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  • Tren de Aragua: líder dado como morto teria registrado filho no Brasil

    Reprodução/Departamento de Estado dos Estados Unidos
    Johan Petrica

    Apontado como um dos “pais” da facção venezuelana Tren de Aragua, o traficante Johan Petrica, que já chegou a ser dado como morto pelas autoridades locais, teria transitado livremente pela fronteira com o Brasil durante anos e, inclusive, teria tido um filho de 7 anos, registrado em Roraima.

    O Tren de Aragua, principal organização criminosa da Venezuela, foi usado como pretexto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para invadir o país, no último dia 3de janeiro, e capturar o ditador Nicolás Maduro. Em julho de 2024, o Departamento de Estado dos Estados Unidos chegou a oferecer U$ 4 milhões por informações que ajudassem a localizar Petrica, apontado como um dos três líderes fundadores do Tren de Aragua.

    De acordo com a jornalista venezuelana Roanna Rísquez, especialista no grupo criminoso, o atual líder, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o Ninõ Guerrero, se refere a Petrica como “papá” (pai, em espanhol).

    “Para muitos conhecedores do Tren de Aragua, Johan Petrica é o verdadeiro chefe da organização, o ideólogo do modelo de governança criminosa que começou em Tocorón e depois se estendeu a San Vicente e Las Claritas (principais comunidades dominadas pelo grupo)”, afirma a autora no livro “El Tren de Aragua: La banda que revolucionó el crimen organizado en América Latina”, publicado em 2023.

    Petrica desapareceu temporariamente da cena pública venezuelana em 2015, após uma ocupação policial à comunidade de San Vicente, principal reduto do Tren de Aragua fora do sistema prisional. De acordo com as investigações, ele teria migrado para o sudeste do país, na região de Las Claritas, no estado de Bolívar, que faz fronteira com o norte de Roraima, e passado a transitar sem restrições pela região.

    Segundo Roanna Rísquez, ele teria ficado conhecido na região por um outro nome, Viejo Darwing, ou simplesmente El Viejo. Anos depois, apresentados a fotos de Petrica, moradores da região teriam confirmado que se tratava da mesma pessoa.

    Em Las Claritas, uma das principais áreas de exploração de ouro na Venezuela, ele teria retomado seu passado como líder sindical de mineradores e começado a liderar as atividades criminosas do Tren de Aragua relacionadas ao garimpo.

    Filho brasileiro

    Os brasileiros suspeitavam que se tratava-se de um criminoso. A jornalista narra que ao ler a mensagem, que mencionava Yohan José Romero, identificou que era Johan Petrica.

    Não há informação sobre se o próprio traficante apontado como líder do Tren de Aragua teria participado diretamente da tentativa de registro do filho, ou se outra pessoa teria ficado encarregada.

    Expansão

    Assim como fez o Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo a partir do início dos anos 1990, o Tren de Aragua, que também surgiu no sistema prisional, estendeu seus domínios pela Venezuela a partir da soltura e da transferência de presos para outras unidades prisionais.

    Em um segundo momento, a crise migratória no país e o refúgio oferecido por países vizinhos permitiram que o grupo avançasse pela América do Sul. No Brasil, por exemplo, autoridades estimam que o Tren de Aragua esteja presente em pelo menos seis estados — além de Roraima, também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    A facção teria firmado uma parceria com o PCC para garantir o abastecimento com segurança da droga andina às rotas que abastecem diversos estados brasileiros e o tráfico internacional.

    Trump e o narcotráfico

    Em 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou Nicolás Maduro de comandar um suposto cartel de drogas da Venezuela, o Cartel de Soles. O documento foi usado ao longo de 2025 para justificar a escalada de tensões e militares contra o país, que culminou com a invasão e a captura do ditador em 3 de janeiro.

    Após a prisão, um novo documento divulgado pelo Departamento de Justiça mudou a qualificação de Nicolás Maduro. O chavista, que até então era acusado de ser “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”, passou a ser culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas” e de lucrar com isso.

    O Cartel de Soles, até então descrito como uma organização terrorista, foi mencionado apenas duas vezes no novo documento e passou a ser caracterizado como um termo guarda-chuva para o narcotráfico regido pela elite venezuelana.

  • Intimidade exposta: quando vingança e lucro transformam nudes em arma

    Arte/Metrópoles
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    Somente na primeira semana deste ano, a coluna noticiou três casos envolvendo o vazamento de conteúdo sexual sem consentimento. Cometidos por vingança ou com o intuito de obter vantagem financeira, a exposição afeta as vítimas de forma extrema. Os responsáveis podem responder pelo crime previsto no Código Penal brasileiro: a divulgação de cena de estupro, cena de sexo ou pornografia sem consentimento.

    No primeiro sábado do ano, em 3 de janeiro, um fotógrafo de 27 anos foi preso pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), suspeito de ter divulgado e colocado à venda fotos íntimas de mais de 20 mulheres. Nenhuma delas autorizou a exposição.

    Em entrevista à coluna, a delegada Thaís Dias Dequech, titular da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pelo caso, detalhou as ocorrências e falou sobre a atuação da Polícia Civil em crimes dessa natureza.

    O pesadelo delas em troca de dinheiro

    De acordo com Dequech, o suspeito não tem antecedentes criminais e é considerado um homem de classe média alta. Ele cometeu os crimes com o interesse exclusivo de lucrar com a venda do material íntimo.

    A delegada explicou que as vítimas do fotógrafo haviam contratado o ensaio fotográfico, mas, durante a sessão, o homem as convenceu a tirar peças de roupa e, posteriormente, com as fotos armazenadas em um banco de dados, passou a vendê-las em uma plataforma de conteúdo adulto.

    Atuação calculada

    O segundo caso ocorreu em Minas Gerais (MG). A investigada é uma mulher que se tornou alvo de uma operação da Polícia Civil (PCMG) em Cambuquira, no Sul do estado, na última segunda-feira (5/1).

    As investigações tiveram início após uma denúncia de que um vídeo contendo cenas de sexo entre um casal havia sido amplamente compartilhado na internet sem autorização.

    A principal suspeita é funcionária de uma empresa local e, segundo informações do inquérito policial, teria utilizado o próprio notebook para criar uma conta falsa em redes sociais e enviar o vídeo a diferentes plataformas digitais.

    O computador dela foi apreendido e será submetido à perícia técnica para extração e análise dos dados, etapa que deverá confirmar a origem dos acessos e a autoria da divulgação.

    A suspeita poderá responder por crimes previstos no Código Penal, incluindo o artigo 218-C, que trata da divulgação de cenas de sexo, nudez ou pornografia sem consentimento, além de possíveis crimes contra a honra.

    Vingança passional

    Já no dia 8 de janeiro deste ano, um homem de 29 anos foi preso na Região Norte do país após articular um plano de vingança contra a ex-companheira. Ele foi detido preventivamente no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte de Manaus (AM).

    De acordo com a delegada Roberta Merly, as investigações começaram após a vítima procurar a delegacia para relatar que vinha sendo ameaçada e injuriada com palavras de baixo calão pelo ex-companheiro, que também teria divulgado imagens íntimas dela.

    Nesse caso, a ação foi planejada de forma coordenada, com o objetivo de causar intenso sofrimento à vítima. O homem invadiu dispositivos eletrônicos, formatou remotamente o celular da ex-companheira e obteve fotos íntimas a partir de backups de e-mail, passando a chantageá-la e humilhá-la publicamente.

    “Ele expôs o conteúdo em redes sociais, demonstrando um comportamento ofensivo e desrespeitoso”, afirmou a delegada.

    Segundo a autoridade policial, os crimes foram motivados pela não aceitação, por parte do investigado, do fim do relacionamento.

    O homem responderá pelos crimes de divulgação de cena de pornografia sem consentimento, injúria, ameaça e violência psicológica, permanecendo à disposição do Poder Judiciário.

    A investigação

    Apurações policiais que envolvem crimes cometidos no ambiente virtual são extremamente complexas. Todos os passos ocorrem mediante autorização judicial.

    A delegada apontou que, após a denúncia, a equipe representou pela busca e apreensão de aparelhos eletrônicos, o que foi feito no caso do fotógrafo.

    Com a arma do crime em mãos, a perícia consegue rastrear por quais plataformas o material foi enviado, armazenado e até mesmo compartilhado, possibilitando a punição não apenas de quem vaza o conteúdo, mas também de quem o replica.

