
O infarto é a principal causa de morte no Brasil e acontece quando uma artéria do coração é bloqueada por um coágulo, impedindo que o sangue e o oxigênio cheguem ao músculo cardíaco. Sem esse fluxo, parte do coração começa a sofrer danos em poucos minutos.
Apesar de muitas pessoas imaginarem que o infarto surge de forma repentina, o problema costuma se desenvolver ao longo de anos, principalmente por causa do acúmulo de gordura nas artérias.
Segundo a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), o organismo frequentemente apresenta sinais antes do evento mais grave.
“Muitas vezes o infarto parece algo súbito, mas mais da metade dos pacientes relata ter sentido sintomas antes. O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou acreditam que se tratam apenas de estresse ou problemas digestivos”, afirma.
Por isso, reconhecer os sinais de alerta pode ser fundamental para buscar atendimento médico rapidamente.
Sinais que podem indicar um infarto
O sintoma mais conhecido é a dor ou pressão no peito. Esse desconforto costuma surgir no centro do tórax e pode ser descrito como aperto, peso ou sensação de compressão. Em geral, dura mais de 15 ou 20 minutos e não melhora com repouso.
Outro sinal importante é quando a dor se espalha para outras regiões do corpo. Ela pode irradiar para o braço esquerdo, para os dois braços, para a mandíbula, para o pescoço, para os ombros ou para as costas.
Esse tipo de dor também pode ser confundido com problemas no estômago ou até com dor de dente. Isso acontece porque o coração compartilha vias nervosas com outras partes do corpo, fazendo com que o cérebro interprete a dor como se viesse de outro local.
A falta de ar também é um sintoma frequente e pode aparecer mesmo sem dor intensa no peito. Em alguns casos, é o único sinal do infarto e costuma ser mais comum em mulheres e idosos.
Além disso, muitos pacientes relatam um cansaço incomum e desproporcional dias ou até semanas antes do evento. Atividades simples, como subir escadas ou caminhar pequenas distâncias, podem se tornar extremamente cansativas.
Náuseas, vômitos ou desconforto no estômago também podem ocorrer, especialmente quando o infarto atinge determinadas regiões do coração.
Outros sinais incluem suor frio, tontura ou sensação de desmaio. Em algumas situações, o paciente também pode apresentar ansiedade intensa, inquietação ou a sensação de que algo está errado.
Para Denise Pellegrini, nesses casos o tempo de reação é decisivo.
“Existe um conceito muito importante na cardiologia chamado ‘tempo é músculo’. Quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é o dano ao coração. O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos após o início dos sintomas”, explica.
A recomendação médica é procurar atendimento imediato ou ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, pelo número 192, especialmente quando há dor no peito persistente por mais de 15 ou 20 minutos acompanhada de outros sintomas.

Fatores que aumentam o risco de infarto
Diversos fatores podem aumentar o risco de um infarto ao longo da vida. Entre os principais estão tabagismo, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares.
Segundo o cardiologista Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, o estilo de vida também tem um papel importante nesse cenário, especialmente em relação à alimentação.
“Existem evidências epidemiológicas consistentes mostrando a associação entre maior consumo de ultraprocessados e aumento de eventos cardiovasculares e de fatores de risco cardiometabólicos. Alguns estudos mostram aumento relativo de risco cardiovascular entre 15% e 25% nas pessoas que mais consomem esses produtos”, explica.
De acordo com o especialista, fatores como obesidade, hipertensão, colesterol elevado e diabetes, que podem ser agravados por uma dieta rica em ultraprocessados, contribuem diretamente para o entupimento das artérias do coração.
Para reduzir as chances de desenvolver doenças cardíacas, os especialistas recomendam manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool e acompanhar regularmente os níveis de colesterol e glicose no sangue.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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