de Gleisi no governo; veja nome cotado

    Pedido do presidente Lula acelera a sucessão da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no governo

  • Micro-hábitos diários podem render até 10 anos extras de vida saudável

    Micro-hábitos diários podem render até 10 anos extras de vida saudável

    Reprodução Mahta reprodução regenarativa da floresta
    Mulher de costas para a câmera fazendo gesto com os braços que simboliza força em frente ao horizonte com pôr do sol. Conceito de hábitos saudáveis. Metrópoles

    Viver mais não significa, necessariamente, acumular anos com limitações. A ciência tem mostrado que o ganho real está em viver melhor por mais tempo — e isso pode começar com decisões simples do cotidiano.

    Micro-hábitos, como caminhar alguns minutos por dia, reduzir o tempo sentado ou fazer escolhas alimentares mais naturais, têm impacto direto na saúde e podem render até 10 anos a mais de vida saudável, isto é, anos livres de doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida.

    Essa estimativa está alinhada a um grande estudo europeu com mais de 116 mil participantes, publicado em 2020 na revista JAMA Internal Medicine, que avaliou quatro fatores do estilo de vida: tabagismo, índice de massa corporal (IMC), prática de atividade física e consumo de álcool.

    A pesquisa mostrou que adultos com hábitos saudáveis podem viver até uma década a mais sem doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, respiratórios e câncer.

    Em um país onde 52% dos adultos convivem com ao menos uma doença crônica, a mensagem dos especialistas é clara: prevenir não exige mudanças radicais, mas constância em ações possíveis.


    Micro-hábitos que ajudam a ganhar anos de vida saudável


    Viver mais ou viver melhor?

    Para o clínico geral Caio Portela, do Hospital Sírio-Libanês, quando se fala em “até 10 anos extras”, o foco não é apenas a longevidade cronológica.

    “Existe um índice chamado expectativa de vida saudável. Ele se refere ao tempo vivido sem doenças que reduzem a qualidade de vida. Viver mais anos sem essas complicações também acaba impactando a longevidade total”, explica.

    Na prática, isso significa mais disposição, menos dependência de medicamentos, maior autonomia para atividades diárias e menor risco de eventos graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

    Foto colorida de mulher sentada comendo frutas que estão em uma tigela - Metrópoles
    Pequenos hábitos diários, como caminhar alguns minutos e dar preferência para comidas naturais, ajudam a viver mais e melhor

    Segundo Portela, não existe idade limite para adotar micro-hábitos. “Quanto antes, melhor, porque há mais tempo para o hábito se consolidar como prevenção. Mas nunca é tarde para começar. O melhor momento é sempre agora”, afirma.

    Os primeiros benefícios costumam surgir rapidamente. “A disposição melhora logo no início. Aquele cansaço persistente começa a desaparecer. Depois, vemos melhora de dores crônicas, da resistência cardiovascular e da autonomia para tarefas simples, como subir escadas ou levantar de uma cadeira”, descreve o médico. Com o tempo, aparecem também ganhos metabólicos, como melhor controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia.

    Envelhecimento é um processo contínuo

    Do ponto de vista do envelhecimento, o impacto dos pequenos hábitos é profundo. O geriatra Milton Crenitte lembra que o corpo começa a envelhecer desde o nascimento — e que os hábitos diários podem proteger ou acelerar esse processo.

    “Todas as células envelhecem ao longo da vida. Quando isso ocorre de forma mais coordenada, tende a ser mais saudável. Quando é desorganizado, aumenta o risco de doenças”, explica.

    Um exemplo clássico é a pele: a exposição crônica ao sol acelera o envelhecimento celular e aumenta o risco de mutações no DNA, enquanto a proteção adequada preserva a saúde do tecido.

    Imagem de mulher se alongando na rua - Metrópoles
    Micro-hábitos reduzem o risco de doenças e aumentam o tempo de vida com qualidade

    Essa lógica se aplica a todo o organismo. “Tudo o que fazemos ao longo da vida influencia como nossas células funcionam e como nossos órgãos envelhecem”, diz o geriatra.

    A adoção de micro-hábitos entre os 40 e 50 anos pode reduzir de forma significativa o risco de dependência funcional na velhice. De acordo com Crenitte, proteger o cérebro e o sistema musculoesquelético — músculos e ossos — é fundamental para preservar autonomia e independência.

    “Atividade física regular, alimentação saudável e controle das doenças crônicas ajudam a manter a função muscular, óssea e cerebral. Isso é essencial para envelhecer com qualidade”, afirma.

    Quais doenças podem ser adiadas?

    Mudanças simples no estilo de vida ajudam a prevenir ou retardar justamente as doenças que mais causam incapacidade e mortalidade na velhice: doenças cardiovasculares, câncer e demências. Além disso, hábitos saudáveis preservam músculos e ossos, reduzindo o risco de quedas e fraturas — eventos que, em idosos, podem ter consequências graves.

    Para pessoas acima dos 60 anos, sobretudo aquelas sedentárias, o caminho deve ser gradual. “Antes de tudo, é importante uma avaliação médica para identificar possíveis contraindicações”, orienta Crenitte. A partir disso, o ideal é incorporar mais movimento à rotina, mesmo que por poucos minutos.

    “Dez minutos por dia já fazem diferença. O objetivo é aumentar aos poucos, até chegar a cerca de 150 minutos semanais de atividade física moderada, como recomendam as diretrizes”, diz o geriatra. Metas muito altas logo no início tendem a gerar frustração e abandono.

    Sedentarismo acelera o envelhecimento

    O sedentarismo é um dos principais vilões da saúde moderna. Ele acelera a perda de massa muscular e óssea, piora a saúde cardiovascular e afeta a saúde mental. Em idosos, esse processo pode levar a um ciclo perigoso: menos força, mais instabilidade, medo de cair e ainda menos movimento.

    “Uma vida mais ativa está diretamente relacionada a mais independência”, reforça Crenitte. “Hoje, precisamos pensar não só em expectativa de vida, mas em vida com qualidade”, afirma o geriatra.

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