Categoria: Teste

  • TSE vai gastar R$ 2 milhões com caixas de papelão para urnas

    TSE vai gastar R$ 2 milhões com caixas de papelão para urnas

    Rafaela Felicciano/Metrópoles
    Urna eletrônica

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende gastar R$ 2,193 milhões em caixas de papelão para o transporte das urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições nacionais deste ano.

    A licitação foi aberta pela Corte na terça-feira (20/1). O certame, segundo documentos obtidos pela coluna, prevê a compra de 12.850 caixas, cada uma com valor unitário de R$ 170,73.

    Segundo o tribunal, a compra é necessária porque é preciso repor as embalagens de alguns modelos de urna, sob o risco de dano aos equipamentos por causa de manuseio inadequado.

    “Apesar de as embalagens serem feitas de papelão, são consideradas itens duráveis. Todavia, diante do reiterado uso das urnas e de sua movimentação, as embalagens são passíveis de avarias, visto que são fabricadas em papelão ondulado e, com o uso, vão se deformando ou rasgando, a ponto de impossibilitar sua reutilização”, argumenta a Corte.

    Sobre o preço, o TSE diz que a fabricação das caixas para acomodar as urnas “não é trivial” e que elas têm de passar por “testes específicos” para averiguar sua “durabilidade, resistência ao manuseio e capacidade de proteção”.

    “Por outro lado, sua fabricação não é trivial, exigindo-se qualidade garantida por entidade competente, o que demanda testes específicos para verificação de sua durabilidade, resistência ao manuseio e capacidade de proteção das urnas eletrônicas”, diz o memorando do tribunal sobre a compra.

    Segundo o TSE, o estado que mais precisará repor as caixas é o Rio de Janeiro, para onde serão destinadas 3,2 mil unidades. Na sequência, aparece o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, com 1,1 mil caixas.

  • CPMI do INSS cogita ir ao STF para prorrogar os trabalhos, diz relator

    CPMI do INSS cogita ir ao STF para prorrogar os trabalhos, diz relator

    KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
    O deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, comissão durante o depoimento de Igor Dias Delecrode, ex-dirigente da Aasap Metrópoles 3

    Relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) afirmou à coluna que o Congresso Nacional vai  tentar prorrogar os trabalhos da comissão, atualmente previstos para serem encerrados em março.

    Segundo o parlamentar, os integrantes da CPMI não descartam a possibilidade de recorrer ao STF, caso a comissão não consiga garantir a prorrogação na volta do recesso parlamentar.

    “Temos muita coisa a fazer e sabemos que a pressão para não prorrogar os trabalhos será grande. Pode acontecer, inclusive, de acionarmos o Supremo para assegurar a prorrogação, porque existem todos os elementos que a justificam”, declarou.

    Ainda de acordo com Gaspar, o foco principal da comissão segue sendo a convocação do filho do presidente Lula, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

    Para o relator, embora a segunda fase da CPMI esteja concentrada na apuração de irregularidades envolvendo empréstimos consignados, a investigação sobre o entorno do chefe do Palácio do Planalto  deve ser mantida.

    “Não há como ofuscar esse ponto. Estamos tratando de duas situações distintas e igualmente graves, uma delas no entorno do gabinete presidencial”, afirmou.

    Como a coluna mostrou, integrantes do governo avaliam que Lula pode sair do centro da CPMI após o avanço das investigações relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master.

     

  • Resort ligado a Toffoli tem cassino com máquina de apostas e blackjack

    Resort ligado a Toffoli tem cassino com máquina de apostas e blackjack

    Sam Pancher / Metropoles
    Resort Tayayá em Ribeirão Claro (PR). Local pertenceu à família de Dias Toffoli.

    O Resort Tayayá, erguido em Ribeirão Claro (PR) pela família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriga um cassino. O estabelecimento está no centro de um escândalo que lançou desconfiança sobre a atuação de Toffoli no caso do Banco Master.

    O cassino tem entre seus atrativos máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado. No local, é possível jogar blackjack, modalidade de aposta com cartas proibida no Brasil. Todos os jogos são valendo dinheiro.

    Em Ribeirão Claro, o local é conhecido como o “resort do Toffoli”. A coluna se hospedou no hotel nesta semana e, embora o nome do ministro não conste em documentos oficiais, funcionários tratam Dias Toffoli como o proprietário.

    No final do ano passado, Toffoli fechou o resort para uma festa para familiares e convidados. Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista.

    Antes disso, ações do hotel foram adquiridas por um fundo que tinha como investidor o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Toffoli é o relator, no STF, de investigação envolvendo o banco. Também já atuou em processos da J&F.

    Funcionários do hotel disseram à coluna que o evento de Toffoli, no final de 2025, mobilizou toda a equipe do resort. O festejo contou com a presença de artistas e do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Fenômeno.

    Um funcionário publicou uma foto de Ronaldo no local, mas a apagou posteriormente. Na festa promovida por Toffoli, Ronaldo teria inaugurado a área de jogatina. Ele é jogador profissional de pôquer, modalidade legalizada no Brasil.

    O cassino dispõe de 14 máquinas de vídeo loteria. Na prática, as apostas funcionam como caça-níqueis, mas são regulamentadas pelo governo do Paraná. O ambiente tem iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, reproduzindo a estética de casas de apostas no exterior.

    O Metrópoles esteve no local sem se identificar. Os repórteres foram convidados a participar, após o horário oficial de fechamento, às 23h, de outros tipos de jogos, como blackjack. Nessa modalidade, o jogador disputa contra o “dealer” para que a soma dos pontos das cartas se aproxime de 21. Esse tipo de jogatina, valendo dinheiro, não é legal no Brasil.

    O cassino funciona sem controle de entrada. A reportagem flagrou crianças nas máquinas caça-níqueis em duas ocasiões. Elas estavam entre adultos que consumiam bebidas alcoólicas.

    Toffoli votou no STF a favor dos jogos de azar

    Jogos de azar presenciais são proibidos no Brasil. Em 2020, contudo, uma decisão do Supremo (na ADPF 492) permitiu que os estados explorassem as chamadas “vídeo loterias” (equivalente a caça níquel). Este é o nome técnico das maquininhas disponibilizadas no Resort Tayayá.

    Sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, o STF entendeu que não há exclusividade da União para a exploração dessas atividades. O ministro Dias Toffoli acompanhou o voto do relator.

    Apesar da legalização das vídeo loterias, a prática de jogos de azar, como partidas com a presença de dealers e jogos de cartas com apostas em dinheiro, não é autorizada pela legislação nacional, permanecendo ilegal à luz das normas atuais.

    “Resort do Toffoli”

    Dias Toffoli vai com frequência ao Resort Tayayá. O ministro dispõe de uma casa em uma área denominada Ecoview, destinada a hóspedes de alto padrão. Ele tem também à sua disposição uma embarcação, que fica atracada no píer do resort.

    Outra residência dentro do hotel é utilizada por José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro.

    José Carlos e outro irmão do ministro, José Eugênio, foram sócios de uma incorporadora avaliada atualmente em R$ 30 milhões. Essa incorporadora foi responsável pela construção dos apartamentos do resort. Antes dos negócios milionários no ramo hoteleiro, José Carlos era padre.

    Colegas de Toffoli no Supremo já se hospedaram no Tayayá. Funcionários citam, por exemplo, a ministra Cármen Lúcia.

    O resort fica às margens da represa de Xavantes, próximo à divisa do Paraná com o estado de São Paulo. As diárias chegam a R$ 2 mil nos apartamentos mais simples. O lugar chama atenção pela arquitetura rústica — estilo que, segundo funcionários, agrada ao “Zé”, como o ministro é chamado.

    A estrutura de lazer inclui seis piscinas, sendo três aquecidas, quadras de tênis e de beach tennis, além de atividades recreativas para crianças.

    O acesso ao resort exige logística. Para chegar por via aérea, o hóspede precisa de um voo fretado até a cidade de Ourinhos (SP), seguido de um voo de helicóptero.

    Advogado nega ter cassino no resort

    Procurado, Paulo Humberto negou que o resort ofereça jogos ilegais.

    “Em relação à jogatina, os jogos existentes no Tayayá são autorizados pela loteria do estado. Quanto aos jogos de cartas, as mesas disponíveis são para diversão dos próprios hóspedes, que jogam de truco a pôquer. Não há interferência nem incentivo à jogatina”, afirmou.

    O ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.

  • "Matei minha mãe", confessou jovem após esfaquear a genitora no Guará

    "Matei minha mãe", confessou jovem após esfaquear a genitora no Guará

    Arthur de Souza/ Metrópoles
    Van do IML estacionada em frente a um prédio no Polo de Modas, no Guará - Metrópoles

    O jovem universitário que matou a própria mãe a facadasna noite dessa terça-feira (20/1), na rua 10 do Polo de Modas, na QE 40 do Guará II (DF), assumiu ter cometido o crime minutos depois para a própria avó: “Matei a minha mãe”.

    Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, 23 anos, (foto em destaque) é estudante do 5º semestre de Economia na Universidade de Brasília (UnB). Segundo a avó dele, que preferiu não se identificar, o jovem enfrenta uma depressão profunda e era displicente com os medicamentos. “Passava alguns dias sem tomar”, disse.

    “Era uma pessoa normal. Nunca teve discussão em casa com ninguém, nunca maltratou ninguém. Hoje foi um dia que ele passou até bem. Saiu do quarto, almoçou”, relembra a avó.

    Segundo ela, Maria Elenice de Queiroz, 61, chegou em casa por volta das 20h30, deixou a bolsa sobre a mesa da sala e foi ao quarto ver o filho, como era de costume. “Aí eu ouvi uns gritos, depois de 1 minuto. Mas pensei que pudesse ser a menina do andar de baixo, que costuma gritar enquanto brinca com o irmão. Foi quando ele saiu do quarto e falou: ‘Eu matei a minha mãe, com uma faca’”, detalha a familiar.

    Ainda em choque, a mulher disse gritou por ajuda e, em seguida, perguntou ao jovem: “Meu filho, para que você fez isso com a pessoa que mais te ama?”. E, de pronto, ele respondeu: “Ah, vó. Foi um surto”.

    Vinícius foi preso em flagrante pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Segundo a PM, ele estava sentado no sofá de casa quando os militares adentraram o apartamento da família. O estudante demonstrou frieza perante os PMs. “A polícia subiu e, quando chegou na porta, deu de cara com o autor, tranquilo no sofá”, comenta o tenente Ricardo.

    Maria Elenice de Queiroz, 61, foi atingida com o golpe de faca na região do pescoço. “A vítima estava em parada cardiorrespiratória, e não resistiu aos ferimentos, mesmo diante os esforços dos militares em reanimá-la”, informou o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), que esteve no local, na tentativa de socorrer a mulher.

    O Instituto Médico Legal (IML) removeu o corpo da vítima às 23h50. O local passou por perícia. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), que investiga o caso.

  • Entenda como a polícia investiga técnicos suspeitos de matar pacientes. Veja vídeo

    Entenda como a polícia investiga técnicos suspeitos de matar pacientes. Veja vídeo

    Reprodução/Web
    Técnicos de enfermagem

    Era 23 de dezembro de 2025 quando a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) recebeu uma denúncia totalmente fora do comum: um hospital particular do DF apontava três técnicos de enfermagem como suspeitos de assassinatos ocorridos em quartos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição.

    O início da investigação

    A primeira suspeita partiu do próprio hospital. Em nota, a instituição informou ter identificado circunstâncias atípicas relacionadas à atuação de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos, respectivamente — todos técnicos de enfermagem.

    Com base nas evidências obtidas a partir de uma investigação interna, o hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição.

