Humor
Autor: jonysdavid2017@gmail.com
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Ganhando R$ 3 mil, ex-assessor de Hugo Motta movimentou R$ 3,1 milhões em 6 meses
Arte Metropoles
Um ex-assessor do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), movimentou R$ 3,1 milhões em suas contas bancárias em apenas seis meses, no período em que trabalhou para o parlamentar paraibano. O montante é incompatível com o salário do então assessor no gabinete, que era de apenas R$ 3,3 mil líquidos.
O assessor em questão é Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, o Júnior do Peixe. Além de ter trabalhado no gabinete de Motta, ele também foi dirigente da entidade Conafer, uma das principais suspeitas de realizar descontos indevidos nas aposentadorias pagas pelo INSS.
No período de seis meses em que esteve trabalhando com Motta, de outubro de 2020 a março de 2021, ele recebeu R$ 1,59 milhão (R$ 1.590.678,81) de terceiros em suas contas bancárias e repassou R$ 1,57 milhão (R$ 1.573.766,84) a contas de outros titulares.
A Conafer é uma das principais entidades investigadas na Farra do INSS. Em cinco anos, de 2022 a 2025, a entidade arrecadou quase R$ 800 milhões com descontos de aposentados. Segundo a Polícia Federal, quase 90% desse valor foi transferido para empresas de fachada.
As informações sobre a movimentação financeira de Júnior do Peixe foram enviadas pelo COAF à CPMI do INSS e obtidas pela coluna.
A movimentação de recursos nas contas de Júnior do Peixe é muito superior ao que seria possível com o salário dele no gabinete de Motta. À época, Júnior foi nomeado para o cargo de Secretário Parlamentar 5 (código SP-05), um dos mais baixos da Casa, com rendimentos líquidos de R$ 3,3 mil mensais.
Em nota publicada em sua conta no Instagram em maio de 2025, o ex-assessor disse que “não mantinha qualquer vínculo” com a Conafer enquanto era assessor de Motta, e que só passou a trabalhar para a entidade depois.
“Em conformidade com a legislação vigente e visando evitar o acúmulo de cargos públicos, (Júnior) solicitou a exoneração do cargo de assessor parlamentar para assumir a função de diretor de políticas públicas da Conafer”, diz um trecho.

Nota do ex-assessor de Hugo Motta Júnior do Peixe Desde que saiu da Câmara, a única fonte de renda declarada por Júnior do Peixe à Receita passou a ser o salário da Prefeitura de João Pessoa (PB), de R$ 4,3 mil mensais.
Júnior do Peixe não figura na Receita como diretor ou dono de nenhuma empresa. Nas eleições municipais de 2024, quando concorreu a prefeito de Marizópolis (PB) pelo Republicanos, ele declarou R$ 470 mil em bens, e nenhum investimento que pudesse justificar o giro financeiro.
Como mostrou a coluna, ele trabalha desde o ano passado no governo da Paraíba. Em vídeo recente, Júnior do Peixe menciona Hugo Motta como seu “aliado” político.
A coluna procurou Júnior do Peixe, mas ele não respondeu até o momento. Hugo Motta foi procurado, mas não comentou.
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Produtor e fã detalham bastidores dos Mamonas 3 décadas após tragédia
Acervo/Fraga Alves/Especial Metrópoles
Quando começou a trabalhar com os Mamonas Assassinas, ainda no formato Utopia, André Oliveira de Brito, o Ralado, não recebia cachê. “Eles pagavam pra tocar”, afirmou o assistente de palco da banda que conquistou o Brasil em um sucesso meteórico, e se despediu de todos repentinamente, em 2 de março de 1996, após um acidente aéreo que matou todos a bordo.
O primeiro cachê veio mais tarde, e foi uma parte do valor que os músicos receberam para fazer a mixagem do álbum nos Estados Unidos, sob a produção de Rick Bonadio.
O valor, no entanto, foi integralmente gasto com o conserto do carro de Hildebrando Alves, pai do Dinho, após Ralado bater o veículo na traseira de uma Caravan, a caminho do estúdio na Serra da Cantareira.
O lugar, mais tarde, ficou tragicamente marcado por ser onde caiu o avião do grupo, matando todos os integrantes da banda em 2 de março de 1996, há exatos 30 anos. Além de Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel Reoli, estavam a bordo o ajudante de palco, Isaac Souto, o segurança do grupo, Sérgio Saturnino Porto, e o piloto e co-piloto da aeronave, Jorge Germano Martins e Alberto Yoshihumi Takeda. Todos morreram no local.
“Sexto mamona”
Chamado por muitos de “sexto mamona”, Ralado conviveu diariamente com Bento, Júlio, Sérgio e Samuel Reoli, além do Dinho, de quem era um amigo próximo. Ele era o responsável por toda a parte técnica das apresentações e também até por dirigir para os músicos e pensar no cenário e roupa dos shows.
“Era uma correria total. Um projeto que foi lançado, que a gente não sabia que ia ter essa repercussão toda. Estourou, assim, como um cometa”, contou ao Metrópoles em entrevista concedida na sua casa, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.
Mesmo que todo o sucesso alcançado com o grupo tenha sido surpreendente para os familiares e boa parte dos brasileiros, Ralado conta que os músicos sempre acreditaram que, ora ou outra, o reconhecimento chegaria.
“A gente sabia que a gente ia ser alguma coisa. Porque a determinação foi fulltime em todos nós. A gente jantava o CD. A gente comia o CD. A gente ia pra praça falando no CD. Era tudo em volta desse projeto, porque esse projeto era o nosso levantar. Era o que a gente queria. Não era por dinheiro. Dinheiro era consequência”, afirmou.
Ainda que o estouro fosse esperado, aconteceu antes do planejado. Na época, o grupo, que durou pouco mais de seis meses, equilibrava uma rotina extremamente agitada, com participações quase que simultâneas em emissoras de TV, rádio e em shows. “Foi astronômico. Foi de zero a 100 em menos de um segundo”, disse.
