
Associar o brincar apenas à infância é um conceito cada vez mais ultrapassado. As atividades lúdicas acompanham o ser humano ao longo de toda a vida e exercem um papel essencial no desenvolvimento emocional, cognitivo e social.
Segundo a médica psiquiatra e professora da Faculdade São Leopoldo Mandic, Letícia Amici, o desenvolvimento humano não se encerra na infância ou adolescência, mas continua acontecendo em todas as fases, ainda que de maneiras diferentes.
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O papel do brincar em cada fase da vida
De acordo com a especialista, o brincar assume funções específicas ao longo da trajetória humana. Na infância, é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, sensório-motor e socioemocional.
Na adolescência, contribui para a construção da autonomia, da identidade e da inserção social. Já na vida adulta, as atividades lúdicas estimulam o bem-estar, a criatividade, ampliam o repertório para resolução de problemas e fortalecem vínculos.
Entre os idosos, os jogos ajudam a manter e até reabilitar funções como memória, atenção e planejamento, além de favorecer a socialização e a funcionalidade.
O que acontece no cérebro quando brincamos
Jogos e brincadeiras têm impacto direto no funcionamento cerebral. Letícia explica que essas atividades estimulam conexões neuronais e ativam redes importantes ligadas às funções executivas, como controle inibitório, planejamento e direcionamento da atenção. Além disso, áreas associadas à linguagem e à criatividade também são mobilizadas.
Outro efeito relevante é a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, ligada ao prazer, à motivação e ao aprendizado, promovendo bem-estar emocional.

Brincar como antídoto ao estresse e ao burnout
Na vida adulta, o brincar ganha um papel estratégico na saúde mental. Atividades lúdicas e prazerosas ajudam a regular emoções, contribuindo para a liberação de substâncias essenciais no controle da ansiedade e na prevenção do burnout. Ao mesmo tempo, reduzem níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse, funcionando como um importante fator de equilíbrio emocional.
Criatividade e memória em movimento
Atividades que envolvem desafios, improviso e resolução de problemas favorecem a flexibilidade cognitiva, essencial para a criatividade. Segundo a especialista, esses estímulos promovem a integração de diversos circuitos neuronais. No caso da memória, o brincar mobiliza atenção e motivação, pilares do aprendizado, além de facilitar a fixação de conteúdos ao envolver diferentes tipos de estímulos.
Brincar também protege o cérebro
Entre os idosos, os benefícios vão além do lazer. Letícia afirma que jogos e atividades lúdicas são aliados importantes na prevenção de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
De acordo com Letícia Amici, ao estimular a atividade cerebral, as brincadeiras contribuem para a manutenção da reserva cognitiva, um dos principais fatores de proteção contra processos degenerativos. A melhora do humor, a redução do estresse e o fortalecimento dos vínculos sociais também fazem parte desse efeito protetor.
Quanto tempo dedicar ao lazer lúdico
Não existe um consenso rígido sobre o tempo ideal para brincar na vida adulta. De modo geral, estudos indicam cerca de duas horas diárias de atividades de lazer, mas a especialista ressalta que esse período pode variar conforme as necessidades, preferências e rotina de cada pessoa. O mais importante é garantir que esses momentos façam parte do cotidiano.

Jogos para cada etapa da vida
As escolhas também mudam conforme a idade. Crianças se beneficiam de brincadeiras sensório-motoras, jogos de faz de conta e atividades físicas. Para adolescentes e adultos, jogos de tabuleiro, cartas, lógica, RPG, enigmas e brincadeiras em grupo costumam ser mais atrativos. Já para os idosos, jogos cognitivos como quebra-cabeças, palavras cruzadas, sudoku, cartas e tabuleiros ajudam a estimular a mente e a socialização.
Mais do que diversão, brincar é uma ferramenta poderosa de cuidado com a saúde mental e de promoção da qualidade de vida em todas as fases da existência.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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