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  • Cardiologista cita principais sinais que podem indicar um infarto

    Cardiologista cita principais sinais que podem indicar um infarto

    Andreswd/Getty Images
    Foto colorida de mulher com a mão no peito, tendo um infarto - Metrópoles

    O infarto é a principal causa de morte no Brasil e acontece quando uma artéria do coração é bloqueada por um coágulo, impedindo que o sangue e o oxigênio cheguem ao músculo cardíaco. Sem esse fluxo, parte do coração começa a sofrer danos em poucos minutos.

    Apesar de muitas pessoas imaginarem que o infarto surge de forma repentina, o problema costuma se desenvolver ao longo de anos, principalmente por causa do acúmulo de gordura nas artérias.

    Segundo a cardiologista intervencionista Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), o organismo frequentemente apresenta sinais antes do evento mais grave.

    “Muitas vezes o infarto parece algo súbito, mas mais da metade dos pacientes relata ter sentido sintomas antes. O problema é que muitas pessoas ignoram esses sinais ou acreditam que se tratam apenas de estresse ou problemas digestivos”, afirma.

    Por isso, reconhecer os sinais de alerta pode ser fundamental para buscar atendimento médico rapidamente.

    Sinais que podem indicar um infarto

    O sintoma mais conhecido é a dor ou pressão no peito. Esse desconforto costuma surgir no centro do tórax e pode ser descrito como aperto, peso ou sensação de compressão. Em geral, dura mais de 15 ou 20 minutos e não melhora com repouso.

    Outro sinal importante é quando a dor se espalha para outras regiões do corpo. Ela pode irradiar para o braço esquerdo, para os dois braços, para a mandíbula, para o pescoço, para os ombros ou para as costas.

    Esse tipo de dor também pode ser confundido com problemas no estômago ou até com dor de dente. Isso acontece porque o coração compartilha vias nervosas com outras partes do corpo, fazendo com que o cérebro interprete a dor como se viesse de outro local.

    A falta de ar também é um sintoma frequente e pode aparecer mesmo sem dor intensa no peito. Em alguns casos, é o único sinal do infarto e costuma ser mais comum em mulheres e idosos.

    Além disso, muitos pacientes relatam um cansaço incomum e desproporcional dias ou até semanas antes do evento. Atividades simples, como subir escadas ou caminhar pequenas distâncias, podem se tornar extremamente cansativas.

    Náuseas, vômitos ou desconforto no estômago também podem ocorrer, especialmente quando o infarto atinge determinadas regiões do coração.

    Outros sinais incluem suor frio, tontura ou sensação de desmaio. Em algumas situações, o paciente também pode apresentar ansiedade intensa, inquietação ou a sensação de que algo está errado.

    Para Denise Pellegrini, nesses casos o tempo de reação é decisivo.

    “Existe um conceito muito importante na cardiologia chamado ‘tempo é músculo’. Quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é o dano ao coração. O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos após o início dos sintomas”, explica.

    A recomendação médica é procurar atendimento imediato ou ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, pelo número 192, especialmente quando há dor no peito persistente por mais de 15 ou 20 minutos acompanhada de outros sintomas.

    Foto colorida de um homem com blusa azul e mãos no peito, com sintomas de infarto - Metrópoles.
    A condição é a segunda maior causa de mortes no Brasil

    Fatores que aumentam o risco de infarto

    Diversos fatores podem aumentar o risco de um infarto ao longo da vida. Entre os principais estão tabagismo, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares.

    Segundo o cardiologista Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, o estilo de vida também tem um papel importante nesse cenário, especialmente em relação à alimentação.

    “Existem evidências epidemiológicas consistentes mostrando a associação entre maior consumo de ultraprocessados e aumento de eventos cardiovasculares e de fatores de risco cardiometabólicos. Alguns estudos mostram aumento relativo de risco cardiovascular entre 15% e 25% nas pessoas que mais consomem esses produtos”, explica.

    De acordo com o especialista, fatores como obesidade, hipertensão, colesterol elevado e diabetes, que podem ser agravados por uma dieta rica em ultraprocessados, contribuem diretamente para o entupimento das artérias do coração.

