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  • Ministros de Lula defendem prisão domiciliar para Bolsonaro

    Ministros de Lula defendem prisão domiciliar para Bolsonaro

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    Bolsonaro chega a hospital para fazer exames - Metrópoles

    Parte dos ministros do governo Lula passou a defender, nos bastidores, que o ministro do STF Alexandre de Moraes autorize ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a cumprir prisão em regime domiciliar.

    A coluna ouviu nos últimos dias, sob reserva, ao menos três ministros de Lula que defenderam que Bolsonaro passe a cumprir em casa a pena à qual foi condenado no chamado inquérito do golpe.

    A avaliação desses ministros é de que Moraes deveria transferir Bolsonaro para domiciliar por “coerência”, uma vez que ele concedeu o mesmo benefício ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. 

    “Por que o Collor está em casa e ele (Bolsonaro) não? Precisa ter coerência”, afirmou à coluna, sob reserva, um influente ministro que despacha diariamente com Lula.

    Para outro ministro, Bolsonaro precisa ter o benefício por ser ex-presidente da República. “O cara é ex-presidente, tem que ter algum grau de diferenciação mesmo”, avaliou esse auxiliar de Lula.

    Desde a quinta-feira (22/1), Bolsonaro cumpre a pena na chamada “Papudinha”, batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal localizado dentro do Complexo da Papuda, em Brasilia.

    Familiares e aliados de Bolsonaro, contudo, seguem defendendo que o ex-presidente vá para prisão domiciliar. O principal argumento seria a saúde debilitada do ex-mandatário.

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    Como o Master tranformou R$ 150 milhões em R$ 17 milhões do RioPrevidência

    Fundo de previdência do Rio perdeu R$ 133 milhões em investimento ligado à Ambipar sob investigação da CVM

  • O que se sabe e o que falta saber sobre as mortes em série em hospital

    O que se sabe e o que falta saber sobre as mortes em série em hospital

    Arte/Metrópoles
    Vítimas técnicos enfermagem hospital anchieta

    Três técnicos de enfermagem do Distrito Federal foram presos pela Polícia Civil (PCDF), acusados de matar três pacientes do Hospital Anchieta, em Taguatinga, entre novembro e dezembro de 2025.

    Os casos, divulgados nesta segunda-feira (19/1), são tratados como homicídios e estão no centro da Operação Anúbis, que significa o deus egípcio da morte, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). A motivação ainda é investigada.

    Os suspeitos de cometerem os crimes são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Eles teriam matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, 75.

    Além da substância letal, que também foi aplicada em João e Marcos, a professora aposentada também teve desinfetante introduzido em sua veia, de acordo com a investigação. A vítima recebeu, por “pelo menos 10 vezes”, o produto.

    Segundo a investigação, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.

    O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, disse que os três suspeitos foram extremamente frios. “Quando mostramos os vídeos não esboçaram nenhuma reação e nenhum arrependimento. Frieza total”, destacou.

    O caso foi denunciado às autoridades pelo próprio hospital, após a unidade de saúde observar circunstâncias atípicas relacionadas ao trio na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.


    Entenda o caso


    A PCDF vai elaborar pelo menos 20 laudos sobre as três mortes ocorridas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). A corporação vai analisar se houve, dentro do período de um ano, outros óbitos em circunstâncias parecidas com a das três vítimas — que tiveram mortes abruptas após aplicação de uma substância letal.

    Manifestações

    O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) disse, por meio de nota, que “está acompanhando o caso e instaurou procedimento de apuração para verificar eventuais implicações éticas relacionadas à conduta de profissionais de enfermagem possivelmente envolvidos, adotando as providências cabíveis no âmbito de sua competência legal”.