Sobrevivente da tragédia
Passado o reconhecimento do fenômeno que foram os Mamonas Assassinas, Ralado ficou conhecido por ter escapado da tragédia que vitimou o grupo. Como assistente de palco da banda, ele sempre acompanhou todas as apresentações, mas decidiu fazer diferente na volta de Brasília a São Paulo, após o show no estádio Mané Garrincha.
A aeronave modelo LR-25D, matrícula PT-LSD, acompanhou os Mamonas durante os quatro dias de apresentações antes do acidente. Antes do show de Brasília, em uma viagem que partiu de Piracicaba, no interior de São Paulo, o avião deu um solavanco na pista, o que assustou Ralado.
Por conta disso, ele decidiu retornar de carro, mudança de planos que acabou salvando sua vida. “Foi o único show que eu não viajei com eles”, contou.
Aquele show, na visão do assistente de palco, foi como uma despedida – antes mesmo de qualquer imaginar o final trágico que a viagem teria.
Após a ida a Brasília, o grupo planejava seguir para Portugal — para uma turnê internacional. Ralado não poderia ir, porque descobriu, naquela data, que seu passaporte ainda não tinha ficado pronto. Então, sempre que ia verificar com a banda se estava tudo certo com o som, durante o show no Mané Garrincha, Dinho lhe dizia “você vai fazer falta”.
“Eu acho que foi um duplo sentido. Acho que tem despedidas que a gente, na hora, não percebe. Depois, com o tempo, você vai percebendo”, disse emocionado.
A roupa naquele dia também foi improvisada. As vestes que os músicos planejavam usar no palco sumiram do camarim. Ralado, então, precisou correr para um shopping, onde encontrou fantasias das Tartarugas Ninjas. “E foi sucesso. Tem um pessoal que tem [a fantasia]”, relembrou.
Outro detalhe curioso revelado pelo assistente ao Metrópoles é que a carteirinha da Ordem dos Músicos de todos os integrantes venceu naquele mesmo dia que encerrou a turnê nacional da banda e, tragicamente, a carreira dos Mamonas.
Fã criou banda cover com “benção” de Dinho
Outra pessoa que acompanhou o dia a dia dos Mamonas Assassinas de perto foi Cleber Santos, guarulhense que afirma com orgulho ser um dos fundadores do primeiro fã-clube e da primeira banda cover do grupo.
Ele conta que tinha entre 13 e 14 anos quando foi com amigos até uma uma apresentação da banda na casa de show Toco, na Vila Matilde, zona leste de São Paulo, vestindo uma camiseta com uma mamona estampada — e o ingresso que havia ganhado de presente de aniversário.
“A Valéria [Zoppello], que namorava o Dinho, viu a camiseta e perguntou se era um fã-clube. E a gente falou que não, não era um fã-clube, que a gente só fez a camiseta pra tirar uma onda, porque a gente achou o CD engraçado”, contou à reportagem.
Valéria imediatamente respondeu que os adolescentes deveriam, então, criar um fã-clube da banda. Dinho “abençoou” a criação dando o nome do grupo: Somrisal – a primeira banda cover dos Mamonas, e que segue, há 30 anos, fazendo apresentações.
Cleber estava no icônico show feito pelos Mamonas no ginásio Thomeuzão, em Guarulhos. A apresentação entrou para a história da banda porque, enquanto o grupo se chamava Utopia, eles não tinham recebido autorização para tocar no espaço. Somente quando estouraram, em um novo estilo músical, com apoio do rádio e da TV, é que surgiu o convite.
Dinho, sem esquecer das negativas ao grupo que originou os Mamonas, subiu ao palco e anunciou um show do Utopia.
“Eles tinham o sonho de tocar no Thomeuzão, queriam abrir o show do cantor Guilherme Arantes. Só que o dirigente do ginásio falou que eles eram uma bandinha e que era pra voltarem quando fizessem sucesso. E essa mesma pessoa tava lá. Então, eles abriram o show como Utopia e voltaram como Mamonas”, detalhou Cleber.
O fã conta o episódio com riqueza de detalhes e afirma que a atitude de Dinho “lavou a alma de muita gente”. “A gente se emocionou muito, porque a gente não esperava. Depois que entendemos, vi que eles fizeram até pouco”, comentou.
Questionado sobre o que representa os Mamonas Assassinas, Cleber afirmou: “Nostalgia”. “É, um tempo que passou e que não volta, e a certeza que eu fui feliz na minha adolescência, que eu curti”, declarou.
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Mamonas: o que Cenipa concluiu sobre o acidente que vitimou a banda
Acervo/Fraga Alves/Especial Metrópoles
Fatores humanos e operacionais levaram à queda do avião que transportava os Mamonas Assassinas de Brasília a Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, na noite de 2 março de 1996. Cansados após uma rotina exaustiva, piloto e co-piloto estariam mais vulneráveis ao estresse do voo, ficando em estado de desatenção.
A conclusão do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) é detalhada em um relatório finalizado dois meses após o acidente. Nesta segunda-feira (2/3), a tragédia que marcou o Brasil completa 30 anos.
Estavam a bordo os músicos Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e Sérgio e Samuel Reoli, o ajudante de palco da banda, Isaac Souto, o segurança do grupo, Sérgio Saturnino Porto, e o piloto e co-piloto da aeronave, Jorge Germano Martins e Alberto Yoshiumi Takeda. Ninguém sobreviveu.
17 horas de trabalho
A aeronave Learjet, modelo LR-25D e matrícula PT-LSD, operada pela Madri Táxi Aéreo, levou os Mamonas Assassinas de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, para Piracicaba, no interior paulista, no dia anterior ao acidente. Eles chegaram às 15h45 na cidade e a tripulação chegou às 17h45 no hotel.