    A ação da PCDF

    Após tomar conhecimento da suspeita de crimes cometidos dentro da unidade de saúde, a PCDF recolheu imagens do circuito interno de segurança, ouviu testemunhas e manteve troca constante de informações com o hospital.

    Com o inquérito em estágio avançado, a primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 12 de janeiro deste ano, resultando na prisão de dois dos investigados.

    Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.

    Na última quinta-feira (15/1), um terceiro mandado de prisão temporária foi cumprido contra uma investigada. Novas apreensões de dispositivos eletrônicos ocorreram em Ceilândia e Samambaia.

    Celulares como ferramenta na investigação

    Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os celulares dos técnicos de enfermagem foram apreendidos. Os aparelhos, encaminhados ao Instituto de Criminalística da PCDF, passarão por análises periciais.

    O objetivo da quebra de sigilo é acessar pesquisas realizadas e possíveis trocas de mensagens entre os suspeitos. A análise também deve auxiliar a polícia a identificar se houve outras vítimas, além das três mortes já confirmadas.

    “Ao término do inquérito principal, que apura as três mortes, vamos instaurar um novo inquérito policial para investigar outras possíveis mortes ocorridas durante os plantões dos suspeitos, não apenas no Hospital Anchieta, mas também em outras unidades de saúde onde eles tenham atuado ao longo da carreira”, afirmou o delegado Maurício Iacozzilli.

    Segundo o delegado, será realizado um cruzamento de dados com óbitos registrados nos dias de plantão dos investigados para verificar se há similaridade com os homicídios já constatados.

  • Delegacias criam força-tarefa para investigar atentados a ônibus no DF

    Delegacias criam força-tarefa para investigar atentados a ônibus no DF

    HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
    ataque onibus urbi 8

    As delegacias da Polícia Civil do Distrito Federal (DF) se dividirão para investigar os ataques simultâneos contra 57 ônibus da empresa Urbi ocorridos na última quinta-feira (15/1) nas regiões de Taguatinga, Recantos das Emas, Ceilândia e Samambaia (DF). Até o momento, nenhuma prisão de suspeitos identificados foi confirmada.

    Inicialmente, os ataques foram investigados pela 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), mas havia a possibilidade de transferir o caso para outra DP já que os ataques foram simultâneos em várias regiões do DF, e os registros policiais foram feitos em várias delegacias.

    “As investigações estão a cargo das respectivas delegacias responsáveis pelas áreas onde os fatos ocorreram, todas atuando de forma coordenada, com acompanhamento do Departamento de Polícia Circunscricional e apoio da inteligência da PCDF”, confirmou a PCDF.

    A PCDF ressaltou que o trabalho investigativo está sendo conduzido de maneira integrada, com o objetivo de organizar e centralizar as informações, identificar a dinâmica dos crimes, apurar eventual conexão entre os fatos e responsabilizar os autores. Durante as investigações, os agentes também mantêm contato com a Urbi para coleta de dados e elementos que auxiliem na apuração.

    A Polícia Civil do DF também destacou que todas as ocorrências estão sendo tratadas com prioridade e que novas informações serão divulgadas oportunamente, à medida que houver avanços consistentes na investigação.

    Na última sexta-feira (16/1), o secretário Zeno Gonçalves garantiu que alguns dos autores dos ataques já foram identificados pelas câmeras de segurança.

    “Nós temos as imagens dos ônibus, as câmeras dos ônibus e temos também os dados de GPS com a localização exata de quando ocorreram essas ocorrências. Então o que nós vamos fazer é pegar todos esses dados, essas informações, passar para a Polícia Civil. Já identificamos alguns desses criminosos e com essas informações e o monitoramento de algumas postagens em redes sociais, nós conseguiremos identificar e prender todos esses criminosos”, reforçou.


    Entenda


    Zeno acredita que os ataques podem ter sido motivados por demissões de funcionários da Urbi e também por brigas dentro do sindicato dos rodoviários.

    A hipótese do secretário é uma das linhas de investigação da Polícia Civil do DF (PCDF). O sindicato dos rodoviários, no entanto, nega e que haja relação e, em nota, repudiu os ataques.