    Já o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Distrito Federal (Sindate-DF), se colocou à disposição para prestar o apoio necessário aos profissionais, dentro dos limites legais e institucionais. “O Sindate reafirma seu compromisso com a ética, a valorização da categoria e o respeito à vida, confiando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

  • Saiba quem são os playboys flagrados fazendo racha em área nobre do DF

    Saiba quem são os playboys flagrados fazendo racha em área nobre do DF

    Redes sociais
    luan-petrolhead

    O influenciador digital que se filmou disputando um racha à luz do dia, no Lago Sul (DF), e o passageiro do veículo em que o influencer estava foram identificados.

    Eles fizeram questão de registrar o próprio crime de trânsito, como mostra o vídeo acima.

    O motorista da Ferrari 458 Italia vermelha é Luan Marques Galasso (foto em destaque), de 29 anos. Luan é idealizador de um canal que compartilha vídeos de manobras, corridas, detalhes de carros superesportivos, entre outros conteúdos. O rachador soma quase 3 milhões de seguidores nas redes sociais.

    O passageiro que está na Ferrari no vídeo acima é, na verdade, o dono do veículo, conforme apurou a coluna Na Mira. Morador do Distrito Federal, Wesley Araújo (foto abaixo) é empresário, tem 28 mil seguidores no Instagram e se autointitula “Pai do Consórcio”. Ele compartilha fotos e vídeos de viagens e conteúdos sobre investimentos financeiros.

    O carro que disputa o racha com a Ferrari parece ser uma BMW M850i azul. O motorista e o dono do veículo não foram identificados até a última atualização desta reportagem.

    “Vou sair moendo”

    As imagens, gravadas em meados de dezembro de 2025, mostram a Ferrari e a BMW paradas em um semáforo próximo ao Centro Comercial Gilberto Salomão. O motorista da Ferrari chega a pedir licença a um motociclista ao lado.

    “Vai um pouquinho mais para lá, que eu vou sair moendo”, grita o indivíduo, enquanto o passageiro da Ferrari reforça o pedido. O semáforo libera o trânsito, e os veículos disparam em alta velocidade, pareados um ao outro.

    Para não causar um acidente, a Ferrari precisa desviar de outros carros que passavam pela via e não tinham relação com o racha. Eles seguem comemorando a disputa: “Sensacional”, diz o motorista.

    Um passageiro na Ferrari também filma o racha. “Para quem não sabe, mano, essa BMW tem 800 cavalos”, vangloria-se. “Aqui [na Ferrari] são 570 [cavalos], ali [na BMW] tem 800”.

    Racha é crime?

    artigo 308 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), vigente em território nacional desde 1997, diz que participar de racha é crime de trânsito, cuja pena é detenção de seis meses a três anos, além de multa de quase R$ 3 mil e suspensão da carteira de habilitação.

    O racha pode levar a até 10 anos de reclusão caso gere lesão corporal grave ou morte.

    Outro lado

    Em resposta à reportagem, o empresário Wesley Araújo confirma ter emprestado a Ferrari para o youtuber “mostrar a reação dele ao dirigir o carro”, declara que o vídeo foi gravado em meados de dezembro e ressalta que estava no veículo como passageiro. Wesley nega que a ação tenha sido um racha e afirma que Luan “não excedeu o limite de velocidade”.

    “Barulho não condiz com velocidade, ele apenas testou um controle de largada do carro”, completa. “Logo após que ele sai do semáforo, ele diminui o giro do carro e segue viagem normal”, diz Wesley.

    O empresário também critica a superexposição das imagens. “Por ter sido uma Ferrari e um youtuber famoso, viralizou”.

    O Metrópoles tentou contato com Luan e aguarda retorno.

  • Filha diz como pai estava antes de ser morto por técnico de enfermagem

    Filha diz como pai estava antes de ser morto por técnico de enfermagem

    Material cedido ao Metrópoles
    Vítima técnico de enfermagem hospital

    João Clemente Pereira (foto em destaque), 63 anos, passou por cirurgia no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), e “apresentava melhora” antes de ser morto por técnicos de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

    Ao Metrópoles Valéria Leal Pereira, filha da vítima, contou que o pai foi ao hospital em 4 de novembro de 2025 depois de apresentar dores na cabeça. Médicos constataram que ele apresentava um coágulo na parte superior do crânio, e teria de ser submetido a uma cirurgia.

