Autor: jonysdavid2017@gmail.com

  • AMB vê ameaça à magistratura após decisão do STF sobre penduricalhos

    AMB vê ameaça à magistratura após decisão do STF sobre penduricalhos

    Edson fachin durante Sessão plenária do STF Metrópoles

    A coluna apurou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o pagamento de verbas indenizatórias a magistrados provocou reação imediata das entidades representativas da categoria. Em nota pública divulgada após o julgamento, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifestou “profunda discordância e preocupação” com o novo entendimento da Corte.

    O julgamento, concluído nessa quarta-feira (25/3), fixou regras mais rígidas para o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público, com impacto direto nas folhas de pagamento já a partir de abril.

    Segundo a AMB, a decisão atinge cerca de 18 mil magistrados em todo o país e implica uma “severa redução remuneratória imediata”, alterando direitos que vinham sendo reconhecidos ao longo de décadas por instâncias administrativas e pelo próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    Risco constitucional

    Na avaliação da entidade, o julgamento levanta questionamentos constitucionais relevantes. A AMB aponta possível violação de princípios como a irredutibilidade de subsídios, a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima.

    A associação também critica a ausência de modulação dos efeitos da decisão, mecanismo frequentemente adotado pelo próprio STF em casos semelhantes para evitar impactos abruptos.

    Sobrecarga e carreira

    Outro ponto destacado pela entidade é o contexto de sobrecarga enfrentado pela magistratura brasileira. , com mais de 2 mil novos casos por ano.

    Nesse cenário, a entidade afirma que benefícios como a licença compensatória foram criados como forma de compensar o volume extraordinário de trabalho e as exigências crescentes da função.

    Para a associação, a decisão pode comprometer a atratividade da carreira e gerar reflexos diretos na eficiência da prestação jurisdicional.

    Impacto institucional

    A AMB avalia que os efeitos da decisão vão além da questão remuneratória. Segundo a entidade, o julgamento “projeta efeitos institucionais relevantes”, ao afetar a previsibilidade do regime jurídico da magistratura e as condições de funcionamento do Judiciário.

    “O tema do enfraquecimento da magistratura transcende interesses corporativos”, destaca a nota.

    A associação afirma que continuará atuando em todas as frentes institucionais para defender as garantias da carreira e o que classifica como condições essenciais ao Estado Democrático de Direito.

    Contexto da decisão

    O STF reafirmou o teto constitucional de R$ 46,3 mil e proibiu o pagamento de verbas indenizatórias e auxílios sem previsão em leifederal, além de determinar o corte imediato de diversos benefícios criados por normas administrativas.

    A Corte também estabeleceu regras para maior transparência e controle, incluindo a obrigatoriedade de divulgação detalhada das remunerações e a suspensão de pagamentos retroativos até nova análise.

    As novas diretrizes passam a valer já no próximo mês.

  • Mulher que teve perna amputada ao ser atropelada luta para rever filhos. Veja vídeo

    Mulher que teve perna amputada ao ser atropelada luta para rever filhos. Veja vídeo

    Nascida no Piauí (PI), Geane viveu por muitos anos em Pernambuco (PE). Após um relacionamento abusivo, mudou-se para o DF com os filhos, uma menina e um rapaz que tem deficiência.

    Na capital do país, passou a viver no Paranoá recebendo ajuda da família. De dia, trabalhava como diarista e a noite catava latinhas para reciclagem. Mas, ao longo dos anos, perdeu-se nas drogas. O Conselho Tutelar retirou a guarda dos filhos e ela passou a viver nas ruas.

    O acidente

    No dia 18 de novembro de 2024, por volta 17h30, sentou-se no meio-fio do Terminal Rodoviário do Paranoá. Estava cansada. Levantou-se para ir ao banheiro, mas teve o caminho interrompido. Geane foi então por um ônibus da viação Pioneira.

    “Não vi mais nada. Eu acordei e vi o bombeiro puxando a minha perna e me colocando na maca. Eu gritando, gritando. Nem olhei mais para a perna. O sangue, o sangue. O bombeiro que falava: a sua perna, a sua perna. Eu só me preocupava com a minha cabeça. Não vi mais nada. Eu tenho certeza: eu morri, morri mesmo”, lembrou.

    Geane teve múltiplas fraturas e ficou internada por 18 dias. “Quando acordei estava com a perna. Mas não tinha coragem de olhar. Estava sedada. Costuraram o meu pé. Desmaiei. Abri os olhos com aqueles ferros na perna. E eu pensei: ainda vou andar”, contou.

    Diante do quadro delicado, a equipe médica decidiu amputar uma das pernas da paciente. “O médico disse que fizeram de tudo, mas ia ter que amputar. Acordei, vi só o cotoco”.

    Comida do cesto de lixo

    Ao deixar o hospital, Geane afirma não ter recebido ajuda da Pioneira. Ao invés de uma chance de recuperação, encontrou uma realidade cruel, onde precisava se arrastar pelo chão, pular de uma perna só e se humilhar para continuar sobrevivendo. “Saia pedindo. Passei muita fome, me arrastando. Não tinha mais condições de carregar latinhas, fazer uma faxina. Tinha dia que dormia sem comer. Procurava comida mesmo dentro do cesto de lixo e nunca morri. Quantas vezes comi”, relatou.

    Por diversas noites, Geane dormiu em cima de papelão. E, muitas vezes, ao despertar estava cercada por homens em situação de rua. “Queriam bulir comigo. Mas sou tão forte que brigava. Eu nunca vendi meu corpo. Conseguia evitar. Muitas vezes”, revelou.

    A vida Geane mudou em outubro de 2025. O advogado Jorge Leal Carneiro passava de carro pelo Itapoã junto com o filho. Jorge não acreditou quando viu a mulher se arrastando pelo chão e decidiu parar o veículo e estender a mão para ajudar.

    A senhora ainda vem me buscar?

    Jorge montou uma rede de apoio. Geane ganhou um andador, cadeira de rodas, medicamentos, aposentadoria especial e uma casa alugada, com teto e uma cama para dormir. Começou a recuperar a dignidade. O grupo agora decidiu cobrar na Justiça uma reparação para Geane ter acesso a uma prótese. Para a mulher, voltar a andar é o primeiro passo para rever os filhos. “Não tenha dúvida. Com a prótese vou ter apoio. Andando, de pé vou conseguir outro emprego. Vou fazer minha diárias. Lavar, varrer casas”, comentou.

    Atualmente, os filhos de Geane vivem em um abrigo em Brazlândia (DF). Caso consiga recuperar as condições de viver com eles, ela sonha com um recomeço, em um casinha simples, no campo.

    “A gente sempre gostou do verde. No meu lotinho, minha casinha, que seja um “ovinho”. Isso não importa. Quero dar um abraço e ter minha honra de volta. Eu errei. Minha menina é inteligente. Da última vez que a vi, ela estava com 4 anos no abrigo. Ela me abraçou e falou: mainha, a senhora ainda vem me buscar? Ela escreveu o nome dela em um papel e me deu”, pontuou.

    Para Jorge Leal Carneiro, o objetivo da ação judicial é recuperar a dignidade Geane.

    “Nós estamos caminhando agora para que a empresa de ônibus faça o ressarcimento do que ela perdeu. Ou seja, das pernas dela. Não estamos pedindo uma mega indenização. Estamos pedindo próteses para que ela possa voltar a andar, trabalhar e o passo seguinte será para ela recuperar os filhos dela. Estamos pedindo um pouco mais para ela se recuperar, se reestruturar. Eu vejo como uma missão maior, para reestabelecer a dignidade dessa pessoa. Dando à ela condições sua casinha no campo, reorganizar a família e condições para ela viver com os seus filhos”, explicou.

    Segundo Jorge, a empresa tratou Geane de forma subumana. “Fecharam os olhos. Não deu assistência. Nem uma cadeira de rodas. Simplesmente se omitiu. Isso não se faz nem com um animal. Foi um ato de desumanidade. Deixaram ela na rua. Quando eu a encontrei ela se arrastava. Meu filho, quando encontrou a Geane, abraçou ela. Começamos a fazer um trabalho degrau a degrau, de retorno da humanidade, da dignidade dessa pessoa”, comentou. Atualmente, a filha de Geane tem 12 anos e o rapaz, de 20 anos, é tem Síndrome de Down.O pedido de indenização é de R$ 5.515.018,00.

    Pioneira

    Por nota, a Pioneira informou que prestou todos os primeiros socorros no dia do acidente, e que uma equipe acompanhou a vítima até o hospital, onde ela foi internada com fratura exposta. “Registre-se que a vítima se encontrava sob efeito de álcool e outras substâncias químicas”, afirmou a empresa.

    Segundo a empresa, não havia identificação da vítima, tampouco ela se encontrava em condições de indicar qualquer pessoa a ser contatada.

    No dia seguinte, de acordo com a versão da Pioneira, a assistente social da empresa retornou ao Hospital de Base, mas a paciente ainda estava em atendimento, apresentando-se muito nervosa e agitada. A assistente social deixou um cartão com a enfermeira responsável, para que Geane pudesse fazer contato.

    “Em nova visita ao Hospital, a empresa foi informada de que a paciente havia recebido alta, sem deixar endereço ou telefone para contato. A vítima jamais procurou a empresa após esse episódio. A empresa somente voltou a ter notícias da vítima por ocasião do ajuizamento da presente ação”, alegou a empresa de ônibus.

    Quanto ao processo, segundo a Pioneira, o advogado da parte autora demonstrou “postura agressiva desde o início, pleiteando valores exorbitantes, superiores a oito milhões de reais, o que inviabilizou qualquer tentativa de contato direto com a vítima”.

    Por fim, a empresa argumentou que não pode fornecer maiores detalhes, uma vez que os prontuários da autora se encontram sob segredo de justiça.

  • Magistrados reagem a decisão do STF sobre penduricalhos: “Clima fúnebre”

    Magistrados reagem a decisão do STF sobre penduricalhos: “Clima fúnebre”

    Rosinei Coutinho/STF
    Sessão plenária do STF

    A coluna apurou que magistrados reagiram com forte insatisfação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que fixou novas regras para o pagamento de verbas indenizatórias a juízes e membros do Ministério Público. Nos bastidores, o sentimento predominante é de desvalorização da carreira e de perda de autonomia institucional.

    Sob reserva, integrantes da magistratura classificaram o ambiente como de “clima fúnebre” após o julgamento concluído nessa quarta-feira (25/3).

