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  • Filha da PM Gisele tinha medo de coronel, que era "bravo com a mãe"

    Filha da PM Gisele tinha medo de coronel, que era "bravo com a mãe"

    Reprodução/Redes Sociais
    Mulher loira, de cabelos compridos, segura criança ao seu lado, no colo - Metrópoles

    O relato de uma criança sobre o clima dentro de casa passou a integrar o inquérito que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo.

    Segundo depoimento prestado à Polícia Civil pela mãe de Gisele e avó da menina, o pai da criança — Jean, ex-companheiro da policial — foi buscá-la no apartamento no dia 17 de fevereiro, um dia antes de Gisele ser encontrada gravemente ferida na sala do imóvel.

    De acordo com o relato, após deixar o apartamento do casal, a menina, de 7 anos, chegou à casa da família visivelmente abalada.

    “Na terça-feira (17/02/2026), o pai de sua neta a buscou na casa de Gisele e a levou para sua casa. A criança teria chegado na casa dos avós muito abalada, chorando muito, pedindo para não voltar para a casa, pois disse que não aguentava mais as brigas de Geraldo com a mãe e os gritos do padrasto”.

    O trecho consta no depoimento da avó da criança, Marinalva Vieira Alves de Santana, mãe da soldado Gisele.

     

    Segundo ela, a neta também descrevia uma rotina doméstica marcada por tensão dentro do apartamento. Gisele e a filha costumavam permanecer juntas no mesmo quarto, enquanto o tenente-coronel ficava em outro cômodo do imóvel, disse.

    “Agressões psicológicas”

    A mãe de Gisele também descreve episódios de controle e vigilância atribuídos ao oficial. De acordo com ela, a filha comentava que sofria pressão constante do marido, que impunha restrições a comportamentos cotidianos.

    “Gisele passou a queixar-se para a depoente sobre a agressividade de Geraldo. Dizia que tudo tinha que ser do jeito de Geraldo, que sofria agressões psicológicas com muita frequência, como por exemplo, proibição de usar salto alto, batom, perfumes”, disse Marinalva à polícia.

    A mãe da soldado afirmou ainda que o comportamento do oficial era percebido também por pessoas próximas ao casal. “Se ela fosse ao banheiro, ele ia atrás”, acrescentou.

    O dia da morte

    Na manhã de 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça na sala do apartamento onde vivia com o tenente-coronel.

    Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.

    Moradores do prédio relataram ter ouvido um forte estrondo naquela manhã.

    Investigação em andamento

    O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar também apura denúncias envolvendo o relacionamento do casal.

    O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto figura como parte na investigação e sustenta, desde o início, a versão de que a esposa teria tirado a própria vida.

    A defesa do oficial afirma que ele colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações para o esclarecimento completo dos fatos.

  • Obras de construtoras emporcalham SP e empurram sujeira para bueiros

    Obras de construtoras emporcalham SP e empurram sujeira para bueiros

    William Cardoso/Metrópoles
    Imagem mostra sujeira provocada por obras - Metrópoles

    Moradores de São Paulo têm reclamado da sujeira provocada pelos canteiros de obras espalhados pela cidade. A infinidade de empreendimentos imobiliários deixa um rastro de lama e concreto pelas ruas. Quando o asfalto é lavado ou chove forte, essa mistura acaba nas bocas de lobo e nas galerias de água pluviais, prejudicando a drenagem urbana.

    O Metrópoles conversou com vizinhos de obras em diversas regiões da cidade e, entre as reclamações, as ruas emporcalhadas chamam a atenção.

    O publicitário Luciano Menezes, 42 anos, notou uma relação entre obras e aumento nos alagamentos em algumas regiões. “Comecei a reparar que quase todas tinham marcas de concreto entrando nos esgotos pluviais”, diz. Em uma filmagem na Avenida Angélica, na região central, Menezes mostra concreto escorrendo para uma boca de lobo.

    Entre a Vila Mariana e a Aclimação, na zona sul, mais de 20 casas foram demolidas e dois quarteirões e meio praticamente desapareceram do mapa para a construção de prédios na Rua Dona Avelina. Os moradores têm notado a sujeira na rua, seja por barro ou concreto. O rastro chega a se prolongar por até quatro quadras a partir do canteiro.