    Para reduzir as chances de desenvolver doenças cardíacas, os especialistas recomendam manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool e acompanhar regularmente os níveis de colesterol e glicose no sangue.

  • Entrega de kits agita o Metrópoles Endurance – Corrida neste sábado

    Entrega de kits agita o Metrópoles Endurance – Corrida neste sábado

    Competidores podem retirar os kits para o Metrópoles Endurance – Corrida até 17h deste sábado (14/3). A prova será neste domingo (15/3)

  • Artrose no ombro: musculação é aliada ou vilã para a articulação?

    Artrose no ombro: musculação é aliada ou vilã para a articulação?

    MICROGEN IMAGES/SCIENCE PHOTO LIBRARY via Getty Images
    Foro colorida mulher na menopausa com ombro congelado

    Engana-se quem pensa que o diagnóstico de artrose no ombro é um convite ao sedentarismo. Pelo contrário: a musculação não só é permitida como costuma ser parte essencial do tratamento. De acordo com o ortopedista Kaleu Nery, o fortalecimento muscular é uma das principais ferramentas para estabilizar a articulação e reduzir o quadro doloroso do paciente.


    Entenda


    O papel do músculo na preservação articular

    A artrose caracteriza-se pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste o ombro. Quando essa proteção diminui, o atrito entre os ossos gera dor e limitação funcional. Segundo Kaleu, a musculação atua diretamente nesse mecanismo. Ao fortalecer o manguito rotador e os músculos adjacentes, o paciente consegue “desafogar” a articulação, melhorando a mobilidade no dia a dia.

    Como treinar com segurança

    O erro mais comum de quem sofre com a condição é tentar manter o mesmo ritmo de um ombro saudável. O ortopedista alerta que o treino precisa ser inteligente.

    “Exercícios que causam dor intensa ou movimentos mal executados devem ser evitados imediatamente”, explica. O foco deve ser a qualidade do movimento em vez do peso bruto.

    Substituir exercícios de alto impacto ou que exijam amplitudes extremas (como supinos muito profundos ou desenvolvimentos atrás da nuca) por variações mais controladas é o caminho para manter a saúde articular em dia.

    Na foto uma mulher leva as mãos ao ombro em um sinal de dor - a capsulite adesiva ou ombro congelado atinge mulheres em idade de menopausa - Metrópoles
    A capsulite adesiva ou ombro congelado atinge mulheres em idade de menopausa

    O caminho da continuidade

    A mensagem principal para os pacientes é a da continuidade adaptada. Interromper totalmente a atividade física pode levar à atrofia muscular, o que agrava a instabilidade do ombro e piora a dor a longo prazo.

    “O melhor caminho costuma ser ajustar o treino para proteger a articulação, garantindo que o paciente mantenha sua autonomia e qualidade de vida”, conclui Nery.

  • Chuvas: bombeiros retomam buscas por corpo de homem desaparecido em MG

    Chuvas: bombeiros retomam buscas por corpo de homem desaparecido em MG

    CBMMG
    buscas corpo Ubá-MG

    Belo Horizonte – O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) deu continuidade, na manhã deste sábado (14), às operações de busca pela vítima que permanece desaparecida após as fortes chuvas que atingiram o município de Ubá, na Zona da Mata mineira. .

    As ações de buscas, que completam 20 dias,  contam com um efetivo de 23 militares, distribuídos em diferentes frentes de trabalho, com o objetivo de ampliar a área de varredura e aumentar as chances de localização da vítima.

    buscas corpo Ubá

    Entre os recursos empregados estão uma equipe realizando buscas embarcadas com bote ao longo do curso do rio, duas equipes atuando com maquinários na remoção e verificação de materiais acumulados pela força da água nas margens do rio, além de duas equipes de busca terrestre percorrendo áreas de mata ciliar.

    Também estão sendo utilizados um drone para apoio aéreo nas varreduras e uma equipe do canil, composta por militar e cão de busca, que auxilia na identificação de possíveis pontos de interesse. As buscas seguem em andamento e permanecerão enquanto houver viabilidade operacional para a localização da vítima.

  • Campanha D’ELAS promove encontro sobre ‘Autonomia Feminina’ na próxima semana

    Campanha D’ELAS promove encontro sobre ‘Autonomia Feminina’ na próxima semana

    A campanha D’Elas, promovida pela deputada estadual Michelle Melo, realizará no próximo dia 17 de março, às 14h, um encontro voltado à promoção da autonomia feminina. O evento acontecerá no Memorial dos Autonomistas (Theatro Hélio Melo) e será aberto ao público.

    Nesta segunda semana da campanha, a proposta é promover reflexões sobre liderança feminina, equilíbrio emocional e autonomia financeira, temas que contribuem para ampliar os direitos e os espaços das mulheres na sociedade.

    A programação contará com duas palestras. A primeira será “Autocontrole e Autonomia Emocional”, ministrada por Rosa Maria Sales, humanoterapeuta, psicanalista espiritual e mentora de autonomia emocional feminina. Também será realizada a palestra “Autonomia Financeira”, conduzida por Julci Ferreira, contadora e gestora do programa Sebrae Delas.

    A iniciativa busca mostrar que o fortalecimento das mulheres passa por diferentes dimensões, como o acesso à informação, o cuidado com a saúde emocional e a construção da independência financeira, ampliando novas perspectivas sobre o significado de autonomia feminina.

  • Polícia do Senado pede tornozeleira para homem que ameaçou Flávio

    Polícia do Senado pede tornozeleira para homem que ameaçou Flávio

    Igo Estrela/Metrópoles
    Senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)

    A Polícia do Senado pediu à Justiça Federal de Brasília a adoção de medidas cautelares contra um homem suspeito de ameaçar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Segundo o órgão, Marcos da Cunha Magalhães, de 40 anos, utilizou diversas contas em redes sociais para “reforçar sua aversão” e incitar a morte do parlamentar.

    Em manifestação encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), o órgão defende que os perfis mantidos por Magalhães sejam suspensos. Também solicita que ele seja proibido de manter qualquer tipo de contato com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    No documento, a polícia também pede que Marcos da Cunha Magalhães seja monitorado por tornozeleira eletrônica e impedido de se aproximar do Congresso Nacional e da Praça dos Três Poderes.

    “Entende-se que há risco concreto de reiteração delitiva devido às condutas insistentes e desproporcionais dirigidas a senador da República, aliado ao teor hostil das manifestações públicas do investigado, que revelam risco à segurança institucional e à ordem pública, diante do manifestado interesse de repetir fato acontecido contra o pai do comunicante”, argumenta a Polícia do Senado.

    De acordo com o relatório enviado ao TRF-1, Magalhães fez uma “ameaça explícita” à integridade física de Flávio ao mencionar o atentado à faca sofrido pelo pai do senador e escrever: “Quem mandou eu não sei. Mas quem quiser me pagar para o Flávio sofrer o mesmo…”.

    O documento aponta ainda que, logo depois, ao ser questionado sobre eventual “coragem para cumprir o prometido”, Marcos da Cunha Magalhães respondeu: “É só pagar para ver…”.

    Para a Polícia do Senado, as mensagens configuram um “contexto de incitação à violência e ameaça velada, associando a vítima a contexto de risco à vida”.

    Investigado já foi denunciado por homicídio

    Além das postagens relacionadas a Flávio, o relatório afirma que o investigado demonstrou repetidas vezes “admiração pela facada sofrida pelo pai do senador Flávio”.

    O órgão também apresentou o histórico de Marcos da Cunha Magalhães junto à Polícia do Distrito Federal. Segundo o documento, quando ainda era menor de idade, ele foi denunciado por “ato infracional análogo ao homicídio, com emprego de arma de corte”.

    “O que evidencia propensão à violência letal e agrava o risco concreto de execução da ameaça”, afirmou a Polícia do Senado.

    Também são elencadas ocorrências em que Magalhães teria sido apontado como autor de crimes, como tráfico de entorpecentes, porte ilegal de arma de fogo, furto, ameaça e lesão corporal.

    “Ficou demonstrada uma admiração explícita do investigado pelo autor de crime idêntico contra familiar do comunicante/vítima (pai), o que demonstra risco concreto de execução”, acrescentou o órgão.

