Carnaval: rival da Mancha, Gaviões vai exibir floresta sem usar verde

William Cardoso/ Metrópoles
Com tema que traz a floresta amazônica em destaque, a Gaviões da Fiel enfrentou um desafio para não usar o verde, cor de sua grande rival - Metrópoles

Um dos desafios enfrentados pela escola de samba Gaviões da Fiel para o Carnaval de 2026 foi retratar a floresta amazônica sem usar a cor verde. A agremiação não utiliza a cor por ser a marca registrada da grande rival, a Mancha Verde.

Os carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira decidiram trabalhar com uma paleta que remete ao sonho, a uma “visão”. A Comissão de Frente da escola promete levar o público a um estado de transe onde as cores não são necessariamente as que vemos no mundo real. Ao Metrópoles, Pereira explicou que a ideia de evitar a cor surgiu desde o momento em que a temática indígena foi escolhida.

“A nossa floresta está num templo do sonho. Por isso, ela vem na cor que ela já vai ser representada com alguns elementos de iluminação que ajudam a favorecer e a mostrar a floresta do jeito que a gente precisa mostrar dentro do enredo. Nosso desfile é um grande sonho”, disse.

Para este ano, a Gaviões quer mostrar o papel estratégico dos povos indígenas para a proteção da floresta. O enredo Vozes Ancestrais Para Um Novo Amanhã promete transformar o Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo, em um espaço de celebração, mas também de reflexão sobre o futuro do Brasil – e do planeta.

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Pereira explicou que o não uso da cor verde é uma característica da escola. “Acho difícil usar algum dia porque o povo é muito apaixonado, então isso é uma característica. Não é uma escolha nossa, não é a gente que decide a cor que vai usar. A escola não usa e não é só isso, não é só o verde. A escola não usa nada que possa vir a refletir o verde. Então, a gente tem todo esse cuidado com todo esse material, tanto em acetato, quanto em pedraria, quanto em qualquer tipo de material que vá ser usado”, contou.

Para “fugir” do verde, Poloni e Pereira se inspiraram no livro A Queda do Céu: Palavra de um Xamã Yanomami, organizado por Bruce Albert a partir de falas do xamã yanomami Davi Kopenawa.

A Comissão de Frente da Gaviões defende que a mensagem principal é de que não “há transformação ecológica possível sem uma transformação profunda da forma como vemos – e tratamos — a floresta e seus povos – independentemente das cores.”

Procurada, a Mancha Verde não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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