    Uma professora que mora na região, e que preferiu não se identificar, publicou uma série de vídeos no perfil “Chega de Prédios”, mostrando a situação. “A gente tem brotos d’água nas calçadas, água de lençol freático sendo jogada nas sarjetas. O que acontece muito também é que as construtoras despejam muito barro e concreto nos bueiros”, diz.

    A moradora também afirma que o Córrego Pedra Azul está sendo poluído. Como a água escorre para o lago do Parque da Aclimação, distante cerca de um quilômetro, isso se refletiria na mortandade de peixes no local.

    A professora diz que a região está no corredor verde entre os parques da Aclimação e do Ibirapuera, com a vegetação sendo suprimida pelas obras. “Árvores adultas, frutíferas. A gente percebeu a diminuição do número de pássaros, de insetos polinizadores. Percebemos diferença no ar e na luminosidade”, afirma.

    Em Moema, também na zona sul, a analista Andrea Ferreira, 33 anos, sofre com diversos problemas, entre eles a sujeira. “Temos muitas obras simultâneas. Os problemas são barulho das obras, caminhões betoneira bloqueando o tráfego, sujeira nas calçadas, rachaduras nas casas vizinhas e muita poeira”, diz.

    Bueiros entupidos

    A diretora Thatiana Victorelli, 47 anos, afirma que as obras no Paraíso têm causado transtornos que, anteriormente, não eram vistos. Cita, inclusive, água acumulada na esquina entre as ruas Mario Amaral e Teixeira da Silva.

    “Em dias de chuva forte, a rua passou a ficar alagada por conta de um entupimento no bueiro exatamente nesse cruzamento. Nos últimos meses, dezenas de casas nesse quarteirão foram demolidas por duas incorporadoras, além da remoção de grandes volumes de terra e alterações no terreno”, diz.

    Diante da situação, Thatiana entrou em contato com representantes da construtora responsável e, posteriormente, abriu chamado no 156 da prefeitura. “Em menos de 24 horas, recebi a resposta de que o órgão responsável, em nome da Eccos Ambiental, informou que manteria  a programação de limpeza, agendada para junho. Ou seja, daqui a três meses”, diz. Ela entrou em contato também com a Ouvidoria da prefeitura.

    Não são apenas os bairros do centro expandido que foram afetados pela sujeira das obras. Na Freguesia do Ó, na zona norte, o artesão Fabio Luiz dos Santos, 39 anos, convive há cerca de um ano com a lama na porta de casa, emporcalhando tudo.

    “O que mais incomoda é que não dão o mínimo de atenção. Você não pode lavar o carro, sair com chinelo. Hoje está bom, porque a chuva lavou. Mas tinha barro aqui de formar crostas, como se fosse um aterro mesmo”, disse.

    Multas

    A Prefeitura de São Paulo diz que, só no ano passado, foram 372 autuações relacionadas ao “descarte de resíduos cimentícios e obstrução de galerias pluviais”. Neste ano, até o dia 6 de março, foram 45 multas.

    Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, os valores das multas aplicadas podem ultrapassar os R$ 30 mil.

    A prefeitura diz que as equipes de zeladoria e fiscalização atuam juntas na verificação de obstrução de galerias de águas pluviais.

    “Durante a execução das atividades de limpeza de bueiros, quando identificada uma obstrução ou resíduos provenientes de obras, a fiscalização da subprefeitura é acionada. Um agente vistor vai até o local e lavrar a multa”.

    A prefeitura afirma também que “é imprescindível o apoio da população e o munícipe pode denunciar anonimamente via SP156”.

    Procurado, o Secovi-SP não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

  • Prefeitura de SP fecha com déficit e Nunes cobra secretariado

    Prefeitura de SP fecha com déficit e Nunes cobra secretariado

    Guilherme Cunha / Divulgação SMTUR
    edificio matarazzo sede prefeitura de sp viaduto do chá

    A Prefeitura de São Paulo fechou com um déficit pelo segundo ano consecutivo, de acordo com balanço fiscal. O resultado negativo em R$ 120 milhões gerou irritação no prefeito Ricardo Nunes (MDB), que cobrou o secretariado.

    A administração municipal arrecadou R$ 123,451 bilhões e gastou R$ 123,571 bilhões. O desequilíbrio se deu em recursos livres —com receitas de R$ 83,7 bi, contra gastos de R$ 85,3 bi.

    No ano passado, o déficit foi maior, de quase R$ 7 bilhões.