  • PF aponta que "Sicário" recebeu R$ 24 milhões de Daniel Vorcaro

    PF aponta que "Sicário" recebeu R$ 24 milhões de Daniel Vorcaro

    Arte Gabriel Lucas/Metrópoles
    Sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, espião de Vorcaro, tem morte encefálica em Belo Horizonte arte metrópoles 1

    Relatório da Polícia Federal traz a informação de que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 43 anos, conhecido como “Sicário”, recebeu ao menos R$ 24 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

    Sicário é apontado pela PF como o “espião” de Vorcaro e executor das ordens do banqueiro como a de simular um assalto para “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, que desagradou o investigado com matérias contrárias a ele.

    Luiz Phillipi é apontado como um dos contratados da “milícia pessoal” de Vorcaro, também preso na força-tarefa. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo.

    Papel central

    A investigação aponta que Sicário exercia papel central na coordenação operacional de um grupo denominado “A Turma”. Eles atuavam na coleta de informações, monitoramento e intimidação de pessoas consideradas adversárias, como autoridades, ex-funcionários e jornalistas.

    O homem tem uma extensa ficha criminal, com passagens por furto qualificado, ameaças e crimes de trânsito. Ele também já tinha sido investigado por estelionato e associação criminosa.

    Ele é apontado ainda como o responsável por invadir sistemas de investigação e atuar contra publicações em redes sociais desfavoráveis ao Banco Master.

    R$ 24 milhões

    Os R$ 24 milhões que teriam sido pagos a Mourão foram calculados pela Polícia Federal a partir do controle mensal das despesas dele. Em planilhas de contabilidade, conforme apresentado pelo Estadão, Sicário aparecia vinculado ao pagamento mensal de R$ 1 milhão.

    Ele foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, mesma que levou Vorcaro à cadeia, e encaminhado a uma cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. No entanto, de acordoo com a PF, “atentou contra a própria vida”.

    Após morte cerebral e protocolo executado, o corpo de Luiz Phillipi Mourão, 43 anos, conhecido como “Sicário”, chegou ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IML), em Belo Horizonte, no dia 7 de março.

  • Supostas interações de Cowboy com menor de idade revoltam a web. Veja

    Supostas interações de Cowboy com menor de idade revoltam a web. Veja

    Manoella Mello/Globo
    cowboy

    Uma internauta afirmou no X que teria recebido interações de Alberto Cowboy, do BBB 26, quando ainda era menor de idade. O caso passou a repercutir entre usuários neste sábado (14/3), após a jovem publicar prints que supostamente mostram o perfil do influenciador reagindo a fotos antigas no Instagram.

    No relato publicado, a jovem disse ter descoberto recentemente que era seguida pelo participante do reality.

    “Acordei hoje e vi que simplesmente o Alberto Cowboy do BBB me segue e ele me segue desde 2022, quando eu tinha 16 anos. Chocada”, escreveu. Veja os prints:

    De acordo com a internauta, as interações teriam ocorrido em 2022. Nos prints compartilhados, é possível ver supostas reações do perfil do brother a fotos publicadas à época, incluindo emojis com carinhas apaixonadas.

    “Expor esse tipo de ‘vigilância’ é essencial para que outros homens entendam que seguir e monitorar adolescentes não é ‘normal’ nem aceitável”, escreveu uma pessoa no X.

    “Vendo aqui que o povo está de fanatismo e não encarando os fatos. Querem descredibilizar e não enxergarem o óbvio aqui que é um senhor seguindo uma adolescente e possivelmente, ele queria algo com essas suspeitas investidas, enquanto a moça era menor de idade. Nojo”, disse outra.

    Veja o post:

    Acordei hoje e vi que simplesmente o Alberto Cowboy do BBB me segue e ele me segue desde 2022, quando eu tinha 16 anos 🗣️ chocada pic.twitter.com/6utcCammqK

    — Duda Itaparica (@dudaitaparica) March 13, 2026

  • Hábitos considerados saudáveis, mas que podem ser ruins para o coração

    Hábitos considerados saudáveis, mas que podem ser ruins para o coração

    nopparit/Getty Images
    Saúde vascular

    A busca incessante pela performance física e pelo corpo ideal tem levado muitos entusiastas do estilo de vida “fitness” a cruzarem uma linha perigosa. O que nasce como um hábito de saúde pode, sem o devido equilíbrio, transformar-se em uma ameaça cardiovascular.