    Reforma na legislação

    Dequech lembrou que, há pouco mais de um mês, no início de dezembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei nº 15.280/2025, que fortalece as medidas de prevenção e repressão a crimes cometidos contra pessoas vulneráveis, amplia os mecanismos de proteção às vítimas e a seus familiares e altera dispositivos já previstos na legislação.

    Com a mudança, a divulgação ou disponibilização de cenas explícitas sem consentimento pode resultar em pena de até 10 anos de prisão, além de multa.

    No caso do fotógrafo, há um inquérito para cada vítima. O número exato de mulheres submetidas ao crime só poderá ser confirmado ao término da elaboração dos inquéritos, mas é provável que ultrapasse 20.

    Diante disso, a pena do investigado poderá ser multiplicada a cada indiciamento pelo crime.

    O que fazer ao ser vítima

    À coluna, o advogado criminalista Amaury Andrade, que atua como professor de direito penal e processo penal, listou o que as vítimas desses crimes devem fazer:

  • Proporção de pais ausentes no registro dobrou em SP nos últimos 9 anos

    Marcello Casal Jr/Agência Brasil
    Imagem ilustrativa de certidão de nascimento. Proporção de pais ausentes no registro dobrou em SP nos últimos 9 anos - Metrópoles

    A proporção de pais ausentes na certidão de nascimento dobrou na cidade de São Paulo nos últimos nove anos, conforme mostram dados do Portal da Transparência do Registro Civil. O levantamento aponta um crescimento nos casos em que o nome do pai não consta no principal documento de um cidadão brasileiro.

    Segundo o portal, houve 187.528 registros de nascimento na capital paulista em 2016, primeiro ano da série histórica disponível. Na época, 6.140 certidões não continham o nome do pai, o que representava 3% do total.

    Já em 2025, último ano com dados consolidados, os cartórios paulistanos emitiram 140.111 novos registros, e em 8.189 deles não havia o nome do genitor — o equivalente a 6% do total, o dobro em menos de uma década na capital paulista.

    Reconhecimento de paternidade

    O Portal da Transparência do Registro Civil mostra, ainda, a evolução do número de reconhecimentos de paternidade realizados em São Paulo ao longo dos últimos nove anos.

    Segundo os dados, houve um pico de reconhecimentos em outubro de 2019, dois meses após a publicação da Resolução nº 165/2019, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que simplificou o procedimento.

    Naquele mês, foram registradas 2.361 atualizações de certidões em São Paulo, ante 1.433 em abril de 2018, até então o segundo maior volume de procedimentos da série histórica.

    Em contraste, em dezembro de 2025, último mês com dados disponíveis, houve apenas 198 reconhecimentos de paternidade no município.

    Resolução do CNJ

    A partir da resolução do CNJ,

    passou a ser permitido o reconhecimento voluntário da paternidade ou da maternidade socioafetiva de pessoas acima de 12 anos diretamente nos cartórios de registro civil, sem necessidade de adoção.

    De acordo com a norma, pessoas maiores de 18 anos que não têm o nome do pai na certidão também podem solicitar o reconhecimento sem a necessidade de acompanhamento da mãe.

    E, no caso de pais biológicos, o reconhecimento voluntário é a forma mais simples e rápida de inclusão do nome na certidão de nascimento.

    De acordo com a Lei nº 8.560/1992, que regulamenta o reconhecimento de filhos fora do casamento, o genitor pode comparecer ao cartório de registro civil a qualquer momento e reconhecer espontaneamente a paternidade.

    MP pode investigar paternidades desconhecidas

    O Projeto de Lei (PL) 3436/2015, proposto pelo então senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), procura estabelecer um prazo de cinco dias para que os cartórios notifiquem a Justiça sobre os nascimentos sem dados paternos.

    No texto, fica determinado que o juiz deve ser notificado de informações oferecidas pela mãe da criança, como nome, sobrenome, profissão, identidade e residência do suposto pai. De acordo com a proposta, cabe ao magistrado ouvir a mãe sobre a paternidade e notificar o genitor para se manifestar, mantendo o processo em sigilo.

    Caso não haja resposta em 30 dias ou a pessoa sustente a não paternidade, o caso será encaminhado ao Ministério Público para que a promotoria investigue o caso.

