Será que a batata-doce pode aumentar o açúcar no sangue, mesmo sendo considerada um alimento “saudável”? A resposta é sim, segundo a nutricionista Verônica Dias. Isso porque o alimento contém carboidratos que são convertidos em glicose durante a digestão, podendo elevar a glicemia após o consumo.
“O fato de um alimento ser considerado ‘saudável’ não significa que ele seja metabolicamente neutro”, esclarece a profissional ao Metrópoles.
Verônica afirma que a raiz tuberosa tem índice glicêmico geralmente moderado, menor do que o da batata inglesa. Porém, ainda é suficiente para elevar a glicose no sangue, especialmente quando consumida em grandes quantidades ou de forma isolada.
“Apesar disso, a resposta glicêmica depende não apenas do alimento, mas da porção e do contexto da refeição. Por isso, associações e quantidades são importantes para controlar vários fatores no organismo”, diz a nutricionista.
Modo de preparo faz diferença
De acordo com Verônica Dias, a forma de preparo da batata-doce altera o amido, influenciando diretamente na velocidade de absorção e digestão da glicose.
“De maneira geral, quanto maior o tempo e a intensidade do cozimento, maior a gelatinização do amido e, consequentemente, maior a resposta glicêmica”, explica a nutricionista integrativa e farmacêutica do Instituto Nutrindo Ideais.
Preparações como purê ou batata-doce muito macia, segundo Verônica, tendem a elevar mais rapidamente a glicose do que a versão cozida inteira e menos processada. Por isso, o modo de preparo influencia diretamente a glicemia no sangue.
Recomendações de consumo
Quem tem resistência à insulina ou diabetes precisa limitar a quantidade de batata-doce. Embora não seja necessário excluir o alimento da rotina alimentar, a nutricionista Veronica recomenda consumir de forma estratégica, com porções controladas e associada a proteínas, gorduras e fibras, o que reduz o pico glicêmico.
“Outra informação relevante é a carga glicêmica total da refeição, pois ela é muito mais importante para o controle glicêmico do que um alimento isolado. Portanto, a batata-doce pode fazer parte do plano alimentar, desde que haja individualização, monitoramento da resposta glicêmica e adequação às necessidades metabólicas de cada pessoa”, finaliza.