
Há três anos, um cachorro de porte médio vive em um abrigo no Guarujá, no litoral de São Paulo, à espera de um lar. Carinhoso, sociável e com rotina ativa, Fofo costuma despertar o interesse de possíveis adotantes logo no primeiro contato.
No entanto, o entusiasmo inicial quase sempre se transforma em desistência quando os interessados conhecem um detalhe de sua história — uma condição que ainda gera preconceito e medo, apesar de não limitar sua qualidade de vida.
Entenda

Resgatado ainda filhote, Fofo cresceu dentro do abrigo e desenvolveu habilidades sociais importantes. Ele convive bem com outros cães e até com espécies diferentes, mantendo uma rotina considerada saudável pelos cuidadores. “Ele é um dos mais amáveis do abrigo”, relatam os responsáveis, que se preocupam com o impacto da longa permanência institucional na vida do animal.
A história de Fofo não é isolada. Em abrigos de todo o país, cães com deficiências físicas ou sensoriais costumam aguardar mais tempo por adoção. A falta de informação e o receio de cuidados complexos afastam possíveis tutores, mesmo quando o animal demonstra autonomia e boa adaptação.
De acordo com o médico veterinário Thiago Borba, a percepção comum sobre esses cães não condiz com a realidade. “Cães que nasceram cegos ou que ficaram cegos no decorrer da vida se adaptam a essa condição utilizando seus outros sentidos. Podem até acontecer uma trombada ou algo do tipo, mas não existe o fator psicológico de ‘tristeza pela condição’. É sempre aprendizado, e sempre com o rabo abanando”, explica.
Segundo o veterinário, quando a condição está presente desde o nascimento, o principal desafio é a forma como o tutor interage com o animal. “O maior cuidado é saber lidar com o pet sem estressá-lo”, orienta.

Visibilidade ao caso do cachorro Fofo
A visibilidade do caso aumentou em 11 de janeiro, após a divulgação da história no Instagram (veja aqui). Atualmente com cerca de três anos, Fofo está castrado, vacinado e liberado para convivência familiar imediata.
Para ampliar as chances de adoção, os organizadores oferecem carona solidária, possibilitando que o cão seja levado para outras cidades e regiões fora do litoral paulista.
O processo de adoção é criterioso e prioriza a posse responsável. As entrevistas e avaliações são realizadas por meio do aplicativo da Hyppet, que também concentra informações sobre saúde e comportamento dos animais disponíveis.
Dicas essenciais para tutores de pets cegos
O médico veterinário Thiago Borba destaca cuidados simples que fazem diferença no dia a dia dos pets cegos:

Enquanto aguarda por uma família definitiva, Fofo segue sua rotina no abrigo, demonstrando que limitações físicas não definem afeto, autonomia ou capacidade de adaptação — apenas reforçam a importância da informação e do olhar responsável na hora de adotar.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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