
As três crianças torturadas por seis anos pelo pai, Marcelo Melo Dias, de 40 anos, e pela madrasta, Aline Fonseca de Castilho, também de 40, foragida da Justiça, eram impedidas de visitar a mãe nos dias estabelecidos.
À coluna, uma fonte próxima à família, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou que a mulher teve os filhos levados após ser internada em decorrência de um grave acidente automobilístico e, mesmo depois de se recuperar, foi impedida de retomar a guarda das crianças.
Conforme consta nas denúncias do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o filho mais velho relatou aos investigadores que o pai e a madrasta impediam os encontros com a mãe biológica, xingando-a na frente das vítimas. Ao tentarem defendê-la, as crianças eram punidas com agressões físicas e psicológicas.
Como forma de tentar escapar do cenário de terror, o menino mais velho passou a gravar os episódios de tortura e a enviar o material à mãe, que encaminhava o conteúdo ao Conselho Tutelar e à polícia.
Enquanto isso, nas redes sociais, Aline passou a se apresentar publicamente como “mãe exemplar de uma criança autista” — referindo-se a uma das três vítimas, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte —, publicando imagens que simulavam uma família feliz.
A encenação fazia com que vizinhos e familiares acreditassem que as crianças viviam em um lar estruturado e, entre outras coisas, colocassem em dúvida as denúncias feitas pela mãe biológica.
As torturas
A criança diagnosticada com TEA, que à época era não verbal — entre outubro de 2015 e julho de 2021, período em que ocorreram as agressões —, e incapaz de se defender, era violentamente agredida durante o processo de desfralde, ao evacuar fora do local considerado adequado.
Segundo o relato, a criança tinha o rosto esfregado nas próprias fezes, era trancada em um quarto e permanecia suja. Em crises, acabava ingerindo os próprios dejetos na tentativa de se limpar, já que entrava em desespero quando não estava limpa.
Ao tentar proteger o irmão mais novo, limpá-lo ou impedir as agressões, os outros dois irmãos também eram espancados, castigados e torturados, chegando a sofrer estrangulamentos e ameaças constantes de morte.
Áudios e vídeos anexados à denúncia do MPSP reforçam que as crianças viviam uma rotina de extrema crueldade.
De acordo com as provas, Marcelo agia com requintes de crueldade e planejava as agressões de forma a não deixar marcas visíveis em períodos próximos às visitas da mãe biológica — quando eram permitidas. Com frequência, ele impedia ou dificultava o contato, escondendo as crianças em locais desconhecidos pela mãe, inclusive na casa dos pais da companheira.
Condenações
Os dois foram condenados em regime fechado pelo crime de tortura, por agredir as crianças física e psicologicamente, além de privá-las de alimentação, ameaçá-las de morte e submetê-las a choques elétricos.
Marcelo foi preso no dia 4 de fevereiro para cumprir pena de sete anos e cinco meses de prisão. Aline, condenada a seis anos, permanece foragida.
Informações indicam que ela pode estar escondida em Paraguaçu (MG), Campinas ou Votorantim (SP), cidades onde possui familiares.
Quem tiver informações sobre o paradeiro da mulher deve repassá-las ao Disque-Denúncia, por meio do telefone 181. O serviço é gratuito, funciona em todo o país e não é necessário se identificar. As informações são encaminhadas ao setor de inteligência da polícia.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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