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  • Como "hospital fantasma" derrubou prefeito e foi parar no STF

    Como "hospital fantasma" derrubou prefeito e foi parar no STF

    Arte/Metrópoles
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    Uma promessa de hospital para ampliar a rede pública de saúde de Macapá acabou no centro de uma investigação de corrupção que levou ao afastamento e à renúncia do então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan. O caso é alvo da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal.

    A apuração aponta suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 69,3 milhões destinada à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, uma obra que nunca chegou a sair do papel.

    O prefeito

    Na decisão a qual a coluna teve acesso, Dino determinou o afastamento cautelar do prefeito e do vice-prefeito por 60 dias, além de outras medidas contra servidores envolvidos na licitação investigada.

    No dia seguinte à decisão, Furlan apresentou carta de renúncia à Câmara Municipal. No documento, ele não citou a investigação. Alegou que deixava o cargo para disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026.

    Emendas

    O empreendimento seria financiado por um contrato de repasse firmado entre o município e o Ministério da Saúde, com intermediação da Caixa Econômica Federal.

    Os recursos, R$ 69.354.218,41, vieram de emendas parlamentares federais destinadas à área da saúde.

    Entre 2020 e 2024, Macapá recebeu mais de R$ 128,9 milhões em transferências especiais da União.

    A aplicação desse dinheiro foi auditada pela Controladoria-Geral da União, que identificou irregularidades em procedimentos licitatórios relacionados a quatro emendas parlamentares.

    O relatório da CGU serviu de base para a investigação criminal que chegou ao STF.

    Licitação suspeita

    Em 2023, a Secretaria Municipal de Saúde abriu uma concorrência pública para contratar uma empresa responsável por elaborar o projeto executivo e executar a obra do hospital.

    O certame foi conduzido por uma comissão presidida por Walmiglisson Ribeiro da Silva.

    A empresa vencedora foi a Santa Rita Engenharia Ltda., controlada pelos empresários Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves.

    A proposta inicial apresentada pela empresa superava R$ 75 milhões, mas o valor foi reduzido para R$ 69,3 milhões após negociação direta com a comissão de licitação.

    O contrato foi formalizado em maio de 2024 pela então secretária municipal de Saúde, Érica Aranha de Sousa Aymoré.

    Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, os elementos reunidos pela investigação indicam que o processo licitatório foi um “simulacro de competição”.

    Organização criminosa

    A Polícia Federal aponta indícios da atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e empresários.

    Segundo a representação enviada ao STF, o grupo teria manipulado a licitação para garantir a vitória da empresa escolhida e, posteriormente, desviar recursos públicos.

    Os investigadores identificaram suspeitas de pagamento de propina, saques em dinheiro e movimentações bancárias consideradas atípicas, além de mecanismos de dissimulação patrimonial.

    O esquema teria dois pilares principais: direcionamento do processo licitatório e o desvio de valores pagos à empresa contratada.

    Afastamentos na prefeitura

    Além do prefeito e do vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto, também foram afastados:

    Ao justificar a medida, o ministro Flávio Dino afirmou que havia indícios de que integrantes da cúpula da administração municipal não apenas deixaram de impedir irregularidades, mas poderiam ter colaborado com o desvio de recursos.

    A decisão também buscou evitar possível obstrução das investigações.

    Trajetória política de Furlan

    Dr. Furlan tem 52 anos, é médico e nasceu na Costa Rica. Sua carreira política começou em 2010, quando concorreu a deputado estadual no Amapá.

    Ele assumiu o cargo em 2013 como suplente e permaneceu por três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa.

    Em 2020, venceu a eleição para prefeito de Macapá. Quatro anos depois, foi reeleito com 204.291 votos, equivalentes a 85,08% dos votos válidos, o maior percentual entre prefeitos eleitos de capitais brasileiras naquele pleito.

    A investigação que envolve o hospital municipal, no entanto, colocou fim antecipado ao seu segundo mandato.

  • Quem é a modelo que Vorcaro salvou contato como "My Future Wife"

    Quem é a modelo que Vorcaro salvou contato como "My Future Wife"

    Reprodução/Redes sociais
    Imagem colorida mostra modelo russa Maryia Lubimova e como contato dela estava salvo no celular de Daniel Vorcaro - Metrópoles

    Um dos contatos no aparelho celular de Daniel Vorcaro estava salvo com o nome “My Future Wife” (minha futura esposa em português). Se trata da modelo e influenciadora russa Maryia Lubimova.

    Ela é influenciadora que vive em Bali, na Indonésia, e tem como foco os segmentos de moda, beleza e viagem, de acordo com sua conta no Instagram, que tem pouco mais de 50 mil seguidores.

