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Categoria: Teste
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Portas fechadas: interdições em escolas no DF crescem 188% em 4 anos. Vídeo
Arte / Metrópoles
O funcionamento das escolas no Distrito Federal depende de uma série de autorizações e licenças exigidas pelos órgãos públicos. Quando alguma dessas exigências não são cumpridas, as instituições podem ter as atividades interrompidas pela Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal). Isso acontece pelo fato de a pasta realizar ações fiscais nos colégios da capital. O resultado das ações, inclusive, mostra um aumento de 188% de estabelecimentos educacionais interditados nos últimos quatro anos.
Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), que demonstram que a DF legal realizou 303 ações fiscais desde 2022 até novembro de 2025. As operações envolvem vistorias (196 ações), notificações (30) e multas aplicadas à infrações cometidas pelas escolas (24), além das interdições (53).
Segundo o coordenador da DF Legal, Allan Almeida, as ações de fiscalização não ocorrem apenas por iniciativa do órgão. Na maior parte dos casos, as inspeções são motivadas por denúncias da população ou por solicitações de outros órgãos.
“As atuações da DF Legal ocorrem mediante pedidos enviados pela população via ouvidoria ou pelos demais órgãos do GDF, especialmente a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF)”, explicou.
Dentre as Regiões Administrativas (RAs) que mais tiveram ações fiscais, destaca-se as regiões de Taguatinga (DF) e Plano Piloto (DF). No período do levantamento, Taguatinga foi a RA com mais escolas interditadas, com um total de 11 – o que representa 20% das escolas interditadas pela pasta. Já o Plano Piloto, foi a RA mais monitorada com 32 ações de vistorias em escolas da região.
Segundo a pasta de educação, o aumento do número das instituições interditadas está relacionado à “intensificação das ações de supervisão da rede privada de ensino no Distrito Federal”, conduzidas pela secretaria com base na resolução n° 2/2023 do Conselho de Educação do Distrito Federal (CEDF).
“Quando o CEDF identifica o funcionamento de instituições sem o devido credenciamento ou sem processo de regularização, a DF Legal é acionada para adoção das medidas cabíveis”, explicou a pasta.
Irregularidades no licenciamento
De acordo com Almeida, o principal motivo das interdições é a ausência ou irregularidade no Registro de Licenciamento de Estabelecimento (RLE), documento que reúne todas as autorizações necessárias para o funcionamento da instituição.
Caso haja alguma pendência de algum órgão, o RLE é considerado inválido e há duas possibilidades a serem tomadas, de acordo com a pasta: interditar sumariamente a escola; ou notificar a escola a regularizar a situação no prazo de 30 dias.
“No RLE estão todas as informações dos órgãos licenciadores quanto às vistorias realizadas e a DF Legal só considera o documento válido quando a escola possui todas as licenças dentro da data de validade”, destacou.
O coordenador ainda explica que a interdição sumária ocorre para toda creche com pendências no RLE. A partir da pré-escola – etapa de ensino subsequente à creche – é necessário observar a capacidade da escola.
“Se couberem menos de 200 pessoas, é dada notificação com prazo de 30 dias para a regularização. Se o espaço for feito para comportar mais de 200 pessoas, a interdição também é sumária mesmo se tratando de pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. No caso de descumprimento da interdição, é aplicada multa e pode também ser aplicado o lacre físico no estabelecimento”, disse.
No caso de descumprimento da interdição, é aplicada multa e pode também ser aplicado o lacre físico no estabelecimento, no entanto, Almeida ressalta que todas as interdições são condicionadas à resolução das pendências no RLE, não sendo, portanto, definitivas.
Creche interditada em 2026
Em janeiro deste ano, foram realizadas 14 ações fiscais com quatro interdições e uma multa. Os dados de fevereiro ainda não foram disponibilizados, no entanto, nesse mês, a creche Casa da Mãe Preta, no Park Way (DF), foi interditada após a DF Legal constatar que a instituição funcionava sem licença válida do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).
A mesma instituição foi multada um dia depois por retomar as atividades, mesmo com a medida do fechamento imediato da escola, conforme mostra o vídeo acima na reportagem.