    Na prática, o PL altera a Lei nº 8.560/1992, de Investigação da Paternidade, que atualmente não prevê prazo para o início do processo de identificação da paternidade de crianças e jovens sem o nome do pai na certidão de nascimento.

    O projeto foi aprovado pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados em abril deste ano e, agora, segue em trâmite na casa legislativa.

  • Réu por vender dados do INSS fez slogan como "defensor de aposentados"

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social INSS em Brasília - Metrópoles 9

    O empresário José Silva Miguel Junior, cuja empresa recebeu Pix de R$ 150 mil do contador da Conafer – instituições investigada na Farra do INSS,  concorreu às eleições de 2022 sob o slogan “defensor dos aposentados”. No ano seguinte, José virou réu por integrar organização criminosa especializada em roubar dados de beneficiários da seguridade social.

    Com o nome “Zé Miguel”, o empresário tentou uma vaga no Congresso Nacional como deputado federal por São Paulo. Ele, inclusive, chegou a pedir ajuda de integrantes da quadrilha para conseguir acumular votos. Conforme as investigações, enquanto participava da corrida eleitoral, José desviava benefícios dos aposentados. Ele não foi eleito.

    Segundo a operação, deflagrada em 2023, José obtinha e comercializava senhas de acesso de beneficiários e históricos de créditos. Para isso, ele utilizava “robôs” de software para invadir o sistema do INSS e desbloquear benefícios para a contratação de empréstimos consignados fraudulentos.

    Em apenas três datas, o acusado teria fornecido à quadrilha quase 6 mil históricos de créditos de vítimas. Em um das vendas dos dados, ele recebeu mais de R$ 200 mil.

    A Justiça estima que as organizações envolvidas nesse esquema movimentaram cerca de R$ 32 milhões de forma ilegal. O próprio José Miguel teria recebido centenas de milhares de reais em suas contas pessoais e de suas empresas, como a “JSM Veículos” e “Junior Automóveis”.

    Relatório encaminhado à CPMI do INSS

    O repasse de Samuel Chrisostomo, contador da Conafer, à empresa de José Silva Miguel foi revelado por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS e obtido pela reportagem.

    De acordo com o documento, o montante foi transferido por meio da Cifrão Tecnologia, um dos vários CNPJs criados por Samuel – preso por envolvimento nos descontos indevidos.

    A empresa opera na parte superior de um sobrado localizado no Distrito Federal. O Metrópoles esteve no local e apurou que no mesmo endereço também estão localizadas companhias da sócia de outra ONG investigada na fraude do INSS: a Associação de Aposentados do Brasil (AAB).

    Conforme consta no relatório, a Cifrão Tecnologia transferiu o montante a José logo após receber R$ 1,6 milhão da Conafer, em outubro de 2023.

    Na mesma data, 60 outras transferências imediatas saíram da conta da empresa. Entre elas está um Pix de R$ 300 mil à BSF Gestão de Saúde – companhia que foi investigada na CPMI da Covid-19, por suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde, R$ 100 mil para a N & C Distribuidora de Agropecuários e R$ 22 mil à Lucineide dos Santos Oliveira, a sócia da AAB.

    No mesmo período, Samuel também transferiu R$ 525 mil para a Solution BRB Nova, uma segunda empresa pertencente a ele.

    A Cifrão, de acordo com o Coaf, trata-se de uma microempresa que exerce atividade de desenvolvimento de programas de computador, com faturamento de R$ 11.240,86. “No mês em análise, mesmo com nova atualização cadastral, movimentou aproximadamente R$ 1.625.759,14 a mais do que a capacidade declarada”, diz o documento.

    Os repasses à vista, imediatos, além da movimentação exorbitante da Cifrão alertou órgãos de fiscalização que não conseguiram identificar explicação para as transferências, levantando suspeita de ser uma empresa laranja.

