
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo levará nesta sexta-feira (13/2) ao Sambódromo do Anhembi desfiles marcados por crítica social, “flechadas” contra o machismo e luta contra o racismo. As apresentações começam às 23h e terminam ao amanhecer na zona norte.
A abertura dos desfiles também trará um tira-teima entre campeã e vice de 2025. Vencedora, a Rosas de Ouro será a quinta escola a entrar no sambódromo, tendo que tirar forças para superar a punição de 0,5 ponto aplicada nesta semana por não entregar as pastas destinadas aos jurados dentro do prazo estipulado pela Liga-SP. A segunda colocada no ano passado foi a Acadêmicos do Tatuapé, que será a quarta a desfilar, já na madrugada de sexta para sábado.
As três primeiras escolas a se apresentar têm enredos com protagonismo feminino. A estreante Mocidade Unidade da Mooca fala sobre o Geledés, da escritora Sueli Carneiro, a Colorado do Brás apresentará as bruxas e a Dragões da Real terá como tema as guerreiras icamiabas. Já ao amanhecer, a Barroca Zona Sul também traz mais sagrado feminino, com Oxum.
A Tatuapé e a Vai-Vai teceram seus enredos com crítica social. A primeira mostra a luta por terra e a segunda retrata São Bernardo do Campo como berço, entre outros, de movimentos grevistas.
Mocidade Unida da Mooca
Em sua estreia na elite do Carnaval paulistano, a Mocidade Unida da Mooca apresentará uma homenagem ao Geledés, o Instituto da Mulher Negra, fundado pela filósofa e escritora Sueli Carneiro. A escola promete fazer tremer a “Casa Grande” com um desfile marcado pela força do poder feminino e a fundamental luta contra o racismo ao longo das últimas décadas.
Horário do desfile: 23h
Cores oficiais: vermelho, branco e verde
Presidente: Rafael Falanga
Carnavalesco: Renan Ribeiro
Rainha de bateria: Valeska Reis
Enredo: “Gèlèdés – Agbara Obinrin”
Colorado do Brás
A Colorado do Brás vai soltar as bruxas pelo Sambódromo do Anhembi na primeira noite de desfiles. A escola promete colorir de vermelho a avenida e fazer “ferver o caldeirão”, retratando as mulheres que, ao longo de milênios, foram estigmatizadas por causa de sua sabedoria ancestral. O samba-enredo é um grito de luta contra a opressão e promete cair no gosto popular ao transformar bruxa em rainha.
Horário do desfile: 0h05
Cores oficiais: vermelho e branco
Presidente: Antônio Carlos Borges (Ka)
Carnavalesco: David Eslavick
Rainha de bateria: Talita Guasteli
Enredo: “A Bruxa está solta – Senhoras do Saber renascem na Colorado”
Dragões da Real
A escola da torcida do São Paulo é mais uma que levará ao Anhembi a força feminina em sua grandeza, destacando a luta das bravas guerreiras icamiabas. Elas foram lendárias mulheres que viviam na Amazônia, combatiam os invasores e formavam uma sociedade matriarcal, sem a presença masculina. Também há espaço no enredo para magia do muiraquitã, um amuleto indígena de proteção, produzido pelas icamiabas.
Horário do desfile: 1h10
Cores oficiais: vermelho, preto e branco
Presidente: Renato Remondini Rodrigues (Tomate)
Carnavalesco: Jorge Freitas
Rainha de bateria: Karine Grum
Enredo: “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”
Acadêmicos do Tatuapé
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) será representado no Carnaval pela Acadêmicos do Tatuapé, vice-campeã em 2025. O enredo critica a ganância por meio da concentração de terra e propõe a reforma agrária como uma forma justa de partilhar recursos e respeitar a natureza. Citando inúmeras lutas, da opressão contra os negros a Canudos, a escola da zona leste promete um desfile de forte crítica social.
Horário do desfile: 2h15
Cores oficiais: azul e branco
Presidente: Erivelto Coelho, Toninho, Edu Sambista e Eduardo Santos
Carnavalesco: Wagner Santos
Rainha de bateria: Muriel Quixaba
Enredo: “Plantar para colher e alimentar”
Rosas de Ouro
A Rosas de Ouro defende o título conquistado em 2025 ao elevar a Astrologia à categoria de ciência. O enredo diz que os seres humanos passaram a compreender a linguagem celestial desde os primórdios. Para levantar a taça novamente, entretanto terá de encarar desafio de proporções astronômicas, já que foi punida com a perda de 0,5 ponto por não entregar as 47 pastas com a descrição do desfile dentro do prazo estipulado pela Liga SP.
Horário do desfile: 3h20
Cores oficiais: azul, rosa e branco
Presidente: Angelina Basílio
Carnavalesco: Fábio Ricardo
Rainha de bateria: Ana Beatriz Godói
Enredo: Escrito nas Estrelas
Vai-Vai
Horário do desfile: 4h35
Cores oficiais: preto e branco
Presidente: Clarício Gonçalves
Carnavalesco: Gerson Anveris, Gleuson Pinheiro, Marcus Tibechrani e Tatiana Gregório
Rainha de bateria: Madu Fraga
Enredo: “A Saga Vencedora de um povo heroico no apogeu da vedete da Pauliceia”
Maior campeã do Carnaval de São Paulo, Vai-Vai prestará uma homenagem a São Bernardo do Campo, no ABC, com destaque para a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, instalada na cidade ainda na primeira metade do século 20. O enredo mostrará a luta de trabalhadores contra a exploração, lembrando também que o município foi berço das grandes greves de montadoras no passado.
Barroca Zona Sul
A verde e rosa da zona sul paulistana fechará a primeira noite no sambódromo levando ao amanhecer um enredo em homenagem à Oxum, a orixá que representa beleza e riqueza. A Barroca faz novamente um desfile em homenagem a uma divindade dos cultos afro, depois de, em 2025, evocar Iansã. A escola pretende obter um resultado melhor que no ano passado, quando escapou do rebaixamento ao ficar em 12° lugar.
Horário do desfile: 5h30
Cores oficiais: verde e rosa
Presidente: Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio (Cebolinha)
Carnavalesco: Pedro Alexandre Magoo
Rainha de bateria: Juju Salimeni
Enredo: “Oro Mi Maió OXUM”
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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