
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, na quinta-feira (19/3), em São Paulo, com Lúcia Aparecida, mãe de Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio na capital paulista, após ser atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, de 26 anos, em 29 de novembro do ano passado. A mulher foi internada com ferimentos graves, precisou amputar as duas pernas e morreu quase um mês depois.
O encontro entre Lula e a familiar da vítima ocorreu no Expo Center Norte, durante a programação da 17ª Caravana Federativa, e contou também com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
A reunião aconteceu após um discurso do presidente voltado ao combate à violência contra a mulher, no qual ele fez um apelo direto aos homens e defendeu mudanças culturais para enfrentar o feminicídio. Durante o evento, Lula destacou a necessidade de mobilização da sociedade e de ações mais efetivas para prevenir esse tipo de crime.
A jovem, de 30 anos, morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro na Marginal Tietê, em São Paulo, em novembro do ano passado. Ela permaneceu internada por quase um mês no Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
Tainara Souza Santos, chegou a ter as duas pernas amputadas após ser arrastada por mais de um quilômetro. O suspeito, identificado como Douglas Alves da Silva, foi preso dias após o crime. A morte foi causada por falência múltipla dos órgãos, conforme apontado por familiares.
Um ato contra o feminicídio marcou a inauguração de um mural de mais de 140 metros em homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio, em novembro de 2025. A obra foi pintada por grafiteiras e artistas visuais.
O local escolhido para o mural, no Parque Novo Mundo, zona norte da capital paulista, é o mesmo onde Tainara foi atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, de 26 anos.
O ato contou com a presença de movimentos sociais, sindicais, moradores da comunidade do Parque Novo Mundo e parlamentares. Participaram também as ministras Márcia Souza, das Mulheres, Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.
“A gente vai olhar para aquele muro pintado pelas grafiteiras e vai dizer: esse é o muro da restauração, da reparação, é o muro da transformação das nossas vidas, é o muro que vai ficar marcado neste território o que aconteceu como uma lição. Vamos ter a coragem de perguntar para cada menino, para cada menina, para cada jovem, para cada homem, o que está acontecendo?” disse Márcia Souza, na ocasião.
Já a ministra Marina Silva destacou a quantidade de mulheres assassinadas diariamente e reforçou a necessidade do combate ao feminicídio. “O que nós estamos fazendo aqui é um ato em defesa da vida, um ato em defesa da dignidade de todas as mulheres. A gente tem o assassinato de quatro mulheres por dia. São cerca de 1.500 mulheres que são assassinadas a cada ano e isso é algo que precisa ser combatido por todas as pessoas, por toda a sociedade, em todos os lugares, em todos os momentos”, afirmou.
A mãe de Tainara, Lúcia Aparecida da Silva, prestou homenagem à filha e falou sobre a dor da perda. “Ela era uma jovem cheia de vida que foi tirada de mim de um jeito que vocês mesmos viram, por um monstro. Foi atropelada, arrastada, presa embaixo de um carro, parecendo um saco de lixo, um animal. Perdeu as duas pernas, ficou sem a pele das costas, sem o glúteo. Gente, isso [o agressor] não é um ser humano”.
Mural
O mural de mais de 140 metros foi pintado por mais de 35 mulheres grafiteiras, coordenadas pelas artistas Katia Lombardo e Simone Siss. “Eu tive muito em contato com a família da Tainara, porque eu queria construir uma arte em conjunto com a dona Lúcia [mãe de Tainara]. Ela passa aqui todos os dias e eu fiquei pensando como que eu ia fazer”.
“Fiz a Tainara alegre, como ela me contou que ela era, coloquei os bottons ‘I love dance’ porque ela adorava dançar, os apaches [símbolos dos clubes] da Vila Maria, as mulheres da várzea. Então a gente está deixando uma mensagem de acolhimento para família e o mural com mensagens contra o feminicídio”, disse Siss.
Para Crica Monteiro, uma das autoras do mural, a mensagem principal da obra é o pedido para que as mulheres não sejam mortas. “Somos mulheres pintando nesse muro, um grupão de mulheres que se organizaram para fazer isso aqui. E significa a vida. Mantenha a gente viva para gente poder fazer as nossas coisas
Mulher arrastada
Câmeras de segurança flagraram o momento em que Tainara é atropelada e arrastada por Douglas Silva. Nas imagens, é possível ver que ela andava a pé com outro rapaz quando é atingida por um carro preto.
Ao Metrópoles Letícia Dias, amiga de infância da vítima, explicou que ela perdeu um dos pés já no momento em foi arrastada pelo veículo. “O médico tentou recuperar o [pé] que estava dilacerado, só que não deu. Infelizmente, teve que tirar as duas pernas”, lamentou. Ela explicou que as amputações foram feitas em alturas diferentes nas pernas da vítima.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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