Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • No ônibus com Guilherme

    No ônibus com Guilherme

    Tony Winston/Agência Brasília
    Ônibus amarelo BRT passando em viaduto cercado de outras pistas abaixo - Metrópoles

    “E essa parada da direita querer colar o escândalo do banco Master no governo Lula? Bizarro. Você viu o powerpoint da Globonews? Até pediram uma desculpa meia-boca”, disse Clara a João, assim que sentaram no último assento do ônibus. Era o assunto que mais irritava João, a política, os partidos, as notícias, pra quê tudo aquilo se nada mudava?

    Na verdade João vivia em uma corda bamba sentimental com Clara. Incomodava ela ter opinião sobre tudo, saber de quase tudo que acontecia. Era um feminista incontrolável e era essa ideia, a ideia de controle que os homens acreditam ter nas relações com as mulheres, que mais desafiava João, que mais latejava sua contradição. Não queria repetir o que seu pai fazia com sua mãe e sua irmã, mas ao mesmo tempo, não sabia como lidar com uma mulher inteligente e corajosa. Cansava com o falatório de Clara na mesma medida que aprendia algo novo todo dia. Em alguns momentos, rechaçava e mudava de assunto, em outros, aprendeu a perguntar. Muitas vezes, calava.

    Calava porque seu peito doía. Não alcançava aquela mulher. Ela parecia seguir um caminho, tinha um chão pra pisar, enquanto ele colecionava hipóteses e sonhos distantes. Ela exalava força e ele queimava de medo, um medo silencioso e inconfessável. Essa insegurança era um veneno que ele tentava combater com duas imagens: eles na cama depois de gozarem; eles viajando para Peruíbe na casa dos pais dela. Essas cenas destilavam sintonia, sentido, colocavam o mundo em lugar seguro.

    Mas ali no ônibus o que ele sentia era raiva. Raiva de não ser como ela, raiva de não conseguir se desvencilhar das ideias de seu  pai, de sua família, de seus amigos. Sentia-se um ser limitado, enclausurado por regras que colidiam com a realidade. Queria ser diferente para si mesmo e para Clara. Enquanto Clara destrinchava as relações da direita com o Master, João ouvia, falava das doações do cunhado do Vorcaro para as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio, João balança as pernas, ela citava o rolo do Ibaneis Rocha na compra do Master pelo BRB, João coçava a cabeça, ela contava da proximidade de Ciro Nogueira com Vorcaro, João busca um ponto no horizonte, ela apontava os envolvimentos de Antonio Rueda, do Campos Neto, do ACM Neto, João explodiu e gritou: ‘Eu detesto política”. Clara tomou um susto, “mas…”, “Chega Clara, vamos ficar em silêncio um minuto por favor”. João baixou a cabeça e olhou as mãos suadas, em seu peito o embate entre a raiva e o arrependimento.

    Foi aí que um moço com cara de professor cutucou o ombro de João e disse: “Meu amor, mas você pega o ônibus, né? Como que detesta política? Você sabe quem faz a linha de ônibus? Você sabe por que o ônibus é ruim? Você sabe por que ele custa o que ele custa? Você sabe por que é que você, pobre, fodido, estudante, não tem passe livre? Política! Po-lí-ti-ca, meu amor!” *. Clara pensou em defender o namorado, mas aquelas palavras traduziam exatamente o que ela não conseguia falar para João, que olhou para ela atônito.

    O moço continuou: “Anjo, só existem duas possibilidades de você ser apolítico. Se você é um privilegiado, mas privilegiado ao ponto de poder parar de trabalhar por quatro gerações. Aí você pode ser apolítico numa boa. Ou você é um alienado, massa de manobra. Tirando esses dois lugares, não existe ‘apolítico’”. Clara então reconheceu o moço: “Guilherme, quer dizer, Rita?”, “Sim”, “É o Guilherme Terreri, que faz a Rita von Hunty, amor!”. “Oi”, disse João ressabiado, reconhecendo o nome, mas sem saber do que tratavam os vídeos que Clara assistia. Clara desabafou: “Ai, tenho andado com tanto medo, você não acha que vivemos uma guerra contra as mulheres e a comunidade LGBTQIA+?