    O Metrópoles teve acesso às conversas no Instagram encontradas pela Polícia Federal (PF) entre o dono do Banco Master e Maryia. As mensagens estavam no celular que foi apreendido com Vorcaro pela PF na primeira fase da operação, em novembro de 2025, quando o banqueiro ficou preso por 11 dias em Guarulhos, na Grande São Paulo.

    No dia 2 de novembro de 2023, Daniel Vorcaro chamou Maryia pela primeira vez, perguntando se ela se divertiu na cidade de São Paulo e se aproveitou a cidade fazendo compras.

    A modelo russa estava na capital paulista para o GP Brasil de Fórmula 1 daquele ano, realizado no dia 5 de novembro. Ela se hospedou em um hotel de luxo na região central de São Paulo.

    Maryia disse que se divertiu na capital paulista, mas explicou que faltou tempo para aproveitar mais. Segundo a modelo, ela chegou ao shopping perto do horário de fechamento.

    Vorcaro respondeu para ela ir novamente na sexta, 3 de novembro. Depois disso, os dois apenas trocaram emojis. No dia 1º de dezembro de 2023, o banqueiro disse estar com saudades. A conversa termina com Maryia perguntando quando o “Mr.Vorcaro dará as prometidas aulas de português” a ela.

    banqueiro foi preso na quarta-feira (4/3), na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias contra o sistema financeiro envolvendo o Master. Vorcaro é acusado de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Ele nega.

  • Pastor dopa irmão, o deixa com 42kg e afundado em dívidas e desaparece

    Pastor dopa irmão, o deixa com 42kg e afundado em dívidas e desaparece

    Material cedido ao Metrópoles
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    O pastor Carlos Mendes de Carvalho (foto em destaque), condenado por dopar e abandonar o irmão deficiente com 42kg, desapareceu. Além do estado sofrível em que ficou o irmão, Carvalho o deixou com uma dívida de R$ 160 mil.

    Veja:

    O pastor passou a cuidar do irmão idoso em 2018, em Sobradinho II (DF). A vítima tinha várias doenças e acabou tendo sequelas mentais, perdendo capacidade de consciência e motora. O idoso ganhava um salário de aproximadamente R$ 7 mil. A família começou a desconfiar da situação quando o homem passou a ficar muito magro, apresentando feridas pelo corpo.

    O sinal de alerta foi aceso quando o idoso começou a perder a capacidade de fala. A família tentou visitar a vítima diversas vezes, mas teria sido impedida pelo pastor.

    Estado cadavérico

    Familiares decidiram fazer uma visita surpresa à vítima, já em 2021, e ficaram estarrecidos ao ver idoso em cima de uma cama, em estado cadavérico, com aproximadamente 42kg. O idoso não tinha condições de andar, falar e babava. O homem também apresentava feridas pelo corpo. A família retomou a tutela do idoso e registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra o irmão.

    A família descobriu que as fraldas usadas pela vítima não eram mais trocadas com frequência e que o homem passava os dias envolvo em fezes, sem cuidados básicos de higiene. Segundo relatos de parentes, regularmente, o idoso deficiente era dopado pelo pastor com altas doses de calmantes.

    Os parentes do idoso ficaram ainda mais surpresos quando descobriram que o pastor teria feito diversos empréstimos consignados em bancos e financeiras usando o nome do irmão. O valor aproximado da dívida deixada é de R$ 160 mil. O idoso está endividado até 2030. A família registrou um novo Boletim de Ocorrência.

    Condenação

    Carlos Mendes foi condenado, em 1ª instância, a 3 anos e 11 meses de reclusão, em regime semiaberto, além de ter de devolver parte do dinheiro furtado. Representado pela Defensoria Pública (DPDF), o pastor recorreu. Em 2ª instância, com julgamento ocorrido em 19 de março de 2024, Mendes teve a pena reduzida para 1 ano e 11 meses de prisão em regime aberto. A pena poderia ser substituída por duas cautelares restritivas de direitos e ao pagamento de aproximadamente R$ 90 mil a vítima, o que não foi feito. 

    Outro lado

    O Metrópoles tentou localizar Carlos Mendes bem como a Defensoria Pública do DF, responsável pela defesa do pastor. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

     

  • INSS: ONG que desviou R$ 640 milhões deu calote de R$ 560 mil na União

    INSS: ONG que desviou R$ 640 milhões deu calote de R$ 560 mil na União

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
    Fachada da Conafer, associação investigada por envolvimento no esquema de descontos do INSS, no Setor Comercial Sul - Metrópoles

    Investigada pela Polícia Federal por desviar quase R$ 640 milhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) – uma das instituições envolvidas na farra –, mantém dívida ativa com o Governo Federal.

