Caso Banco Master: veja 10 revelações após nova prisão de Vorcaro

A nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, decretada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), revelou novos detalhes da investigação conduzida pela PF (Polícia Federal) na Operação Compliance Zero.

A decisão desta quarta-feira (4) aponta indícios de que o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada para cometer crimes financeiros, corromper agentes públicos e monitorar críticos, incluindo jornalistas. O empresário teria feito uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas ligadas ao caso.

Veja abaixo os 10 principais pontos revelados pela investigação após a nova prisão do banqueiro.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, na primeira fase da operação, mas foi solto na sequência. Na época, foi determinado que o empresário fizesse o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a Polícia Federal, novos elementos indicam que as atividades ilícitas teriam continuado mesmo após a primeira operação.

“Mesmo após ser posto em liberdade, o que ocorreu no dia 28/11/2025, a organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros […] As atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes”, diz trecho da decisão de Mendonça.

A decisão afirma que os investigados atuavam de forma coordenada, com divisão de tarefas. Segundo Mendonça, os elementos reunidos apontam para “uma complexa estrutura para a prática de crimes com profunda repercussão negativa na sociedade”.

“As investigações apontam que o esquema investigado apresenta quatro núcleos principais de atuação: (i) núcleo financeiro; (ii) núcleo de corrupção institucional; (iii) núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; (iv) núcleo de intimidação e obstrução de justiça”, diz.

Segundo a investigação da PF, os quatro investigados teriam funções diferentes dentro do esquema criminoso. Vorcaro é apontado como líder do grupo; Fabiano Zettel teria atuado como operador financeiro, responsável por pagamentos e transferências; Luiz Phillipi Mourão, identificado como “Felipe Mourão”, coordenaria ações de monitoramento e intimidação de adversários; e Marilson Roseno, policial federal aposentado, integraria o núcleo responsável pela coleta de informações e vigilância.

Os dois ex-servidores do BC (Banco Central) afastados do órgão por decisão do STF prestavam uma “consultoria informal” a Daniel Vorcaro, segundo a PF.

De acordo com a corporação, os dois participavam de um grupo de Whatsapp com o banqueiro, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos e permitir a discussão de estratégias de temas de interesse do Master.

Segundo as investigações, eles teriam recebido dinheiro para passar informações ao banqueiro e ajudar na elaboração de pedidos ao órgão.

“Descrevemos o relacionamento ilícito entre o banqueiro Daniel Vorcaro e os servidores do Banco Central Paulo Sérgio e Belline Santana, bem como os graves indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas”, diz a decisão de Mendonça.

Segundo a PF, o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio de Souza e o ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária, Bellini Santana, mantinham contato recorrente com Vorcaro e forneciam orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes do BC.

As investigações apontaram a existência de um grupo chamado “A Turma”, que seria destinado à obtenção ilegal de informações sigilosas e para praticar atos de coação e intimidação de pessoas consideradas prejudiciais para a suposta organização criminosa.

Felipe Mourão, era responsável pela “execução de atividades de obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”.

O grupo contratado por Vorcaro para influenciar a investigação, acessava dados da PF, do MPF (Ministério Público Federal) e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.

De acordo com a Polícia Federal, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como o coordenador operacional do grupo “A Turma”, realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
O acesso, segundo a investigação, era feito por Mourão por meio da utilização de credenciais funcionais de outras pessoas, o que permitia obter informações protegidas por sigilo institucional.

“A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, cita trecho da decisão.

Jornalistas também teriam sido atingidos pelo que a PF chama de “dinâmica violenta” entre Vorcaro e Mourão após um profissional ter divulgado na imprensa uma informação “contrária aos interesses” do dono do Master.

Apesar do nome do jornalista em questão estar tampado com uma tarja preta no relatório da PF, o profissional em questão se trata de Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que emitiu uma nota sobre o caso.

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *