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  • PL acusa Lula de "pedaladas fiscais" e cita impeachment em ação no STF

    PL acusa Lula de "pedaladas fiscais" e cita impeachment em ação no STF

    Ricardo Stuckert/PR
    Dilma e Lula passeiam pelo Palácio da Alvorada

    O Partido Liberal (PL) acusa o governo Lula de cometer “novas pedaladas fiscais” no Orçamento, prática que motivou o pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff em 2016. A afirmação consta em ação protocolada pela sigla no STF na última quarta-feira (4/2).

    O PL sustenta que o governo teria instituído um sistema que permite a execução de despesas fora dos limites legais, o que, segundo a legenda, compromete a transparência das contas públicas e cria uma estrutura paralela de financiamento estatal.

    “Isso nada mais representa do que uma nova roupagem das ‘Pedaladas Fiscais’ que culminaram no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff”, afirmam os advogados Luiz Gustavo de Andrade Rocha e Thiago Vieira de Carvalho.

    De acordo com a petição, aproximadamente R$ 89,9 bilhões teriam sido retirados do teto de gastos por meio de exceções legais e créditos extraordinários. Para o PL, esse mecanismo “transmuda o regime fiscal em simulacro de legalidade”.

    “A maquiagem contábil e a manipulação da política fiscal foram causas fundamentais para a maior crise econômica da história do País”, argumenta a legenda, referindo-se ao período em que a economia brasileira registrou retração acumulada próxima de 7% no PIB no biênio 2015-16.

    Com base nesses argumentos, o partido pede ao STF que reconheça a inconstitucionalidade de mecanismos utilizados pelo governo e determine a “recomposição dos limites fiscais”.

  • As ousadas metas eleitorais do Centrão de olho no pós-Lula

    As ousadas metas eleitorais do Centrão de olho no pós-Lula

    Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
    O Secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab

    Céticos com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e prevendo a possível reeleição do presidente Lula, partidos do Centrão estabeleceram metas ousadas para ampliar suas bancadas no Congresso Nacional a partir de 2027.

    O PSD de Gilberto Kassab, por exemplo, quer aumentar a bancada de deputados de 47 para 70 e reeleger 11 dos 13 senadores. Já a federação PP–União Brasil mira expandir a bancada de 119 para 130 parlamentares no Congresso.

    Na avaliação de caciques do Centrão ouvidos pela coluna, a estratégia estaria ligada à construção de um nome para preencher o “vácuo” político para as eleições de 2030, após um possível quarto mandato de Lula.

    No cenário atual, lideranças do Centrão avaliam que o PT não teria ainda uma figura capaz de carregar o legado de Lula e disputar a eventual sucessão do petista em 2030.

    Nesse cenário, a leitura desses caciques é de que a melhor opção seria investir em um Congresso Nacional forte, com mais parlamentares, para tentar alavancar um nome presidencial oriundo do Legislativo.

    Centrão teve expectativas frustradas

    A federação PP-União Brasil e o PSD queriam emplacar Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa presidencial de 2026, mas o governador paulista acabou não sendo escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Bolsonaro frustrou as expectativas do Centrão e indicou Flávio como seu candidato. A decisão, segundo aliados do ex-presidente e do senador, foi tomada para manter o legado da família após a prisão do ex-mandatário.

  • Lula opera com toda a sua força para isolar Flávio Bolsonaro

    Lula opera com toda a sua força para isolar Flávio Bolsonaro

    Ricardo Stuckert / PR
    Presidente Lula

    Entre os que o cercam de perto, Lula será o último a celebrar seu favoritismo para se reeleger presidente em outubro. É ele que ensina aos mais entusiasmados: “Não se ganha eleição de véspera, só no último minuto. Até lá, tudo pode acontecer”.

    Foi assim na eleição de 1989, a primeira pelo voto popular depois do fim da ditadura. Disputada por 21 candidatos, Lula classificou-se para enfrentar Fernando Collor no segundo turno ao derrotar Leonel Brizola pela diferença irrisória de 0,6% do total de votos.

    No início de 1994, Lula liderava todas as pesquisas, mas perdeu a eleição no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, o candidato do Plano Real que domou a inflação. Fernando Henrique se reelegeu em 1998 no primeiro turno, e Lula chorou.