    A Urbi, empresa que foi alvo dos ataques, informou que não houve demissões em massa. Mas esclareceu que três funcionários foram desligados na última sexta-feira (9/1).

    Do total, 47 dos 57 ônibus atingidos já voltaram a funcionar ainda na sexta-feira (16/1) e não houve impacto no itinerário dos ônibus. A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) monitora e está prestando informações sobre o caso.

  • CPMI do INSS: pastor alvo de Damares é suspeito em esquema de pirâmide

    CPMI do INSS: pastor alvo de Damares é suspeito em esquema de pirâmide

    Reprodução/Instagram
    Foto do pastor Carlos Belluci em culto na Sete Church

    Alvo de requerimento na CPMI do INSS, o apóstolo Cesar Belluci (foto em destaque), da Sete Church, é réu em uma ação movida por pessoas lesadas em um suposto esquema de pirâmide que pode ter desviado R$ 70 milhões mediante promessas não cumpridas de investimentos em criptomoedas.

    Na semana passada, Belluci foi citado, entre outros evangélicos, em meio a uma briga entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia. A parlamentar, integrante da comissão, divulgou uma lista de evangélicos envolvidos na investigação após ser desafiada por Malafaia.

    A CPMI do INSS foi instalada após a Polícia Federal (PF) deflagrar a operação Sem Desconto, em abril do ano passado, que teve como base a série de reportagens do Metrópoles que revelou fraudes em descontos na folha de pagamento de pensões e aposentadorias do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

    Alguns dos investigados da farra do INSS eram fiéis da Sete Church. Um deles fez um Pix de mais de R$ 120 mil à igreja —  a transação aparece em um relatório de inteligência financeira (RIF), enviado à CPMI. Outro investigado teria pago dízimos recorrentes a partir de 2022 (ano em que o esquema de pirâmide com criptomoedas foi descoberto) e doado uma BMW e um Rolex à Sete Church.

    Como era o esquema

    Em meados de 2021, a empresa Ever Operações e Investimentos vendeu bitcoins com promessa de retorno entre 4% e 8% ao mês. O contrato, de um ano, retinha o aporte nos primeiros seis meses.

    Os primeiros rendimentos foram pagos para os investidores até que, em fevereiro de 2022, um comunicado menciona que a distribuição será paralisada por conta de uma “considerável instabilidade do mercado de criptoativos”.

    Na época, dois sócios da Ever, Carlos Henrique de Camargo e Edson Lara, foram alvos de operação e prestaram depoimentos à Polícia Civil. Um terceiro sócio, Meldequias Vasconcelos, não foi encontrado.

    Ao Metrópoles, Camargo afirmou ter apresentado à Justiça mais de 500 documentos que provam sua inocência. Ele alega que a responsabilidade pelo prejuízo aos investidores é de Meldequias Vasconcelos.

    “Edson e eu fomos presos em flagrante, humilhados, tivemos nossas contas congeladas, residências invadidas e bens sequestrados. Meldequias permaneceu solto, navegando entre suas operações fraudulentas sem sofrer qualquer prisão preventiva ou medida cautelar”, lamentou Camargo.

    Em depoimento à Polícia, Camargo e Lara disseram que Vasconcelos desviou R$ 6 milhões da Ever e o homem contratado para auditar as contas, que encontrou o rombo provocado por Vasconcelos, roubou 120 dólares dos empresários.

    A denúncia contra o apóstolo

    Segundo o advogado Ricardo Nacale, que entrou com ação para reaver os valores de ao menos duas vítimas, o apóstolo Belluci tinha uma empresa para blindar o patrimônio de Vasconcelos. Nacale diz que eles eram sócios na BVK Invest – Belluci Vasconcelos Invest Ltda.

    De acordo com a denúncia, os demais sócios tinham aberto empresas com o mesmo objetivo e tinham as esposas como sócias.