    Segundo o cardiologista Wendel Silva Issi, o segredo da longevidade do coração não está nos extremos, mas na moderação. De maratonas extenuantes ao uso indiscriminado de termogênicos, a ciência alerta: o excesso de zelo também pode adoecer o músculo cardíaco.


    Entenda


    O limite do esforço físico

    A atividade física é, reconhecidamente, um dos maiores escudos contra doenças. No entanto, Wendel Silva Issi pontua que volumes extremos de exercícios de resistência, praticados por anos a fio — como no caso de triatletas e ciclistas de longa distância —, promovem adaptações estruturais complexas.

    Doença cardíaca, estetoscópio e coração, diagnóstico. Metrópoles
    Embora hábitos saudáveis sejam essenciais para proteger o coração, algumas práticas associadas ao estilo de vida “fitness” podem trazer efeitos negativos quando realizadas em excesso ou sem orientação adequada

    Embora o “coração de atleta” seja geralmente uma adaptação positiva, esforços repetidos e exaustivos podem gerar pequenas áreas de fibrose (cicatrização) e acúmulo de cálcio nas artérias coronárias.

    “Esses achados sugerem que volumes extremos podem favorecer arritmias, como a fibrilação atrial, em pessoas predispostas”, explica o médico. O alerta não é para o sedentarismo, mas para a necessidade de monitoramento médico em atletas de alta performance.

    A armadilha dos suplementos “naturais”

    Outro vilão frequente nos consultórios é o uso de suplementos para emagrecimento ou ganho de energia sem prescrição. Muitos desses compostos, mesmo os rotulados como naturais, contêm altas doses de estimulantes. O resultado pode ser desastroso: palpitações, arritmias e picos de pressão arterial.

    O risco é potencializado em indivíduos que já possuem alguma condição cardíaca preexistente ou que fazem uso de medicamentos contínuos, transformando o “pré-treino” em um gatilho para eventos adversos.

    Dietas extremas e o perfil lipídico

    No campo da nutrição, as dietas da moda também inspiram cautela. Padrões alimentares excessivamente restritivos, como a retirada total de carboidratos sem planejamento, podem alterar negativamente o perfil de gorduras no sangue (lipídios) e causar deficiências nutricionais.

    As diretrizes internacionais de cardiologia são enfáticas: o equilíbrio sustentável a longo prazo é superior a qualquer estratégia radical de curto prazo.

    A negligência do descanso

    Por fim, o especialista destaca que nenhum treino ou dieta compensa uma noite mal dormida. A privação do sono mantém o sistema nervoso simpático em alerta constante, aumentando a inflamação do organismo.

    “A saúde do coração é um polígono que depende do equilíbrio entre exercício, alimentação, recuperação e sono regular”, conclui Wendel. Sem o descanso adequado, o corpo não se recupera do estresse físico, elevando o risco de hipertensão ao longo da vida.

  • 8 de março com Diana

    8 de março com Diana

    Matheus Veloso/Metrópoles
    Coletivo Juntas organizou manifestação na UnB com o intuito de reivindicar mais segurança às mulheres e repudiar a violência na instituição, após estudante ser estuprada no Campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Na foto, alunas marcham com cartazes em repúdio à violência e machismo - Metrópoles

    Uma escuridão suave já começava a dominar a cidade quando Paulo olhou as mensagens no Whatsapp. Era uma desculpa pra descansar, passou o dia pintando as paredes e ajeitando os móveis na casa nova de Diana, sua prima. Ficou surpreso ao perceber as poucas mensagens sobre o Dia da Mulher. Um Feliz Dia das Guerreiras aqui, outro Parabéns Mulheres Maravilhosas acolá. Eram minguadas mensagens, cada uma delas sem resposta, ilhadas em grupos de familiares. Será que a hipocrisia morreu?

    Casa nova é sinônimo do quê? Esperança, recomeço. A mudança de Diana exalava luto,  arrastava um pesar, uma tristeza forçada pela violência de seu ex-marido. Ela tinha medida protetiva, ele não podia chegar perto dela, nem podia chegar perto da casa da mãe dela. Mas o que vale? Em uma noite de dezembro encurralou Diana e Nelson, seu novo namorado, em um bar. Com um revólver feriu Diana e assassinou Nelson. O ex-marido? Está foragido.