    “Há um sentimento de injustiça, de que o STF quer destruir a magistratura e o Ministério Público”, afirmou um magistrado ouvido pela coluna. Outro foi na mesma linha: “Todos chocados. Isso é desvalorização e destruição de carreiras”.

    A decisão do STF estabelece limites mais rígidos para o pagamento de auxílios e verbas indenizatórias, reforçando o teto constitucional de R$ 46,3 mil e proibindo benefícios sem previsão em lei federal.

    Na prática, o Supremo determinou o corte imediato de uma série de vantagens criadas por resoluções administrativas e também impôs novas regras para pagamentos retroativos, que agora dependem de auditoria e autorização expressa.

    Bastidores e críticas

    Nos bastidores, magistrados interpretam a decisão como um movimento político da Corte.

    “Querem enfraquecer a magistratura e o MP, concentrando poderes no próprio STF, legislando sobre temas que são do Congresso”, disse um integrante da carreira.

    Outro avaliou que o julgamento também tem relação com a pressão pública sobre o Judiciário: “Tudo para ganhar popularidade diante dos altos índices de reprovação da sociedade após o caso Master”.

    Há ainda críticas ao que consideram tratamento desigual entre carreiras. Segundo relatos obtidos pela coluna, magistrados veem favorecimento à advocacia pública.

    “Ficou claro que o STF protegeu e privilegiou os advogados públicos, especialmente a AGU”, afirmou um magistrado. Ele citou que membros da advocacia pública teriam recebido, no ano passado, valores elevados em honorários além da remuneração mensal.

    Nota oficial e impacto

    Em nota pública, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifestou “profunda discordância” com a decisão e alertou para os impactos imediatos.

    Segundo a entidade, a medida atinge cerca de 18 mil magistrados e provoca redução remuneratória já a partir de abril. A AMB também argumenta que há risco de violação de princípios constitucionais, como a irredutibilidade de subsídios e a segurança jurídica.

    A associação ainda afirma que a decisão pode comprometer a atratividade da carreira e afetar a eficiência do Judiciário.

    Reação interna

    Entre magistrados, há preocupação com efeitos mais amplos.

    “Vejo o povo aplaudindo agora, mas serão os primeiros a sofrer as consequências. Magistrados e membros do MP desmotivados, enfraquecidos, com tudo sendo centralizado no STF”, disse um juiz ouvido sob reserva.

    Outro resumiu o clima interno após o julgamento: “É um cenário de desmonte”.

    Mudança estrutural

    A decisão do STF tem caráter estrutural e passa a valer já no próximo pagamento. Ela estabelece que vantagens acima do subsídio devem respeitar limites rígidos e só podem existir se previstas em lei federal.

    Também determina maior transparência, com a obrigatoriedade de divulgação detalhada das remunerações nos sites dos tribunais.

    Enquanto isso, entidades da magistratura prometem intensificar a atuação institucional para tentar reverter ou mitigar os efeitos da decisão.

  • CPMI do INS: placar de 8 a 2 no STF é apenas o triunfo da Constituição

    CPMI do INS: placar de 8 a 2 no STF é apenas o triunfo da Constituição

    lobo-em-pede-cordeiro—met

    Caras, caros, “cares” e quantas outras derivações couberem aqui — porque todos são bem-vindos à minha ceia plural: vocês podem até achar que, nesta quinta, uma conspiração contra os Bons, os Belos e os Justos resolveu aposentar a CPMI do INSS. No caso, os “BBJs” de plantão, nunca os de Platão, eram, bem…, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão e candidato à reeleição, e o deputado Alfredo Gaspar, agora pré-candidato ao Senado por Alagoas. O relator, diga-se, migrou oficialmente, na quarta, do União Brasil para o PL de Flávio Bolsonaro, com a presença do próprio Zero Um, a quem trata por “senhor”. Ora, ora… É muito importante saber empregar o pronome de tratamento com quem manda.

    A verdade é que não houve conspiração nenhuma. Por 8 a 2, triunfou a Constituição. Assim foi na contabilidade, digamos, formal. Já na informal, o placar foi 9 a 1 contra a liminar de André Mendonça, que ordenou a continuidade da CPMI. Por que afirmo isso? Fux votou com o relator, em favor da prorrogação da zorra disfarçada de comissão mista de inquérito. Ocorre que o ministro evocou um precedente falso, que nunca existiu, mas não se deu por achado e manteve a posição e a, se me permitem, pose. Nada de novo. Quase sempre faz isso. Quem erra como regra só surpreende quando acerta. Por óbvio.

    Vamos pensar?

    LIMINAR DE MENDONÇA: CONCEDIDA PARA CAIR
    Como não cansei de dizer no programa “Reinaldo Azevedo”, neste Metrópoles, que vai ao ar todos os dias entre 13h e 14h, e já escrevi aqui, a liminar de Mendonça, atendendo a Mandado de Segurança, ordenando a prorrogação da CPMI, era inédita e inconstitucional. O Artigo 58 da Carta traz os pressupostos para a instalação de comissões de investigação — fato determinado, número de assinaturas e prazo de vigência —, mas nada diz sobre prorrogação, que é matéria “interna corporis”.