    Após o procedimento, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, foi internado na UTI, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sem motivo aparente, ele sofreu quatro paradas cardíacas e morreu.

    “Ele entrou no hospital andando. Saiu daqui de casa dirigindo e tudo normal. Antes do procedimento, ele nos recebeu para falar que ficaria tudo bem. Porém, foi assassinado”, declarou Valéria.

    João Clemente era servidor da Caesb e se aposentaria em dois anos. Ele deixa a esposa, dois filhos e um neto.

    Embora a polícia não tenha revelado a identidade das vítimas, o Metrópoles apurou quem são os mortos na ação criminosa cometida pelos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (à esquerda na foto abaixo), Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva (à direita).


    Entenda o caso


    Outras vítimas

    Outra vítima do trio é Marcos Moreira, de 33 anos. Ele era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos.

    Marcos deu entrada na UTI do Anchieta com dores abdominais e morreu no dia 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.

    Em entrevista ao Metrópoles, a esposa de Marcos afirmou que a notícia da morte do marido foi recebida com muita surpresa. “Ele chegou consciente e conversando normalmente com a equipe médica. Foi um choque”, disse a mulher.

    Outra vítima do trio foi a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos. Ela morreu após um dos investigados usar uma seringa para aplicar desinfetante na veia dela.

    Segundo o delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, a vítima recebeu “pelo menos 10 vezes” o produto. Miranilde teve o óbito declarado em 17 de novembro de 2025.

    Segundo uma publicação feita pelo Sindicato dos Professores (Sinpro) à época, a idosa era lotada na Regional de Ensino de Ceilândia, lecionando a disciplina de atividades na Escola Classe 3.  A professora deixou três filhos, uma filha, duas netas e cinco netos.

    A Polícia Civil (PCDF) agora investiga pelo menos 20 outros atestados de óbito em hospitais do Distrito Federal.

  • Namorado de delegada faz apologia ao PCC nas redes, diz polícia

    Namorado de delegada faz apologia ao PCC nas redes, diz polícia

    Reprodução/Redes Sociais
    Imagem colorida mostra Layla Lima Ayub e Jardel Neto Pereira da Cruz, acusados de vínculo com o PCC. Metrópoles

    Preso por possíveis vínculos com o PCC, Jardel Neto Pereira da Cruz fazia publicações com apologia à facção criminosa nas redes sociais, segundo inquérito da Polícia Federal (PF). O suspeito, conhecido como Dedel, é namorado da delegada Layla Lima Ayub, também acusada de relações com o crime organizado.

    No documento, a PF destaca fotos em que Dedel faz um sinal com os dedos, conhecido como “Tudo 3”, indicado como uma referência às três letras do PCC. Conforme a corporação, o gesto é conhecidamente utilizado para enaltecer a facção.

    Autoridades também listaram publicações com o símbolo Yin e Yang e desenhos de palhaço, ambos associados ao crime, além de armas e músicas com elogios ao PCC.

    Em uma das postagens, Dedel escreveu: “Penso como um assassino, vivo como um psicopata. Executo as minhas ações como um bom calculista que sou, e depois apenas relaxo. E vejo sangue escorrendo entre os dedos. Forte leal abraço”. Segundo a polícia, a última frase refere-se a um termo de tratamento comum entre os integrantes da facção.


    Quem é Dedel


    Delegada presa

    Presa na sexta-feira (16/1) com Dedel, Layla Lima Ayub tomou posse como delegada de polícia em São Paulo no dia 19 de dezembro de 2025. A partir desse dia, passou a ser aluna da Academia de Polícia (Acadepol). No dia da sua formatura, a delegada levou o namorado, apontado como membro do PCC, para o evento.

    No pedido de prisão, as autoridades definiram a ação como “audaciosa”, visto que o homem estava descumprindo condições da liberdade condicional.