    “Sim, e tem muito a ver com a desvalorização das nossas vidas. E dentro do recorte LGBT, quem mais sofre são as mulheres trans negras. São os corpos que acumulam em si essas três marcas indesejáveis para o sistema. A marca da fêmea, a marca da raça e a marca da classe, porque a gente também está falando sobre pobreza. Falar sobre esses assassinatos é falar sobre como a nossa sociedade está organizada, e são corpos superexplorados e supersubalternizados. E a gente tem que sempre pensar também em quem assassina esses corpos. Muitas mulheres trans são assassinadas pelos seus parceiros que, na maioria das vezes, são homens heterossexuais que estavam com mulheres trans e que têm medo do que vai acontecer ao serem descobertos. É um assunto muito extenso, mas, basicamente, eu o vejo a partir de um lugar de organização da nossa sociedade”, falou.

    João respirou aliviado ao perceber que faltavam dois pontos para chegar em casa e disse para Guilherme: “Desculpe, mas a gente já vai descer”. Clara perguntou a Guilherme: “Você vai descer onde?”, “No ponto final”. Clara olhou para João e falou: “Vou com ele até o final, se quiser descer, sem problema”. João tentou conter a surpresa e a indignação, mas levantou-se e disse um “tchau” contrariado.

    Desceu do ônibus e viu o coletivo partir, com o sentimento de que mais uma vez o mundo andava, e ele ficava para trás.

    *Trechos da entrevista de Guilherme Terreri à Revista Continente (01/02/2021)

  • Morre último Cameli de primeira geração no Acre, tio-avô do governador Gladson, aos 87 anos

    Morre último Cameli de primeira geração no Acre, tio-avô do governador Gladson, aos 87 anos

    Racene Ferreira Cameli, tio-avô do governador do Acre, Gladson Cameli, morreu neste sábado (28), aos 87 anos, em Cruzeiro do Sul, onde estava internado em uma UTI em decorrência de diabetes. O sepultamento ocorre na mesma cidade. Ele era considerado o último Cameli de primeira geração ainda vivo no estado. Racene era irmão de Marmud […]

  • "Vou te matar": armada com gilete, mulher agride homem em oficina. Veja vídeo

    "Vou te matar": armada com gilete, mulher agride homem em oficina. Veja vídeo

    Uma mulher de 29 anos foi presa por policiais militares após ameaçar matar um homem dentro de uma oficina em Goiânia (GO). A ameaça ocorreu na tarde dessa sexta-feira (27/3). Armada com uma gilete, ela agrediu a vítima e a intimidou dizendo: “Vou te matar” e “Próxima vez que eu vier aqui, eu vou pegar dois litros de gasolina, jogar em você e te atear fogo”.

    Ao ser detida, ela relatou que teve um problema com a venda de uma moto. O homem estaria devendo o valor e, ao tentar reavê-lo, ela perdeu o controle.

    O local estava cheio e a cena foi filmada por outros clientes. A mulher foi flagrada jogando um celular no chão. Ela também pegou uma escada e partiu para cima da vítima, além de usar a gilete para ameaçá-lo. A confusão tomou outras proporções: ao ser contida por um cliente, a mulher levou um soco e, diante da agressão, mordeu o braço dessa pessoa.

    Todos os envolvidos na briga foram levados para a delegacia. O caso é apurado pela Polícia Civil de Goiás.

  • Morador em situação de rua é ferido com golpes de chave de fenda na Gameleira

    Morador em situação de rua é ferido com golpes de chave de fenda na Gameleira

    O morador em situação de rua Leandro Matias das Chagas, de 38 anos, foi ferido com golpes de chave de fenda na madrugada deste sábado (28), na Gameleira, localizada na Rua Cunha Matos, bairro Seis de Agosto, no Segundo Distrito de Rio Branco.