Naquele 2 de março, a agenda começou cedo. A tripulação deixou a hospedagem por volta das 6h40, e às 7h10 decolou com a banda de Piracicaba com destino a Guarulhos. Às 7h36 a aeronave chegou ao aeroporto.
A tripulação permaneceu nas instalações do aérodromo, sem espaço adequado para descanso, até o próximo voo. Enquanto esperavam, o piloto chegou a comentar com outro comandante no aeroporto de Guarulhos que estava muito cansado. Ele descreveu a sensação como ter “areia nos olhos”.
O voo com destino a Brasília estava previsto para às 15h, mas decolou às 16h41, após mais de uma hora e meia de atraso.
Às 17h52, a aeronave pousou no Areroporto de Brasília. Mais uma vez a tripulação permaneceu no local, sem espaço preparado para respousar.
Aquele também acabou por ser o último show da banda, que estava em seu auge.
Após a apresentação, eles embarcaram às 21h58 rumo ao Aeroporto de Guarulhos. Às 23h16, o avião que transportava os Mamonas Assassinas colidiu contra a Serra da Cantareira, na zona norte de São Paulo. Todos a bordo morreram no local.
Importância financeira
A trajetória feita pelo Learjet naquele 2 de março mostra que a tripulação enfrentou uma jornada de cerca de 17 horas de trabalho, o que possivelmente levou ao cansaço e à falta de atenção em momentos críticos do voo.
Como resultado, houve lacunas na comunicação com a Torre e o Controle, falhas no controle da aeronave e, consequentemente, o acidente fatal.
O Cenipa apontou que a longa jornada ultrapassou em aproximadamente 6h o limite previsto na Lei do Aeronauta (Lei 7.183/84), vigente na época. O órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) detalhou ainda que os tripulantes estavam com seus Certificados de Capacidade Física válidos e se apresentavam sadios.
Segundo o relatório, a tripulação ficou à disposição da banda nos quatro dias anteriores ao acidente. O Cenipa destacou a importância financeira dos Mamonas para a empresa de táxi aéreo, o que era fator de preocupação especial para o piloto da aeronave. De acordo com as investigações, o comandante Germano Martins tinha participação nos lucros ganhos com o Laerjet e recebia por produtividade.
“Irreverência” dos Mamonas
A importância dos Mamonas para a companhia e para a tripulação, somada à irreverência dos integrantes, teria dificultado a imposição de limites ao grupo durante o voo, apontou o Cenipa.
O documento levanta a possibilidade de um dos passageiros estar junto ao piloto e ao co-piloto na cabine da aeronave em uma das fases mais críticas do voo, o que pode ter aumentado o estado de desatenção. Mais tarde, alguns dos corpos foram encontrados sem cinto de segurança.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores é que a trajetória do voo mostrou uma aproximação com a área onde ficava a casa em que o Dinho morava com a família. O Cenipa concluiu que o percurso pode ter sido proposital, com o objetivo de identificar a localização exata da residência.
Para sustentar a tese, já que o Laerjet não era equipado com caixa-preta, a investigação se baseou em dados do radar, transcrição das comunicações com a Torre e o Controle, um laudo de fonética forence da Universidade de Campinas (Unicamp) e depoimentos com outros pilotos, principalmente aqueles que já trabalharam com os Mamonas.
Com base nos testemunhos, o relatório descreveu o grupo como “bastante inquieto e irreverente”.
Falta de experiência e treinamento
Os pilotos tinham licenças e certificados técnicos válidos, mas apresentavam lacunas significativas em questão de treinamento e experiência, o que teria comprometido a segurança do voo.
O comandante, chefe dos pilotos da Madri Táxi Aéreo, tinha 2,5 mil horas de voo, sendo 220 horas no modelo Learjet. Já o co-piloto, tinha 330 horas de voo e apenas 57 horas da aeronave.
Aos 24 anos de idade, ele ainda estava na fase de instrução. Segundo o Cenipa, a baixa experiência do co-piloto no equipamento teria dificultado o contato com a Torre e o Controle, limitando a assistência prestada ao comandante, ou a correção dos erros dele durante as fases mais críticas do voo.
Além disso, a investigação identificou outras falhas na formação e na estrutura de treinamento da tripulação. Veja:
Com base nessas lacunas, o Cenipa destacou a falta de uma estrutura de treinamento formal e obrigatória para a coordenação de cabine, do conhecimento profundo de procedimentos de emergência e da familiarização com as manobras visuais específicas do aeroporto. Todos esses fatores teriam contribuído para o acidente.
O acidente
O voo que levava os Mamonas Assassinas de volta a Guarulhos, terra natal da banda, transcorreu sem anormalidades. Ao fim da viagem, a tripulação acionou o Controle São Paulo e passou a receber orientações para o procedimento de descida em uma das pistas do aeroporto de Guarulhos.
Era uma noite escura e o céu estava coberto de nuvens, mas com pouco vento. A partir do primeiro contato com a Torre, houve uma série de desvios operacionais e falhas de navegação.
O Laerjet iniciou a aproximação final para a pista do Aeroporto de Guarulhos, mas não conseguiu se estabilizar. No momento em que deveria estar configurada para o pouso, a aeronave estava desviada lateralmente para a esquerda da pista, numa velocidade alta.
Sete segundos após o Controle de Aproximação liberar a chegada do jatinho, o piloto informou à Torre que estava arremetendo – isto é, descontinuando o pouso e voltando a subir a aeronave, seja por visibilidade reduzida, vento forte ou pista ocupada.
Ao arremeter, o comandante abandonou o procedimento por instrumentos, mais indicado naquele momento e com o qual já estava familiarizado em voos no Aeroporto de Guarulhos.
Ele informou que estava em condições de voo e solicitou autorização para fazer uma curva à esquerda do aeroporto. A Torre orientou que o voo seguisse pela direita, mas não deu tempo.
Quando a comunicação foi feita, a aeronave já estava, em alta velocidade, rumo à esquerda e ao setor norte – uma região com relevo acidentado e altitudes elevadas.
Às 23h16, o Laerjet colidiu contra a Serra da Cantareira. A aeronave rasgou 400 metros de mata, abriu uma clareira e ficou totalmente destruída.
Na investigação criminal, a Polícia Civil chegou a indiciar os controladores de voo, que atuavam na Torre, por homicídio culposo. Mais tarde, a Justiça arquivou o caso por falta de provas e apontou erro do piloto na condução da aeronave.
30 anos sem Mamonas Assassinas
Os Mamonas Assasinas foram um verdadeiro meteoro na história da música e da cultura brasileira. A banda durou pouco mais de seis meses, lançou um único álbum e fez apenas uma turnê de grande porte, em âmbito nacional.
Foram mais de 150 shows em cerca de 180 dias. Quase 2 milhões de álbuns vendidos em pouco menos de um ano e 25 mil exemplares comercializados em apenas 12 horas.
Símbolo de gerações e paixão de uma legião de fãs, a banda nos deixou há exatos 30 anos, em 2 de março de 1996, em um acidente aéreo que deixou uma nação consternada.
Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel partiram de repente, jovens, no auge, expressando e causando aquela vontade de “quero mais”.
Tamanho é o legado que, 30 anos depois, os músicos ainda tocam nas rádios, são citados nas emissoras de TV e se consolidaram no imaginário e na saudade do brasileiro.
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30 anos sem Mamonas: familiares relembram sucesso meteórico e tragédia
Acervo/Reprodução
Foram mais de 150 shows em cerca de 180 dias. Quase 2 milhões de álbuns vendidos em pouco menos de um ano, e 25 mil exemplares comercializados em apenas 12 horas. Como um meteoro, os Mamonas Assassinas quebraram recordes e marcaram para sempre a música brasileira. Símbolo de gerações, e paixão de uma legião de fãs, a banda nos deixou há exatos 30 anos, em 2 de março de 1996, em um acidente aéreo que deixou uma nação consternada.
Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel partiram de repente, jovens, no auge, expressando e causando aquela vontade de “quero mais”. Tamanho é o legado que, 30 anos depois, os músicos ainda tocam nas rádios, são citados nas emissoras de TV e se consolidaram no imaginário e na saudade do brasileiro – sentimento que tem maior intensidade no peito de quem viu de perto os artistas crescerem e se reinventarem.
“Ele sempre foi, assim, voltado a ser artista, a ser cantor. É a vida que ele fazia”, disse Hildebrando Alves, pai de Alecsander Alves, o Dinho, sobre a infância do filho.
“Desde criança ele falava: ‘eu vou ser famoso, eu vou ser cantor, eu vou ser um artista’”, lembrou Célia Alves, mãe do eterno vocalista dos Mamonas.
Formado musicalmente no rock, Dinho mostrou o dom que tinha para compor e seu poder de reinvenção quando a antiga banda Utopia foi transformada em Mamonas Assassinas, com o apoio do produtor Rick Bonadio.
“Eu falava para ele que essas músicas são para tocar para cabrito, que só pulam”, brincou Hildebrando sobre o estilo musical adotado pelos Mamonas. Para ele, o filho era bom mesmo em cantar sertanejo.
O estilo musical, muito mais tradicional do que aquele que o Brasil ouviu em faixas como Vira Vira e Pelados em Santos, também é o favorito de Ito Reoli, pai de Sérgio e Samuel. Foi a influência dele, aliás, que colocou os meninos no caminho da música.
“Na minha casa sempre tinha viola, violão, sanfona, pandeiro, cavaquinho. Não aprendi a tocar bem, mas eu gostava de tocar. E os meninos começaram daí. Aos 9 anos de idade, o Sérgio já tocava violão, fazia os primeiros acordes. E a vida foi isso: nascer e crescer no meio de instrumentos musicais”, relatou o aposentado.
O começo
Ito contou que, quando a história dos Mamonas Assassinas começou, Sérgio já estava lá. O baterista, no entanto, esteve anteriormente em outro grupo, o Ponte Aérea, antes de tudo começar, como lembrou a irmã mais velha dele, Sueli Reoli.
Foi Maurício Hinoto, irmão mais velho do Bento, que uniu o caçula aos irmãos Reoli. A sugestão aconteceu por acaso, em uma conversa de trabalho, mas foi promissora o suficiente para formar a banda Utopia. Em seguida, chegaram Júlio Cesar, ou Júlio Rasec, e Dinho, completando a formação.
Para quem conheceu os Mamonas no auge, pode ser difícil acreditar que os músicos batalharam muito antes de ter algum reconhecimento. “Foram sete anos de luta para alcançar o sucesso”, apontou Célia.
Quando os músicos equilibraram irreverência, criatividade e bom-humor, criando o Mamonas como o Brasil conhece, o sucesso foi certeiro. “Eu me senti muito feliz, achei um barato, achei muito bom o trabalho que eles começaram a fazer”, contou Ito.
Sucesso meteórico
A partir daí, no fervoroso ano de 1995 no Brasil, os Mamonas não pararam mais. Uma agenda cheia, com compromissos na TV, nas rádios e nos palcos, além do assédio frequente dos fãs, se tornou a nova rotina dos cinco meninos que sonhavam em fazer música em Guarulhos.
A rotina, cada vez mais apressada, acendeu alguns alertas às famílias. “A gente se preocupava sempre com as viagens e os riscos de vida. Pessoa que viaja muito, corre risco.
Mas eles levavam numa boa. “Às vezes eram dois, três shows no mesmo dia. Eles estavam se habituando a levar uma vida corrida”, contou Célia.
Após os shows, era hora de lidar com uma multidão de fãs, que iam até as casas dos músicos, especialmente do Dinho, demonstrar o seu amor. “Eu acordava na minha casa com 300 fãs na minha porta esperando ele chegar”, disse a mãe do vocalista.
