
A coluna teve acesso a capturas de tela de mensagens trocadas entre integrantes do grupo denominado “Geração Z”, que planejava ataques com bombas e explosivos improvisados em Brasília (DF), no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP).
As conversas ocorreram em aplicativos de troca de mensagens. Em um dos grupos, intitulado “02/02 – O Grande Dia”, os participantes discutem ferramentas e instrumentos que seriam utilizados para atacar forças de segurança.
“Levem bomba, gasolina, pedra e a porra toda, porque quando estourar vai dar merda pra caralho”, aconselha um dos integrantes.
Em outro trecho, um homem que se apresenta como ex-militar afirma já ter participado de manifestações e diz que irá montar uma lista “de coisas e de como fazer em conflitos de manifestação”.
“Temos que usar todas as nossas experiências e táticas para combater toda essa raça de podridão de políticos”, diz uma das mensagens.
Em outra conversa, um integrante compartilha um manual que ensina a fabricar um coquetel molotov. Ele também sugere o uso de estilingues, fogos de artifício e bombas contra a polícia.
Áudios
A coluna também teve acesso a gravações de áudio compartilhadas entre o grupo. Nos registros de voz, um homem aparentemente convida outra pessoa para se juntar ao grupo que, segundo ele, é composto por cinco pessoas: “A gente vai fazer uns ataques para chamar a atenção”, diz.
Em outro trecho, ele diz que está tudo certo, e que a “missão” — como se refere ao ataque terrorista. “A gente vai fazer essa missão antes do dia 2, tá ligado?”, informa.
O homem ainda questiona a pessoa com quem conversa se ela é do Rio de Janeiro. “Relaxa, você vai entender o que a gente ‘tá’ querendo fazer, entendeu? Só quero saber se tu ‘tá’ disposto a fazer. Vai ser seguro, cara. A gente já ‘tá’ planejando o que a gente vai fazer”.
A operação
A ação, deflagrada nesta segunda (2) e batizada de Operação Break Chain, foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e resultou, até o momento, na prisão de três pessoas.
Segundo a polícia, os investigados planejavam manifestações antidemocráticas com emprego de bombas caseiras e coquetéis molotov.
No Rio, o alvo seria a área em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no Centro da cidade. Os atos estavam previstos para ocorrer às 14h desta segunda (2).
A investigação começou após a DRCI identificar grupos de mensagens e perfis em redes sociais criados para organizar protestos simultâneos em diferentes estados do país.
Investigações
A Polícia Civil verificou que, embora se apresentassem como movimentos apartidários e anticorrupção, os integrantes promoviam discursos de radicalização e incentivavam ações violentas.
Inicialmente, a operação previa o cumprimento de medidas cautelares contra quatro pessoas. No entanto, novas informações obtidas ao longo da manhã levaram à identificação de outros 13 envolvidos, o que motivou a representação por mais mandados de busca e apreensão, posteriormente autorizados pela Justiça.
Os investigadores constataram que o grupo compartilhava instruções para a fabricação de artefatos incendiários improvisados.
Entre os materiais identificados estavam orientações para montagem de coquetéis molotov e de bombas caseiras contendo objetos como pregos e bolas de gude.
De acordo com a Polícia Civil, o conteúdo analisado apontava estímulo direto a ataques contra estruturas de telecomunicações, prédios públicos, autoridades estatais e centros políticos.
A avaliação dos investigadores é de que as ações planejadas tinham potencial para causar pânico, desordem e risco à população.
Os alvos
Os investigados são suspeitos de incitação ao crime, associação criminosa e posse, fabricação ou preparo de artefatos explosivos ou incendiários.
Segundo a polícia, todos tinham atuação ativa nos grupos monitorados e participavam do direcionamento das ações, incluindo a escolha de locais considerados sensíveis do ponto de vista institucional.
A operação cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital, na Região Metropolitana e no interior do estado. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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