    O Metrópoles apurou que a Conafer coleciona, no principal CNPJ pertencente a ela, pelo menos 21 inscrições na dívida com a União. O valor, somado, chega a R$ 560.001,26. Desses, R$ 438,5 mil correspondem a débitos tributários e previdenciários, R$ 105,2 mil são dividas trabalhistas e quase R$ 17 mil, pendências com o DF.

    Veja:

    A Conafer é presida por Carlos Roberto Ferreira Lopes. Ele foi o 2º depoente a ter a prisão em flagrante decretada durante depoimento na CPMI que apura as fraudes no INSS por falso testemunho, mas liberado horas depois.

    A associação é uma das principais entidades investigadas na Farra do INSS. Os milhões desviados por ela, e identificados pela operação policial, provém de descontos em aposentadorias feitas ao longo de 2022 a 2025. Segundo a PF, quase 90% do valor total foi transferido para empresas de fachada.

    Núcleos de atuação

    A Polícia Federal também identificou três núcleos de atuação dentro da Conafer. Conforme informado, o “núcleo político e de apoio” incluía o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e seus assessores.

    Nesse caso, e em troca de propina, o grupo garantia, por meio de acesso ao INSS, a manutenção do acordo com a Conafer que permitiu a associação a fazer descontos de aposentados e pensionistas, além de blindar as pessoas ligadas à associação de investigações externas.

    Pettersen recebeu ao menos R$ 14,7 milhões por meio de uma lotérica e uma construtora, do interior de Minas Gerais, segundo a PF. Ele foi considerado pela Polícia Federal “a pessoa mais bem paga” entre os receptores de propina da Conafer.

    O ex-assessor parlamentar Walton Cardoso Lima Júnior aparece como beneficiário dos repasses. Segundo a PF, ele seria “intermediário” entre Lopes e Pettersen. Outro assessor do deputado mineiro, André Luiz Martins Dias. A PF classifica ambos como “operadores financeiros do parlamentar” no interior de Minas.

    “Walton e André são tidos pela PF como ‘operadores financeiros do parlamentar’, responsáveis por receber, fracionar e redistribuir valores que beneficiavam o deputado Euclydes Pettersen e sua base política em Governador Valadares”, diz a decisão que embasou a operação.

    A PF chegou a pedir ao STF para monitorar Pettersen com tornozeleira eletrônica, mas a solicitação foi negada por André Mendonça.

    Em nota ao Metrópoles, Pettersen afirmou que apoia o trabalho das autoridades e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.

    “Acredito na justiça, na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”, prosseguiu Pettersen”, disse o deputado.

    Programa previdenciário

    A Conafer divulga, no site da confederação, o Programa +Previdência Brasil, que, segundo a página, visa dar publicidade a informações sobre a educação previdenciária e o INSS Digital. As iniciativas incluem cursos sobre benefícios, de modo a auxiliar os interessados a reivindicarem os próprios direitos.

    O site também detalha que não há custo nesse processo. “As associadas não receberão remuneração advinda do INSS nem dos usuários pela execução do serviço, não sendo impedidas de cobrar a mensalidade associativa do beneficiário do serviço”, diz o portal.

    A investigação da CGU demonstrou, porém, que a situação não era como a Conafer fazia parecer. Os auditores ouviram 56 pessoas, em 16 unidades da Federação, que tiveram descontos feitos pela confederação. Nenhuma das vítimas havia autorizado o repasse.

    A controladoria acrescentou que 621.094 aposentados tiveram desconto nos pagamentos ligados à Conafer só no primeiro trimestre de 2024.

    Prisões

    Em 13 de novembro de 2025, a Polícia Federal (PF) cumpriu nove mandados que levaram à prisão figuras importantes no esquema de descontos ilegais aplicados em aposentadorias e pensões do INSS.

    A etapa da Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), atingiu diretamente ex-gestores do instituto e dirigentes de entidades que se beneficiavam do sistema fraudulento.

    No total, foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e 63 mandados de busca e apreensão, em 17 estados e no Distrito Federal.

    As investigações miram crimes como inserção de dados falsos, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.


    Entre os investigados alvos de mandado de prisão, estão:


    Como funcionava o esquema

    O grupo utilizava entidades, associações e organizações parceiras do INSS para inserir, no sistema oficial, cobranças associativas não autorizadas, que eram automaticamente descontadas no pagamento de aposentados e pensionistas.

    A fraude atingiu milhões de beneficiários, muitos dos quais só descobriram o golpe após notar redução permanente no valor recebido mensalmente.

    Relatórios da CGU apontam que as entidades investigadas mantinham acordos internos que permitiam a distribuição dos valores arrecadados de forma indevida, movimentando grandes quantias sem transparência ou critério.

    O outro lado

    A reportagem tentou contato com a Conafer, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

  • Embaixador da Argélia é investigado por tentar agredir motorista. Vídeo

    Embaixador da Argélia é investigado por tentar agredir motorista. Vídeo

    LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
    embaixada-da-argelia-em-brasilia–metropoles-4

    Um motorista da embaixada da Argélia, identificado como Ulysses Souza de Araujo, denunciou ter sido alvo de uma tentativa de agressão por parte do embaixador atual Abdelaziz Benali Cherif. A agressão só não ocorreu pelo fato de que dois diplomatas da embaixada contiveram Cherif no momento em que ele partiu para cima do motorista.

    O caso, que está sob investigação da Polícia do Distrito Federal (PCDF), também motivou denúncias do motorista ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposto assédio moral e suspensões sofridas.

    A confusão se iniciou em 2 fevereiro, quando Ulysses informou que precisaria se ausentar para comparecer a uma consulta médica, mas o embaixador o proibiu de ir. A consulta era de extrema importância ao motorista, visto que o atendimento era relacionado a um diagnóstico de carcinoma de células, um tipo de câncer.

    Segundo a esposa de Ulysses, identificada como Jeahnny Ribeiro Thomas de Araujo, o motorista retirou um tumor no tórax em janeiro, e depois recebeu o diagnóstico da doença, ainda em fase inicial, no fim do mês. “Saí ligando para vários oncologistas e no dia 2 [fevereiro] consegui marcar um médico”, conta.

    O motorista, que é funcionário da missão diplomática há 25 anos, avisou previamente a um funcionário da embaixada sobre o agendamento da consulta, além de identificar que, na data agendada, o embaixador não tinha um compromisso marcado.

    Quando o dia da consulta chegou, Ulysses cumpria o expediente normalmente. Ao se aproximar do horário da consulta, foi comunicar ao embaixador sobre a saída. No entanto, ao avisar que estava se retirando, Cherif o barrou.

    Segundo a ocorrência, mesmo após ter a ida negada, o motorista deixou as chaves do veículo na mesa do embaixador e avisou que estava indo à consulta, alegando ser um direito. Nesse momento, Cherif teria se exaltado e partiu para cima dele para agredi-lo, precisando ser contido por dois diplomatas da embaixada.

    “Ele me ligou pedindo para buscá-lo. Quando ele veio para o carro, chegou transtornado e tremendo”, conta Jeahnny.

    A esposa do motorista ainda conta que, durante a confusão, o motorista teria justificado que a lei brasileira permite o direito da ida à consulta, entretanto, o embaixador teria respondido: “Lei brasileira para mim não vale nada, aqui o que vale é a minha lei”.

    A reportagem acionou a embaixada da Argélia três vezes para prestar esclarecimentos, mas não obteve um retorno até o momento da publicação. O espaço segue aberto para atualizações.

    “O mínimo que eu esperava era consideração”

    Em uma carta do funcionário à embaixada, a qual o Metrópoles teve acesso, ele denuncia a série de supostos abusos cometidos pelo atual embaixador.

    “Os funcionários são diariamente submetidos a maus-tratos com ameaças, humilhações, intolerância religiosa, assédio moral, desvios de função, desrespeito à jornada de trabalho e horário de almoço”, diz.

    Ulysses também destaca de que há “agressões verbais, atitudes grosseiras e prepotentes por parte do embaixador” com certa frequência, o que acabava por tornar o ambiente de trabalho “insuportável” para brasileiros e argelinos.

    No documento, ele ainda ressalta que teve o cuidado de não agendar a consulta em um horário que não tivesse compromisso oficial, mas o seu “atual estado de saúde não foi levado em consideração”.

    “Durante toda a minha jornada profissional nesta embaixada, desempenhei minhas funções com dedicação e responsabilidade. O mínimo que eu esperava era consideração por ser um funcionário tão antigo e respeito às leis trabalhistas brasileiras“, disse.

    Após o episódio, o funcionário ainda conta que recebeu uma advertência e suspensão em “razão de conduta inadmissível e inadequada no exercício de suas funções”, consistindo em “falta de respeito com o embaixador”, em 3 de fevereiro.

    “Nunca me neguei a ajudar ou colaborar com o que fosse necessário ou solicitado. Comparecer a consultas e exames médicos não é ‘tirar folga para tratar de assuntos pessoais’. Estou desestabilizado emocionalmente, pois como posso trabalhar para alguém que tentou me agredir?”, acrescentou.

    Outras advertências

    Quando Ulysses foi levar o documento à embaixada, funcionários o informaram que ele estava proibido de entrar no local e que não poderiam aceitar nenhum documento vinculado ao motorista. O atestado então foi encaminhado via Correios à embaixada.

    Contudo, durante o período do atestado, o motorista recebeu duas advertências por “abandono de emprego” da embaixada, além do “retorno imediato”, caso contrário, resultaria em rescisão do contrato de trabalho por justa causa.

    Veja:

    Ao fim do atestado, o motorista retornou ao trabalho, no entanto, com novas restrições: não poderia entrar mais na embaixada – sendo obrigado a ficar do lado de fora do portão; e só entraria no local junto do embaixador, porém não poderia levar o celular para dentro da embaixada.

    Rescisão indireta

    Os episódios do suposto assédio moral e suspensões aplicadas ao motorista foram encaminhados ao MPT, que investiga a situação sofrida por Ulysses.

    Além disso, a defesa do motorista, a advogada Patrícia Helena Kuwabara, ainda encaminhou uma ação de rescisão indireta do contrato do motorista à embaixada, ou, pelo menos, tentou, pois ao entregar a notificação no local, foi barrada por um funcionário de segurança.

    Na ocasião, o funcionário relatou que estão “recebendo ordens” de não receber, nem ao menos “assinar qualquer recebimento” de qualquer documentação atrelada ao nome de Ulysses, conforme mostra o vídeo acima na reportagem.

    Esse tipo de ação é um instrumento jurídico pelo qual o trabalhador encerra o contrato devido a faltas graves cometidas pela empresa, garantindo todas as verbas rescisórias, como se fosse demitido sem justa causa.

    Para a advogada, a negação do recebimento da notificação significa que o motorista está sendo “cerceado de todos os seus direitos”.

    “É estranho que um diplomata, que veio com a capacidade de interagir de trazer o melhor do país dele para o nosso, nos atende dessa forma. Ele fala que são determinações do superior, que é o embaixador . Infelizmente não sei por quê há esse tipo de comportamento”, conta.

    Ela ainda explica que, apesar de embaixadas e diplomatas possuírem imunidade diplomática prevista na Convenção de Viena, isso não retira a “responsabilidade” do tratamendo devido aos funcionários que trabalham para o país anfitrião.

    “Em muitos casos, eles não podem ser processados diretamente pelos tribunais do próprio país. Porém, isso não autoriza abusos ou violações de direitos básicos, especialmente em relações de trabalho com funcionários locais. Muitos países e tribunais entendem que questões trabalhistas com empregados locais podem ser analisadas judicialmente”, acrescntou.

  • Empresa que contratou cozinheira de Neymar pede sigilo em processo

    Empresa que contratou cozinheira de Neymar pede sigilo em processo

    Mauro Horita/Getty Images
    Neymar

    A empresa que contratou a cozinheira que trabalhou na casa do atacante Neymar Jr. pediu que o processo apresentado pela ex-funcionária fosse colocado em segredo de Justiça devido a “informações íntimas” que podem revelar detalhes da mansão do atleta em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.

    O pedido foi apresentado em documento encaminhado ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e sustenta que o conteúdo apresentado pelos advogados da cozinheira pode expor imagens da residência de Neymar.

    Os representantes do atleta, da empresa e da cozinheira ficarão frente a frente em uma audiência marcada para maio para tentar um acordo, já que a trabalhadora pede R$ 262 mil — valor que inclui indenização por dano moral, despesas médicas e até pensão.

    Conforme mostrou a coluna, a cozinheira processa Neymar e a empresa que a contratou para prestar serviços na residência principal do jogador, chamada Casa Hotel Portobello, além do condomínio ao lado, o Condomínio Portobello.

    Segundo ela, chegou a cozinhar para até 150 pessoas em jornadas com média de 14 horas — em alguns dias, chegando a 16 horas.

    O horário previsto em contrato era das 7h às 17h, de segunda a quinta-feira, e das 7h às 16h às sextas-feiras. Segundo a ex-funcionária, porém, que trabalhou no local de julho do ano passado a fevereiro deste ano, esse limite era frequentemente ultrapassado.

    Entre as atribuições na casa de Neymar estavam preparar refeições — do café da manhã ao jantar — para o jogador, amigos e familiares do atacante, camisa 10 da Seleção Brasileira.

    Procurada, a assessoria de Neymar não quis se manifestar.

    Esforço físico

    Segundo a cozinheira, o esforço físico para carregar carnes e outros utensílios pesados na casa do jogador da Seleção Brasileira teria provocado problemas na coluna e inflamação no quadril. Ela afirma ter realizado consultas e exames médicos para diagnosticar as lesões e pede que Neymar lhe pague pensão.

    Embora tivesse salário registrado de cerca de R$ 4 mil, a cozinheira afirma que recebia, em média, R$ 7,5 mil mensais com horas extras e adicionais. Segundo a ação, mesmo contratada para trabalhar apenas durante a semana, ela também teria desempenhado funções aos fins de semana, especialmente aos domingos.

    “A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, afirma a defesa da profissional na petição.

    Nos termos do artigo 71 da CLT, é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora para jornadas superiores a seis horas de trabalho.

    Ao todo, a cozinheira pede que Neymar e a empresa terceirizada que a contratou para prestar serviços na mansão paguem R$ 262 mil, valor que inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos, indenização por dano moral, além de despesas médicas e pensão.

    Procurada, a assessoria de Neymar não quis se manifestar.

    Mansão

    Neymar é dono de duas mansões em Mangaratiba, sendo uma delas avaliada em R$ 28 milhões, com 5 mil metros quadrados, seis suítes, piscina, área de lazer e até um “puxadinho” com 10 suítes para acomodar os amigos. É nessa que a funcionária trabalhava.

    A outra casa fica no condomínio Aero Rural e ficou conhecida por ter um lago artificial. O imóvel chegou a ser alvo de interdição pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. O atleta foi multado em R$ 16 milhões, mas conseguiu suspender o valor e acabou absolvido no caso.

  • PSol discute neste sábado federação com PT. Maioria articula veto

    PSol discute neste sábado federação com PT. Maioria articula veto

    Reprodução/X GuilhermeBoulos
    Lula e Boulos

    A direção nacional do PSol se reúne na manhã deste sábado (7/3) para discutir uma proposta de federação partidária com o PT. A legenda também colocará em debate a manutenção da aliança com a Rede Sustentabilidade, formalizada em 2022.

    A possibilidade de um “casamento” com o PT provocou um racha interno no partido, exposto nas redes sociais, e levou ao isolamento da corrente liderada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, um dos principais defensores da federação.

    Membros do diretório nacional do PSol apostam que haverá maioria de votos para barrar neste sábado a federação com o PT. Segundo esses dirigentes, cerca de 70% dos membros do órgão devem votar contra a aliança.

    Boulos isolado?

    Nos últimos dias, integrantes de diferentes tendências do PSol se mobilizaram para se contrapor à proposta. Parte dos integrantes da tendência de Boulos – a Revolução Socialista – rompeu com o grupo acusando o núcleo ligado ao ministro de centralizar decisões. Eles também dizem que os movimentos de Guilherme Boulos integram uma estratégia para projetá-lo como herdeiro político de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2030.

    A corrente encabeçada por Boulos, apostam os dirigentes, deverá ficar isolada. De acordo com um deles, ouvido pelo Metrópoles, o movimento reflete uma nova correlação de forças dentro do PSol. Há alguns anos, a ala liderada por Guilherme Boulos integrava o bloco majoritário que comandava a legenda. Com o tempo, porém, as correntes se dividiram, e o racha se aprofundou com o debate sobre a aliança com o PT.

    Os defensores da federação argumentam que a aliança com o PT poderia ajudar o PSol a superar a cláusula de barreira, uma regra que restringe o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral com base no desempenho das siglas nas urnas.

    Divergências no PT e PSol

    Apoiadores da aliança PSolPT afirmam que a federação seria um caminho “mais fácil” para que a sigla supere o piso exigido nas eleições de 2026. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem defendido que a federação pode fortalecer o campo político contrário ao avanço da direita no país.

    Membros da direção petista afirmam que, apesar do discurso de Edinho, a aliança não foi levada à discussão nas instâncias internas do PT. Lideranças do partido têm criticado os movimentos de Edinho Silva a favor da federação.

    Correntes internas do PSol contrárias à aliança com o PT avaliam que o “casamento” pode comprometer a autonomia da legenda, criada por dissidentes petistas e crítica à aproximação do governo do presidente Lula (PT) com partidos de centro-direita.

    Dirigentes do partido também argumentam que a federação pode atrapalhar estratégias eleitorais do PSol tanto nas eleições deste ano quanto na disputa municipal de 2028.


    Da ruptura à aliança: a relação entre PSol e PT


    Aliança com a Rede e apoio a Lula

    Neste sábado, um bloco majoritário de tendências internas do PSol deve apresentar uma resolução que rejeita a federação com o PT.

    O documento também deve defender a manutenção da aliança com a Rede. Pela proposta em discussão, caberia à executiva nacional — instância abaixo do diretório — conduzir os trâmites para dar continuidade à federação com a Rede, que aguarda a decisão do PSol para discutir a renovação da aliança.

    “A Primavera Socialista tem cerca de 25% do diretório, o Movimento de Esquerda Socialista cerca de 20% e o Fortalecer o PSol aproximadamente 10%. Isso já seria suficiente para derrotar o Boulos. Além disso, a resolução terá a assinatura de mais sete organizações internas. A Revolução Socialista está isolada nesse tema”, afirmou um dirigente do PSol.

    Apesar da resistência à federação com o PT, lideranças do PSol afirmam que o partido deverá apoiar a candidatura à reeleição do presidente Lula nas eleições presidenciais deste ano. “O apoio [a Lula] deve ser unânime na direção”, disse um integrante do diretório nacional.

    Membros da direção do PSol afirmam que, neste sábado, também deve ser definido o formato de um grupo que vai discutir medidas prioritárias para o partido em um eventual quarto mandato de Lula.

  • EUA busca petróleo da Venezuela enquanto guerra no Irã ameaça setor

    EUA busca petróleo da Venezuela enquanto guerra no Irã ameaça setor

    Divulgação/PDVSA
    Imagem colorida mostra Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela - Metrópoles

    Enquanto o preço do petróleo disparou nos últimos dias, como consequência da guerra no Irã, os Estados Unidos avançou no setor petrolífero da Venezuela. Nesta semana, empresas norte-americanas receberam sinal verde do novo governo venezuelano para exportar o combustível e seus derivados para o país liderado por Donald Trump.

    A medida foi anunciada pela estatal responsável pelo petróleo venezuelano, a Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA), na última terça-feira (3/3).

    “A PDVSA assinou contratos de fornecimento com as empresas comercializadoras de petróleo e derivados destinados ao mercado dos Estados Unidos, mantendo assim a sua relação comercial histórica para garantir o fornecimento”, informou a empresa.


    Consequências da Guerra


    Aceno da Venezuela aos EUA

    O aceno positivo da Venezuela aos EUA surgiu após Trump emitir licenças especiais para que petrolíferas passassem a atuar na Venezuela, sem que fossem atingidas por sanções norte-americanas contra o setor. As empresas beneficiadas pela medida foram: BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell.

    A primeira delas a firmar contrato com a PDVSA foi a Shell. As discussões aconteceram durante visita do Secretário do Interior dos EUA e presidente do Conselho Nacional de Domínio Energético, Doug Burgum, a Caracas (foto em destaque).

    “Tivemos um dia de trabalho produtivo com o secretário Doug Burgum”, disse Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, após o fim do tour do secretário norte-americano na Venezuela. “Acompanhamos a assinatura de acordos entre a Venezuela e a empresa Shell, um passo importante para impulsionar o desenvolvimento energético. Estou muito satisfeita por ver as empresas venezuelanas projetarem-se internacionalmente, gerando emprego e novas oportunidades para o nosso povo”.

    Já Burgum classificou a parceria entre Washignton e Venezuela no setor energético como uma das saídas da administração norte-americana para driblar a alta na gasolina.

    “A parceria com a Venezuela será uma das maneiras pelas quais o preço da gasolina vai baixar nos postos de gasolina dos Estados Unidos”, declarou o secretário do Interior dos EUA em entrevista à rede Fox News.

    Tudo a ver com o petróleo

    Todo o cenário condiz com as declarações de Trump logo após a captura de Nicolás Maduro, no início de janeiro. À época, o presidente dos EUA — como se previsse o caos no setor que surgiria meses depois em consequência da guerra no Oriente Médio — afirmou que a presença norte-americana na Venezuela tinha “tudo a ver com o petróleo”.

    As ambições do líder norte-americano no setor petrolífero venezuelano não encontraram obstáculos internos dentro do governo provisório da Venezuela, apesar do passado ligado ao chavismo.

    Um dia depois da operação militar que culminou na captura de Maduro, Trump ameaçou a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez,que viria a ser empossada como líder interina posteriormente.

    “Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou o presidente dos EUA.

    Com o “recado”, nem mesmo um mês se passou até que Delcy se apressou em atender aos interesses norte-americanos no país. Em 6 de janeiro, Trump anunciou um acordo para o Washigton, então, passou a ser responsável pela venda do combustível no mercado aberto. Parte dos lucros foi repassada à Venezuela

    Dias depois, a presidente interina da Venezuela apresentou um projeto de reforma parcial na Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos de 2006. A legislação, criada durante o governo de Hugo Chávez, aumentou o controle estatal no petróleo do país.

    A proposta não enfrentou resistência para ser aprovada pelo Parlamento. Com isso, chegou ao fim o monopólio estatal da PDVSA, e petrolíferas estrangeiras receberam aval para operar de forma independente na Venezuela.

  • Sede de empresas que renderam R$ 3 milhões a Lulinha está vazia em SP

    Sede de empresas que renderam R$ 3 milhões a Lulinha está vazia em SP

    Reprodução/Metrópoles
    Empresas de Lulinha estão registradas em sala vazia

    Duas empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que enviaram mais de R$ 3 milhões a contas bancárias do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não atendem no endereço em que estão sediadas.

    O Metrópoles visitou na quinta-feira (5/3) o prédio comercial na zona oeste de São Paulo, onde as empresas LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia estão registradas na Junta Comercial, e foi informado de que as salas estão desocupadas há 7 meses.