    “Por fim, é também nítida a participação dos Requeridos VIRGÍNIA, PENÉLOPE e CESAR no esquema, eis que ‘emprestaram’ o nome para a constituição das empresas MALU-VIGO, ROMALAR e BVK INVEST, em que foram distribuídos os bens adquiridos com os recursos de todos os consumidores lesados. Assim, na condição de partícipes do esquema, devem também ser responsabilizados”, diz o advogado.

    Nos autos, a defesa de Belluci disse que o apóstolo conheceu Meldequias Vasconcelos na igreja e que eles abriram uma empresa juntos. Após abril de 2021, Vasconcelos se afastou, segundo os autos. O sócio diz que só ouviu falar novamente de Vasconcelos quando a imprensa começou a divulgar a participação dele no esquema fraudulento.

    Ao Metrópoles, o advogado de Belluci disse que o apóstolo também é vítima do esquema e que a empresa dele com Vasconcelos nunca foi usada.

    “A Justiça já afastou a narrativa que busca associar César Belluci aos eventos questionados, reconhecendo sua total desvinculação das operações investigadas e a inexistência de qualquer benefício ou participação nos episódios narrados”, diz o advogado em nota.

    A reportagem tentou entrar em contato com os advogados dos demais réus, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

    A briga de Malafaia e Damares

    Damares disse, em entrevista ao SBT News, que igrejas evangélicas foram identificadas “nos esquemas de fraudes aos aposentados”, o que provocou a reação de Malafaia em um vídeo nas redes sociais em que ele se dirigiu à senadora.

    “Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria”, desfiou Malafaia. “Se não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tem, denuncie pelo bem da igreja evangélica”, acrescentou.

    Como resposta, a senadora publicou uma lista com nomes de pastores, requerimentos de convite ou convocação à CPMI e igrejas que receberam transferências bancárias de investigados no esquema.


    Veja lista divulgada por Damares:

    Igrejas

    Pastores


    Belluci, um dos listados por Damares, se tornou alvo da CPMI após o Metrópoles mostrar a relação do pastor com Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil.

    A associação faz parte de um grupo de quatro entidades sediadas em Alphaville, bairro nobre de Barueri, na Grande São Paulo, que arrecadou R$ 700 milhões com descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

  • Pacientes tiveram melhora antes de serem mortos por técnicos em UTI

    Pacientes tiveram melhora antes de serem mortos por técnicos em UTI

    Arte/Metrópoles
    José Clemente e Marcos Moreira, vítimas de técnicos de enfermagem em UTI

    Familiares de duas das vítimas mortas por técnicos de enfermagem dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, relataram ao Metrópoles que, durante o período de internação, foi observada uma melhora no quadro clínico dos pacientes antes da morte. A ação criminosa dos técnicos foi descoberta pela própria unidade de saúde e denunciada à polícia civil.

    Segundo as famílias de Marcos Moreira (33 anos) e João Clemente (63 anos) os pacientes nunca apresentaram comorbidades ou problemas cardíacos, além de durante o período de internação, receberem relato de melhora nos quadros de saúde.

    A família de Marcos Moreira chegou a ser comunicada sobre a decisão dos médicos de iniciar a diminuição da sedação e medicação, para que o paciente pudesse ser extubado em breve. O que não ocorreu, de fato. 

    Já a família de João Clemente relatou ter desconfiado desde o início de algum tipo de erro, uma vez que durante a internação os médicos relatavam melhoras do paciente. 

    “Os médicos falavam que todo dia ele melhorava um pouquinho. Ele estava se recuperando. A gente não imaginava que ia ter esse desfecho, que ele ia ser assassinado dentro do hospital. Desde o começo eu desconfiei, mas achei que era um erro médico e não um assassinato”, declarou Valéria Leal, filha de João Clemente.

    Desconfiada, a família solicitou o prontuário ao hospital logo após a morte.