Relembre o caso
À época, a SEE-DF informou que iria apurar, sob sigilo, supostas irregularidades na escola, por se tratar de uma unidade acompanhada pela Comissão de Monitoramento e Avaliação das Parcerias (CMAP), vinculada à Subsecretaria de Administração Geral (Suag).
Em nota atualizada, a SEE-DF informou que, após a interdição, as crianças foram realocadas pela Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante para outras unidades parceiras, garantindo a continuidade do atendimento.
“A organização responsável solicitou prazo para regularização da situação e, em caráter excepcional, foi concedido prazo até 30 de abril para adoção das providências necessárias à regularização e eventual retomada das atividades“, acrescentou em nota.
A secretaria ainda ressalta que, durante o período de suspensão do atendimento educacional, a parceria permanece vigente, sendo permitida a utilização dos recursos apenas para despesas relacionadas à manutenção da estrutura necessária à regularização da unidade.
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Artistas percorrem escolas públicas de SP em campanha contra bets. Veja vídeo
Divulgação/ Fábricas de Cultura
Em continuidade ao concurso de funk com o tema de conscientização de vício em jogos, as Fábricas de Cultura vão levar às escolas públicas da zona leste de São Paulo, de Santos, no litoral paulista, e de São Bernardo do Campo, na região metropolitana, artistas para falar com os estudantes sobre os prejuízos das apostas on-line, como o Tigrinho.
A campanha chamada “Volta às Aulas Sem o Tigrinho” leva mensagens de alerta diretamente ao ambiente escolar. Na ação, .
O Metrópoles acompanhou, há duas semanas — na sexta-feira, 6 de março —, uma roda de conversa dos MCs Edisinho e Mc Caesar (vencedores do concurso de funk) na E.E Aurélio Buarque de Holanda, localizada na Vila Curuçá.
Durante a ação, os artistas se apresentam nos recreios das escolas selecionadas cantando as músicas criadas com o intuito de desencorajar o jovem de baixa renda a apostar nos sites de bets. O objetivo é utilizar a linguagem e o ritmo popular entre os jovens para amplificar a reflexão e o alerta sobre o “efeito Tigrinho”.
Um grupo de estudantes contou ao Metrópoles como a ativação foi emocionante. Os alunos, que têm entre 10 e 12 anos, conhecem pessoas – inclusive familiares – que já perderam dinheiro, celulares e até a casa por causa do Tigrinho.
“[A campanha] é muito boa porque os artistas incentivam as pessoas que querem [apostar] a não fazerem. Porque Tigrinho pode ser um vício […] Essa apresentação na escola é boa porque são mais os jovens que frequentam esse aplicativo, querendo descobrir coisas novas”, disseram.
As crianças ressaltaram que as propagandas que influenciam o uso de bets deveriam parar. “Quem acha que é o caminho mais fácil, no final, vai acabar na busca”, falaram.
Conscientização sobre o vício em jogos
Os artistas Mc Edisinho e Mc Caeser contaram que o projeto teve início após eles terem sido convidados para compor funks contra o Tigrinho.
“Quando a gente está cantando para jovens, estamos passando uma visão correta para eles através do funk. Porque o funk, exatamente na sua raiz, é isso. É a conscientização, é passar uma visão, é passar uma ideia bacana. É muito legal ver que as crianças estão pegando aquela visão, estão se conscientizando através da arte. Porque o funk hoje é algo global e as crianças estão conseguindo pegar essa visão através da música que elas gostam, que elas ouvem no dia a dia. Isso é maravilhoso”, opinou Caeser.
Segundo os músicos, o vício em apostas é algo que precisa ser conscientizado não apenas com crianças, já que muitas pessoas de 30 a 40 anos também “caem nessa armadilha”. Para eles, o “apelo” é maior por causa do estado periférico deles e por eles estarem frustrados com a vida, pelo fato de não terem conseguido chegar onde queriam com a idade que têm.
A supervisora regional de ensino Alexandra Avelino Cardoso comentou a importância de levar uma campanha contra bets para os jovens. “O Tigrinho já não vai tanto nessa realidade, porque, às vezes, eles não estão atentos ao ganho do dinheiro agora. Mas, futuramente, eles podem sofrer essas situações porque, às vezes, tem gente na família [com o hábito de apostas]. Então, há conscientização”, apontou.
Parceria entre as Fábricas de Cultura e as escolas públicas
Além das visitas, a campanha prevê a colocação de cartazes feitos por grafiteiros da periferia com mensagens de conscientização. As obras, originalmente feitas em telas por artistas das Fábricas de Cultura, agora chegam ao ambiente educacional em forma de cartazes que ilustram os perigos e o endividamento causados pelas apostas on-line, reforçando o lema “Tigrinho vicia, grafite conscientiza”.
Para o subgerente da Fábrica de Cultura Vila Curuçá, Bruno Mendes Brito Naves, a parceria entre eles e as escolas públicas é de extrema importância para os jovens da região.
“Aqui na escola, a gente uniu a educação com a cultura do grafite e a cultura do cantor. Os alunos pegaram a letra e cantaram ali no palco e foi um sucesso. Então, é muito bacana essa parceria. Para a gente, é uma alegria imensa ter essa parceria de muitos anos”, afirmou Bruno.
O coordenador de projetos de difusão das Fábricas setor A, Matheus Moreira da Silva Oliveira, explicou ao Metrópoles como surgiram as campanhas contra o Tigrinho. “A gente vê que nas comunidades, principalmente nas periferias, nos extremos, tem muito problema com jogos de apostas. Então, muitas famílias são prejudicadas, pessoas mais novas que estão começando nesses jogos tipo Tigrinho, jogos de cassino e tudo mais. E, às vezes, perdendo a renda familiar e começando a passar por apuros”, contou.
Dessa ideia, veio a decisão de contratar grafiteiros do entorno das Fábricas para criar cartazes que estão sendo colocados nas escolas.
Matheus contou que, desde o início da iniciativa, já sentiu o impacto positivo das ações. “Muitas crianças vieram falar com a gente que não estavam mais entrando dentro do site de apostas, conversando com o pai e com a mãe, porque a gente sabe que os adultos também fazem muito. Então, ter esse incentivo por parte das crianças, para o resto da família, vindo desses artistas e desses grafites que a gente divulga, foi um impacto muito interessante e positivo para a gente também”, disse.
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"Trocava fralda na sala": como mães conciliam filhos e universidade
Lara Abreu/Metrópoles
“Eu me senti muito largada e deixada de lado. Era como se eu não tivesse ido atrás das coisas”. O relato é da estudante da Universidade de Brasília (UnB) Vitória Amaro, 22 anos, que descobriu uma gestação em 2024, quando estava no 5º semestre do curso de Letras. A chegada do filho, Yuri, transformou a rotina e revelou um cenário de desafios para quem tenta conciliar maternidade e ensino superior.
Vitória contou ao Metrópoles que seguiu frequentando as aulas normalmente até o final do oitavo mês de gestação. Depois disso, entrou com o pedido de licença-maternidade estudantil junto à coordenação do curso.
Na UnB, estudantes de graduação e pós-graduação podem solicitar exercícios domiciliares aos professores responsáveis pelas disciplinas. Caso a atividade não possa ser realizada remotamente, existe a possibilidade de trancamento justificado da matrícula por maternidade.
“Eu fui na coordenação, preenchi os papéis e coloquei as matérias que estava cursando. A ideia era ter acesso aos materiais e acompanhar as aulas de forma remota durante a licença”, explicou.
Yuri nasceu em setembro de 2024, e Vitória permaneceu afastada das aulas presenciais durante os primeiros meses de vida do bebê. Quando o semestre seguinte começou, ela reenviou a documentação aos professores solicitando acesso ao conteúdo das disciplinas.
No entanto, recebeu retorno de apenas duas docentes.
“Foi uma quebra de expectativa muito grande e uma tristeza mesmo com a instituição, por não ter sido acolhida como eu esperava. Até porque era um direito que eu tinha ido atrás justamente para não precisar trancar. E, ainda assim, eu tive que desistir, trancar esse semestre e atrasar o meu curso. Então foi muito frustrante”, disse.
Na tentativa de resolver o problema, Vitória decidiu ir pessoalmente até a universidade conversar com os professores. “Expliquei que estava de licença-maternidade e que meu bebê ainda era muito pequeno. Na hora, todos pareceram muito solícitos”, contou.
Na prática, porém, a realidade foi diferente. Segundo ela, os materiais das aulas, os textos e as atividades não foram enviados.Sem acompanhar o conteúdo das disciplinas, a estudante passou a se sentir cada vez mais distante da rotina acadêmica.
Sem conseguir cumprir as atividades, ela decidiu trancar o semestre.
Falta de estrutura
Vitória voltou à universidade no semestre seguinte, quando Yuri já estava um pouco maior. A nova fase trouxe outros desafios.
Ela conta que percebeu a falta de estrutura para mães dentro do campus, como espaços adequados para amamentação, fraldários e ambientes acessíveis para circular com carrinho de bebê.
“Eu tinha que ir no amarelinho, que lá tem um banheiro que diz que é preferencial e é fraldário, mas a porta estava sempre fechada. Eu perguntava para as pessoas se tinha chave e se podiam abrir para mim. Era sempre um empecilho porque não tinha chave, não dava para abrir ou estava interditado”, disse.
Sem alternativa, algumas trocas de fralda precisaram ser feitas dentro da própria sala de aula.
“Eu tinha que trocar ele em cima da mesa ou então no assento em que eu estava sentada. E, assim, tampando as partes íntimas dele porque a gente fica inseguro, não conhece as pessoas que estão do nosso lado e não quer expor o nosso filho”, afirmou.
Para Vitória, as dificuldades revelam um problema mais amplo dentro da universidade: a falta de preparo institucional para receber mães com bebês.
Rotina exaustiva
Histórias como a de Vitória não são isoladas. Para muitas estudantes que se tornam mães durante a graduação, conciliar a criação dos filhos com as exigências acadêmicas se torna um desafio diário.
A estudante de biomedicina Jhúlia, que cursa faculdade semipresencial na Uninter, relata que o maior obstáculo muitas vezes é o cansaço físico e emocional da maternidade.
Mãe de uma bebê de 7 meses, ela conta que continuou estudando logo após o parto.
“Eu não tirei a licença e aí com uma semana de cesária eu estava dentro da sala. Eu faço aula nas quintas-feiras, então se eu faltar uma quinta-feira eu reprovo na disciplina. E é muito cansativo”, relatou.
Além da faculdade, Jhúlia também trabalha. A rotina intensa faz com que ela passe longos períodos longe da filha, o que gera um sentimento constante de culpa.
“Por não estar perto dela, perco muita coisa. É uma nova bebê todo dia que eu a vejo. Todo dia, ela aprende uma coisa nova e está fazendo uma coisa nova”, disse.
Por cursar biomedicina, Jhúlia explica que nem sempre existe a possibilidade de levar a filha para a faculdade, já que muitas aulas acontecem em laboratório.
“Como meu curso é da área da saúde. Então, se eu precisasse levá-la para a faculdade, eu não poderia porque no laboratório, a gente pode ter infecção, ter contaminação”, afirmou.
Iniciativas
Apesar das dificuldades relatadas por estudantes, algumas iniciativas têm surgido dentro das instituições de ensino para ampliar o apoio a mães e pais que conciliam a rotina acadêmica com o cuidado dos filhos.
Na UnB, uma das ações recentes é a Cuidoteca, espaço de acolhimento noturno para crianças enquanto mães, pais e responsáveis estudam ou trabalham na universidade.
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 22h45, e oferta até 40 vagas para crianças de 3 a 9 anos no 1º semestre de 2026.
Outra iniciativa é o Centro de Educação Infantil da UnB (CEI-UnB), localizado no campus Darcy Ribeiro. A unidade oferece 121 vagas para crianças, sendo 35 destinadas à comunidade acadêmica, o equivalente a 30% do total.
Além disso, a universidade conta com a Política Materna e Parental, que prevê medidas de apoio institucional, prioridade de matrícula para estudantes com filhos e regulamentação de atividades acadêmicas em regime domiciliar.
No campo da assistência estudantil, também é oferecido o Auxílio Creche, benefício financeiro de R$ 700 destinado a estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica que tenham filhos de até cinco anos.
Desafio estrutural
Para especialistas, a dificuldade enfrentada por mães universitárias está ligada a desafios estruturais do país.
De acordo com a coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Daniela Mendes, o acesso a creches é um dos fatores que podem influenciar diretamente na permanência das mulheres no ensino superior.