    Insistiu muitas vezes, mas Diana decidiu que seu quarto seria cinza. Paulo queria cores alegres e claras para o apartamento, conseguiu um amarelo para a sala, cozinha e banheiro brancos, mas não teve jeito, “Vai ser cinza como a minha vida”, definiu a mulher e seu olhar inconsolável.

    Paulo decidiu acompanhar essa jornada de Diana. Via as notícias nos jornais, mas foi a primeira vez que a violência contra a mulher o desmoronava. Estava em casa com Luana, sua esposa, quando recebeu a notícia. Xingou, amaldiçoou, ameaçou. Luana só olhava. Ao silenciar, ela apenas disse: “Você e seus amigos, todos vocês são cúmplices desse assassinato. Quando a gente disse que ele não prestava, ninguém fez nada; quando ele bateu na Diana, ninguém fez nada. Ninguém a protegeu. Taí. Fica rindo de piada machista agora”. Essa lembrança o atravessava. Avisou a prima que desceria no boteco para pegar uma bebida e um cigarro.

    O boteco estava fechado. Reclamou e andou até a padaria chique do outro bairro, a seis quarteirões. Mais que bebida e cigarro, precisava andar, precisava entender seus sentimentos, precisava ajustar a bússola. Ao passar por uma pequena livraria, que só vendia autoras, viu a filósofa e escritora Djamila Ribeiro folheando um livro enquanto conversava com um homem. Parou. Entrou.

    Não teve coragem de falar com ela, então fingiu ler um livro enquanto escutava a conversa deles. O homem branco lembrou que uma em cada cinco mulheres assassinadas em São Paulo tinha medida protetiva. Djamila respondeu: “Quando uma mulher sob medida protetiva é assassinada, a falha sistêmica é evidente. Pedidos de medidas protetivas cresceram quase 1.000% em dez anos. Mas, quando o Judiciário concede essas medidas e não assegura sua execução, a vítima é “traída” por quem deveria protegê-la, uma vez que decisões sem monitoramento agravam o risco. O agressor pode se sentir desafiado, radicalizar a conduta e agir sob lógica de retaliação, disposto a arrastar consigo vidas inteiras”. Paulo concordou com a cabeça enquanto fingia ler “Por um feminismo Afro-latino-americano”, de Lélia Gonzalez.

    Ela continuou: “E sabe o que é pior? Os homens que se irritam por serem lembrados de que mulheres seguem sendo mortas todos os dias, em todas as regiões do país.  Ainda assim, enxergo essa irritação por um lado positivo: ela revela tanto o incômodo de quem prefere o silêncio, quanto a eficácia de insistirmos em nomear o que parte da sociedade tenta naturalizar ou empurrar para debaixo do tapete”.

    O homem falou sobre os limites da Justiça, da polícia e não via como a defesa da vida das mulheres se transformaria em política de Segurança Pública. Djamila discordou: “estamos há anos defendendo a reorganização das prioridades da Segurança. É inadiável fortalecer o combate à violência contra as mulheres e reconhecer o esgotamento histórico da guerra às drogas, responsável pelo encarceramento em massa. Uma hipótese é a redução de decisões de prisão em casos de tráfico — estou falando do varejo, pois, para os grandes operadores, a tolerância sempre foi regra. Ao mesmo tempo se impõe a necessidade de ampliar a prisão de agressores de mulheres e autores de feminicídio”

    Os dois caminharam em direção ao café. Paulo não os seguiu. Tinha nas mãos um livro de Conceição Evaristo. Leu e releu um trecho de Vozes-Mulheres:

    A minha voz ainda

    ecoa versos perplexos

    com rimas de sangue

    e

    fome.

    A voz de minha filha

    recolhe todas as nossas vozes

    recolhe em si

    as vozes mudas caladas

    engasgadas nas gargantas.

    A voz de minha filha

    recolhe em si

    a fala e o ato.

    O ontem – o hoje – o agora.

    Na voz de minha filha

    se fará ouvir a ressonância

    o eco da vida-liberdade.