    Apesar de oficialmente a gestão defender ao Metrópoles os resultados, a reportagem apurou que o prefeito tem cobrado os subordinados a respeito dos gastos durante reuniões.

    Questionada, a prefeitura afirma que “mantinha mais de R$ 13 bilhões em saldo em caixa no período mencionado, evidenciando sua saúde fiscal”.

    “Além disso, em 2026 já foram cancelados mais de R$ 900 milhões em restos a pagar do exercício anterior, referentes a despesas empenhadas por estimativa. Dessa forma, a liquidez e a solidez fiscal do Município seguem asseguradas. O resultado orçamentário de 2025 não representa qualquer risco à manutenção do equilíbrio das contas públicas paulistanas, tampouco indica irregularidades”, diz a nota.

  • Vorcaro relatou que Motta queria "saber de tudo no detalhe"

    Vorcaro relatou que Motta queria "saber de tudo no detalhe"

    Reprodução
    Vorcaro relatou diversos encontros com Motta

    O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF), que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), esteve reunido com ele “até quase 3 horas da manhã” e quis saber “de tudo no detalhe”.

    Em conversa de 8 de maio de 2025, Vorcaro relatou que o parlamentar permaneceu por longo período em reunião e demonstrou interesse em discutir assuntos de forma minuciosa. “Hugo saiu daqui quase 3 da manhã. Queria saber de tudo no detalhe”, escreveu o banqueiro à então namorada, Martha Graeff, às 8h54. Ela respondeu: “Wow, amor. Você nem dormiu então”. As mensagens indicam que Motta foi até a mansão do banqueiro, no Lago Sul de Brasília.

     

    Já no dia 8 de março, Vorcaro relata a Graeff: “Oi. Estou pousando em Brasília. Encontrei com Hugo no aero, será mais tarde um pouco o encontro. Vou esperar em casa”. A companheira do banqueiro deu o tom da importância da reunião: “Que horas, amor? Vou orar aqui”. Na sequência, Graeff completou: “Fizemos uma oração para você agora. Eu e Chanda. Só falei que era uma reunião. Nada de detalhes”.

    Um mês depois, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) abriu inquérito civil para investigar a compra de parte do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), com o objetivo de apurar as circunstâncias da negociação e a venda de ações da instituição.

    Procurado pela coluna, Hugo Motta preferiu não se manifestar sobre o teor dos encontros com Daniel Vorcaro.

    O banqueiro já havia mencionado outro encontro com o presidente da Câmara. Em 26 de fevereiro de 2025, ele afirmou a Graeff que participou de um jantar na “residência oficial” com Motta e outros empresários.

    “Tô num jantar na residência oficial com Hugo e seis empresários”, escreveu.

    Encontro com Alexandre de Moraes

    Em outro momento da conversa, em 20 de março de 2025, Vorcaro sugere que teve encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira (PP) e o ministro Alexandre de Moraes (STF).

    “Você está com gente aí? Ou está me ignorando de propósito?”, perguntou Graeff.

    “Estou sim. Acabou chegando Hugo e Ciro aqui para falarem com Alexandre. Não deve demorar. Mas, se você for dormir, eu saio e te chamo”, respondeu Vorcaro.

    As mensagens fazem parte da investigação da PF que fundamentou a 3ª fase da Operação Compliance Zero. Na decisão que autorizou prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça apontou indícios de um esquema criminoso que pode envolver integrantes da alta cúpula de órgãos governamentais.

  • “Hiper-humanização de Bolsonaro em tempos de “coisificação” do inimigo

    “Hiper-humanização de Bolsonaro em tempos de “coisificação” do inimigo

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
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    Jair Bolsonaro tem de ir para a prisão domiciliar? Se me fosse dado votar, diria “sim”. Mas não me dispenso de fazer algumas considerações.