“Não daria para afirmar categoricamente que, garantindo vaga em creche, a continuidade das mães estaria garantida, mas esse é um elemento que pode apoiar principalmente as mães que não contam com uma rede de apoio”, explicou.
Ela destaca que o problema vai além das universidades. O Brasil ainda tem um número elevado de crianças de 0 a 3 anos fora da creche por dificuldade de acesso, o que acaba impactando diretamente as oportunidades de estudo e trabalho para muitas mulheres.
“A creche não é só um direito da criança, é um direito da família e se enquadra como um serviço que é essencial para a gente conseguir garantir igualdade para as mulheres no Brasil”, afirmou.
Segundo Daniela, quando a mãe não encontra um local seguro onde possa deixar o filho enquanto trabalha ou estuda, muitas acabam se afastando da qualificação profissional.
“Ao garantir a vaga para que a criança esteja sendo bem cuidada com o seu desenvolvimento pleno atendido enquanto as mães conseguem ter a sua vida, você está apoiando para que essa criança esteja numa família em que tem melhores condições de vida”.
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Em quais categorias O Agente Secreto tem mais chances no Oscar?
Reprodução
O Brasil fez história ao conquistar cinco indicações ao Oscar 2026. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, disputa Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco. Já Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem.
A estatueta mais provável é a de Melhor Filme Internacional, segundo Marcio Sallem, professor de cinema, e Miriam Spritzer, da Hollywood Creative Alliance. Se vencer novamente, o Brasil repetirá um feito que não ocorre desde 1987 e 1988, quando a Dinamarca ganhou a categoria dois anos seguidos.
Spritzer também destaca que a divisão de votos na categoria de Melhor Ator pode abrir caminho para uma vitória de Wagner Moura. Já a cineasta Fernanda Schein enxerga mais chances para O Agente Secreto em Direção de Elenco, mas aponta o diretor de fotografia Adolpho Veloso como principal aposta brasileira neste ano.
Os especialistas concordam que, mesmo sem vitórias, o número recorde de indicações é uma grande conquista. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, garantiu ao país a primeira estatueta de Melhor Filme Internacional. Agora, com mais indicações, o Brasil consolida o espaço do cinema nacional na premiação.
Melhor Filme Internacional
A categoria concentra grande expectativa após a vitória brasileira no ano passado. Em 2026, o principal concorrente é Valor Sentimental, da Noruega, indicado a nove categorias. Ainda disputam Foi Apenas Um Acidente (França), Sirat (Espanha) e A Voz de Hind Rajab (Tunísia).
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam Valor Sentimental como o favorito, sobretudo por aparecer em categorias de peso, como Direção e Roteiro Original.
“Bem possível que esse filme acabe recebendo o prêmio de Melhor Filme Internacional, até por ter o diretor indicado. E o Kléber Mendonça não está indicado à categoria de Melhor Diretor. Isso é geralmente um bom sinal para ver quem vai ganhar”, analisa Miriam Spritzer.
Em 2025, Emilia Perez tinha 10 indicações a mais do que Ainda Estou Aqui e também figurava em categorias centrais. Ainda assim, o filme sobre Eunice Paiva venceu. Para o crítico Marcio Sallem, é justamente em Filme Internacional que estão as maiores chances do Brasil.
“É um filme que tem obtido uma repercussão muito forte pela sua narrativa ousada, política, pela sua forma ambiciosa”, opina.
Se vencer, o Brasil se tornará o primeiro país da América do Sul com duas vitórias consecutivas na categoria. Apenas Japão, França, Itália, Suécia e Dinamarca alcançaram esse feito. Franceses e italianos repetiram a conquista em três ocasiões cada. A última sequência ocorreu em 1988.
Melhor Ator
Desde o início da temporada, Wagner Moura mantém campanha intensa, com forte presença em eventos e programas internacionais. Ele se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama, mas o cenário no Oscar segue indefinido.
Timothée Chalamet, de Marty Supreme, começou como favorito, mas perdeu força ao longo da temporada. A categoria ainda reúne nomes de peso como Leonardo DiCaprio, por Uma Batalha Após a Outra, Michael B. Jordan, por Pecadores, e Ethan Hawke, estrela de Blue Moon.
“O favorito na categoria é o Timothée Chalamet é quase que claro. Mas é possível que os votos dele, os votos do Michael B. Jordan se separem e abra a possibilidade para uma ‘terceira via’. Será que vai ser Wagner Moura? Pode ser que sim”, analisa Miriam.
No Critics Choice Awards e no Globo de Ouro, Chalamet saiu campeão em categorias de atuação. Já no Bafta, Marty Supreme perdeu as 11 categorias em que concorria. Michael B. Jordan, protagonista de Pecadores, filme com 16 indicações (recorde da história do Oscar), ganhou o The Actor Awards em 1º de março, último grande prêmio antes do fim das votações, no dia 5.
Caso o The Actor Awards houvesse premiado Chalamet, o favoritismo estaria consolidado. A vitória de Jordan embaralhou a disputa. Wagner Moura já tem o Globo de Ouro, enquanto o veterano Hawke tenta a primeira estatueta após quatro indicações.
“O Timothée perdendo força, a força do Wagner cresce. Só que ele ainda tem que desbancar o Michael B. Jordan e o Leonardo DiCaprio, que são atores indicados pelos filmes que têm mais indicação neste ano”, observa a cineasta Fernanda Schein.
Melhor Seleção de Elenco
A categoria de Melhor Direção de Elenco estreia em 2026, a primeira criada desde Melhor Animação, em 2001. A novidade torna o resultado imprevisível, já que não há histórico recente para comparação.
Gabriel Domingues concorre pelo trabalho em O Agente Secreto contra os responsáveis pelo elenco de Hamnet, Pecadores, Marty Supreme e Uma Batalha Após a Outra.
É importante lembrar que, não é o elenco em si que está em análise, mas o trabalho de selecionar atores ideais para cada papel, dos protagonistas aos figurantes, garantindo boas performances e coesão com a proposta de cada trabalho.
“Claro que O Agente Secreto tem uma seleção de elenco maravilhosa, uma direção de elenco maravilhosa”, opina Miriam. “Agora, como isso vai resultar comparando também com outros filmes que estão indicados em tantas outras categorias? É bem difícil de saber.”
Domingues reuniu nomes consagrados, como Wagner Moura e Maria Fernanda Cândido, ao lado de atores menos experientes. Alice Carvalho, intérprete de Fátima, recebeu elogios públicos de Ryan Coogler, diretor de Pecadores.
Um dos destaques é Tânia Maria, intérprete de Dona Sebastiana. A artesã potiguar estreou no cinema em Bacurau (2019) e foi citada pelo The New York Times como Melhor Atriz com Cigarro.
A avaliação divide opiniões entre especialistas. “Eu não vejo que o Brasil tem chance na categoria, mas a indicação já é o grande prêmio”, afirma o crítico de cinema Marcio Sallem. Já Schein demonstra mais expectativa: “Essa é a categoria onde eu tenho um pouco mais de expectativa, porque a gente não conhece muito bem quais são as diretrizes”.
Melhor Filme
A principal categoria segue historicamente concentrada em produções de Hollywood ou do Reino Unido. Em 2012, O Artista, produção francesa dirigida por Michel Hazanavicius, venceu o prêmio de Melhor Filme. Anos depois, em 2020, Parasita, de Bong Joon-ho, tornou-se o primeiro longa em língua não inglesa a conquistar a estatueta após 92 edições do Oscar.
O Agente Secreto marca a segunda indicação totalmente brasileira em Melhor Filme, após Ainda Estou Aqui, em 2025. Em Cannes, um dos maiores prêmios do cinema mundial, Wagner Moura venceu o prêmio de Melhor Ator e Kleber Mendonça Filho foi premiado como Melhor Diretor.
“Vejo que o Brasil não tem chances em Melhor Filme, que é um prêmio que deve ficar ou entre Uma Batalha Após a Outra com amplo favoritismo, muito em razão da figura do seu diretor, Paul Thomas Anderson, ou Pecadores, que corre por fora em razão tanto do sucesso que teve nas bilheterias e como também se perpetuou na opinião pública”, observa Sallem.
Produções estrangeiras aparecem com mais frequência entre os indicados desde que a organização ampliou para dez o número de concorrentes na categoria, a partir de 2021. Neste ano, também disputam o prêmio Uma Batalha Após a Outra, Bugonia, F1: O Filme, Frankenstein, Hamnet, Pecadores, Marty Supreme, Valor Sentimental e Sonhos de Trem.