    Chegou a pensar em nunca mais candidatar-se a presidente. Mas se elegeu pela primeira vez em 2002, e pela segunda em 2006. Fez seu sucessor (Dilma Rousseff) em 2010, quando sua popularidade bateu na casa dos 80%. Ajudou-a a se reeleger em 2014.

    Como candidato, agora não há mais Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia e outros crimes. Mas há o filho dele, Flávio, escolhido pelo pai para herdar seus votos.

    Poderá haver um candidato do PSD de Gilberto Kassab, mas não é certo. O mais cotado, Ratinho Júnior, governador do Paraná, não se arriscará a ser sucedido pelo ex-juiz Sérgio Moro. Espera que a Justiça o remova do caminho, tornando-o inelegível.

    Lula está empenhado em atrair o apoio do PSD, por mais que Kassab jure que isso não será possível. E em atrair o MDB, onde já conta com apoio expressivo. E em conseguir rachar o Centrão (PP e União Brasil), tarefa em estágio avançado a essa altura.

    Não descansará enquanto não ver Flávio isolado.

     

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  • Após escândalo, Justiça impõe fim do esquema fura-fila em hospital do Entorno

    Após escândalo, Justiça impõe fim do esquema fura-fila em hospital do Entorno

    MPGO
    Foto da fachada da Prefeitura de Luziânia

    A Justiça de Goiás determinou que o município de Luziânia regularize “imediatamente” o sistema de regulação de consultas e cirurgias eletivas na rede pública de saúde. A decisão foi proferida anos após diversas denúncias virem à tona de que pacientes eram priorizados fora da ordem cronológica, prática também conhecida como “fura-fila”, no Hospital Municipal do Jardim Ingá (HMJI), em 2022.

    Ouça:

    À época, o secretário de Saúde de Luziânia (GO) foi flagrado em áudio dizendo que decidia a ordem da fila de cirurgias no município e que “isso fazia parte do jogo”. A gravação também registrou o momento em que o homem fez retaliação à servidora pública que discordou dele, informando que iria afastá-la das funções por questionar a forma como ele gerenciava a ordem dos procedimentos.

    Na decisão, que atende um pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO) na ação civil pública, o magistrado responsável pelo caso apontou falhas graves na gestão do HMJI, incluindo ausência de transparência e indícios de favorecimento indevido no acesso aos serviços.

    Relembre o caso

    As investigações tiveram início em 2022, após denúncia apresentada por uma servidora efetiva do município. Segundo o relato, o controle das cirurgias eletivas era realizado de forma manual, por meio de listas paralelas e agendas locais, sem sistema informatizado oficial.

    Depoimentos colhidos no processo indicam que o fluxo de atendimento sofria interferências de agentes políticos, incluindo secretários municipais e integrantes do gabinete do prefeito, que determinariam a inclusão de pacientes com base em critérios alheios à ordem de espera.

    Conforme a ação, enquanto alguns usuários obtinham atendimento prioritário, outros aguardavam por longos períodos, havendo registros de pacientes que morreram enquanto ainda estavam na fila.

    A servidora responsável pela denúncia afirmou ter sido afastada de suas funções após relatar as irregularidades. Anos após o caso, ela ainda não retornou ao local de origem do qual foi retirada.

    Auditoria

    Uma auditoria realizada pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), concluída em 2024, confirmou as falhas apontadas pelo Ministério Público. O relatório técnico identificou a inexistência de sistema informatizado de regulação, com uso de planilhas eletrônicas sem mecanismos de rastreabilidade ou controle de alterações.

    O documento também apontou divergências entre os dados de procedimentos informados ao Ministério da Saúde, à administração municipal e aos registros internos do hospital.

    Além disso, foram constatadas irregularidades sanitárias, como a ausência de alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária e do certificado de conformidade do Corpo de Bombeiros no Hospital Municipal do Jardim Ingá.

    Outro ponto destacado foi a inoperância do “Complexo Regulador Regional”, que, apesar de receber recursos públicos, não desempenhava adequadamente sua função de organização da demanda por serviços especializados.

    Determinações judiciais

    Na decisão, o juiz João Victor de Resende Moraes Oliveira fixou o prazo de 30 dias para que o município de Luziânia cumpra uma série de medidas, sob pena de aplicação de multa.


    Entre as determinações estão:


    A Justiça também exige a regularização do HMJI junto aos órgãos de fiscalização sanitária e de segurança, bem como determina que apenas servidores efetivos sejam responsáveis pela inserção e gerenciamento dos dados no sistema de regulação, com uso de senhas individuais.

    Na decisão, o magistrado destacou, ainda, que o direito à saúde é dever do Estado e deve ser garantido por meio de gestão pública transparente, impessoal e eficiente. Segundo o juiz, a organização do acesso aos serviços de saúde não pode ser submetida a “ingerências políticas” ou práticas de “clientelismo”.

    O outro lado

    O Metrópoles tentou contatar a Secretaria de Saúde Municipal e a Prefeitura de Luziânia, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

  • Quando a dor permanece: processos sobre cirurgias malfeitas disparam no DF

    Quando a dor permanece: processos sobre cirurgias malfeitas disparam no DF

    Lara Abreu/Arte Metrópoles
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    Para muitas pessoas, realizar uma cirurgia, por mais simples que seja, pode resultar em uma mistura de sentimentos, como ansiedade e medo. Quando bem feita, a sensação de alívio é imediata. Mas casos de cirurgia mal executada viram lutos, deixam sequelas e até processos judiciais. Em 2025, por exemplo, o Conselho Nacional da Justiça (CNJ) registrou 1.303 casos julgados de processos sobre cirurgias gerais no Distrito Federal.

    Os dados disponibilizados pelo conselho mostram, também, um aumento de 13% no número de casos novos oriundos de cirurgias gerais. Foram 1.127 novos processos em 2025, contra 983 casos em 2024. Os números de judicializações envolvendo dano material e moral decorrente de qualquer prestação de serviço na área da saúde também aumentaram.

    Entre os processos julgados em 2025 está o caso de Talisson Coelho Silva, 20 anos. O jovem passou um pouco mais da metade da vida com um pedaço de vidro dentro do corpo. Com aproximadamente 4 cm de altura, o fragmento encontrado era um pedaço remanescente de uma cirurgia, feita no Hospital Regional de Sobradinho (DF).

    Veja o pedaço de vidro encontrado:

    O incidente aconteceu no dia 28 de novembro de 2012, quando o jovem, com 4 anos à época, subiu em uma mesa de vidro em casa e ela cedeu. Um fragmento perfurou o jovem próximo à axila esquerda. A mãe dele, Liliane Cardoso, estava de resguardo cuidando da filha quando Talisson caiu.

    “Eu saí correndo e abriram meus pontos da barriga. Ele ficava falando: ‘Mamãe, eu vou morrer’ e comecei a gritar por socorro até meus vizinhos chegarem. Foi quando eu chamei o bombeiro e levaram ele pro hospital. Chegando lá, não ‘bateram’ o raio-x, só levaram ele para sala. Tiraram um pedaço de vidro, costurou e mandou ir embora com um atestado“, conta.

    Com o passar dos anos, tanto a mãe, quanto o filho, sentiam que uma região do peito do jovem era um pouco mais elevada. Entre mais de 10 idas e vindas ao hospital, sempre era repassado aos dois que aquilo era “normal”. Conforme o tempo passava, ambos começaram a sentir uma “ponta” ao passar a mão no local.

    Raio-x foram negados por médicos, com justificativas de que podia ser um osso ou uma “inflamação” causada pelo sobrepeso do jovem.

    “Eu sentia dor no peito e sempre me falavam que era a clavícula e teve um médico que me ‘receitou’ ir a academia”, conta Talisson.

    Os anos passavam, a dor permanecia e a rotina começou a ser afetada. Talisson conta que começou a sentir limitação para levantar peso com o braço esquerdo. Não bastasse, passou a sentir dificuldade na ingestão da comida, com a sensação de que havia algo “rasgando” seu corpo, próximo à garganta.

    Foi quando em 12 de maio de 2023, a paciência chegou ao fim. Liliane conta que viu o filho “triste” e “chateado”. Ao questioná-lo, Talisson afirmou mais uma vez que estava com dor e havia sentido uma “fisgada” em um momento que abraçou a namorada. “Pedi para ele levantar o braço e eu passei a mão próximo ao peito. No que eu fiz isso, senti algo rasgando“, disse a mãe.