    Segundo informações da Polícia, Leandro estava sentado no calçadão da Gameleira, às margens do Rio Acre, consumindo bebida alcoólica e entorpecentes, quando, inesperadamente, um homem não identificado se aproximou e, em posse de uma chave de fenda, desferiu um golpe na cabeça e outro no pescoço. Durante a ação criminosa, Leandro caiu nas escadarias da Gameleira, próximas ao rio. O autor do crime fugiu do local.

    Populares que passavam pela área encontraram o homem ferido e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Uma ambulância de suporte avançado foi deslocada. A equipe médica prestou os primeiros atendimentos e encaminhou Leandro ao Pronto-Socorro de Rio Branco, em estado de saúde estável.

    Policiais Militares do 2º Batalhão estiveram no local, colheram informações e realizaram patrulhamento na região em busca do suspeito, mas ele não foi encontrado.

  • Homem morre após moto ser partida ao meio por carro de funerária

    Homem morre após moto ser partida ao meio por carro de funerária

    Polícia Civil/Divulgação
    carro

    Um homem morreu em um grave acidente envolvendo uma moto e dois carros, sendo um deles de uma funerária, na noite desta sexta-feira (27/3), na rodovia PB-306, em Princesa Isabel, no Sertão da Paraíba.

    De acordo com as informações iniciais, a motocicleta foi atingida por dois veículos. Com a força do impacto, o veículo ficou completamente destruído e chegou a se partir ao meio. Genivaldo morreu ainda no local.

    Os motoristas envolvidos acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e permaneceram na área até a chegada das equipes de socorro e da polícia.

    A perícia foi realizada no local, e as circunstâncias do acidente ainda serão investigadas.

  • Atleta chileno garante pódio no aquathlon do Metrópoles Endurance

    Atleta chileno garante pódio no aquathlon do Metrópoles Endurance

    Além de competidores de 11 estados diferentes, a competição ainda atraiu atletas de fora do país, como o chileno Diego Moya

  • Enquete BBB 26: saiba quem deve sair entre Cowboy, Jordana e Leandro

    Enquete BBB 26: saiba quem deve sair entre Cowboy, Jordana e Leandro

    Reprodução/BBB
    Alberto Cowboy, Jordana e Leandro, o Boneco, disputam o Paredão no BBB 26

    Alberto Cowboy, Jordana e Leandro Boneco disputam o novo Paredão do BBB 26, formado nessa sexta-feira (27/3). A berlinda da vez vai definir quem entra no Top 10 da edição.

    De acordo com a enquete do Metrópoles, atualizada às 12h deste sábado (28/3), Leandro Boneco aparece como o principal candidato a deixar o reality, com 55,49% dos votos.

    Na sequência, Alberto Cowboy soma 34,97% das intenções de voto, enquanto Jordana tem 9,54% e, por ora, é a menos votada pelo público.

    O resultado oficial será anunciado na tarde deste domingo (29/3). Vote abaixo em quem deve deixar o BBB 26:

    Vote em quem você quer eliminar no paredão

    Alberto Cowboy

    Jordana

    Leandro Boneco

    0 votos totais

    Divulgação/TV Globo

    Voto feito com sucesso!

    Vote em quem você quer eliminar no paredão

    0 votos totais

    Alberto Cowboy
    Alberto Cowboy0% (0 votos)
    Jordana
    Jordana0% (0 votos)
    Leandro Boneco
    Leandro Boneco0% (0 votos)
  • Ibaneis chora ao se despedir do Palácio do Buriti. Veja vídeo

    Ibaneis chora ao se despedir do Palácio do Buriti. Veja vídeo

    DANIEL FERREIRA/ METRÓPOLES @danielferreirafoto
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    O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), chorou ao se despedir do Palácio do Buriti, na manhã deste sábado (28/3). Ele renunciará ao cargo para concorrer ao Senado.