    O outro lado

    Metrópoles tentou contatar os citados por email, por telefone e por meio de advogado, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. A defesa de Samuel Chrisostomo não foi localizada. O espaço segue aberto para futuras manifestações

  • Por Tainara e Samudio: grupo da várzea se mobiliza contra feminicídio. Vídeo

    Material cedido ao Metrópoles
    Mulheres da Várzea se movimentam contra casos de feminicídio

    Um grupo de mulheres envolvidas com o futebol de várzea em São Paulo se movimenta há cerca de quatro anos contra os crescentes casos de violência de gênero ocorridos no país. Batizado de Mulheres da Várzea, o coletivo já homenageou Tainara Souza Santos e agora empunha bandeiras com o nome e o rosto de Eliza Samudio – ambas vítimas de feminicídio.

    As integrantes do grupo vão às partidas com faixas e bandeiras, chamando atenção para os casos de feminicídio, e pedindo o fim da violência contra a mulher. Elas também convocam manifestações e se articulam entre artistas e políticos, pensando na repercussão do problema e em formas de combatê-lo.

    “A nossa bandeira principal é o combate à violência contra a mulher”, destacou Sandra.

    A presidente do coletivo ressaltou ainda que não são apenas torcedoras que compõem o Mulheres da Várzea, mas também trabalhadoras envolvidas com a categoria, como: árbitras, cozinheiras e treinadoras, por exemplo.

    Por Tainara e por Samudio

    O coletivo Mulheres da Várzea homenageou Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada pelo ex por 1 km na Marginal Tietê, na zona norte da capital paulista, em uma manifestação no último 29 de novembro. O ato ocorreu no mesmo local do crime. A vítima morreu após pouco menos de um mês internada, na véspera de Natal (24/12), aos 31 anos de idade.

    “Eu não cheguei a conhecer a Tainara pessoalmente, mas ela era torcedora do Apache da Vila Maria [time de várzea da zona norte]. Quando eu fiquei sabendo do atropelamento, a diretoria da torcida Terror Azul fez contato comigo e falou que era uma de nós, uma das nossas. Aí foi quando eu me posicionei. Falei: ‘não, agora mexeu com uma, mexeu com todas’”, contou Sandra.

    A fundadora do coletivo destacou que o ato não teve teor político, e que “quem foi para as ruas pedir o fim da violência e pedir justiça por Tainara foi a comunidade, a favela, foram as pessoas humildes”.

    O grupo organiza uma nova manifestação para o dia 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, no mesmo local. “Essa manifestação sempre vai levar o nome da Tainara Souza”, afirmou.

    Agora, o movimento também leva para jogos e manifestações o rosto e nome de Eliza Samudio, morta aos 25 anos pelo ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, em 2010. Sandra lembrou que a modelo também era atleta, e jogava futebol.

    “A Elisa, na realidade, já estava [em bandeiras] desde o ano passado, porque, há dois anos, o goleiro Bruno foi cogitado de vir jogar em um time de várzea aqui da zona sul de São Paulo”, contou Sandra.

    Imediatamente após terem conhecimento da possibilidade de Bruno, condenado por feminicídio, jogar no futebol de várzea paulista, as mulheres envolvidas com a categoria passaram a se movimentar.

    Bruno chegou a ser mencionado como uma escolha para participar de uma das principais copas da várzea paulista, o que gerou revolta e indignação.

    “Quando veio ao meu conhecimento, eu fui bater nas redes sociais. Eu falei: ‘na nossa várzea de São Paulo, não’. Coloquei toda a mulherada para comentar ‘Eliza Samudio presente’. Coloquei um monte de mulher. Aí o organizador da copa, no dia seguinte, me ligou e falou: ‘olha, Sandra, o goleiro Bruno não vem’”, relatou a fundadora.

    Apesar das conquistas enquanto movimento, Sandra relatou que se sente impotente diante dos casos de violência. “Mesmo tendo gerado uma comoção muito grande, de ter muita gente, pessoas se manifestando, ainda tem muitos agressores de mulheres”, lamentou.

    “A pena de morte não está sendo dada para os agressores. A pena de morte não está sendo dada para nós, mulheres, por sermos mulheres, por sermos bonitas, por sermos alegres”, enfatizou a presidente do coletivo.

    Apoio jurídico, social e psicológico

    A assistente social Natália Moreira da Silva, de 35 anos, torcedora do Ajax da Vila Rica, na zona leste de São Paulo, e integrante do Mulheres da Várzea, afirmou que o grupo fornece apoio jurídico, social e psicológico às vítimas de violência de gênero.

    “Através do nosso movimento, damos voz a milhares de mulheres que sofrem silenciadas pelo medo e pela impunidade que nos cerca”, disse. Segundo ela, as integrantes do coletivo trabalham para a “emancipação dessas mulheres”, e lutam por “políticas públicas efetivas no combate a violência de gênero”.

    A assistente social conta que sobreviveu a agressões motivadas pelo gênero, assim como outras organizadoras do grupo. Para elas, é importante a conscientização tanto dos homens como das mulheres que frequentam o futebol de várzea.

    Recepção masculina

    Conforme Natália, os homens varzeanos, em sua grande maioria, mostram respeito e aceitação ao movimento. O sentimento é expresso principalmente pelos organizadores dos principais torneios, além dos diretores e presidentes de times de expressão.

    “Porém, há algumas exceções. Recebemos muitos ataques virtuais de homens que não aceitam e não entendem o propósito do grupo”, relatou a assistente social.

    Sandra reconhece que o grupo ainda enfrenta um pouco de resistência por parte do público masculino, mesmo que de uma pequena parcela. “Homem é amigo de homem, não tem jeito”, disse.

    “Alguns são resistentes, mas a maioria sabe a importância, eles conhecem a importância disso. Mas fechar as portas, nenhum”, apontou.

    A presidente relatou que 90% dos seguidores da página no Instagram são mulheres. “Como eu tô falando, eles não fecham as portas, mas eu gostaria que eles dessem mais apoio nas redes sociais”, desabafou.

    Mulher varzeana ganha datas comemorativas

    Sandra comemorou a repercussão recente atingida pelo Mulheres da Várzea. Em uma semana, a página ganhou mais de 15 mil novos seguidores, mas também conquistou feitos importantes para além das redes sociais.

    A presidente participou da formulação do Dia da Mulher Varzeana, data comemorada em 9 de março e instituída pela pela Lei Estadual 17.929/2024. O projeto foi idealizado por Sandra, em parceria com a deputada estadual Carla Morando (PSDB).

    Na capital paulista, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) instituiu, em dezembro de 2023, a Semana da Mulher da Várzea, que inicia em 8 de março e segue pelos sete dias seguintes.

    Em Mauá, na Grande São Paulo, o município aproveitou o dia 9 de março, já previsto no calendário estadual, para celebrar o Dia Municipal da Mulher Varzeana. O objetivo é homenagear todas aquelas que participam do futebol amador, seja de forma profissional ou como torcedora.

    “É um movimento que tende a crescer muito. Quando se fala de mulheres, é um leque enorme. Dá pra falar de vários temas”, afirmou Sandra.

    Ela conta que, com a repercussão, especialmente após o atropelamento de Tai, mulheres do Brasil inteiro a procuram. Os contatos têm motivações diversas: seja para pedir ajuda, para apoiar a campanha, ou para comprar camisetas do coletivo.

    Atualmente, um grupo no WhatsApp reúne mais de 250 mulheres de todo o estado, que assumem posições de organização do coletivo, quando necessário.

    “É um trabalho voltado totalmente para a mulher. A gente vai continuar brigando”, enfatizou a presidente e fundadora do Mulheres da Várzea ao Metrópoles.

  • Pessoas muito musculosas são sempre mais fortes? Personais explicam

    Mark Fredesjed Cristino/Getty Images
    Imagem colorida mostra levantador de peso - Metrópoles

    Imagine: você está saindo do mercado cheio de compras e precisa de ajuda para levá-las. Ao olhar para a frente, se depara com duas pessoas: uma muito musculosa e outra com massa muscular não muito aparente. A quem você pediria uma “mãozinha”?

    É muito comum relacionar indivíduos com músculos exuberantes a seres muito fortes, mas, segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, um corpo cheio de massa muscular não é sinônimo de vigor físico.

    “A quantidade de massa muscular (hipertrofia) não é um indicativo direto da força máxima que um indivíduo consegue gerar. A força muscular é multifatorial e depende também de aspectos como a eficiência do recrutamento de unidades motoras, a frequência de disparo neural e a coordenação intermuscular”, avalia o personal trainer Junior Jocas, membro do Conselho Federal de Educação Física (Confef).

    Para Jocas, é importante entender a diferença entre a hipertrofia muscular e a força muscular. A primeira se refere ao aumento do volume das fibras musculares como resultado de estímulos tensionais e metabólicos acumulados no treinamento resistido. Já a segunda está relacionada à capacidade do sistema neuromuscular de gerar tensão contra uma resistência, envolvendo aspectos estruturais e neurais.

    Apesar de distintos, ambos termos são complementares. “É possível aumentar a força com pouca hipertrofia, dependendo da periodização e dos métodos de treino aplicados”, aponta o especialista.

    É possível ser forte mesmo sem ter músculos muito volumosos?

    É totalmente possível. Não é incomum encontrar vídeos pela internet de pessoas com menos massa muscular conseguindo levantar materiais de carga elevada ou atletas de levantamento de peso de corpo não tão tonificado. A personal trainer Thamiris Meurer afirma que o segredo está no controle, coordenação e estratégia muscular.

    “Atletas como levantadores de peso olímpico ou powerlifters, especialmente em categorias mais leves, costumam ser extremamente fortes sem apresentar grande volume muscular. Isso acontece porque eles treinam o corpo para ser eficiente, melhorando a ativação neuromuscular, a técnica e o aproveitamento das alavancas corporais”, explica a especialista que atua em Santa Catarina.

    Essa é a prova que pegar mais ou menos peso na academia vai muito além do tamanho dos músculos. Embora seja um dos fatores influentes, a resistência cardiovascular, flexibilidade e mobilidade, além da eficiência neuromuscular também são essenciais.

    Foto colorida homem negro mostrando braços definidos com músculos - Metrópoles
    Professores explicam que nem sempre a hipertrofia vem acompanhada de força física

    Se o objetivo principal é a estética, simetria e definição muscular, como no caso de fisiculturistas, o treino priorizará a hipertrofia, com volume moderado a alto de carga, mais repetições e curtos intervalos entre as séries.

    Já para quem busca força, a disposição de exercícios é totalmente diferente: as cargas são prioritariamente altas, com menos repetições e mais intervalo entre as séries. “Ambos são eficazes, mas com objetivos distintos e podem, inclusive, ser combinados dependendo da periodização e do objetivo do aluno”, destaca Thamiris.

    O culto ao corpo musculoso

    A distorção e a percepção real de força está muito relacionada à cultura do “corpo ideal”, um conceito bastante difundido pelas mídias sociais e que valoriza somente o volume muscular.

    “Não considerar também a funcionalidade ou a performance pode levar à falsa ideia de que mais músculos significam automaticamente mais força, o que é um equívoco fisiológico e técnico. A educação física deve promover a compreensão da funcionalidade do corpo, da saúde e da performance, acima da estética isolada”, alerta Jocas.

    De acordo com os especialistas, a regra é clara: um bom treinamento é aquele que não foca apenas na estética, mas sim na saúde como um todo.

  • Mulheres casadas transam menos com o tempo? Sexóloga explica

    Getty Images
    sexo

    A diminuição da vida sexual após o casamento é uma queixa recorrente em consultórios e conversas íntimas, especialmente entre mulheres. Longe de ser falta de amor, o fenômeno — conhecido como “déficit de frequência sexual” ou “casamento branco” — é, na maioria das vezes, reflexo de um conjunto de fatores emocionais, físicos e sociais que se acumulam ao longo da relação.

    Segundo a sexóloga Alessandra Araújo, o problema não surge do nada. “A queda do desejo costuma ser um sintoma de algo maior na dinâmica do casal ou na vida individual de cada parceiro. É uma questão biopsicossocial”, explica ao Metrópoles.

    Entenda

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    Do ponto de vista psicológico, Alessandra destaca um paradoxo comum nos relacionamentos duradouros: enquanto o desejo sexual se alimenta de novidade e mistério, o casamento é construído sobre previsibilidade, intimidade e segurança.

    Com o tempo, o excesso de familiaridade pode transformar o parceiro em alguém associado mais ao cuidado e à rotina do que à excitação. “Muitos casais abandonam o flerte e o cortejo. O outro deixa de ser desejado e passa a ser apenas necessário”, afirma a sexóloga.

    O estresse também tem papel central nesse afastamento. Trabalho, filhos e responsabilidades domésticas drenam a energia emocional do casal.