    Como lembrou o ministro Flávio Dino — no que poderia ter sido o escancaramento de uma tautologia, mas era só um esclarecimento necessário —, houvesse uma prorrogação ao arrepio de Mesas Diretoras (Câmara, Senado ou Congresso), então iria para o lixo parte do Artigo 58: afinal, nesse caso, não haveria “prazo” — um dos três requisitos para instalar uma CPI. Tudo ficaria na dependência da vontade da minoria. E notem: a Constituição não é ambígua a respeito. É clara! De resto, se três pilares dão vida a uma comissão, como é que se pode tirar um deles e manter a esperança de que o edifício continue de pé?

    Mesmo defendendo a tese errada, absurda em sua essência, Mendonça teve a honestidade intelectual de admitir que estava a fazer algo realmente inédito. Ele assumiu isso. Talvez Fux estivesse um tanto distraído na hora e não tenha ouvido o que disse o relator, a quem emprestou algum socorro. Suponho que, àquela altura, percebeu que o colega sofreria uma derrota acachapante: já havia três votos pronunciados contra a liminar — de Flávio Dino, de Alexandre de Moraes e de Cristiano Zanin —  e um que, embora ainda não formalizado, era certo: o de Gilmar Mendes.

    FUX BRIGOU COM OS FATOS
    Fux vote como quiser. Nessa nossa conversa, todos são bem-vindos, inclusive os que divergem. Ocorre que as pessoas, e também os ministros, têm direito às próprias opiniões, mas não aos próprios fatos. Embora, reitero, Mendonça tenha admitido que nunca antes na história do STF e do Congresso uma CPI ou CPMI tenham sido prorrogadas por decisão do tribunal, Fux resolveu brigar com os fatos e afirmou que havia, sim, um precedente: assegurou que a CPMI das Fake News, instalada em 2019, havia sido prorrogada por decisão do Supremo. E ainda cutucou onça com vara curta: disse que não citaria um colega que agora estaria com outra posição…

    Cutucava o ministro Gilmar Mendes. Ocorre que o suposto fato citado por Fux esqueceu de acontecer. Que passe um pito em sua assessoria. Em 2019, deu-se outra coisa. Um parlamentar recorreu ao Supremo contra a prorrogação da comissão. Gilmar foi o sorteado pela Casa e decidiu: “Isso não é para o tribunal; que o Congresso decida”. Vale dizer: não há contradição nenhuma. Agora como antes, Gilmar deu o mesmo voto: não é a Corte a decidir se comissão de inquérito deve ou não ser prorrogada. Foi um momento notável da chamada “vergonha alheia”.

    Fux ainda tentou dizer que era tudo a mesma coisa. Só que não. No passado, o voto vitorioso de Gilmar foi claro: os senhores ministros não devem atravessar a rua para decidir se comissões de inquérito são ou não prorrogadas. No caso, Viana e Gaspar pediram aos togados que garantissem a sobrevida da comissão. Em ambos, o voto de Gilmar foi o mesmo: isso é assunto do Congresso. Não precisa demitir, claro!, já que nunca quero o mal de ninguém. Mas Fux tem de admoestar quem redigiu o seu voto porque lhe passou uma informação falsa. Nos dois casos, trata-se da relação “Congresso-STF” sobre prorrogação de comissão de inquérito. Ocorre que, antes, pedia-se ao STF que impedisse a prorrogação; desta feita, que a garantisse.

    O ministro Flavio Dino, que abriu a divergência, foi ao ponto: se a Constituição não é omissa sobre a instalação de CPIs (Artigo 58), resta evidente que nada diz sobre a sua prorrogação. Sem isso, é como se não existisse o item “prazo definido”. E complementou Moraes: se a instalação é uma prerrogativa da minoria, a prorrogação só se pode dar por maioria e com a anuência da Mesa da respectiva Casa. Admitir que estender o funcionamento da CPMI dependeria só da vontade da tal minoria implica ignorar que um dos requisitos para a existência da dita-cuja é justamente o prazo definido.

    CONSPIRAÇÃO
    Não! Ninguém está a conspirar contra a apuração de coisa nenhuma! Compreendo até que Viana e Gaspar estejam um tanto infelizes porque lhes tiraram o mais fácil de todos os palanques: aquele em que se pode vociferar contra supostos inimigos do povo, escolhendo os alvos execráveis e os protegidos de estimação.

    Viana e Gaspar já têm estoque o suficiente de proselitismo para voltar para as suas respectivas bases — o primeiro concorre à reeleição ao Senado pelo Podemos de MG, e o outro migrou para o PL de Alagoas, também de olho na chamada Câmara Alta, a dizer: “Viram só? Tentamos investigar tudo, mas ‘eles’ não deixaram”. Bater primeiro no Supremo e só perguntar depois o motivo virou um esporte nacional. Vejam o caso dos penduricalhos: por unanimidade, os senhores ministros fizeram o que estava ao alcance da lei e passaram a apanhar muito por isso. Mesmo com uma economia de R$ 7,3 bilhões ao ano. Mas, nestes dias, “ou é tudo como eu quero, ou eu esculhambo geral”…

    Recebi mensagem de um amigo — e acho que ele não entendeu direito o que aconteceu — afirmando que está tudo arranjado e que o resultado da votação de ontem era fruto da pressão do governo e do centrão… É mesmo? E esses conspiradores arrebanharam para a sua causa até os ministros Edson Fachin — aquele do tal “Código de Ética” — e Cármen Lúcia??? Que se desconfie dos respectivos votos de outros, ainda que sem motivo e por ânimo de maldizer, vá lá…Mas também esses outros entraram na dança do descrédito? Será que “ministros bom e isento é aquele que só faz o aquilo com que concordo”? A propósito: no caso da unanimidade da votação sobre o teto para o Sistema de Justiça, não teria sobrado, então, um único justo? Já chegou a hora de fazer chover enxofre sobre a nossa terra de dissolutos? Ora, tenham a paciência…

    CAMINHANDO PARA A CONCLUSÃO
    Nunca duvidei, como sabem, de que a decisão teratológica de Mendonça não seria endossada. Ocorre que acho que ele também apostava nisso. Se for assim, temos um problema grave. Um ministro do STF, qualquer que seja ele, jamais deve jogar para a torcida — até porque a razão de ser de uma corte constitucional é justamente a sua vocação contramajoritária. “Então ela sempre deve pensar o contrário da maioria, contestá-la, opor-se a seus pressupostos?” Resposta: “Não!” Deve fazê-lo quando necessário, sem medo da vaia e sem se comprazer com aplausos. Magistrados de cortes constitucionais não são “influencers”, que precisam estar por cima para poder vender o seu peixe.

    E que ressoe com firmeza as palavras ditas por Gilmar sobre o vazamento ilegal de dados promovido pela CPMI — parte deles sem nenhuma relação com a investigação —, de maneira industriada, o que Viana chegou a tratar como “um bem para a sociedade”. Trata-se de crimes. E, se crimes são, têm de ser punidos.

    ENCERRO
    Justiça se faça: Mendonça não saiu no tapa retórico com ninguém para manter o seu voto porque sabia insustentável. Fux, que veio em seu socorro, evocando um precedente que não existiu, talvez não o tenha ouvido dizer que ensaiava algo de fato inédito — inédito e ruim.

    Mas nem tudo é um desastre mesmo no voto do parceiro de derrota de Mendonça: Fux endossou a dura crítica de Gilmar à indústria criminosa de vazamentos, que tanto bem faz às respectivas campanhas eleitorais de Gaspar, que chama Flávio de “senhor”, e de Viana. O senador, no caso, é aquele que apresentou um projeto de lei para eliminar do Código Penal os crimes de tentativa de golpe e de tentativa de abolição violenta do estado de direito.

    Quando o propagador de uma tese golpista se torna herói porque, entre outras razões, um dos seus alvos é justamente aquele que enfrentou o golpismo, não duvidem de que algo realmente inédito está em curso: inédito e ruim. E o sistema de liberdades está sob ameaça.

  • Três pessoas morrem em queda de helicóptero em praia do Havaí

    Três pessoas morrem em queda de helicóptero em praia do Havaí

    Redes sociais/ reprodução
    Três pessoas morrem em queda de helicóptero em praia do Havaí

    Três pessoas morreram e duas ficaram feridas na queda de helicóptero nas águas próximas à praia de Kalalau, no Havaí, nesta quinta-feira (26/3).  O piloto e mais quatro passageiros estavam na aeronave na hora do acidente.

    O helicóptero, pertencente à Airborne Aviation, caiu por volta das 15h45 (22h45 no horário de Brasília).

    “Antes de mais nada, gostaria de lembrar a todos que mantenham todos os envolvidos em seus pensamentos e orações”, disse o prefeito Derek Kawakami. As causas do acidente não foram divulgadas.

     

    Passeios de helicóptero são comuns na região. Em 2024, três pessoas morreram na queda de um helicóptero. O corpo de um passageiro nunca foi encontrado.

    Já em 2019, sete pessoas morreram em outro acidente.

  • "Não faz isso com nosso bebê", gritou mulher mantida refém com filho

    "Não faz isso com nosso bebê", gritou mulher mantida refém com filho

    Vizinhos que testemunharam a família feita refém, nessa quinta-feira (26/3), no Itapoã (DF), ouviram a mulher gritando para que , não machucasse o bebê de um mês do casal que ficou sob a mira de uma faca. 

    O homem que fez a esposa e o filho como reféns deixou a casa onde manteve a família em cárcere de ambulância, no começo da noite desta quinta-feira.

    , ele foi atingido por dois tiros de bala de borracha disparados pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e socorrido a um hospital da região.

    Ao Metrópoles, vizinhos da família feita refém detalharam como foi a ação do suspeito. Dois jovens moradores da região ajudaram a resgatar duas das crianças que estavam sob a posse do homem. 

    “Nós escutamos os gritos e as crianças chorando. Aí tiramos as crianças de dentro da casa. Nisso, o vizinho entrou com a mulher dele para dentro da casa e se trancou. Nós tentamos conversar com ele, mas não conseguimos”, detalha Daniel da Silva Moraes, de 28 anos.

    De acordo com o técnico de internet Douglas Alves dos Santos, de 18 anos, foi possível ouvir os gritos da mulher dentro da residência.

    “Ela gritava: ‘Por favor, não faz isso com o nosso filho. Ele é recém-nascido’. Nessa hora, fomos até a casa e tentamos conversar com ele para sair, mas ele dizia que se alguém tentasse invadir iria se matar e, também, a criança”, conta Douglas.

    O técnico também relatou que as duas crianças que conseguiram resgatar estavam apavoradas com a situação e pediam para ajudarem a mãe deles.

    “Levamos as crianças para a casa de uma vizinha e, em seguida, acionamos a polícia. Também tenho um filho recém-nascido e fiquei com a mente abalada. Se não chamasse [a polícia], ia acontecer uma tragédia”, afirma o jovem.

    Vizinhos relataram à reportagem que não é a primeira vez que um episódio dessa natureza ocorre no local.

    Resgate

    A mulher e a criança, que tem 1 mês de vida, foram socorridas sem ferimentos.

    Por volta das 19h, dois tiros foram ouvidos no local. Na sequência, a ambulância do Corpo de Bombeiros que estava no local abriu as portas para socorrer o suspeito. Ele foi visto sendo carregado em uma maca.

    Em seguida, um bebê também foi avistado no colo de uma bombeiro. Uma mulher também deixou a casa chorando por volta das 19h.

  • Empresa dona de jatinhos vira peça-chave em cerco da Justiça a Vorcaro

    Empresa dona de jatinhos vira peça-chave em cerco da Justiça a Vorcaro

    Daniel Vorcaro, do Banco Master -- Metrópoles

    A trajetória da empresa Viking Participações acompanha a escalada patrimonial meteórica de seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso desde o início do mês, acusado de corrupção e crime contra o sistema financeiro, e que negocia um acordo delação premiada.

    Em menos de dez anos, a Viking saiu de patamar contábil baixo para uma estrutura que movimenta centenas de milhões de reais via capitalização e venda de participações, dona de imóveis de alto luxo e aviões.

    Para a Justiça, há indícios de que a empresa seja um instrumento para a blindagem patrimonial de Vorcaro em meio ao colapso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado, em meio ao escândalo de fraude.

    Peças judiciais obtidas pelo Metrópoles indicam que a a firma já estava envolvida em negócios suspeitos antes mesmo de Vorcaro adquirir o Banco Máxima (atual Master), em 2019, e pode ter sido usada na capitalização do banco.

    Uma decisão judicial da última semana busca impedir que os bens em nome da Viking desapareçam. A pedido do liquidante do Master, o juiz Adler Batista de Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências de São Paulo, determinou a inclusão de um protesto nos registros de três aeronaves compradas por mais de R$ 250 milhões e de dois apartamentos em um bairro rico de São Paulo.

    A ação foi movida com objetivo de preparar o terreno para que os bens sejam revertidos aos credores do banco, que deixou um rombo estimado em R$ 50 bilhões.

    “Os indícios apresentados corroboram a tese de que a requerida (Viking Participações Ltda.) possa ter atuado como veículo de interposição para a ocultação de recursos. Destaca-se a documentação que aponta a aquisição de ativos de luxo, como aeronaves e imóveis de alto padrão na capital paulista, formalmente registrados em nome da sociedade ré, mas supostamente vinculados e usufruídos pelo ex-controlador da instituição financeira liquidanda”, afirmou o juiz na liminar.

    A reportagem procurou a assessoria de Vorcaro para comentar as decisões judiciais, mas ela afirmou que não comentaria sobre o tema.

    Jatinhos de Vorcaro

    Da coleção de jatos de Vorcaro em nome da Viking, o mais valioso rastreado é um Gulfstream GV-SP, comprado em junho de 2023 por R$ 120 milhões. Fabricado em 2010, o modelo comporta até 20 pessoas e tem autonomia suficiente para voos intercontinentais, como do Brasil à Europa sem escalas. Documentos mostram que esse avião foi alienado recentemente.

    Foto colorida de avião de Vorcaro, dono do Master, apreendido pela PF
    Vorcaro se preparava para viajar ao exterior quando foi preso pela PF

    O empresário ainda possui um Dassault Falcon 7X, do ano de 2010, adquirido em agosto de 2023 por R$ 116,7 milhões. O jato tem capacidade para até 15 ocupantes, percorre longas distâncias e é utilizado até por forças aéreas — ele ficou conhecido por ser a aeronave na qual Vorcaro tentou deixar o país antes de ser preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.

    Já a terceira aeronave é um Dassault Falcon 2000, comprado em fevereiro de 2022, por R$ 21,3 milhões, embora seu valor de mercado possa chegar a mais de R$ 40 milhões.

    Nessa mesma decisão, o juiz também decidiu incluir ordens de protestos na matrícula de um triplex de mais de 1.000 m² na rua Horácio Lafer, no Itaim Bibi. O apartamento ainda não foi finalizado, mas a Polícia Federal (PF) encontrou troca de e-mails que mostra tentativa de repassar o imóvel no mesmo dia da primeira prisão de Daniel Vorcaro. O liquidante rastreou ainda em nome da Viking um outro apartamento, de 83 m², também no Itaim.

    Negócios bárbaros

    Antes de ganhar o nome em referência aos exploradores nórdicos que barbarizaram a Europa, a Viking foi criada em 2006 com o nome de Sociedade Educacional Saber LTDA. A quebra de sigilo bancário de Vorcaro mostra como a empresa ascendeu junto com Vorcaro.

    Em 2017, de acordo com a quebra de sigilo bancário de Daniel Vorcaro, ele possuía cotas avaliadas em R$ 50 mil na empresa Viking. Em 2024, a empresa tinha capital social de R$ 100 milhões.