Segundo ela, o músico fazia questão de atender aos admiradores. Ele ia para sacada da casa, de onde dava “tchauzinho”. Quando podia, ia até a calçada e distribuía autógrafos. “Nunca desfez de ninguém”, contou Célia.
O sucesso dos meninos, mas especialmente de Dinho, era maior entre as fãs mulheres, que viam no vocalista um verdadeiro “partidão”. “Eu tenho uma cunhada pelo Brasil inteiro, né? Tenho até hoje”, brincou Grace Alves, irmã caçula do músico.
Ao Metrópoles, a família Reoli descreveu a admiração que sentiu ao ver os meninos fazendo sucesso nas paradas. “[Sentimos] orgulho, a família toda: eu, meu pai, minha mãe, meus parentes, primos, primas, todo mundo orgulhoso”, afirmou Sueli.
A irmã de Sérgio e Samuel também lembrou da velocidade com que aquela fase passou. “Foi tão rápido… até hoje a gente fala: ‘nossa, foi tão rápido e agora, depois de 30 anos, eles ainda estão tão presentes’”, declarou.
O acidente
Eram pouco mais de 23h do dia 2 de março de 1996 quando os pais de Dinho já estavam no Aeroporto de Guarulhos esperando pela banda. Eles foram informados que a aeronave modelo LR-25D, matrícula PT-LSD, havia sumido do radar. Os músicos retornavam de um show em Brasília, no estádio Mané Garrincha.
“Eles [equipe do aeroporto] falaram: ‘perdemos um avião’. Falei: ‘perdeu nada. Ninguém perde um avião. Um avião não é uma agulha’”, relembra Célia.
Junto do marido Hildebrando, ela foi levada a uma sala de espera, onde recebeu calmantes para tomar. “Ficamos ali até as quatro da manhã. Pânico total. Era pânico de todos os familiares”, contou.
Somente ao amanhecer, por volta das 5h da manhã, o Brasil soube o que havia acontecido. Exatamente às 23h16 daquele 2 de março, a aeronave que transportava os Mamonas de Brasília até Guarulhos se chocou contra a Pedreira Basalto, uma área de mata fechada na Serra da Cantateira, na zona norte de São Paulo. Os destroços só começaram a ser encontrados com o raiar do sol.
O avião com espaço para oito passageiros rasgou 400 metros de mata, abriu uma clareira e ficou totalmente destruído. Além dos integrantes da banda, estavam a bordo o ajudante de palco, Isaac Souto, o segurança do grupo, Sérgio Saturnino Porto, e o piloto e co-piloto da aeronave, Jorge Germano Martins e Alberto Yoshihumi Takeda. Todos morreram no local.
“Depois foi tudo confirmado, aí virou aquele reboliço todo. A gente se via no meio de um pesadelo, na realidade”, disse Célia. Segundo ela, a repercussão do caso, ano após ano, fez com que a família “aprendesse a viver com a dor”.
No início, no entanto, a publicidade em torno do acidente apresentou obstáculos para os familiares seguirem em frente. Para Hildebrando, a dor teria “dissolvido” mais depressa se tivesse sido vivida no particular das famílias envolvidas.
Ele lembra que as músicas dos Mamonas não saiam das paradas nos 30 primeiros dias após o acidente, e que haviam emissoras de Portugal, da Espanha e da África interessadas em saber mais sobre a história do grupo.
No íntimo, a dor tocou cada familiar de uma forma diferente. Grace, por exemplo, relatou que só conseguiu ouvir Mamonas quase 20 anos após o acidente. “Durante muito tempo, lidar com o luto foi uma dificuldade muito grande pra mim. Então, até para entender que os fãs são um pedacinho do sonho dele, tudo isso… muita coisa me pressionava”, revelou.
Para a irmã mais velha dos Reoli, a dor da perda caiu como uma responsabilidade. “Com os meus pais eu senti a necessidade de dar força pra eles. Então, não pude ficar muito fraca, porque eu tinha que dar força, porque eles perderam dois filhos”, contou Sueli.
A chegada dos filhos dela, o primeiro no ano seguinte e a segunda três anos após o acidente, netos de Ito Reoli, amenizou o aperto. “Parece que veio para dar uma alegria”, disse.
A última ligação
“Agora eu sempre falo ‘eu te amo’”, disse Grace. A declaração é uma conclusão que ela tirou da vida após o trágico acidente que lhe tirou o irmão.
Dinho ligou para a caçula momentos antes de entrar embarcar em Brasília, rumo a Guarulhos, após aquele que foi o último show dos Mamonas Assassinas. Grace descreveu o diálogo rápido:
Dinho: Cadê o pai?
Grace: Não tá, ele saiu.
Dinho: Que horas ele vai me buscar [no aeroporto]?
Grace: 23h.
Dinho: Tá bom, beijo.
Grace: Beijo.
“A gente nunca sabe a última oportunidade de dizer um eu te amo, e depois disso eu aprendi do jeito mais difícil”, disse.
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Da caixa de som às redes sociais: apreensão de ecstasy explode no DF
Gabriel Lucas/Arte Metrópoles
Entorpecentes, como maconha e crack, são as drogas mais encontradas em operações contra o tráfico no Distrito Federal. Entretanto, nos últimos dois anos, as apreensões têmcontado com um novo “protagonista”: o ecstasy.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) demonstram que o mercado das drogas sintéticas explodiu na capital, com o número de comprimidos de ecstasy apreendidos saltando de 11.603 para 21.570 — um aumento de quase 86%.
De acordo com o delegado da Coordenação de Repressão às Drogas (CORD) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Rogério Henrique de Oliveira, o aumento de apreensões revela a maior eficiência operacional e não “necessariamente um maior consumo” da droga.