    As correntes políticas autoritárias, de qualquer vertente, hiper-humanizam seus aliados e elevam seus ídolos, ora vejam!,  à categoria do divino, atribuindo-lhes, inclusive, dons premonitórios, e tratam os adversários como coisa, rebaixando-os, se preciso, à condição de seres descartáveis. E isso não é novo. Em “Da República”, escreveu Cícero (106-43 a.C):
    “No mesmo momento em que um rei se deixa dominar pela injustiça, converte-se em tirano, e nada é mais horrível e repulsivo aos deuses e aos homens do que esse animal funesto, que, embora com forma humana, sobrepuja, em ferocidade e crueldade, as mais desapiedadas feras. Quem dará o título de homem a um monstro que não reconhece comunidade de direitos para com os outros homens, nem laços que o unam à humanidade?” (“Da República”, Edições do Senado Federal, pág. 64)

    Cícero tinha amigos e inimigos violentos. Foi degolado por determinação do Segundo Triunvirato. Marco Antônio ordenou que lhe cortassem a cabeça e as mãos para exposição pública. Nas “Filípicas”, após o assassinato de César, Cícero havia lamentado que Antônio também não houvesse sido eliminado… Deu no que deu.

    Voltemos ao ponto, sem nunca ter abandonado o caminho. Os boletins médicos indicam que o estado de saúde de Bolsonaro não é nada bom. Havendo a melhora e podendo ficar sem a assistência hospitalar permanente, que vá para a prisão domiciliar, embora tenha, sim, em sua cela na Papudinha — a melhor e a mais equipada jamais reservada a um preso no Brasil —, toda a assistência de que precisa.

    O ambiente doméstico, no entanto, é menos hostil do que o da cadeia, o que lhe pode revigorar o ânimo, ainda que não esteja submetido às sevícias que ele já defendeu para seus adversários: “Eu sou favorável à tortura; você sabe disso”, chegou a dizer em entrevista. Não dá para ignorar nem esquecer. Como o golpe perdeu e como a democracia venceu, há que se lhe dispensar um tratamento digno na prisão — como, diga-se, ele tem— ou em casa. A frase que embalou e ainda embala o ódio dos bolsonaristas nas redes — “direitos humanos para humanos direitos” — é escárnio diante do sofrimento do “outro”.

    Ocorre que seus aliados sempre abordam a prisão domiciliar no modo “campanha”. Primeiro, tratava-se de proselitismo negacionista, marcado, inclusive, pela insanidade discursiva: apela-se ao ministro Alexandre de Moraes que conceda a domiciliar sob o argumento de que se tratou de uma condenação política e injusta. Ou por outra: argumenta-se na Corte que o condenou, e com abundância de provas, que reconheça a falência dos próprios critérios. Não tem sentido lógico, é claro!, apenas politiqueiro.

    Agora, em razão do calendário, a questão foi submetida a uma torção. Flávio Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência, usa as agruras do pai como discurso de mobilização eleitoral propriamente. É verdade que a disputa vindoura tem sido um dado permanente desde que foi recolhido à Papudinha: no presídio, o ex-presidente recebeu lideranças políticas, cuidou de palanques, tratou de alianças, escreveu cartas. Convenham: a reivindicação humanitária propriamente sempre ficou em segundo plano. Ignorar que seus aliados tratam a sua prisão também como um ativo eleitoreiro corresponde a virar as costas para o óbvio. E faço votos de que alguns de seus extremistas realmente torçam por sua recuperação, não pelo pior desfecho — evento que poderia ser usado, e seria, para incendiar os aliados.

    A CIVILIDADE POLÍTICA
    A civilidade política é uma construção que nasce da adesão a alguns pactos. Se a natureza de um jogo separa o campo em dois e se o objetivo de um dos lados é fazer a bola ultrapassar a linha que encerra o da metade adversária, isso pode ser feito com regras ou sem. O futebol, por exemplo, as tem. Ou seria uma carnificina. A ascensão da extrema direita mundo afora tem buscado menos alterar as regulações — e existem previsões legais para isso — do que ignorá-las. Donald Trump é de uma eloquência aterradora a respeito.

    O bolsonarismo é a primeira corrente de extrema direita no país, essencialmente reacionária, que pertence a uma espécie de rede internacional. O Integralismo, de inegável inspiração fascista, tinha contornos nativos e nativistas que também o descolavam dos fascismos europeus. Se alguém quiser se aprofundar a respeito, leia “O Integralismo de Plínio Salgado”, de J. Chasin (Livraria Editora Ciências Humanas), um livro fascinante. Salgado, acreditem!, chegou a propor que o Curupira fosse o símbolo da nacionalidade…  Agora temos o reacionarismo em rede. Nem preciso ilustrar com as andanças por aqui do tal Darren Beattie, que queria visitar Bolsonaro na cadeia. Trump, desde sempre, não tem adversários internos, mas uma lista de inimigos a serem neutralizados. Na sua concepção, eles não pertencem ao campo institucional e podem ser alvejados fora das regras do jogo, o que também vale, a depender da conveniência, para seus alvos mundo afora.

    Bolsonaro se tornou “Mito” prodigalizando absurdos e tonitruando aberrações que “ninguém, antes, tinha tido a coragem de dizer”, como se aquele pacto civilizatório de que falei só servisse para mascarar a “verdade”. E então se tem a patuscada da interpretação pusilânime de João 8:32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará!” Serviu como uma espécie de senha para o vale-tudo, de sorte que a liberdade de expressão passou a ser um manacial de crimes. De figura meio apalhaçada da periferia da reação mais abjeta a protagonista da cena — fagocitando a direita e ambicionando criar uma dinastia política —, o salto foi relativamente rápido. Bastou que a Lava Jato devastasse o meio ambiente político e que se passasse a jogar um jogo sem regras. O resultado apareceu…

    DE VOLTA À SAÚDE DO EX-PRESIDENTE
    Eu realmente torço pela recuperação de Bolsonaro. Agora como sempre. Tenho muitos textos a respeito. Provocaram-me asco as manifestações na esgotosfera torcendo pela morte de Lula e Dilma quando se submeteram a tratamento contra o câncer.

    Numa entrevista no dia 17 de setembro de 2015, indagado sobre a permanência de Dilma na Presidência, respondeu:
    “Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira. O Brasil não pode continuar sofrendo com uma incompetente ou ‘incompetenta’ à frente de um país tão grande e maravilhoso como esse aqui”.

    Assim se construía o “Mito”: o “outro político” como coisa, como lixo a ser eliminado.

    BOLSONARISMO, LAVA JATO E A DESUMANIZAÇÃO DO OUTRO
    No dia 22 de dezembro de 2017, o agora presidenciável Flávio, já então pré-candidato ao Senado, apresentou uma solução para os presos doentes, aptos à prisão domiciliar:
    “Políticos corruptos têm alegado problemas graves de saúde para saírem da cadeia. Você é a favor de cemitérios ao lado das carceragens da Polícia Federal para que o Estado gaste menos com o transporte dos corpos?”

    Em seguida, apresentou o placar da sua enquete infame: “SIM: 96,1%; NÃO: 3,9%”

    No dia 1ª de março de 2019, o então deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), reagiu assim à ida de Lula ao velório do neto Arthur, morto ao sete anos, de septicemia:
    “Quando o parente de outro preso morrer ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso, só deixa o larápio em voga posando de coitado.”

    Pouco antes, no dia 27 de fevereiro daquele ano, ele disse o que pensava sobre um ex-presidente em presídio especial:
    “É um absurdo que Lula não vá para um presídio comum. Cadê a isonomia constitucional? A PF gasta absurdos reforçando a segurança da SR/PR [Superintendência Regional do Paraná] onde ele está e todos acham esse privilégio normal? Alô @policiafederal, alô @justicafederal! Será que a culpa disso é das leis também???”

    Não foi só a família Bolsonaro a dizer indignidades. Marisa Letícia, então mulher de Lula, sofreu um AVC hemorrágico no dia 24 de janeiro de 2017 e morreu a 2 de fevereiro daquele ano. Na data em que ela foi internada, revelaram os diálogos da Vaza Jato, Januário Paludo, uma das estrelas da Lava Jato, comentou no grupo de procuradores:
    “Estão eliminando as testemunhas…”

    No dia da morte, a procuradora Laura Tessler, disparou:
    “Quem for dar a notícia, prepare o espírito para um lamento sem fim. Estilo ‘a morte da Dona Marisa foi pela perseguição da Lava Jato’
    E emendou:
    “Aposto que Lula vai usar isso politicamente… Pode até ser uma carne mais salgada ou a descoberta de traições que causou a pressão alta”.

    No dia 29 de janeiro de 2019, morreu Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula, aos 79 anos. O então ex-presidente não obteve autorização para ir ao velório. Paludo e Tessler voltaram à carga.
    Januário Paludo: “O safado [Lula] só queria passear e o Welter com pena”.
    Referia-se ao colega procurador Antônio Carlos Welter, que era a favor da liberação.
    Laura Tessler: “O que esse homem não faz para aparecer? É um teatro puro”.

    Tampouco comoveu aqueles valentes a morte de Arthur, de sete anos:
    Jerusa Viecili: “Preparem-se para a nova novela da ida ao velório”.
    Deltan Dallagnol ao comentar o enterro: “A militância transformou o velório em palanque político. Ninguém mais dá ouvidos a ele [Lula]”.

    Deboche, escárnio, crueldade, zombaria. O outro é nada. E se lhe deve confiscar até o direito ao sofrimento.

    CONCLUO
    Se alguém chegou até aqui e imagina que a minha conclusão é a de que o bolsonarismo está apenas colhendo o que plantou, bem, devo advertir: está entendendo tudo errado.

    O que se lê acima é a mais pura e horripilante expressão de uma concepção de mundo que lança sobre o adversário ou aqueles que julga necessário combater um olhar derrisório, congratulando-se com sua desgraça e exercitando a maldade, em seu estado mais bruto, como se fosse senso de justiça, o que, evidentemente, corrói instituições e valores civilizatórios.

    “Ah, mas as coisas se ajeitam porque, no fim, um pouco de bom senso se impõe…”

    Pois é. Hannah Arendt comenta, em “As Origens do Totalitarismo”, a perspectiva que muitos tinham de que o nazismo acabaria, de algum modo, se acomodando a alguma razoabilidade, a despeito da barbárie que se anunciava:
    “O engano trágico dessas profecias, provenientes de um mundo que ainda vivia em segurança, foi supor a existência de uma natureza humana que era imutável através dos tempos, identificar essa natureza humana com a história e, assim, declarar que a ideia de domínio total era não apenas desumana como irrealista.” (Origens do Totalitarismo, Companhia das Letras, 1989, páginas 507).

    Antes ainda:
    “A experiência dos campos de concentração demonstra realmente que os seres humanos podem transformar-se em espécimes do animal humano e que a ‘natureza’ do homem só é ‘humana’ na medida em que dá ao homem a possibilidade de tornar-se algo eminentemente não-natural, isto é, um homem.” (página 506)

    Há séculos de história num Bolsonaro hiper-humanizado — ao nível da mitificação — por seus aliados e na sem-cerimônia com que ele próprio e seguidores trataram a morte e a eliminação física de adversários e desafetos. Não esperem, como alertou Arendt, que uma “natureza humana imutável” coloque um freio natural nos apetites e nos ódios. Isso é matéria de escolha e de adesão ao pacto civilizatório.

    E as paixões sanguinolentas estão por aí, à flor da pele.

  • Brasileirão: confira os melhores momentos dos jogos deste domingo

    Brasileirão: confira os melhores momentos dos jogos deste domingo

    Rubens Chiri / Saopaulofc.net
    Foto colorida do time do São Paulo - Metrópoles

    O domingo (15/3) foi emocionante para os amantes do Campeonato Brasileiro. Em um dia intenso, com sete jogos disputados, o São Paulo venceu mais uma no torneio e segue na liderança. Metrópoles Esportes acompanhou as partidas e traz os melhores momentos.

    Jogando no Beira-Rio, em Porto Alegre, o Bahia venceu o Internacional por 1 x 0, com gol de William José.

     

    No clássico paulista, Memphis Depay e Gabigol marcaram os gols do empate em  1 x 1 entre Santos e Corinthians. A partida foi disputada na Vila Belmiro.

     

    Em jogo eletrizante no Maracanã, o Fluminense venceu o Athletico-PR por 3 x 2. Hércules, Canobbio e Guilherme Arana marcaram para o time carioca, enquanto Mendoza e Luiz Gustavo balançaram as redes para os paranaenses.

     

    Flaco López brilhou em mais uma partida do Palmeiras e marcou o gol da vitória sobre o Mirassol. A partida terminou 1 x 0 para o Verdão.

     

    O Coritiba venceu mais uma no Brasileirão, desta vez sobre o Remo, jogando em casa. Pedro Rocha foi o autor do gol.

     

    O São Paulo começou perdendo o jogo para o Bragantino, mas virou a partida e venceu por 2 x 1. Herrera marcou para o Massa Bruta, enquanto Sabino e Calleri deram a vitória ao Tricolor Paulista.

     

    Cruzeiro e Vasco da Gama fizeram um jogo de seis gols e uma expulsão no Mineirão. O Cruzmaltino teve a vitória nas mãos, mas cedeu o empate aos 50 minutos do segundo tempo. Cauan Barros, duas vezes, e Brenner marcaram para os cariocas, enquanto Christian, Villarreal e Japa balançaram as redes pelo time celeste.

  • Público culpa Gwyneth Paltrow por derrota de O Agente Secreto. Entenda

    Público culpa Gwyneth Paltrow por derrota de O Agente Secreto. Entenda

    John Shearer/Getty Images
    98th Annual Oscars

    A histórica derrota de Fernanda Montenegro no Oscar voltou a repercutir nas redes sociais durante a cerimônia deste domingo (15/3). Internautas resgataram o episódio após uma foto de Gwyneth Paltrow com Wagner Moura circular na web.

    Na imagem, a atriz americana aparece sorridente ao lado do brasileiro nos bastidores da premiação. O encontro, no entanto, virou motivo de revolta entre internautas brasileiros, que atribuíram as derrotas do Brasil no Oscar ao fato do ator ter posado ao lado de Paltrow.

    Os comentários fazem referência à disputa de 1999, quando Gwyneth venceu o Oscar de Melhor Atriz por Shakespeare Apaixonado, superando Fernanda Montenegro, indicada por Central do Brasil. O resultado segue sendo um dos mais debatidos entre fãs de cinema no Brasil, com muitos críticos defendendo que a atuação da brasileira foi superior.

    O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, encerrou sua participação no Oscar 2026 sem levar estatuetas, apesar de ter quatro indicações

    “Depois de 1999, era melhor manter o Wagner longe da Gwyneth”, escreveu um internauta no X (antigo Twitter). “A maldição do Oscar atacou de novo”, brincou outro.

    Além disso, após as derrotas, brasileiros invadiram o Instagram da Academia para protestar. “CPI do Oscar já. O Brasil foi roubado”, disse uma pessoa. “Roubaram o Brasil na cara dura”, escreveu outra.

  • Lula se pronuncia após derrota de O Agente Secreto no Oscar

    Lula se pronuncia após derrota de O Agente Secreto no Oscar

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    Lula, Janja, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou, na madrugada desta segunda-feira (16/3), após a derrota de O Agente Secreto em quatro categorias no Oscar 2026.

    Na publicação, assinada por Lula e pela primeira-dama Janja, o casal destacou que “milhões de brasileiros” estão orgulhosos de ver, mais uma vez, artistas brasileiros no Oscar. Além de O Agente Secreto, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso, indicado por Sonhos de trem, também terminou a noite sem uma estatueta.

    “Foram cinco indicações ao maior prêmio do cinema mundial, mostrando novamente a força do nosso cinema e o talento dos nossos atores, atrizes, diretores e de toda a equipe técnica que faz essa arte acontecer”, escreveu o presidente.

     

    Na publicação, Lula ainda destacou a força do cinema brasileiro. “É o Brasil levando ao mundo a potência da nossa cultura e das nossas histórias”, escreveu.

    Por fim, Lula e Janja parabenizaram os brasileiros indicados. “Parabéns a Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Gabriel Domingues, a toda equipe de O Agente Secreto, e também a Adolpho Veloso, diretor de fotografia de Sonhos de Trem. Temos muito orgulho de todos vocês e do nosso cinema”, diz a publicação.

  • Vídeo: reação de Wagner Moura ao perder Oscar de Melhor Ator viraliza

    Vídeo: reação de Wagner Moura ao perder Oscar de Melhor Ator viraliza

    Caio Lírio / Divulgação
    wagner moura premio teatro

    Wagner Moura perdeu a categoria de Melhor Ator para Michael B. Jordan no Oscar 2026. O brasileiro disputava por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e sua reação ao anúncio do vencedor viralizou nas redes sociais.

    Veja o vídeo:

    Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto concorreu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Elenco, com Gabriel Domingues, mas não levou nenhum prêmio.

    Adolpho Veloso também representava o Brasil na categoria de Melhor Fotografia, pelo trabalho em Sonhos de Trem, mas a vitória ficou com Pecadores.

    Uma Batalha Após a Outra, dirigido por Paul Thomas Anderson, foi o grande destaque da noite ao conquistar seis prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

    Pecadores aparece logo atrás do filme de Anderson, com quatro vitórias. Já Frankenstein, produção da Netflix estrelada por Jacob Elordi, completa o ranking com três estatuetas.

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    Brasil termina Oscar 2026 sem estatuetas: veja a lista de vencedores

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