Independentemente do resultado, a presença brasileira já sinaliza avanço do cinema nacional. “O Brasil foi indicado a quatro categorias, é muito legal, é um super reconhecimento. Mas no final das contas, mais do que a estatueta, mais do que a premiação em si, é o fato de ter mais gente vendo filme”, aponta Miriam.
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Professores explicam como funcionam os rios voadores da Amazônia
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Invisíveis a olho nu, os chamados rios voadores formam um dos sistemas naturais mais importantes para o clima do Brasil. O fenômeno atmosférico transporta enormes volumes de vapor d’água da Amazônia para outras regiões do país, influenciando diretamente o regime de chuvas e o equilíbrio climático.
Segundo o professor de geografia Flávio Bueno, do Colégio Sigma, os rios voadores são fluxos intensos de umidade que circulam na atmosfera. “Tecnicamente, são chamados de jatos de baixos níveis: correntes de ar carregadas de vapor que se deslocam na troposfera inferior, entre cerca de 1,5 mil e 3 mil metros de altitude”, explica.
As correntes transportam umidade da região amazônica principalmente para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. O nome “rios voadores” é uma metáfora usada pelos cientistas para explicar o enorme volume de água que circula no ar, comparável ao fluxo de grandes rios.
Como esse fenômeno se forma
A formação dos rios voadores começa no Oceano Atlântico. Ventos conhecidos como alísios levam umidade para o continente, que precipita sobre a Amazônia. A partir daí, entra em ação o papel da floresta.
De acordo com a professora de geografia Cláudia Pinheiro, da Universidade Católica de Brasília, a floresta atua como um verdadeiro motor climático. “A evapotranspiração das árvores devolve grandes quantidades de vapor d’água à atmosfera, recarregando continuamente o ar com umidade”, afirma.
Esse processo mantém o fluxo de vapor ativo, formando corredores atmosféricos que transportam água por milhares de quilômetros.
A Amazônia como “bomba de umidade”
A floresta amazônica funciona como uma gigantesca bomba biótica de umidade. Árvores de grande porte podem liberar mais de 300 litros de água por dia na atmosfera por meio da transpiração.
Segundo Bueno, essa reposição constante de vapor mantém o ciclo hidrológico ativo. “A floresta age como uma espécie de motor que sustenta o transporte de umidade para outras regiões do país”, diz.
Quando esse fluxo encontra a barreira da Cordilheira dos Andes, ele é desviado para o sul e sudeste do continente, levando umidade para áreas onde vivem milhões de brasileiros.
Influência nas chuvas do Brasil
Os rios voadores são fundamentais para o regime de chuvas em várias regiões do país. Quando as correntes úmidas interagem com sistemas meteorológicos, como frentes frias vindas do sul, ocorre a condensação do vapor e a formação de chuva.
“Grande parte da água que abastece represas, agricultura e cidades no Centro-Oeste, Sudeste e Sul depende dessa circulação atmosférica”, explica Cláudia.
Além de garantir precipitações, os fluxos também ajudam a regular a temperatura e reduzir períodos prolongados de seca.
Especialistas alertam que o desmatamento pode enfraquecer os rios voadores. A redução da cobertura florestal diminui a evapotranspiração, reduzindo a quantidade de vapor disponível na atmosfera.
Com menos árvores liberando umidade, o transporte de água pelo ar tende a diminuir, o que pode resultar em chuvas mais escassas e irregulares.
“Sem a floresta funcionando plenamente, todo o sistema de transporte de umidade perde força”, afirma Bueno.
Consequências para o clima do país
O enfraquecimento dos rios voadores pode provocar efeitos climáticos significativos, como secas mais frequentes, aumento de temperatura e instabilidade no regime de chuvas.
Cláudia explica que o impacto vai além do meio ambiente. “O sistema é essencial para a segurança hídrica, energética e alimentar do país, já que influencia desde reservatórios de hidrelétricas até a produção agrícola”, diz.
Por isso, pesquisadores destacam que preservar a Amazônia não é apenas uma questão ambiental, mas também estratégica para o futuro climático e econômico do Brasil.
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