Ele explica que estão sendo feitos monitoramentos permanentes das dinâmicas do tráfico no DF, com emprego de inteligência policial, análise de dados e integração entre investigações em andamento. Essas medidas contribuem, de certa forma, para o aumento da apreensão.
“As ações são voltadas à apreensão de todas as espécies de entorpecentes, tanto drogas tradicionais quanto sintéticas, com foco na identificação de fornecedores, rotas de distribuição e pontos de comercialização”, revela.
“Parte significativa” das drogas sintéticas apreendidas no Distrito Federal possuem origem em redes interestaduais, especialmente em razão da logística de aquisição e transporte. Mas ele diz que também existem grupos locais responsáveis pela distribuição e pulverização das substâncias dentro do DF.
Venda do ecstasy
Um fator que chama a atenção em relação ao tráfico desses entorpecentes é a forma que a droga é vendida. Geralmente comercializada em comprimido, os traficantes têm “inovado” na maneira em que a droga é entregue ao usuário.
A polícia já flagrou comprimidos sendo repassados como encomendas por funcionários dos Correios, escondidos em caixa de som e dentro de objetos tridimensionais. Além disso, há registros de transações pelas redes sociais.
“As apreensões ocorrem em diferentes contextos e o tráfico tem se adaptado, utilizando meios cada vez mais discretos, muitas vezes virtuais, o que exige constante atualização das estratégias policiais”, explicou Rogério.
Relembre alguns casos de comercialização da substância
Samambaia lidera as apreensões
Dentre as Regiões Administrativas (RAs) da capital com o maior número de apreensões está Samambaia (DF).
Segundo delegado, o volume registrado está relacionado principalmente à “intensificação das ações policiais e ao fortalecimento do trabalho investigativo na região“.
No entanto, o crescimento mais alarmante foi registrado no Riacho Fundo (DF). A RA viu o volume de ecstasy disparar de modestos 84 unidades em 2024 para 894 em 2025 — um aumento equivalente a 22.250% do número anteriormente apreendido.
Veja os dados das apreensões por RA
Questionado sobre as regiões que mais registraram casos de apreensão, o delegado explica:
“A CORD faz um trabalho voltado ao monitoramento criminal e análise de indicadores, assim, acabaram sendo realizada ações específicas nessas regiões, com operações direcionadas e cumprimento de medidas judiciais. Esse planejamento contribuiu para o crescimento das apreensões observadas nesses locais.”
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Nua, misteriosa do sobretudo desafia a PM e se esbalda na fila do bumbum guloso
Reprodução/ Vídeo / Kebec Nogueira / Metrópoles
Uma semana após a primeira e bombástica revelação sobre o submundo da QS 3, em Taguatinga Sul, a reportagem da coluna retornou ao cenário da luxúria. O objetivo era claro: conferir se a exposição havia esfriado os ânimos ou se a avidez por uma “rapidinha” no breu ao fundo de um atacadista era mais forte que o medo do flagrante.
Veja vídeo:
No entanto, o cenário encontrado foi uma noite que teima em arder, onde o jogo perigoso apenas tempera o desejo. Por volta de 1h da manhã, quando o point já fervilhava e a fila de veículos se estendia como uma serpente metálica no acostamento, um elemento diferente cortou a fluidez da sacanagem.
O giroflex desligado por alguns momentos não impediu que a silhueta inconfundível de uma viatura da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) surgisse na retaguarda dos surubeiros.
O zíper que se fecha no susto
A viatura passou vagarosamente, como um predador observando seu território. O feixe de luz da lanterna tática varreu o interior dos carros estacionados, devassando a intimidade da fila da perdição. O efeito foi instantâneo: um homem que mantinha a porta do motorista aberta, entregue ao prazer, assustou-se com a claridade invasiva.
Em um movimento reflexo de sobrevivência, fechou o zíper, recolheu o corpo para dentro do carro e bateu a porta. Não houve abordagem, apenas a presença intimidadora que arrefeceu temporariamente a surubada a céu aberto.
Mas o desejo na QS 3 tem memória curta para o medo. Assim que a patrulha zarpou e as luzes traseiras da viatura sumiram na curva, a distopia sacana ganhou contornos cinematográficos. Foi então que uma Hilux branca, impecável, manobrou com precisão para se espremer na fila da safadeza.
O sobretudo que escondia o fogo
Quem desembarcou do veículo deixou os veteranos do local em estado de choque. Uma mulher, cuja presença desafiava a hegemonia masculina na escuridão, desceu do carro usando apenas um sobretudo entreaberto. Pela fenda do tecido, o contraste era absoluto: seios bem torneados e a nudez total sob o casaco enfrentavam a incredulidade da macharada.
A conversa foi curta, mas a ação foi digna de um roteiro proibido. Sem se fazer de rogada, ela se esticou sobre o capô da caminhonete, oferecendo-se ao asfalto e ao destino. Todas as imagens foram registradas pela equipe de reportagem do Metrópoles como capítulos de um seriado apimentado.
Um homem aleatório, que já rondava a Hilux como um lobo, não perdeu a oportunidade. Engatou por trás com uma selvageria que parecia vingar o tempo perdido durante a ronda policial. O sexo foi vigoroso, ruidoso e cru, transformando o capô branco em um altar de prazer profano.
A sacanagem é de todos
O clímax da cena só foi interrompido quando mais um carro, buscando seu lugar na fila, jogou o feixe de luz alto sobre a traseira da Hilux. O clarão denunciou o óbvio para quem ainda tinha dúvidas: a “fila do bumbum guloso” não serve apenas aos desejos masculinos.
A sacanagem ali é democrática, fluida e faminta. Ignora gêneros e faz pouco caso das leis, quando o que está em jogo é o espasmo final sob o céu nebuloso de Taguatinga.
A noite na QS 3 provou, mais uma vez, que o proibido não se apaga com exposição midiática ou rondas policiais. Ele apenas se reinventa, em novas formas, cores e intensidades.