    Naquele ano, houve movimentações de ao menos R$ 500 milhões na Viking, por meio da venda de R$ 306 milhões em cotas para o fundo Astralo 95 e de R$ 200 milhões em cotas ao fundo Stern. O fundo Astralo 95 registrou bilhões de reais em movimentações suspeitas de Vorcaro, segundo investigações.

    A empresa Viking já aparecia em negócios suspeitos muito antes de Vorcaro virar oficialmente dono do Master, em 2021.

    Uma ação judicial obtida pelo Metrópoles mostra que a firma esteve envolvida em um acordo para o pagamento de uma dívida do empresário Benjamin Botelho, suspeito de ser operador de Vorcaro.

    Segundo a ação movida pelo empresário Yan Hirano contra Botelho e Vorcaro, a Viking pagaria a um fundo R$ 30 milhões, sendo R$ 14 milhões em dinheiro e outros R$ 16 milhões em imóveis que faziam parte do patrimônio do Banco Máxima, comprado por Vorcaro em 2019 e, posteriormente, transformado no Master.

    A ação indica o uso de imóveis com valores inflados com o objetivo de maquiar o patrimônio do grupo econômico do banqueiro, incluindo o Banco Master. Antes de chegar ao credor, os imóveis passaram por uma intrincada teia de transações em maio de 2020. Embora cite a Viking, outras empresas foram usadas na transação – os imóveis foram comprados do Banco Máxima por um fundo, que repassou pelo mesmo valor para uma empresa e esta, finalmente, fez o processo de dação dos imóveis por um valor menor a um fundo de Yan Hirano.

    “Disso se nota que as transações havidas entre as sociedades de Vorcaro e o fundo de Botelho foram precificadas de modo consideravelmente inflado (pois as dações em pagamento se deram em valor substancialmente inferior); e que as operações entre o banco, o FII e a empresa foram praticamente ‘fictícias’”, diz a ação movida pelo liquidante do Master. “A prática é uma gritante red flag – e, certamente, pode ter sido utilizada para ‘justificar’ ganhos ou investimentos irreais”.

    A Viking parece ter continuado a ser usada com esse mesmo tipo de finalidade. Uma ação do liquidante mostra que ela fez parte da engrenagem para a doação de um apartamento milionário a uma mulher identificada como sugar baby — mulher que mantém relacionamento afetivo com homem mais velho em troca de amparo financeiro.

    O imóvel fica em um prédio de luxo na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, também na Vila Nova Conceição, avaliado em R$ 4,3 milhões. Ele foi inicialmente adquirido pela Viking e depois vendido à Super Empreendimentos, de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que, por sua vez, doou o apartamento à influenciadora Karolina Santos Trainotti — a relação de Vorcaro com ela, porém, não foi confirmada.

  • Prefeitura prepara edital para reforma de 3 mil casas em Paraisópolis

    Prefeitura prepara edital para reforma de 3 mil casas em Paraisópolis

    Kassá/Gettyimages
    Imagem mostra a favela de Paraisópolis, em São Paulo, que tem casas de tijolo - Metrópoles

    A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) de São Paulo prepara um edital para contratar organizações que irão reformar casas em situações precárias no Complexo de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista.

    Cerca de 3 mil moradias devem ser beneficiadas pelo programa. A ideia é promover melhorias em unidades que sofrem com problemas como infiltrações e falta de banheiros, ou que não têm ventilação e iluminação adequadas, por exemplo.

    Outro objetivo é o de aliviar a temperatura interna das casas. Em Paraisópolis, a sensação térmica chega a ser 15°C maior do que a registrada no Morumbi, bairro vizinho.

    “É possível introduzir algumas mudanças [que vão ajudar nisso]: abrir janelas, [fazer] algum sombreamento na cobertura. Tem muitos estudos sobre isso”, afirma a secretária Elisabete França, que está à frente do projeto.

    Ela diz que a Prefeitura de São Paulo fará uma vistoria nas casas para selecionar aquelas que estão em situação mais precária. Uma ficha técnica deverá ser elaborada para cada imóvel.

    A seleção também levará em consideração a composição familiar e a vulnerabilidade social de quem vive nos imóveis. Casas onde moram idosos, crianças, ou pessoas com deficiência, por exemplo, terão prioridade.

    França afirma que intervenções parecidas já foram realizadas em outros programas da prefeitura. “Na Cohab [Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo], tem o Pode Entrar Melhorias”, conta ela, citando o projeto que faz desde reformas estruturais até instalações elétricas.

    Ela também cita como exemplo desse tipo de intervenção o trabalho feito pela Organização Não-Governamental Fazendinhando, liderada pela arquiteta Ester Carro, e que atua na transformação de favelas em São Paulo a partir de doações.

    Nascida e criada no Jardim Colombo, comunidade que faz parte do Complexo de Paraisópolis, Ester ficou conhecida nas redes sociais com projetos que transformaram casas de moradores.

    O Metrópoles acompanhou algumas dessas obras, como a de Tiquinho,, além de um pequeno espaço de cozinha. Relembre neste vídeo:

     

    A prefeitura ainda não divulgou estimativa do tamanho do investimento previsto para o programa de melhorias nas casas de Paraisópolis. A publicação do edital deve ser feita somente depois que outra licitação — a de urbanização do Complexo de Paraisópolis — for iniciada.