    “Uma das coisas que trouxe desconfiança pra gente, foi a forma como ele faleceu, porque não tinha nada que justificasse ele ter tido essa parada cardíaca, ele não tinha nenhuma cardiopatia, algo que fosse compatível com o que aconteceu. A complicação que ele teve foi relacionada ao pulmão. Não o coração. Toda a família e os amigos, todo mundo realmente foi pego de surpresa com a morte dele”, afirmou

    Quase dois meses após a morte do pai, a filha de José Clemente recebeu uma chamada do hospital pedindo uma reunião presencial. Na ocasião, a equipe informou à família que havia detectado que a morte do paciente poderia ter sido criminosa.

    A comissão de óbito do Hospital Anchieta, onde José Clemente estava internado — e já havia passado em outras ocasiões sem qualquer intercorrência — observou um padrão atípico em três mortes e abriu uma investigação interna. Após observar a ação de três técnicos, o caso foi levado à polícia que investigou e prendeu os suspeitos.

    “Não é fácil vir a público, se expor, falar disso, porque a gente está passando por um momento muito difícil, mas é necessário porque a gente tá procurando justiça. Alguma coisa tem que mudar”, cobrou Valéria.


    Entenda o caso

    “O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

    Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

    Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

    Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

    O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

    O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”

  • O que está por trás da briga entre Damares e Malafaia na Farra do INSS

    O que está por trás da briga entre Damares e Malafaia na Farra do INSS

    Reprodução
    damares-malafaia

    Um desafio do pastor Silas Malafaia à senadora Damares Alves (Republicanos-SP) acabou na exposição de uma lista consolidada de pastores e igrejas que estão investigadas na CPMI do INSS.

    A comissão parlamentar foi instalada após operações da Polícia Federal (PF) que tiveram como base uma série de reportagens do Metrópoles que revelou a fraude de associações em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

    Embora Damares tenha divulgado a lista de evangélicos investigados na semana passada, a rusga entre Malafaia e a senadora é antiga.

    De acordo com um pastor com trânsito no Congresso ouvido pelo Metrópoles, a disputa remonta ao começo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tem como pano de fundo outro senador.

    À época, o senador Magno Malta (PL-ES), aliado de Malafaia, não foi eleito pelo Espírito Santo e não foi chamado a nenhum cargo no governo Bolsonaro, enquanto Damares ganhou um ministério. Segundo o interlocutor, essa disputa por espaço respinga até hoje.

    A briga de Malafaia e Damares

    Damares disse, em entrevista ao SBT News, que igrejas evangélicas foram identificadas “nos esquemas de fraudes aos aposentados”, o que provocou um vídeo de Malafaia, nas redes sociais, em que ele se dirigiu à senadora.

    “Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria”, desfiou Malafaia. “Se não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tem, denuncie pelo bem da igreja evangélica”, acrescentou.

    Como resposta, a senadora publicou uma lista com pastores, com requerimentos de convite ou convocação à CPMI, e igrejas que receberam transferências bancárias de investigados no esquema.


    Veja lista divulgada por Damares 

    Igrejas

    Pastores

  • Médico que matou colegas espancou sobrinha com chutes na cabeça

    Médico que matou colegas espancou sobrinha com chutes na cabeça

    Material cedido ao Metrópoles
    Rosto do médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho - Metrópoles

    O médico preso por matar dois colegas de profissão em Barueri, na Grande São Paulo, tem diversas passagens por violência doméstica e já espancou uma sobrinha com chutes e socos durante um encontro de família no Guarujá, litoral do estado. A vítima, que na época tinha 26 anos e morava com o tio, começou a ser agredida após tentar impedi-lo, embriagado, de agredir o próprio filho.

    Carlos Alberto Azevedo Silva Filho (foto de destaque), de 44 anos, está preso desde a noite da última sexta-feira (16/1), quando baleou e matou os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43, Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, em frente a um restaurante. Antes disso, dentro do estabelecimento, ele havia discutido e trocado socos com os colegas. Uma das linhas de investigação é que o desentendimento tenha sido motivado por disputas contratuais, já que Carlos Alberto e Luís Roberto são donos de empresas que prestam serviços hospitalares.

    O espancamento da sobrinha ocorreu em maio de 2024, quando Carlos Alberto e a sobrinha foram visitar o filho dele. Em depoimento na época, a vítima disse que o tio tinha problemas psiquiátricos e que os dois já haviam se desentendido. A ex-mulher dele, que estava presente no momento das agressões, afirmou que foi ameaçada de morte por Carlos Alberto. Após o ocorrido, a mulher obteve na Justiça uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que ficou impedido de manter contato com ela.

    Em sua versão, o médico diz que se reuniu com os familiares para mobiliar o apartamento do filho, e que a discussão teria começado “por motivos fúteis”. Segundo ele, “no ápice da discussão”, a sobrinha teria atirado uma garrafa na cabeça dele, o que teria provocado um corte. O homem disse que teria apenas revidado.

    O caso acabou arquivado, a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), porque os envolvidos não realizaram exame de corpo de delito para documentar as agressões, ainda que a sobrinha de Carlos Alberto tenha apresentado à polícia fotos dos hematomas que teriam sido provocados pelo tio.

    “Da análise da prova colhida em sede policial, não é possível concluir, de forma suficientemente segura para o oferecimento de denúncia, como se deu a dinâmica dos fatos, porquanto ausentes elementos probatórios nesse sentido. Haja vista as versões controversas das partes envolvidas”, afirmou a promotora Juliana Montezuma Lacerda Haddad, em 7 de novembro de 2024.

    “Fato pessoal”

    Em comunicado divulgado à imprensa após o duplo homicídio, a empresa de Carlos Alberto, Cirmed Serviços Médicos, disse que o desentendimento entre ele e os colegas aconteceu “em âmbito estritamente pessoal” e que o ocorrido não representa os valores da empresa.

    “A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas”, disse a Cirmed Brasil.

    De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelas investigações, os médicos Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, autor do crime, e Luís Roberto Pellegrini Gomes, uma das vítimas, são donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar. “Eles disputavam esses contratos”, disse o delegado ao Metrópoles, sem especificar quais contratos estariam em disputa.

    O terceiro médico envolvido, Vinicius dos Santos Oliveira, seria um funcionário de Luís Roberto e estava com ele no restaurante quando Carlos Alberto chegou ao local. Ele também foi morto a tiros.

    Como detalhado pelo Metrópoles, a Cirmed tinha contratos com a organização social de saúde Fundação ABC para gerir hospitais em São Bernardo do Campo. A organização foi apontada pela Polícia Federal (PF) como um instrumento em um esquema de propina envolvendo o prefeito afastado Marcelo Lima (Podemos). A Cirmed não foi citada na investigação.

    Médico mata 2 colegas de profissão

    Câmeras de segurança flagraram (veja abaixo) o momento em que o médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, matou dois colegas a tiros em frente a um restaurante de luxo na Avenida Copacabana, na noite de sexta-feira. O homem foi preso em flagrante. As vítimas — Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 — conheciam o atirador.

    Nas filmagens, é possível ver o início da briga, dentro do estabelecimento. Carlos Alberto chega, cumprimenta a dupla com apertos de mão e dá início a uma discussão. Em dado momento, ele dá um tapa em uma das vítimas, que estava sentada. Na sequência, a outra vítima, que assistia à cena, revida com diversos socos.

    Outra gravação, feita do lado de fora do restaurante, mostra Luís Roberto e Vinicius caminhando no estacionamento do estabelecimento, quando Carlos Alberto aparece por trás e começa a atirar.

    De acordo com a decisão que determinou a prisão preventiva de Carlos Alberto, guardas civis municipais de Barueri foram acionados para o restaurante antes dos disparos, após serem alertados de que havia um indivíduo armado no local.

    Na ocasião, foi realizada uma busca pessoal no suspeito, e nenhuma arma foi encontrada. Ele apresentou aos agentes marcas das agressões sofridas e disse que iria embora. No entanto, momentos depois, ele surgiu com a arma atirando. Segundo testemunhas, o objeto teria sido entregue a Carlos Alberto por uma mulher.