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Ato em SP retoma ataques ao STF e projeta discurso eleitoral de Flávio
Fraga Alves/Especial Metrópoles
A manifestação bolsonarista realizada nesse domingo (1º/3), na Avenida Paulista, em São Paulo, marcou a retomada dos ataques da ala mais radical do bolsonarismo ao Supremo Tribunal Federal (STF) e projetou o discurso eleitoral que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve imprimir em sua campanha à Presidência da República.
Enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que convocou o ato “Acordo Brasil”, e o pastor Silas Malafaia, vocalizaram a ira bolsonarista contra o STF, acusando o ministro Alexandre de Moraes de corrupção envolvendo o Banco Master e dizendo que o destino final dele será a “cadeia”, Flávio poupou os magistrados da Suprema Corte e centrou fogo no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador carioca fez elogios a aliados estratégicos para a corrida eleitoral, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), cortejado para ser seu vice, e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também lançou pré-candidatura ao Planalto, e acenos ao eleitorado feminino e a beneficiários do programa Bolsa Família, bandeira de Lula.
Em cima do trio elétrico na Avenida Paulista, Flávio também citou os escândalos de corrupção ocorridos nos governos do PT, como o mensalão e o petrolão, explorou as suspeitas envolvendo o filho mais velho do presidente Lula na Farra do INSS, revelada pelo Metrópoles e sob investigação da Polícia Federal (PF), e falou em retomar o legado do governo de seu pai.
“Eu quero falar para as pessoas que me atacam, porque eu aprendi honestidade em casa, sou filho de Bolsoanro, não sou filho do Lula. Porque se eu fosse filho do Lula estaria sendo acusado de receber mensalão de R$ 300 mil do roubo dos aposentados do INSS”, disse Flávio em seu discurso.
Essa foi a primeira manifestação bolsonarista realizada desde que Flávio foi escolhido como o pré-candidato ao Planalto pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), e desde a prisão do ex-presidente no batalhão da Polícia Militar que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”, em Brasília.
As manifestações ocorreram em ao menos 17 cidades, sendo 13 capitais, mas a maior delas foi em São Paulo. Ainda assim, levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP) e da ONG More in Common, apontou uma adesão abaixo da média dos atos da direita na Paulista no ano passado, com 20,4 mil pessoas. Em 2025, o público dos protestos variou entre 12 mil e 45 mil pessoas – com média de pouco mais de 30 mil manif0estantes por ato.
Pauta difusa e receio sobre o STF
Desta vez, os organizadores da manifestação divergiram sobre colocar os ministros do STF como alvos principais. O resultado foi um ato convocado com seis assuntos em pauta e viés eleitoral evidente em torno da pré-candidatura de Flávio à Presidência.
Como pré-candidato e embalado pelos bons números nas útimas pesquisas eleitorais – Flávio chegou a ficar numericamente à frente do presidente Lula na sondagem do instituto Atlas –, o senador fez um discurso que centrou fogo contra o petista, defendeu o mandato do pai, mirou grupos-chave do eleitorado (evangélicos e mulheres) e poupou o STF, não citando nenhum magistrado.
“Nós sempre dissemos que o Supremo é fundamental para a democracia, mas estão destruindo a democracia a pretexto de defendê-la para atingir Bolsonaro”, disse Flávio Bolsonaro, que não menciou o nome de nenhum magistrado em sua fala.
Jair Bolsonaro e Lula foram os temas favoritos da fala do senador do PL. Ele citou o pai 17 vezes e repetiu em 12 oportunidades o nome do atual presidente.
O senador citou a presença de Zema e Caiado, que também são presidenciáveis, para se esquivar da lei eleitoral e rechaçar uma eventual campanha antecipada.
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Com taco de beisebol, monitora de transporte escolar aterroriza motoristas de vans no DF
Material cedido ao Metrópoles
Responsável por transportar crianças e adolescentes de escolas particulares em várias regiões no Distrito Federal, a monitora de van escolar Janaína Batista Reny, de 38 anos, é acusada de ameaçar os colegas de profissão e quebrar veículos. As situações geraram grande incômodo entre motoristas de transporte escolar que afirmam ter presenciado situações embaraçosas envolvendo a mulher.
No dois vídeos cedidos ao Metrópoles é possível ver Janaína se envolvendo em confusões enquanto transportava adolescentes.
A empresa a qual Janaína diz representar se chama Transtonn Transporte Escolar e Turismo e pertence ao marido dela. Os dois trabalham juntos e a mulher atua como motorista e também monitora, como ela mesma afirma em vídeo.
Com registro inicial de abertura iniciado em 2015, o CNPJ da empresa aparece como inválido desde 2021 por omissão de declarações. Apesar disso, a mulher e o marido seguem utilizando o nome da empresa para transportar alunos de diversos colégios.
. O momento foi filmado por adolescentes que eram transportados sob responsabilidade de Janaína e do marido.
Demonstrando tamanha valentia e autoritarismo, Janaína para na frente do ônibus, bate o taco de beisebol no chão como forma de intimidação e depois acerta os vidros dianteiro e lateral do ônibus. Os jovens que estavam sob tutela de Janaína se espantam com a situação.
O homem que foi alvo dos ataques de fúria registrou boletim de ocorrência contra a mulher pelos danos causados. Ele informou que foi surpreendido quando aguardava o embarque de alguns alunos. No depoimento, ele relatou que, no momento do ataque, quatro adolescentes já estavam a bordo da van e testemunharam toda a ação.
Ameaça a outro motorista
Outra situação foi relatada e gravada em novembro de 2025 no estacionamento do Colégio Militar de Brasília, na Asa Norte (DF), quando ela aparece berrando contra um motorista de outra van. “Você não é homem, você falou que eu era irregular e que não tinha autorização. A minha carteira é E, eu sou grupo Transtonn, tenho carreta e carro”.