    Ibaneis participou de uma missa de ação de graças celebrada por dom Marcony Vinícius Ferreira, momento em que se emocionou e recebeu abraço da esposa, Mayara Noronha, e de assessores.

    O emedebista afirmou que sai do Governo do Distrito Federal com a convicção de deixou legado para a cidade. “Um legado de paz, um legado de harmonia, como foi dito aqui, de união de todas as religiões, trabalhando em prol de todas elas, sem qualquer diferenciação. Nós temos quase 600 escrituras de igrejas que foram entregues ao longo desse período”, citou.

    Durante o discurso no Salão Branco do Palácio do Buriti, Ibaneis desejou à Celina Leão (PP), que assumirá o cargo de governadora, a condução do DF “no rumo da paz, da manutenção da alegria e do cuidado com os que mais precisam, porque é pra eles que nós governamos”.

    “Deixo um legado de muito trabalho, dedicação e cuidado com as pessoas que mais precisam”, declarou à imprensa.

  • A possibilidade de uma 3ª via nas eleições (por Ricardo Guedes)

    A possibilidade de uma 3ª via nas eleições (por Ricardo Guedes)

    Reprodução
    Flávio Bolsonaro pediu para TCU investigar as contas do governo Lula

    As pesquisas de opinião apontam a prevalência de Lula e de Flávio Bolsonaro sobre os outros candidatos, na ausência de alguém que seja conhecido e considerado como viável, nos questionários apresentados, com o voto indo para Lula ou para Flávio Bolsonaro na intenção de se evitar o outro, salvaguardando a polarização. Nas ruas, entretanto, e em todos os ciclos sociais por onde se navega, é persistente a forte indignação com os dois lados; de Bolsonaro, ou  “Bolsonaros”, que receberam o voto de crédito da população em 2018 para a mudança do país e o jogaram no caos político em 2022 na tentativa da quebra da ordem institucional, sem nenhum crescimento econômico do país durante este período; e de Lula, de 2022 a 2026, pelo mal Governo que tem apresentado, sem nenhum crescimento econômico e com a inflação de bens básicos acima da reposição salarial.

    Desde 2010 o Brasil patina com o PIB estancado em US$ 2,2 trilhões de dólares correntes, enquanto, no mesmo período, o mundo cresceu de US$ 69 trilhões para US$ 111 trilhões, os Estados Unidos de US$ 15 trilhões para US$ 29 trilhões, a Europa de US$ 15 trilhões para US$ 20 trilhões, a China de US$ 7 trilhões para US$ 19 trilhões, e outros tantos países que cresceram significativamente. Ninguém guenta!

    O fenômeno da 3ª via poderá surgir durante o período eleitoral, com os programas na TV, rádios e debates, quando as possíveis alternativas serão conhecidas, em havendo empatia do candidato e receptividade de suas propostas por parte do eleitor. O candidato deverá apresentar propostas viáveis para uma alternativa de maior consenso para o país, cansado que está o eleitor da polarização vazia, que não desenvolve o país e não põe comida na mesa.

    Pode ser que Caiado, dependendo de sua postura, se firmemente critico aos dois lados, convincente, e com propostas viáveis, represente a 3ª via. Ou outro candidato, que no momento não podemos imaginar quem possa vir a ser. As dificuldades de novos valores emergirem dentro das estruturas partidárias, entretanto, pode ser significativa tal o grau de oligopolização hoje atingido pelos Partidos Políticos devido à gestão das emendas parlamentares e do fundo partidário. Se não, permanece a polarização.

    O eleitor fará o cálculo do almejado, se percebido como viável, vis-à-vis o risco dos extremos de se reelegerem, sem soluções para o país. Será um cálculo de custo-benefício da oportunidade do voto.

    Que joguem as suas “cartas”.

    Minas, como o “swing State” do Brasil, por excelência, será o indicador das tendências.

    Como dizia Hélio Garcia, então Governador de Minas Gerais, que muito bem se aplica ao caso atual, “Eleição, somente depois do 7 de setembro”.

    A ver.

     

    Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus