Bolachas-do-mar encalham em praia do litoral de SP e chocam moradores

Wisla Polizelo Bertante/ Material cedido ao Metrópoles
O forte odor das bolachas-do-mar chamou a atenção de quem passou pela praia de Ilha Comprida. Oceanógrafa explicou o fenômeno ao Metrópoles - Metrópoles

Moradores de Ilha Comprida, no litoral de São Paulo, se assustaram com a quantidade de bolachas-do-mar que apareceram encalhadas na areia na manhã de segunda-feira (10/3). A estudante e influenciadora Wisla Polizelo Bertante, de 15 anos, estava chegando à praia quando um forte odor chamou a atenção dela.

Ao Metrópoles, Wisla contou que costuma caminhar na praia todos os dias em busca de inspiração para as suas gravações como criadora de conteúdo. Ela mora na cidade há 11 anos e já havia visto bolachas na areia, mas nunca nesta quantidade.

“Eu e meu pai fomos até a praia para gravar, quando nos deparamos com um odor muito forte e logo avistamos muitas bolachas-do-mar na areia”, disse.

Segundo a estudante, o fenômeno foi tão abundante este ano que o mar ficou escuro e não era nem possível entrar na água, pois as bolachas estavam machucando a pele.

Nesta quarta-feira (11/3), ela disse que ainda dá para encontrar uma ou outra bolacha na praia.

Bolachas-do-mar em Ilha Comprida

O Metrópoles conversou com a oceanógrafa e gestora da Fundação Florestal (FF), Julia Lima, que explicou o ocorrido. De acordo com ela, a praia de Ilha Comprida é dissipativa, ou seja, com baixa declividade, areia fina e energia das ondas gradualmente dissipada por bancos de areia antes de chegar à costa.

Esse ambiente é bastante favorável à ocorrência de bolachas-do-mar, uma vez que esses organismos vivem, de maneira geral, enterrados em bancos de areia rasos.

Julia também ressaltou que estamos no período reprodutivo da espécie, o que pode ajudar a elucidar a grande quantidade de animais marinhos encontrados na praia. Inclusive, durante esta época, elas costumam ficar mais próximas da faixa de rebentação.

A oceanógrafa acredita que o número de bolachas na areia foi tão alto devido à alta turbulência ocorrida no mar do litoral sul de São Paulo, proporcionada pela frente fria que entrou no fim de semana.

“O mar mais agitado, ondas mais fortes, ressacas e eventos extremos da natureza causam perturbação nos bancos de areia rasos, arrastando elas para a praia. Devido à dinâmica de maré baixa e a larga extensão da faixa de areia na região, elas podem não conseguir voltar ao mar antes de morrerem”, falou.

Segundo Julia, o forte odor citado por Wisla é proveniente da aglomeração dessas bolachas pode ser pelo fato de algumas já estarem mortas e em processo de decomposição.

A gestora da FF também apontou que, por se tratar de um fenômeno causado por fatores naturais, nada pode ser feito para prevenir a ocorrência. A fundação está analisando, junto à Prefeitura de Ilha Comprida e outros órgãos ambientais, o que deve ser feito agora para remover as bolachas da praia.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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