O Acre estima arrecadar R$ 165 milhões com o IPVA em 2026, um aumento em relação aos R$ 157,3 milhões arrecadados em 2025. Segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), em 2025, a maior parte dos pagamentos ocorreu em cota única, que representou 64,4% do total arrecadado, enquanto 15,1% foram quitados via parcelamento. […]
Categoria: Teste
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Acre projeta arrecadação de R$ 165 milhões com IPVA em 2026
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Auditoria da CGU aponta irregularidades em emenda destinada por ex-deputada Jéssica Sales a ONG
Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de irregularidades na aplicação de recursos de uma emenda parlamentar destinada pela ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB-AC) a uma organização não governamental responsável por executar um projeto de combate ao mosquito Aedes aegypti no Acre. As informações são do jornal O Globo. De acordo com o relatório, […] -

Transportadoras do Acre reclamam da exclusão do debate sobre pedágio
A empresária Nazaré Cunha, assim como outros colegas do Sindicato das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Acre, é a favor dos pedágios. Entendem que a estrada com boa manutenção diminui custos dos fretes. Defendem também a ideia de que governos não cuidam bem das estradas. Em tese, os sete pontos de pedágio […] -

Guerra violenta entre facções transforma vilarejo em "cidade-fantasma"
Arte/Metrópoles
Tráfico de drogas, ameaças, roubos e execuções. Após a violência se tornar rotina, o distrito de Uiraponga, localizado no município de Morada Nova, no sertão do Ceará (CE), passou a viver um cenário de terror imposto por criminosos de alta periculosidade. A localidade, antes pacata, transformou-se em área de disputa entre facções criminosas, resultando na expulsão de mais de 300 famílias de suas casas. Diante do domínio do poderio ilícito, o distrito acabou convertido em uma verdadeira “cidade-fantasma”.
Desde abril de 2025, cerca de 2 mil moradores foram obrigados a deixar suas residências por ordem de integrantes da cúpula de facções criminosas. Investigações apontam que o estopim para os confrontos armados teria sido o rompimento entre dois grupos: o TCP Cangaço, um núcleo da facção fluminense Terceiro Comando Puro (TCP), e a Guardiões do Estado (GDE), organização criminosa originária de Fortaleza.
Com o agravamento da disputa, a região passou a viver um cenário de guerra. Depois da saída dos moradores, a rotina marcada por mortes deu lugar a um silêncio perturbador que, somado aos rastros de tiros cravados nas paredes de concreto, passou a dominar a paisagem do vilarejo.
“Situação anormal”
Em 1º de agosto de 2025, a Prefeitura de Morada Nova publicou um decreto declarando “situação anormal e emergencial” no distrito de Uiraponga, por prazo indeterminado, “em razão do grave comprometimento da ordem pública, da segurança coletiva e da continuidade da prestação dos serviços essenciais”.
Dividido em dois artigos, o decreto autorizou a realocação temporária de alunos da rede municipal para outras unidades consideradas seguras, além da adequação das rotas do transporte escolar, com alterações nos pontos de embarque conforme a necessidade, entre outras medidas.
O serviço de saúde também foi diretamente afetado. Os atendimentos passaram a ser realizados em unidades que permanecem em funcionamento regular, com garantia de acesso à população impactada pela violência. Paralelamente, foram implementadas ações humanitárias e de acolhimento social para atender os moradores deslocados.
“Este decreto entra em vigor na data de sua publicação e permanecerá vigente enquanto perdurar a situação que compromete a segurança pública, a integridade da população e a continuidade dos serviços essenciais no território do Distrito de Uiraponga”, diz o documento assinado pela prefeita do município Naiara Carneiro Castro (PSB).
Cenário atual
Questionada pela coluna, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que o município de Morada Nova conta atualmente com um efetivo de 145 policiais, responsáveis pelo policiamento da sede e dos distritos, incluindo Uiraponga, que dispõe de policiamento fixo.
Do total, 133 são policiais militares da Polícia Militar do Ceará (PMCE), distribuídos entre o Policiamento Ostensivo Geral (POG), além de efetivos do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (Bepi) e da Força Tática (FT). O contingente também conta com 12 policiais civis da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), sendo 10 investigadores e dois delegados. O policiamento dispõe ainda de sete viaturas e 16 motocicletas para o patrulhamento da região.
A pasta, no entanto, não informou qual é o efetivo destinado exclusivamente ao distrito de Uiraponga.
“A SSPDS tem empreendido esforços, por meio das Coordenadorias de Inteligência (Coin/SSPDS) e de Planejamento Operacional (Copol/SSPDS), em conjunto com as Polícias Civil do Estado do Ceará (PCCE) e Militar do Ceará (PMCE), para coibir episódios de ameaças e deslocamentos forçados de moradores”, informou a secretaria, em nota.
A Secretaria destacou ainda que, em 2025, 61 suspeitos foram presos em cumprimento a mandados de prisão relacionados a ocorrências de deslocamentos forçados, e que atualmente há 31 investigações em andamento conduzidas pela PCCE.
“A prática, registrada em diversos estados do país e que integra o modus operandi de grupos criminosos em situações de acirramento entre facções, vem sendo combatida no Ceará por meio de mapeamento, monitoramento e prisões de suspeitos”, completou a pasta.
A coluna também procurou a Prefeitura de Morada Nova para comentar o caso. Contudo, não houve retorno até a mais recente atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto.
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Governo define eixos da PEC da Segurança para avançar no Congresso
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Prioridade do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a PEC da Segurança Pública tem dois eixos centrais para avançar no Congresso Nacional com o aval do Poder Executivo: o fortalecimento do uso de inteligência e da integração entre os entes federativos e a ampliação dos recursos destinados à área.
Em entrevista à coluna, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Marivaldo Pereira, afirmou que o Executivo está disposto a negociar pontos do texto que resultem em mais financiamento e na modernização das políticas de segurança. Segundo ele, há abertura para discutir “tudo aquilo que significar mais recurso para a segurança pública”.
Marivaldo também indicou disposição para avançar no uso de novas tecnologias, no compartilhamento de dados e no fortalecimento de mecanismos de controle. De acordo com o secretário, a proposta enviada pelo governo prevê a criação de corregedorias e ouvidorias autônomas nos órgãos de segurança pública. Ele classificou a medida como “extremamente importante para aumentar a transparência e permitir que a sociedade acompanhe de perto o que acontece nesses órgãos”.
Outro ponto considerado central pelo ministério é a criação de sistemas nacionais integrados de informação, com troca de dados entre estados e União. Segundo Marivaldo, a iniciativa permitirá que agentes de segurança tenham acesso prévio a informações sobre riscos das operações. “Tudo isso é imprescindível para proteger a vida dos agentes de segurança pública e também a vida da população”, disse.
Nos bastidores, auxiliares do ministro avaliam que o relator da PEC, deputado Mendonça Filho (União Brasil), mantém interlocução aberta com o governo, apesar de divergências em relação à agenda do Palácio do Planalto. A avaliação é de que esse canal pode facilitar ajustes no texto ao longo da tramitação.
Durante o discurso de posse, Wellington César afirmou confiar no trabalho do relator e disse que pretende dar continuidade às tratativas no Congresso. Segundo Marivaldo Pereira, o governo está aberto ao debate “não só com o relator, mas com todo o Parlamento”.
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O Cavaleiro dos Sete Reinos: saiba horário da estreia e onde assistir
Divulgação/HBO Max
Mais uma série do universo de Game of Thrones promete animar os fãs com uma história antiga do universo de Westeros. Baseada no livro O Cavaleiro dos Sete Reinos: Histórias do Mundo de Gelo e Fogo, também escrito por George R.R. Martin, O Cavaleiro dos Sete Reinos será ambientada cerca de um século antes dos acontecimentos de Game of Thrones.
O primeiro episódio da série estreia neste domingo (18/1). A exibição acontece simultaneamente na HBO Max e no canal HBO, às 23h (no horário de Brasília).
Entenda a trama de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A trama acompanha Sir Duncan, o Alto, interpretado por Peter Claffey. O jovem cavaleiro vaga por Westeros em busca de honra e reconhecimento e tem ao seu lado, Egg, vivido por Dexter Sol Ansell, um pequeno e curioso escudeiro que o acompanha pelas estradas do reino.
Juntos, eles atravessam vilas, castelos e torneios em um mundo marcado por rivalidades, ambição e instabilidade política. Ambientada cerca de um século antes dos eventos de Game of Thornes, a série mostra como a relação entre os dois se fortalece em meio às dificuldades e problemas que eles vão encontrar no caminho.