    Em 28 de dezembro, Layla Ayub, mesmo já tendo tomado posse como delegada, atuou como advogada de quatro presos do Comando Vermelho (CV) em uma audiência de custódia no Pará. Na ocasião, os detentos estavam respondendo pelos crimes de tráfico e associação criminosa.

    Ela é acusada de ligação com o PCC, atuando próximo às lideranças da facção na região Norte, e de ajudar na lavagem de capitais da organização criminosa. Ela passou por audiência de custódia no sábado (17/1) e foi mantida presa após determinação da Justiça.

  • TCDF analisa prejuízo da operação Master/BRB aos aposentados do DF

    A Corte de Contas tem processo aberto para investigar prejuízos ao Fundo Solidário Garantidor por meio de ações do BRB transferidas ao Iprev

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    Parlamentares do DF enviaram R$ 109 milhões em emendas para Goiás

    Em 2025, deputados e senadores do DF utilizaram emendas parlamentares para enviar valores a municípios goianos

  • Master: fundos da Reag acionaram sigilo de carteiras durante investigações da PF

    Master: fundos da Reag acionaram sigilo de carteiras durante investigações da PF

    Divulgação
    Reag Investimentos

    Ao menos cinco fundos administrados pela Reag acionaram a regra de sigilo sobre a composição de suas carteiras em um período que coincidiu com o avanço de diligências da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Carbono Oculto e com as negociações envolvendo a venda do Banco Master, dentro da Compliance Zero.

    O Metrópoles apurou que os fundos Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95, todos geridos pela Reag — liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026 — acionaram o sigilo temporário autorizado por regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que permite a omissão do detalhamento dos ativos das carteiras por prazo determinado.

    A regra autoriza que os fundos deixem de divulgar o detalhamento de suas carteiras por até seis meses. Os períodos de sigilo adotados por esses fundos coincidem com fases de avanço das investigações conduzidas pela PF, que apuram fraudes, lavagem de dinheiro e o uso de empresas e fundos para ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, em esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Além disso, fundos administrados pela Reag, fundada por  João Carlos Mansur, estão no escopo de outra investigação da PF que apura se essas estruturas financeiras foram usadas para inflar ou ocultar riscos no Banco Master, envolvido em uma tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou vetada pelo Banco Central.

    Essa apuração, deflagrada em outubro, tem como alvo outros fundos do mercado financeiro.

    Em 2025, fundos da Reag chegaram a manter, em diferentes momentos, aproximadamente, R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, segundo dados de carteira disponíveis. A exposição, no entanto, passou a ser reduzida nos meses seguintes, indicando retirada gradual de recursos já aplicados, e não novos aportes recorrentes — os meses mais recentes têm seus dados omitidos.

    Além dos títulos bancários, fundos da Reag mantiveram posições relevantes em outros ativos ao longo de 2025. Um dos fundos, o Astralo 95, chegou a manter cerca de R$ 140 milhões em ativos classificados como crédito privado e, aproximadamente, R$ 520 milhões em ações, valores que refletem estoques de posições mantidas ao longo dos meses, e não transferências ou aplicações adicionais realizadas mensalmente.

    Ex-sócio

    Conforme mostrou a coluna do Metrópoles Grande Angular, meses antes de estar entre os alvos da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima teve bens bloqueados pela Justiça de São Paulo.

    O bloqueio ocorreu em 29 de abril de 2025, quando foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta de Augusto na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

    Segundo a coluna, o bloqueio foi determinado no âmbito de uma ação de execução de dívida. A família ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024, solicitou liminar para bloquear bens dos banqueiros do Master no valor original da dívida, de R$ 470,5 milhões.

  • Estado Islâmico volta ao centro das atenções na Síria após conflitos

    Estado Islâmico volta ao centro das atenções na Síria após conflitos

    Pictures from History/Universal Images Group via Getty Images
    Imagem colorida mostra soldado do Estado Islâmico - Metrópoles

    Importante ator na guerra civil da Síria, o Estado Islâmico (ISIS) voltou ao centro das atenções do país nesta semana. Em meio à recente escalada de violência entre o Exército do novo governo sírio, e as Forças Democráticas Sírias (SDF), ambos os lados trocaram acusações sobre libertar jihadistas da organização terrorista detidos em prisões localizadas nos territórios alvos de disputa.