    A mãe lembra que ao chegarem no hospital ela fez um desabafo com um novo médico, alegando estar “cansada” e “desesperada”. O doutor, então, analisou o Raio-x minuciosamente, levou o resultado para um outro médico, na intenção de obter uma segunda avaliação médica, e chegaram ao diagnóstico: havia um pedaço de vidro dentro do corpo de Talisson. O fragmento estava próximo a uma artéria do jovem e se movia no corpo do jovem conforme ele crescia.

    “Eu não senti minhas pernas e comecei a chorar. Ele pediu para eu assinar o termo para realizar a cirurgia e autorizei. Meu filho ia crescer com isso e eu ia perder ele. O médico que fez o procedimento chegou a falar que se o Talisson fosse mais magro, [pedaço de vidro] tinha cortado a veia do coração e que ele nasceu de novo“, disse emocionada.

    Apesar do “alívio” da retirada do pedaço de vidro, a sequela física e emocional, ainda permaneceu depois da aflição vivida durante os 11 anos. Talisson teve que iniciar um tratamento com psicólogo após o segundo procedimento. O braço esquerdo do rapaz ainda apresenta limitação na movimentação e ao carregar peso, em virtude de um mioma – um nódulo que surgiu em seu peito esquerdo por conta do fragmento esquecido.


    Relembre outros casos de condenação por erro em cirurgia no DF:


    Cirurgias malfeitas

    Por conta de toda “frustração” e “indignação” com que Talisson sofreu, a mãe acionou o Distrito Federal na Justiça. O DF foi condenado a pagar R$ 40 mil à família, por canos morais, e mais R$ 10 mil, a título de danos estéticos.

    De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), a permanência de fragmento de vidro no corpo do paciente por mais de uma década caracterizou deficiência do serviço de saúde.

    Para o advogado Caio Henrique Nascimento, que defendeu a família no caso, houve um erro médico “muito grosseiro” que é não constatação do pedaço por meio do Raio-x e as negações em se realizar o exame de imagem.

    “Isso é uma negligência médica alarmante. Durante o processo, o DF alegava que esse corpo estranho descoberto não era da primeira oportunidade que o Talisson foi ao hospital, como se fosse de um outro acidente. Mas o perito deixou bem claro e constatou a possibilidade daquele vidro ser de 2012″, destaca.

    O advogado ressalta, ainda, que a entrada de Liliane com o processo é resultado de uma luta importante dos direitos em que a população do Distrito Federal deve ir atrás contra os “erros médicos”.

    “Todo dia tem gente relatando erro médico, mas quantas mães e pessoas vão embora sem tentar averiguar essa situação e acaba aceitando a primeira fala do médico? Ainda bem que a Liliane foi atrás e identificou que tinha alguma coisa errada”, disse.

    Caio ainda pontua que maioria dos erros acontece supostamente em razão da “pressa”. “Querem dar vazão mais rápido nos casos. E acaba que o atendimento e o acompanhamento e nas vezes é precário. Quando na verdade tinha que ser um atendimento mais zeloso”, conta.

    O Metrópoles acionou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para comentar o ocorrido, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.

  • MPSP suspeita que morto pela PM como "líder do PCC" não era da facção

    MPSP suspeita que morto pela PM como "líder do PCC" não era da facção

    Reprodução
    Carlos Vieira, o Ferrugem

    O promotor Bruno Grecco Cardoso, da 6ª Promotoria de Justiça de Itaquaquecetuba, afirma que a versão dos policiais militares da Rota que mataram Carlos Alves Vieira, em 28 de novembro, está “em xeque”, diante de informações de que ele era “um cidadão sem antecedentes criminais” e “sem qualquer vínculo com facções criminosas”.

    Como detalhado pelo Metrópoles, Carlos, conhecido como Ferrugem, foi apresentado pela Polícia Militar (PM) como um importante líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em grupos internos da corporação, o suspeito foi descrito como “sintonia final” da facção, “com atuação nos municípios de Itaim Paulista, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá e Mogi das Cruzes”.

    No entanto, não há qualquer indício de que ele seja uma liderança do PCC, conforme a reportagem apurou junto a fontes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do setor de Inteligência da Segurança Pública do Estado.

    Carlos Vieira foi alvo de nove tiros de fuzil e pistola. Os policiais envolvidos na ocorrência afirmam que receberam a informação de que o suspeito estaria transportando drogas e, durante a abordagem, teria reagido.