O elenco da produção inclui, além de Claffey e Ansell, nomes como Daniel Ings, Bertie Carvel, Danny Webb, Sam Spruell e Shaun Thomas. Também participam Finn Bennett, Edward Ashley, Tanzyn Crawford, Henry Ashton, Youssef Kerkour, Tom Vaughan-Lawlor e Daniel Monks.
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Banco Master não comprovou 251 mil contratos de consignados do INSS
Michael Melo/Metrópoles
O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) suspendeu os contratos de empréstimos consignados com o Banco Master. O bloqueio é de cerca de R$ 2 bilhões e está relacionado a mais de 250 mil empréstimos que estão sob análise do órgão de Previdência.
Os empréstimos não apresentaram documentação comprobatória, o que segundo o INSS, apresenta um quadro de “descontrole sistêmico na gestão documental”, iniciado em outubro de 2021 e que perdurou até setembro de 2025.
De acordo com análise técnica do INSS, foram 96.599 contratos sem comprovação entre outubro de 2021 e abril de 2023 e outras 155.119 operações não comprovadas entre junho de 2023 e setembro de 2025. Ao todo, foram 251.718 contratos sem comprovação em quatro anos.
“A omissão na apresentação de mais de 250 mil contratos constitui uma falha grave e insanável, que lança dúvidas fundadas sobre a existência jurídica e a validade do consentimento dos beneficiários em um percentual alarmante das consignações”, diz o despacho que suspendeu os contratos com o Master.
“Agrava-se o cenário com a constatação de que a maioria dos contratos apresentados não possui qualquer comprovação idônea da assinatura ou do consentimento do segurado, seja por meio físico ou por validação biométrica segura e auditável”, acrescenta o documento.
“Consequências desastrosas”
O Banco Master tinha um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) válido até setembro que permitia empréstimos consignados para beneficiários do INSS. Diante das inconsistências, o contrato não foi renovado.
“A manutenção dos repasses financeiros referentes aos descontos de empréstimos e cartões de crédito em favor de uma instituição em processo de liquidação, sem a devida certeza sobre a validade dos débitos, acarretaria consequências desastrosas para os beneficiários e para o próprio INSS”, afirma o órgão no despacho.
Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, antes da liquidação do Banco Master, o órgão tentou em três oportunidades fazer com que a instituição financeira mostrasse os documentos comprobatórios dos empréstimos, mas não teve sucesso.
“Os contratos que eles juntaram para a gente não diz nada. Não diz taxa de juros, não diz custo efetivo da transação. E pior, não tem a comprovação da assinatura do nosso aposentado e pensionista”, aponta Waller Júnior.
Com a liquidação do banco, o INSS entrou em contato com o liquidante. O órgão quer uma reunião para ver se as assinaturas e a veracidade dos contratos serão comprovadas. Caso contrário, o valor retido será devolvido aos aposentados e pensionistas.
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Previdência que alocou R$ 87 milhões no Master culpa regulação federal
Michael Melo/Metrópoles
O Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), na Grande São Paulo, responsabiliza os órgãos de regulação federal pelo risco de “perder” R$ 87 milhões que foram investidos em letras financeiras do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no final do ano passado.
Na última quarta-feira (14/1), o dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal, que investiga possíveis crimes de fraude financeira do banco.
A Lei Federal 9717/98 estabelece que os entes federativos – neste caso, os municípios – são responsáveis pela cobertura de “eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio, decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.
Isso porque o chamado Fundo Garantidor de Créditos (FGC), usado para ressarcir investidores, cobre apenas os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), vendidos pelo Master no mercado, mas não letras financeiras.
“Falha em seu dever de proteger”
“A responsabilidade do ente patrocinador é a garantia última de qualquer sistema previdenciário. Contudo, a discussão neste momento não deve ser sobre quem arcará com um eventual prejuízo, mas sim sobre quem deu causa ao evento que pode gerá-lo”, afirmou o IPSSC em nota ao Metrópoles.
O instituto diz que enxerga com “grande preocupação a tentativa de transferir o foco da discussão”.
“A questão central não é a responsabilidade do município, mas sim a responsabilidade do próprio Estado, em sua esfera Federal, que, por meio de seus órgãos de regulação e fiscalização (Banco Central, CVM, Secretaria de Previdência), falhou em seu dever de proteger o sistema financeiro e os investidores”, afirma o órgão.