    Como já mostrou o Metrópoles, a gestão Ricardo Nunes (MDB) prevê investir R$ 1,6 bilhão para promover a urbanização nas três comunidades do complexo – Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro. Entre as mudanças previstas, estão o alargamento de ruas, a criação de espaços de cultura, o aterramento de fios e o plantio de árvores.

    A proposta também removerá cerca de 2 mil moradias para conjuntos habitacionais dentro do próprio complexo. De acordo com a gestão municipal, moradores e comerciantes impactados poderão receber indenização.

    A publicação do edital de urbanização está mais próxima, segundo a secretária. Em abril, o material deve ser enviado para análise do Tribunal de Contas do Município (TCM). Caso seja aprovado pelo órgão, o edital pode ser divulgado ainda neste semestre.

  • Veja quanto fica salário das forças de segurança do DF com reajuste

    Veja quanto fica salário das forças de segurança do DF com reajuste

    Divulgação/Direção Concursos
    concurso pmdf

    A Medida Provisória (MP) aprovada, nesta quinta-feira (26/3), na Câmara dos Deputados, prevê um reajuste entre 19,6% e 28,4% nos salários dos policiais militares e integrantes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.

    No caso da Polícia Civil do DF, o reajuste foi fixado em 27,27% para a chamada “categoria especial” e em 24,43% para a “terceira categoria”.

    Já policiais militares e bombeiros vinculados aos antigos territórios federais tiveram recomposição salarial de 24,32%, também dividida em duas parcelas.

    Com a aplicação do reajuste, a remuneração de um coronel da Polícia Militar, por exemplo, saiu de R$ 3.195 em novembro do ano passado para R$ 4.800 a partir de 1º de janeiro de 2026. Tal valor refere-se apenas ao soldo. Os militares do DF ganham outras gratificações e benefícios que elevam os vencimentos mensais.

    No caso dos delegados da Polícia Civil do Distrito Federal enquadrados na categoria especial, o aumento superou R$ 8 mil. O subsídio passou de R$ 30.542 para R$ 38.872.

    Medidas provisórias têm validade de até 120 dias e precisam ser aprovadas pelas duas Casas do Congresso para manter seus efeitos de forma permanente.

    As novas regras passaram a valer em 1º de dezembro de 2025, data de publicação no Diário Oficial da União. O aumento foi implementado em duas fases: a primeira no fim de 2025 e a segunda em janeiro de 2026.

    Tempo para reserva

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    Todas essas regras se aplicam aos bombeiros militares, com algumas diferenças em relação às idades.

    O texto também aumenta a altura mínima dos candidatos e passa a exigir bacharelado em Direito para o ingresso de novos oficiais.

    Auxílio moradia

    O texto também prevê a atualização do auxílio-moradia pago a policiais militares e bombeiros, com impacto estimado em R$ 25,7 milhões.

    Para compensar o aumento de despesas, a proposta determina a extinção de 344 cargos vagos de médico e sociólogo no quadro do Ministério da Gestão e da Inovação.

    De acordo com o governo, o impacto orçamentário total da medida é projetado em R$ 203,1 milhões em 2025 e em R$ 3 bilhões em 2026, valor que deve se repetir em 2027.

     

  • TCDF impede BRB de concluir licitação de aluguel para arquivo central

    TCDF impede BRB de concluir licitação de aluguel para arquivo central

    KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
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    O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou que o Banco de Brasília (BRB) não finalize o chamamento público que visa a locação de imóvel destinado à instalação do Arquivo Central da instituição. A decisão, publicada na quinta-feira (26/3), deu cinco dias para o BRB prestar esclarecimentos sobre o processo. 

    A determinação é uma resposta a uma representação recebida pelo TCDF contra o certame. No documento, o denunciante alegou que o edital publicado pelo banco não demonstrou “vantajosidade e economicidade”,  além de não conter “objetividade” nem “critérios objetivos para visita técnica eliminatória”.

    A Corte de Contas deu cinco dias para o BRB apresentar “circunstanciados esclarecimentos” acerca das reclamações feitas na representação.

    O TCDF ainda determinou que o banco “somente adjudique ou homologue o objeto da licitação após ulterior deliberação da Corte, a fim de não frustrar eventual decisão determinando o saneamento de possíveis irregularidades”.

    Procurado, o BRB ainda não se posicionou. O espaço segue aberto.

    Sobre o edital

    O espaço precisa “abrigar o acervo, atender a legislação relacionada, e alinhamento a planejamento estratégico da instituição”.

    As propostas podem ser enviadas até às 23:59 desta sexta-feira (27/3). Como o TCDF não determinou a suspensão, o certame segue em curso, apenas impedido de ser finalizado até que a Corte aprecie o mérito da questão.

    O que diz o BRB

    O BRB disse, em nota ,que não recebeu comunicação formal do TCDF sobre o tema. A instituição financeira declarou que o Chamamento Público nº 001/2026 “refere-se a um processo de consulta ao mercado com o objetivo de identificar opções para futura locação de imóvel destinado ao arquivo central do banco, no Distrito Federal”.

    “A iniciativa busca aprimorar a gestão documental da instituição, com foco em eficiência operacional, segurança da informação, adequação de espaço e otimização de custos. Trata-se de etapa preliminar, que não implica contratação imediata. O BRB permanece à disposição dos órgãos de controle e reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade e a boa gestão dos recursos públicos”, concluiu.