    “O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que inibe diretamente a libido. O cérebro entra em modo de sobrevivência, não de prazer”, explica a sexóloga.

    Entre as mulheres, esse impacto tende a ser ainda mais intenso. Alessandra aponta que, na maioria das relações, a parceira acumula a chamada carga mental — o planejamento da casa, da rotina dos filhos e da vida familiar. “Quando a mulher se sente sobrecarregada e percebe que só é tocada quando o parceiro quer sexo, esse toque deixa de ser prazeroso e passa a soar como cobrança.”

    Mulher branca, com cabelos lisos amarrados está com as duas mãos na cabeça e com os olhos fechados. Ela está com fisionomia de irritada
    Embora a ausência de sexo seja um problema do casal, o desejo feminino é particularmente sensível e muitas vezes atua como o indicador de saúde da relação

    Além disso, o desejo feminino costuma ser mais responsivo do que espontâneo. “Se ela passou o dia se sentindo invisível, desvalorizada ou exausta, não é possível ‘ligar’ o desejo à noite. A preliminar começa muito antes, com conversa, parceria e cuidado”, ressalta Alessandra.

    Questões físicas também entram nessa equação. Mudanças corporais após a maternidade, o envelhecimento e problemas como dor durante a relação ou secura vaginal podem gerar vergonha, desconforto e evitar a intimidade. Soma-se a isso fatores hormonais, uso de medicamentos como antidepressivos e fases como menopausa e andropausa, que influenciam diretamente a libido.

    O contexto social completa o cenário: falta de privacidade, casas pequenas, filhos por perto e uma divisão injusta das tarefas domésticas transformam o sexo em mais uma obrigação, e não em um espaço de prazer e conexão.

    Para Alessandra Araújo, a ausência de sexo raramente indica o fim do amor. “Na maioria das vezes, é sinal de exaustão emocional e da dificuldade de separar os papéis de pai, mãe e gestor da casa do papel de amante.”

    A saída, segundo a sexóloga, passa por renegociar funções, reduzir o estresse e investir conscientemente na intimidade. Resgatar o flerte, dividir responsabilidades, criar momentos de conversa sem distrações e retomar o toque sem expectativa sexual são passos fundamentais para que o desejo volte a encontrar espaço dentro do casamento.

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  • Palpite Barcelona x Real Madrid – Supercopa da Espanha – 11/1/2026

    Alamy Live News
    Barcelona x Real Madrid

    Barcelona e Real Madrid se enfrentam neste domingo (11/1), às 16h (de Brasília), pela final da Supercopa da Espanha, no King Abdullah Sports City, em Jeddah, na Arábia Saudita. O duelo também promete reunir os brasileiros Raphinha e Rodrygo, protagonistas ofensivos de seus times.

    O principal palpite para a decisão é a vitória do Barcelona, com odds de 1.95 na Betano.

    🧠 Palpites Barcelona x Real Madrid

    *Odds estão sujeitas a alterações. Última atualização em 9/1/2026

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    Inclusive, se ainda não tem conta em uma casa de aposta, veja como se cadastrar com o código de indicação Betano.

    🔍 Análise dos times

    Barcelona

    📍 O time catalão chega embalado, com 9 vitórias consecutivas.
    📊 Defesa sólida: não sofreu gols nos últimos cinco jogos.
    🔥 Raphinha em alta: marcou 5 gols nos últimos 5 jogos em que atuou, incluindo dois na semifinal.
    ⚠️ Lewandowski está em baixa: apenas 1 gol nas últimas seis partidas, mas o ataque segue eficiente com Lamine Yamal, Ferrán Torres e Fermín López.

    Real Madrid

    📍 Madrilenhos vêm de 5 vitórias seguidas, mesmo sem Mbappé na semifinal.
    📊 Courtois em destaque: fez 5 defesas decisivas contra o Atlético de Madrid.
    🔥 Rodrygo em ascensão: 3 gols e 3 assistências em 6 partidas recentes.
    ⚠️ Mbappé viajou e pode jogar, mas ainda se recupera de lesão no joelho.

    📈 Retrospecto e estatísticas

    ⚽ Jogadores em destaque

    🩺 Situação física dos times

    🥅 Prováveis escalações

    📺 Onde assistir Barcelona x Real Madrid

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