    Antes de ficar vazia, as duas salas do primeiro andar abrigavam uma certificadora digital e uma organização social que presta serviços de saúde. Segundo os registros das duas empresas de Lulinha – LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia –, a principal atividade delas é “suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação”.

    Empresas de Lulinha não estão listadas na recepção do prédio onde estão registradas

    De acordo com registros da quebra de sigilo bancário de Lulinha, que foram enviados à CPMI do INSS e revelados pela coluna de Andreza Matais, a LFF Tech Participações enviou R$ 2,37 milhões a Lulinha e a G4 Entretenimento e Tecnologia mandou R$ 772 mil ao filho do presidente. As transferências ocorreram entre 2022 e 2025.

    O que diz Lulinha

    A defesa de Lulinha afirma que o endereço é usado apenas para recebimento e encaminhamento de correspondências.

    “A empresa LLF Tech não possui escritório externo e sua sede sempre foi a residência de Fábio Luís, alterada somente após sua mudança para o exterior. A empresa G4 não está mais em atividade, mas possui créditos judicializados a receber, que quando são pagos, são distribuídos”, diz o advogado Guilherme Suguimori em nota.

    Ao todo, a quebra de sigilo revelou uma movimentação de R$ 19,3 milhões no período de quatro anos. A defesa afirma que o montante “não retrata nenhum valor real” porque corresponde a soma de movimentações, o que pode significar valores repetidos em entradas e saídas.

    Do valor revelado na quebra de sigilo, R$ 9,6 milhões foram recebidos por Lulinha e o restante foi pago a outras contas bancárias.

    Lulinha alvo da CPMI

    A CPMI que apura a fraude no INSS, revelada pelo Metrópoles, investiga o filho do presidente Lula pela relação dele com Antonio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.

    Lulinha e Careca viajaram juntos para Portugal para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal. A interlocutores, Lulinha tem dito que não fechou negócio, embora tenha viajado com o lobista.

    A Polícia Federal (PF) investiga anotações do Careca do INSS para pagar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista disse à PF que o valor era pago a Lulinha, por meio de uma empresa de cannabis sediada em Portugal. A defesa do Lulinha nega relação do filho do presidente com os fatos investigados na comissão.

    “Reitero que Fábio Luís não tem relação com as fraudes do INSS, o que será verificado pelas autoridades competentes quando analisarem esses documentos sigilosos que foram infeliz e seletivamente vazados”, afirmou Suguimori, em nota.

  • STJ definirá destino de ação contra Xuxa por "Turma da Xuxinha"

    STJ definirá destino de ação contra Xuxa por "Turma da Xuxinha"

    Reprodução
    Xuxa Meneghel

    O destino da ação que envolve Xuxa Meneghel e o empresário Leonardo Soltz será selado em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), marcado para o dia 10 de março, no plenário da Terceira Turma da Corte. O imbróglio já dura 26 anos entre decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e da Corte Superior.

    Leonardo Soltz acusou a empresa Xuxa Promoções e Produções de apropriação indevida dos personagens de “A Turma do Cabralzinho”. Segundo a ação, a empresa da apresentadora teria plagiado um conjunto de elementos visuais e sensoriais para criar a “Turma da Xuxinha”.

    Em decisões da primeira instância já está pacificado que há necessidade de indenização. No entanto, o que o STJ vai julgar no dia 10 é o valor a ser pago pelo uso das referências dos personagens criados por Soltz, relacionados aos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil.

    O montante da indenização pode chegar a R$ 60 milhões, com as correções monetárias. No entanto, no STJ o ministro relator do caso, Moura Ribeiro, votou por reduzir a indenização, excluindo juros moratórios e correção monetária, baixando o valor para aproximadamente R$ 3 milhões.

    O julgamento

    As duas partes entraram com recurso no caso. Leonardo Soltz pelo reconhecimento de que a indenização deve ser composta pelos danos emergentes e pela integralidade dos lucros cessantes apurados pelo perito.

    Já a empresa de Xuxa alega erro no cálculo apresentado na perícia, que contabilizou o período da promoção como sendo de 21 meses em vez de 11.  Argumenta que não vendeu nem obteve receita com revistas ou brinquedos presentes na campanha da Baruel, empresa que licenciou sua imagem e os direitos de uso dos personagens da “Turma da Xuxinha” para que fossem estampados nos produtos licenciados, e pede, no STJ, a suspensão da decisão que a condenou ao pagamento que pode chegar a R$ 60 milhões.

    No plenário da Terceira Turma farão sustentações orais: 

    Anna Maria da Trindade dos Reis, pela empresa de Xuxa
    Ricardo Loretti Henrici – por Leonardo Soltz

    A sessão da Terceira Turma do STJ começa às 14h, do dia 10, e o caso está na pauta do dia.