Janaína se passa falsamente como advogada para ameaçar o motorista de outra empresa. “Para sua informação, eu sou advogada e tenho OAB, então você pode esperar. Você já fala para o seu ‘patrãozinho’ que você ligou ontem. Olha aí a minha permissão”, disse a mulher em tom de ameaça.
Após os gritos efusivos, a mulher desfere dois tapas fortes no capô do veículo e profere outras palavras que não foram possíveis compreender. Durante toda ação, o motorista ameaçado permanece inerte e outros pais e alunos que passam no local assistem a cena constrangidos.
Uma pessoa que também trabalha com transporte escolar relatou que já presenciou as intimidações da mulher contou que situações semelhantes já aconteceram diversas vezes. “Ela já agrediu agente do Detran, já brigou em escola militar, já quebrou para-brisa de um carro. Ela fala que é da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que é professora, advogada e ameaça todo mundo na rua”, contou.
Outro colega de trabalho de Janaína disse que, até o momento, nenhuma atitude foi tomada. “Teve uma motorista que transportava a filha dela e quando parou de transportar, a Janaína a ameaçou, foi na porta do colégio e criou um escândalo na frente dos pais. Essa mulher não pode estar no transporte escolar, ela não tem condições. Já denunciaram ela para o Detran e para a polícia e nada foi feito, estão esperando uma tragédia acontecer para fazerem algo”.
No site do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) não consta nenhuma autorização em nome da mulher e do companheiro dela, e nem no nome da empresa Transtonn. Porém, o Detran-DF informou que não é capaz de afirmar que o transporte está irregular, pois o veículo pode ser alugado.
Já foram abertos dois boletins de ocorrência contra a monitora da van escolar por ameaça, injúria e danos. A PCDF investiga os casos. Procurada para falar do assunto, não se pronunciou até o momento.
O Metrópoles tentou contato com as vítimas das ameaças que acabaram não dando retorno até a última atualização desta matéria.
O outro lado
Acusada de ameaçar e causar danos contra vans escolares, Janaína não se pronunciou sobre o caso e apenas tratou as acusações com ironia quando foi questionada.
Em meio a relatos e vídeos de amaças, Janaína e o marido seguem realizando o trabalho de transporte escolar em várias escolas do Distrito Federal.
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Preço dos chocolates dispara e pressiona inflação para Páscoa de 2026
Getty Images
O preço do chocolate acumulou alta de 24,77% nos últimos 12 meses, influenciado pelo preço do cacau no mercado internacional, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O aumento de quase 25% supera a inflação geral do período e coloca o chocolate entre os itens alimentícios que mais pressionaram o bolso do consumidor. A alta acontece meses antes da celebração da Páscoa, marcada para o dia 5 de abril, data em que os brasileiros se presenteiam com ovos de chocolate.
O preço do cacau, principal ingrediente na produção do chocolate, disparou após dificuldades no mercado internacional, principalmente entre os maiores produtores, Costa do Marfim e Gana.
Em 2025, o Brasil importou 42.143 toneladas de amêndoas de cacau e 42.844 toneladas de derivados de cacau e exportou 52.951 toneladas de derivados da fruta.
A escassez do produto no mercado internacional fez com que os preços dos chocolates disparassem no Brasil, mesmo que a quantidade de cacau utilizada pela maioria das indústrias seja baixa.
Para o professor de economia de alimentos da Strong Business School, Valter Palmieri Jr, após cerca de dois anos de forte alta no mercado internacional, pode se observar alguma acomodação nos preços do cacau. No entanto, o repasse ao consumidor tende a ocorrer com defasagem significativa.
“Grandes indústrias operam com contratos futuros e compras antecipadas de insumos, o que retarda tanto a transmissão das altas quanto das quedas. Portanto, eventuais recuos recentes dificilmente terão impacto relevante na Páscoa imediata”, explica.
Entenda o que levou os preços do cacau às alturas
Páscoa 2026
Tradição entre os brasileiros, o ovo de Páscoa feito de chocolate ocupou as gôndolas dos supermercados já no final do mês de janeiro, em um movimento considerado inesperado para o consumidor.
Para o professor, a antecipação pode ser uma tentativa das empresas de diluir o impacto de preços mais altos e ampliar o ciclo de vendas com o objetivo de reduzir o risco de encalhe.
“Diante de preços mais elevados, alongar o período de exposição permite diluir o impacto psicológico do preço ao oferecer mais tempo para planejamento financeiro do consumidor. Além disso, amplia a janela de vendas, reduz o risco de encalhe e melhora a gestão de estoques, especialmente em um contexto de demanda mais sensível ao preço”, avalia ele.
De acordo com Valter, o consumidor enfrenta preços mais elevados, sobretudo nos produtos com maior teor de cacau e melhor qualidade. Mas empresas podem usar estratégias como redução de peso, ajustes de mix de produtos e promoções para suavizar parcialmente o impacto direto sobre o preço final.
O professor explicou, ainda, que diante de preços mais altos, o consumidor pode optar pela substituição por produtos mais baratos, redução de quantidade comprada ou migração para alternativas fora da categoria tradicional de ovos de chocolate.
Indústria de chocolates
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), os itens de Páscoa, especialmente os ovos, começam a ser fabricados em agosto do ano anterior e cada vez mais a indústria está atenta às preferências do consumidor, com produtos de todos os tipos e para todas as faixas de consumo.
De acordo com a Abicab, os produtos ofertados variam em tamanho e gramatura, e sempre surgem novos lançamentos na Páscoa visando atender às oscilações de gosto dos consumidores.
“No ano passado foram produzidas 806 mil toneladas de chocolates e 45 milhões de ovos de Páscoa. Com a estabilidade da economia e baixo índice de desemprego, acreditamos numa Páscoa igual ou melhor do que em 2025”, avalia a associação.