    Desde o ano passado, o Ministério Público tenta obter as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na ocorrência. No último dia 5 de fevereiro, o promotor cobrou urgência na apresentação dos arquivos, alertando sobre possível prejuízo para as investigações.

    “Os autos revelam contornos de extrema gravidade. O que se iniciou como apuração de morte em intervenção policial transmuta-se, diante de novas informações, em investigação de possível execução sumária de um cidadão sem antecedentes criminais relevantes e sem qualquer vínculo com facções criminosas, conforme aponta a Ouvidoria da Polícia Militar”, disse o promotor.

    Bruno Grecco Cardoso acrescenta ainda que “a narrativa dos agentes públicos, que outrora gozava de presunção de legitimidade, encontra-se hoje sob severo xeque. A existência de 9 ferimentos perfurocontundentes, inclusive em regiões dorsais, somada ao evidente embaraço na entrega das imagens das câmeras corporais (COPs),aponta para uma tentativa deliberada de obstar o esclarecimento dos fatos”.

    O representante do MPSP disse que a demora na apresentação das imagens é um “indício de embaraço investigativo” e que “qualquer hiato ou edição nas imagens será interpretado como indício de fraude processual”.

    No dia seguinte à manifestação do promotor, a juíza Érica Pereira de Sousa, da 1ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba, deu 24 horas para que o Comando da Rota apresente as imagens da ocorrência, sob pena de busca e apreensão e apreensão e crime de desobediência. Não há informação sobre se a determinação foi cumprida até esta segunda-feira (9/2).

    “Sintonia final”

    O relatório interno compartilhado em grupos de WhatsApp da Polícia Militar diz que “Ferrugem” teria crescido rapidamente na facção e estaria envolvido inclusive com “rotas internacionais do tráfico” e com a distribuição de drogas e armas em larga escala.

    Para sustentar a tese de que Vieira seria uma liderança do PCC, foi mencionada uma investigação sobre tráfico de drogas que teve início em 2022. Vieira foi alvo, mas nada foi provado contra ele, e o caso foi arquivado.

    “Em que pese as diligências encetadas e o esforço policial, não foi possível apontar com segurança o envolvimento dos investigados na prática do delito de tráfico de drogas, tampouco que estavam agindo associados para a comercialização ilícita de entorpecentes”, diz a investigação.

    A suposta atuação no tráfico citada pela polícia parece ter surgido desse inquérito, que, na verdade, não comprovou qualquer crime.

    Outro Ferrugem

    O repórter Josmar Jozino, do UOL, publicou uma reportagem mostrando que o Ferrugem conhecido pelas autoridades carcerárias e apontado como de altíssima periculosidade chama-se Adilson da Daghia, 56. Ele foi condenado pelo assassinato do juiz Antônio Jose Machado Dias, o Machadinho, mas está foragido. A polícia, no entanto, nega ter confundido ambos Ferrugens.

    Após os questionamentos, porém, a polícia foi mudando de tom e a menção à liderança do PCC foi escanteada nos posicionamentos, embora o governo ainda acuse o homem de ser faccionado.

    Em relatório de inteligência ao qual o Metrópoles teve acesso, a PM afirma que a confusão foi provocada uma “divergência conceitual” sobre o que seria “sintonia”.

    Segundo o relatório, o termo “sintonia final”, que antigamente era usado para se referir aos chefões do PCC, teria sido “banalizado” pelos próprios criminosos e agora estaria sendo utilizado pelos criminosos em esferas regionais e até para se referir a lideranças de bairros e comunidades.

    Família

    Em uma postagem na rede social na época, uma familiar defendeu Vieira e contestou as informações divulgadas pela polícia. Segundo ela, “a famosa e cuja famosa ‘ficha cheia de passagens’ só existe na história que a TV contou”.

    Ela também descreveu o advogado como alguém que costumava ajudar sua comunidade e “era respeitado como advogado, empresário e pai”. “Era tão ‘temido’ que o bairro inteiro está de luto e completamente devastado com a sua partida”, escreveu.

    Na Junta Comercial, Vieira aparece como sócio de empresa do ramo de motocicletas em Itaquaquecetuba. Ele também aparece como inscrito na OAB, na subseção do Arujá, desde junho.