    O que está acontecendo?


    Desde o início do ano, o instável país no Oriente Médiovoltou a ser palco de combates envolvendo disputas não só territoriais, como também sectárias. A nova onda de violência no país foi registrada no Norte da Síria, onde diversas regiões estavam controle dos curdos.

    Um cessar-fogo foi assinado entre ambos os lados no último domingo (18/1). Segundo o documento apresentado por autoridades de Damasco, o pacto de paz prevê, entre outros pontos, a integração de militares do SDF ao Exército Sírio, e a transferência de áreas antes controladas pelos curdos para a atual administração central do país, incluindo prisões onde estão detidos militantes do ISIS.

    Logo após a assinatura do acordo, forças governamentais e militantes curdos passaram a trocar acusações envolvendo um destes centro de detenção: a prisão de Al-Shaddadi, localizada na província de al-Hasakah, uma das regiões que deve ser integrada a administração de Damasco, liderada por Ahmed al-Sharaa — que possui um histórico de ligações com grupos como a Al-Qaeda e o próprio ISIS antes de comandar a ofensiva contra o regime Assad.

    Em um comunicado, as SDF afirmaram que o local foi alvo de ataques por parte de forças governamentais na segunda-feira.

    “Embora a Prisão de Al-Shaddadi esteja localizada a aproximadamente dois quilômetros da base da Coligação Internacional na área, a base não interveio, apesar de repetidos apelos de intervenção”, disse um trecho da nota divulgada por combatentes curdos. “Assim, informamos a opinião pública que a Prisão de Al-Shaddadi caiu atualmente fora do controlo das nossas forças devido a estes desenvolvimentos”, disse um trecho da nota divulgada pelo grupo armado curdo”.

    A acusação, contudo, foi rebatida pelo governo interino da Síria. Segundo a nova administração do país, composta majoritariamente por figuras ligadas ao grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), os membros do ISIS foram libertados pelas SDF.

    “O exército assumiu o controle da cidade de al-Shaddadi e da sua prisão a sul de al-Hasakah, e começou imediatamente as operações para garantir a segurança da área e prender os prisioneiros do ISIS que fugiram e foram libertados pelas SDF”,

    Um outro caso envolvendo prisioneiros do Estado Islâmico também foi registrado na província de al-Raqqa, no centro de detenção de al-Aqtan. Segundo as Forças Democráticas Sírias, militares do governo interino do país bombardearam a prisão com artilharia e tanques, com o objetivo de tentar invadir o local. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) também confirmou a informação.

    Até o momento ainda não está claro quantos militantes do ISIS podem ter escapado das prisões na Síria.

    Ascensão e queda

    O Estado Islâmico moderno foi fundado em meados de 2013, nascido da reunião do que viria a ser a alta cúpula do grupo. Seus primeiros membros se organizaram enquanto estiveram detidos na prisão de Camp Bucca, um centro de detenção máxima no Iraque, administrado pelos EUA após a invasão ao país em 2003. 

    No início da década de 2010, insurgentes chegaram a dominar vastas áreas do Iraque e Síria, aproveitando-se da instabilidade social e política nas duas nações. O então líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, seu califado (governo islâmico teocrático) em 2014.

    Em 2019, porém, o ISIS perdeu seu último reduto no Oriente Médio. Na época, as SDF, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos EUA, recuperaram a cidade de Baghuz, e colocaram um fim ao governo autoproclamado do grupo terrorista.

    Com isso, a organização jihadista migrou suas atividades para a África, em especial nos países localizados na faixa do Sahel.

    Mesmo perdendo influência e territórios na região, o Estado Islâmico continuou atuando na Síria. Em 2024, o país em que o grupo mais atuou, segundo dados do relatório Global Terrorism Index 2025.