De acordo com o IPSSC, é “absolutamente prematuro e tecnicamente incorreto falar em ‘cobrir rombos’ com o orçamento municipal neste momento”. O órgão declara que não trabalha com a premissa de perda.
“O IPSSC não trabalha com a premissa da perda, mas sim com a certeza da busca pelo ressarcimento integral do capital. Todas as medidas administrativas e judiciais, em todas as esferas cabíveis, estão sendo adotadas para este fim. Acreditamos que a responsabilidade primária pelo ressarcimento é daqueles que, por ação ou omissão, permitiram que esta crise ocorresse”, afirma o instituto.
O órgão ainda diz que não será passivo diante de uma “falha sistêmica do aparato de regulação federal”. “Lutaremos em todas as instâncias para que o prejuízo não recaia sobre os servidores e contribuintes de nossa cidade”, enfatiza
Além de Cajamar, outras Previdências municipais de São Paulo que compraram papéis do Master foram São Roque (R$ 93 milhões), Araras (R$ 29 milhões), Santo Antônio de Posse (R$ 7 milhões) e Santa Rita d’Oeste (R$ 2 milhões).
“Aparente segurança”
De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, o regime próprio de Previdência (RPPS) de Cajamar fez três repasses para a compra de letras financeiras do Master entre outubro de 2023 e março de 2024, nos valores de R$ 35 milhões, R$ 25 milhões e R$ 27 milhões.
Os aportes chegaram a ser alvo de representação do Ministério Público de Contas (MPC).
“A soma das aplicações em títulos do Banco Master S/A representa aproximadamente 15,36% da carteira (do instituto). Assim, é possível que, em caso de default da referida instituição financeira, seja significativamente afetado o patrimônio do RPPS de Cajamar, sendo oportuna pronta atuação deste Tribunal de Contas na fiscalização de tais investimentos”, afirmou o MPC.
O Instituto de Previdência de Cajamar afirma que os investimentos foram realizados com base em um cenário de “aparente segurança e solidez, chancelado por toda a estrutura de regulação federal”.
“O Banco Master constava na lista de instituições aptas da Secretaria de Previdência, possuía classificação de baixo risco (S3) pelo Banco Central, tinha rating compatível com o investimento e teve suas emissões de Letras Financeiras devidamente registradas na CVM. Portanto, a pergunta que se impõe é: como uma instituição com tantos selos de qualidade e sob a lupa dos principais órgãos fiscalizadores do país pôde colapsar de forma tão súbita?”, questiona o IPSSC.
Garantia aos aposentados
Instituto de São Roque previa R$ 12,7 milhões em lucro com Master
O Metrópoles mostrou que o comitê de investimento do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque, no interior paulista, entendeu como uma “boa oportunidade de negócio” aprovar por unanimidade um investimento de R$ 93,2 milhões em letras financeiras do Banco Master.
A decisão sobre o aporte ocorreu em fevereiro de 2024 e os pagamentos foram feitos em sete parcelas, entre abril e setembro daquele ano. .
À época, o colegiado optou por trocar os ativos que possuía junto ao BTG pelos do Master, após um parecer favorável feito por uma consultoria particular.
Agora, quase dois anos depois, em meio ao processo de liquidação da instituição financeira junto ao Banco Central, a autarquia se vê na incerteza de que terá o retorno do investimento.
À época, no entanto, o comitê de investimento do órgão previdenciário enxergou o movimento com bons olhos. “Os membros do comitê concluíram ser uma boa oportunidade de negócio de para o SRPREV e deliberaram por unanimidade pela realização das vendas e aquisição das Letras Financeiras”, afirma a ata.
Ao Metrópoles, o atual diretor presidente do órgão, Bruno Caparelli, disse que o instituto instaurou um processo administrativo interno para analisar os documentos relativos à aquisição das letras financeiras do Master.
Segundo ele, o objetivo é obter um parecer jurídico e avaliar uma possível judicialização do caso. O investimento foi feito pela gestão anterior do órgão.
Segundo Caparelli, caso o prejuízo se concretize, o instituto buscará o ressarcimento junto aos responsáveis.
“Ainda não houve nenhuma movimentação a respeito dos ativos que o banco possuía para honrar seus seus compromissos e também acaba tendo toda esse cenário envolvendo a liquidação, que o Tribunal de Contas da União também tem questionado. Temos acompanhado esse cenário e, em paralelo com o nosso processo administrativo instaurado, verificando o melhor caminho para defender os interesses dos aposentados”, afirmou.
O diretor-presidente do Instituto de Previdência de São Roque ainda informou que a autarquia rompeu o contrato com a consultoria que indicou o investimento no Master. Segundo ele, a documentação também foi enviada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Ministério Público.
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Escalada no caso do Banco Master assusta mercado financeiro
Michael Melo/Metrópoles
O mercado financeiro chega ao final da semana em estado de alerta e apreensão. A deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve entre os principais alvos o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na última quarta-feira (14/1), voltou a levantar preocupações que remetem a novembro do ano passado, quando o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Desta vez, a autoridade monetária liquidou a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja atual denominação é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, também foi alvo da operação da PF, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Outra figura muito conhecida no mercado, o empresário Nelson Tanure, também foi atingido pela nova etapa da Compliance Zero.
A apuração sobre as supostas irregularidades do Banco Master provocou, ainda, uma “queda de braço” entre a mais alta instância do Judiciário brasileiro, o STF, e a PF. Na quinta-feira (15/1), o ministro Dias Toffoli, do Supremo, deu novo impulso à investigação ao autorizar quatro peritos da PF a terem acesso direto a todo o material apreendido no caso.
Os agentes poderão analisar documentos e dados sem restrições. Também foi determinado que as provas recolhidas na segunda fase da Compliance Zero sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá acompanhar a extração das informações.
A decisão representa uma mudança em relação a um entendimento anterior do próprio Toffoli. Na quarta-feira (14/1), o magistrado havia definido que a análise dos dados ficaria sob responsabilidade da PGR e que os equipamentos apreendidos permaneceriam sob custódia do STF.
Na prática, isso impedia a PF de extrair os dados antes do envio ao Supremo. A corporação alertou que a medida poderia causar prejuízos relevantes à apuração, argumento que acabou sendo acolhido pelo ministro.
A investigação chegou ao STF no fim do ano passado por decisão de Toffoli, que decretou sigilo sobre todo o processo. A primeira fase da Operação Compliance Zero foi realizada em novembro de 2025 e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro.
A dimensão do caso, o alcance maior das investigações e as idas e vindas em decisões judiciais deixaram os agentes do mercado ainda mais temerosos. Não necessariamente a respeito do que pode acontecer com os investigados – mas, sobretudo, com os efeitos potencialmente danosos ao próprio sistema financeiro.
Crise de confiança, mas sem “contágio”
Como a reportagem do Metrópoles mostrou no início de dezembro, economistas, analistas e agentes do mercado não consideraram que o caso Master tenha sido propriamente uma surpresa. Quem acompanhava a trajetória do banco, com a captação desenfreada de recursos com base em remunerações muito elevadas, já esperava que, cedo ou tarde, houvesse alguma intervenção na instituição. A dúvida não era mais “se”, mas quando ela ocorreria.
O avanço das investigações, como novos tentáculos do suposto esquema criminoso sendo revelados nesta semana pela PF, voltou a acender o sinal de alerta no coração da Faria Lima. Afinal, a crise envolvendo o Master pode recrudescer ainda mais? E, nesta hipótese, poderia haver uma contaminação do mercado como um todo?
Para Hugo Queiroz, sócio e diretor da L4 Capital, a nova fase das investigações sobre o Banco Master pode impactar a confiança dos investidores – gerando a chamada aversão ao risco, que pode levar à diminuição dos investimentos – e aumentar a preocupação acerca de insegurança jurídica no país. Mas a escalada da crise não tem capacidade de levar a um contágio generalizado no setor financeiro.
“Sempre pode trazer algum tipo de contágio adicional nessas empresas e nessas posições específicas, envolvendo Master, Tanure e Reag. Mas, no sistema como um todo, não”, avalia Queiroz.
“O mercado e as instituições financeiras estão blindadas. O que pode ocorrer, aí sim, é uma crise de credibilidade na regulação. Os ritos e as governanças talvez tenham falhado no monitoramento do Banco Master, principalmente pela simbiose com o mundo político. E aí que pode acontecer algum problema. Uma crise regulatória não impactaria diretamente o mercado. Seria muito mais uma crise de confiança, que talvez diminuísse os volumes dos aportes. No limite, o investidor pode, eventualmente, perder a confiança na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), no BC, e as empresas podem deixar de fazer operações. Tudo isso seria um efeito secundário”, explica.
“É claro que todas essas questões envolvendo o STF trazem uma preocupação no que diz respeito ao risco de ativismo jurídico no Brasil. Esse risco já estava meio difundido no país havia alguns anos e agora parece mais latente. A credibilidade já foi impactada. Isso acabará indo para o preço das emissões de dívidas, para a precificação dos ativos. O investidor vai exigir mais retorno para correr esse risco”, prossegue Queiroz.
Em termos financeiros, no entanto, o analista afirma que não haverá impacto significativo. “O mercado já precificou e já sabe o tamanho do rombo de R$ 40 bilhões do Master no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). E depois ele vai repassar, em serviços e crédito, a recomposição dessa retirada de mais de R$ 40 bilhões. Já está precificado o impacto ali. Olhando o mercado como um todo, é algo muito pequeno”, garante.
Relembre
Impacto deve ser restrito e “pontual”
Segundo Queiroz, a nova etapa da Operação Compliance Zero “pode trazer alguns pontos de atenção, mas que não seriam capazes de desbaratinar R$ 40 bilhões novamente ou algo acima disso”. “O impacto vai ficar restrito às gestoras e aos ativos envolvidos com o Master. Esta deve ser a pressão adicional sobre o mercado”, observa.
Para o analista, nem mesmo o possível envolvimento de Nelson Tanure – que negou ter qualquer relação “de natureza societária” com o Master – representa uma grande ameaça ao mercado em geral.
“Talvez muitos queiram entender a situação do Tanure e o que isso pode impactar ou não. Mas o que a gente vê no mercado, com quem faz as operações com o Tanure, é que eles sempre se resguardam e colocam garantias e proteções para receber de volta, sejam as próprias ações ou outras posições que o Tanure detinha”, explica Queiroz.
“Acredito, sim, que até possa aparecer um nome ou figura importante de mercado (no decorrer das investigações). Mas isso não seria capaz de gerar esse impacto de R$ 40 bilhões de novo. O que aconteceu está bem precificado, tanto em termos financeiros quanto em termos de reputação”, conclui.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, compartilha da mesma avaliação – por mais barulho que façam, as novas revelações sobre o caso Master, pelo menos até o momento, não têm força suficiente para causar um terremoto no mercado. “A percepção é que não gera risco sistêmico ao sistema financeiro. O próprio BC classificou a Reag, dado seu porte reduzido, no segmento S4 da regulação prudencial, com participação inferior a 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional”, afirma.
“Além disso, o movimento já era, em parte, esperado pelo mercado, especialmente após a instituição ser citada em investigações recentes. No momento, o caso é tratado como um evento isolado, e uma reação mais negativa só ocorreria caso as investigações avançassem para instituições de maior relevância ou trouxessem algum risco de contágio financeiro, o que parece limitado até o momento”, detalha Shahini.
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Viagem de Lula a NY para ONU custou ao menos R$ 6 milhões
Metrópoles
Dados do Itamaraty, entregues à Câmara dos Deputados, mostram que a viagem de Lula a Nova York, em setembro de 2025, para participar da Assembleia Geral da ONU, custou ao menos R$ 6 milhões.
Segundo a pasta, foram 553,3 mil dólares gastos com hospedagens e 603,2 mil dólares com a aquisição de material de escritório e serviços de interpretação. O ministério ainda informou um gasto de R$ 98,7 mil com intérpretes.
No dia 17 de setembro, quando Lula chegou a Nova York, o dólar estava na casa dos R$ 5,30. Dessa forma, os gastos na moeda americana representariam cerca de R$ 6,1 milhões.
Os dados foram enviados à Câmara no dia 25 de novembro, pelo ministro Mauro Vieira, em resposta a um requerimento de informação apresentado pelo deputado Capitão Alden (PL-BA).
Os gastos representam o custo total da viagem. A comitiva oficial, segundo o ministério, teve quatro pessoas além de Lula. Com ônus, apenas o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o chanceler Mauro Vieira.
Já sem ônus, segundo o ministério, estão a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o representante brasileiro na ONU, Sérgio Danese. A pasta afirmou que a comitiva relacionada, que inclui assessores e demais profissionais, é de responsabilidade da Presidência da República.