  • PCDF desmantela feira da droga, que desafiava autoridades à luz do dia. Veja vídeo

    PCDF desmantela feira da droga, que desafiava autoridades à luz do dia. Veja vídeo

    No curso da operação da PCDF, foram presas 15 pessoas, sendo 13 homens e duas mulheres, além da apreensão de seis adolescentes

  • "Maconha de 5, pó de 10": feira da droga lembra caso emblemático no RJ. Veja vídeo

    "Maconha de 5, pó de 10": feira da droga lembra caso emblemático no RJ. Veja vídeo

    Divulgação/PCDF
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    A “feira da droga” que foi desmantelada pela Polícia Civil do DF ( PCDF) na manhã desse domingo (8/2) lembrou o caso emblemático de uma reportagem produzida pelo jornalista Tim Lopes sobre o tráfico de drogas em bailes funk realizados em favelas no Rio de Janeiro (RJ). O jornalista foi assassinado em 2002 após ser descoberto por traficantes.

    As drogas eram comercializadas abertamente nos bailes funk da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, durante o ano de 2002.

    Operação Ílion

    A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu 15 pessoas e apreendeu seis adolescentes ligados à uma associação criminosa voltada ao tráfico de drogas que atuava na “Feira do Rolo”, localizada na Quadra 419 de Samambaia Norte (DF).

    Por volta das 9h desse domingo (8/2), a 26ª Delegacia de Polícia, com apoio da 32ª e 27ª Delegacias de Polícia, da Divisão de Apoio Logístico Operacional (DALOP), da Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Divisão de Operações Aéreas (DOA), deflagrou a Operação Ílion. Helicóptero, cães farejadores e viaturas deram apoio durante a operação.

    Veja vídeos da operação:

    No curso da operação, foram presas 15 pessoas, sendo 13 homens e duas mulheres, além da apreensão de seis adolescentes. Uma grande quantidade de drogas, facas e até machados foram apreendidos com os suspeitos.

    As investigações da PCDF tiveram início em outubro de 2025, quando se constatou que o grupo criminoso havia estruturado no local uma verdadeira “feira de drogas”, onde entorpecentes eram comercializados de forma ostensiva, ao ar livre, sendo as substâncias cortadas, fracionadas e embaladas no próprio local.

    Nas imagens é possível ver os traficantes agindo de forma tranquila, em meio à crianças, mulheres e idosos que frequentavam a feira para consumir alimentos e comprar roupas.

    Em determinado momento, uma viatura da Polícia Militar do DF (PMDF) passa em uma perto do local e nem a presença dos policiais é capaz de inibir a venda das drogas.

    Durante o monitoramento da área, verificou-se ainda que os investigados isolaram um perímetro onde a venda de drogas ocorria livremente, impedindo a circulação de frequentadores da feira, que eram ameaçados pelos integrantes da associação criminosa. As ameaças ocorriam com uso de facas e armas de fogo.

    A área isolada pelos traficantes era próxima de um veículo que eles usavam como “barreira” para que a comercialização de drogas não ficasse tão escancarada.

    Os maiores de idade foram autuados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção de menores, enquanto os adolescentes responderão por atos infracionais análogos aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

    Relembre o caso Tim Lopes

    O jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi assassinado em 2002 enquanto realizava uma reportagem investigativa na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ele apurava denúncias relacionadas ao tráfico de drogas, exploração sexual de menores e a atuação de criminosos em bailes funk na comunidade.

    Durante o trabalho, Tim Lopes foi descoberto, capturado por traficantes, torturado e executado. As investigações apontaram que o jornalista foi morto a mando de líderes do tráfico que atuavam na região.

    O assassinato do jornalista Tim Lopes foi encomendado por Elias Maluco, nome pelo qual ficou conhecido Elizeu da Paz de Souza, traficante que atuava na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão (RJ).

    Elias Maluco foi apontado pela Justiça como o mandante do crime e acabou condenado. Outros traficantes também participaram da captura, tortura e execução do jornalista e receberam penas de prisão.

  • Provocação, agressão e morte: a cronologia da tragédia que vitimou Rodrigo Castanheira

    Provocação, agressão e morte: a cronologia da tragédia que vitimou Rodrigo Castanheira

    Adolescente faleceu no sábado (7/2), duas semanas após ser agredido pelo piloto Pedro Turra, que está preso. Relembre todo o caso