Humor
Autor: jonysdavid2017@gmail.com
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Salário de R$ 46,3 mil é insuportável, diz presidente de sindicato de servidores
Para o presidente do Sindilegis, o serviço público está perdendo atratividade pois “advogado mediano” ganha mais de R$ 40 mil
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AMB vê ameaça à magistratura após decisão do STF sobre penduricalhos

A coluna apurou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou o pagamento de verbas indenizatórias a magistrados provocou reação imediata das entidades representativas da categoria. Em nota pública divulgada após o julgamento, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifestou “profunda discordância e preocupação” com o novo entendimento da Corte.
O julgamento, concluído nessa quarta-feira (25/3), fixou regras mais rígidas para o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público, com impacto direto nas folhas de pagamento já a partir de abril.
Segundo a AMB, a decisão atinge cerca de 18 mil magistrados em todo o país e implica uma “severa redução remuneratória imediata”, alterando direitos que vinham sendo reconhecidos ao longo de décadas por instâncias administrativas e pelo próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Risco constitucional
Na avaliação da entidade, o julgamento levanta questionamentos constitucionais relevantes. A AMB aponta possível violação de princípios como a irredutibilidade de subsídios, a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima.
A associação também critica a ausência de modulação dos efeitos da decisão, mecanismo frequentemente adotado pelo próprio STF em casos semelhantes para evitar impactos abruptos.
Sobrecarga e carreira
Outro ponto destacado pela entidade é o contexto de sobrecarga enfrentado pela magistratura brasileira. , com mais de 2 mil novos casos por ano.
Nesse cenário, a entidade afirma que benefícios como a licença compensatória foram criados como forma de compensar o volume extraordinário de trabalho e as exigências crescentes da função.
Para a associação, a decisão pode comprometer a atratividade da carreira e gerar reflexos diretos na eficiência da prestação jurisdicional.
Impacto institucional
A AMB avalia que os efeitos da decisão vão além da questão remuneratória. Segundo a entidade, o julgamento “projeta efeitos institucionais relevantes”, ao afetar a previsibilidade do regime jurídico da magistratura e as condições de funcionamento do Judiciário.
“O tema do enfraquecimento da magistratura transcende interesses corporativos”, destaca a nota.
A associação afirma que continuará atuando em todas as frentes institucionais para defender as garantias da carreira e o que classifica como condições essenciais ao Estado Democrático de Direito.
Contexto da decisão
O STF reafirmou o teto constitucional de R$ 46,3 mil e proibiu o pagamento de verbas indenizatórias e auxílios sem previsão em leifederal, além de determinar o corte imediato de diversos benefícios criados por normas administrativas.
A Corte também estabeleceu regras para maior transparência e controle, incluindo a obrigatoriedade de divulgação detalhada das remunerações e a suspensão de pagamentos retroativos até nova análise.
As novas diretrizes passam a valer já no próximo mês.
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Mulher que teve perna amputada ao ser atropelada luta para rever filhos. Veja vídeo
Nascida no Piauí (PI), Geane viveu por muitos anos em Pernambuco (PE). Após um relacionamento abusivo, mudou-se para o DF com os filhos, uma menina e um rapaz que tem deficiência.
Na capital do país, passou a viver no Paranoá recebendo ajuda da família. De dia, trabalhava como diarista e a noite catava latinhas para reciclagem. Mas, ao longo dos anos, perdeu-se nas drogas. O Conselho Tutelar retirou a guarda dos filhos e ela passou a viver nas ruas.
O acidente
No dia 18 de novembro de 2024, por volta 17h30, sentou-se no meio-fio do Terminal Rodoviário do Paranoá. Estava cansada. Levantou-se para ir ao banheiro, mas teve o caminho interrompido. Geane foi então por um ônibus da viação Pioneira.
“Não vi mais nada. Eu acordei e vi o bombeiro puxando a minha perna e me colocando na maca. Eu gritando, gritando. Nem olhei mais para a perna. O sangue, o sangue. O bombeiro que falava: a sua perna, a sua perna. Eu só me preocupava com a minha cabeça. Não vi mais nada. Eu tenho certeza: eu morri, morri mesmo”, lembrou.
Geane teve múltiplas fraturas e ficou internada por 18 dias. “Quando acordei estava com a perna. Mas não tinha coragem de olhar. Estava sedada. Costuraram o meu pé. Desmaiei. Abri os olhos com aqueles ferros na perna. E eu pensei: ainda vou andar”, contou.
Diante do quadro delicado, a equipe médica decidiu amputar uma das pernas da paciente. “O médico disse que fizeram de tudo, mas ia ter que amputar. Acordei, vi só o cotoco”.
Comida do cesto de lixo
Ao deixar o hospital, Geane afirma não ter recebido ajuda da Pioneira. Ao invés de uma chance de recuperação, encontrou uma realidade cruel, onde precisava se arrastar pelo chão, pular de uma perna só e se humilhar para continuar sobrevivendo. “Saia pedindo. Passei muita fome, me arrastando. Não tinha mais condições de carregar latinhas, fazer uma faxina. Tinha dia que dormia sem comer. Procurava comida mesmo dentro do cesto de lixo e nunca morri. Quantas vezes comi”, relatou.
Por diversas noites, Geane dormiu em cima de papelão. E, muitas vezes, ao despertar estava cercada por homens em situação de rua. “Queriam bulir comigo. Mas sou tão forte que brigava. Eu nunca vendi meu corpo. Conseguia evitar. Muitas vezes”, revelou.
A vida Geane mudou em outubro de 2025. O advogado Jorge Leal Carneiro passava de carro pelo Itapoã junto com o filho. Jorge não acreditou quando viu a mulher se arrastando pelo chão e decidiu parar o veículo e estender a mão para ajudar.
A senhora ainda vem me buscar?
Jorge montou uma rede de apoio. Geane ganhou um andador, cadeira de rodas, medicamentos, aposentadoria especial e uma casa alugada, com teto e uma cama para dormir. Começou a recuperar a dignidade. O grupo agora decidiu cobrar na Justiça uma reparação para Geane ter acesso a uma prótese. Para a mulher, voltar a andar é o primeiro passo para rever os filhos. “Não tenha dúvida. Com a prótese vou ter apoio. Andando, de pé vou conseguir outro emprego. Vou fazer minha diárias. Lavar, varrer casas”, comentou.
Atualmente, os filhos de Geane vivem em um abrigo em Brazlândia (DF). Caso consiga recuperar as condições de viver com eles, ela sonha com um recomeço, em um casinha simples, no campo.
“A gente sempre gostou do verde. No meu lotinho, minha casinha, que seja um “ovinho”. Isso não importa. Quero dar um abraço e ter minha honra de volta. Eu errei. Minha menina é inteligente. Da última vez que a vi, ela estava com 4 anos no abrigo. Ela me abraçou e falou: mainha, a senhora ainda vem me buscar? Ela escreveu o nome dela em um papel e me deu”, pontuou.
Para Jorge Leal Carneiro, o objetivo da ação judicial é recuperar a dignidade Geane.
“Nós estamos caminhando agora para que a empresa de ônibus faça o ressarcimento do que ela perdeu. Ou seja, das pernas dela. Não estamos pedindo uma mega indenização. Estamos pedindo próteses para que ela possa voltar a andar, trabalhar e o passo seguinte será para ela recuperar os filhos dela. Estamos pedindo um pouco mais para ela se recuperar, se reestruturar. Eu vejo como uma missão maior, para reestabelecer a dignidade dessa pessoa. Dando à ela condições sua casinha no campo, reorganizar a família e condições para ela viver com os seus filhos”, explicou.
Segundo Jorge, a empresa tratou Geane de forma subumana. “Fecharam os olhos. Não deu assistência. Nem uma cadeira de rodas. Simplesmente se omitiu. Isso não se faz nem com um animal. Foi um ato de desumanidade. Deixaram ela na rua. Quando eu a encontrei ela se arrastava. Meu filho, quando encontrou a Geane, abraçou ela. Começamos a fazer um trabalho degrau a degrau, de retorno da humanidade, da dignidade dessa pessoa”, comentou. Atualmente, a filha de Geane tem 12 anos e o rapaz, de 20 anos, é tem Síndrome de Down.O pedido de indenização é de R$ 5.515.018,00.
Pioneira
Por nota, a Pioneira informou que prestou todos os primeiros socorros no dia do acidente, e que uma equipe acompanhou a vítima até o hospital, onde ela foi internada com fratura exposta. “Registre-se que a vítima se encontrava sob efeito de álcool e outras substâncias químicas”, afirmou a empresa.
Segundo a empresa, não havia identificação da vítima, tampouco ela se encontrava em condições de indicar qualquer pessoa a ser contatada.
No dia seguinte, de acordo com a versão da Pioneira, a assistente social da empresa retornou ao Hospital de Base, mas a paciente ainda estava em atendimento, apresentando-se muito nervosa e agitada. A assistente social deixou um cartão com a enfermeira responsável, para que Geane pudesse fazer contato.
“Em nova visita ao Hospital, a empresa foi informada de que a paciente havia recebido alta, sem deixar endereço ou telefone para contato. A vítima jamais procurou a empresa após esse episódio. A empresa somente voltou a ter notícias da vítima por ocasião do ajuizamento da presente ação”, alegou a empresa de ônibus.
Quanto ao processo, segundo a Pioneira, o advogado da parte autora demonstrou “postura agressiva desde o início, pleiteando valores exorbitantes, superiores a oito milhões de reais, o que inviabilizou qualquer tentativa de contato direto com a vítima”.
Por fim, a empresa argumentou que não pode fornecer maiores detalhes, uma vez que os prontuários da autora se encontram sob segredo de justiça.













