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  • Pesquisa da Unesp usa nanotecnologia para tratamento contra candidíase

    Pesquisa da Unesp usa nanotecnologia para tratamento contra candidíase

    Desenvolvida ao longo de cinco anos, uma pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) pode revolucionar o tratamento para candidíase vulvovaginal. O objetivo foi desenvolver uma solução capaz de contornar a resistência fúngica observada nos tratamentos convencionais da infecção.

    Desenvolvida em dupla titulação, em conjunto com a Universidade de Groningen, na Holanda, o estudo foi a tese de doutorado de Gabriela Carvalho. A cientista conquistou o Prêmio Unesp de Teses 2025.

    Inicialmente, a pesquisadora quis investigar o tema pela possibilidade de unir duas áreas com as quais ela se identifica: microbiologia e nanotecnologia. “A escolha da doença foi principalmente pela questão de ser mundialmente prevalente, mas subnotificada no Brasil”, destaca Carvalho. “Quanto mais pesquisas forem feitas, melhor, mais atenção a gente vai conseguir voltar a elas, e com isso uma esperança de maior quantidade de políticas públicas nesse sentido”, completa a idealizadora.

    Pesquisa da Unesp usa nanotecnologia para tratamento contra candidíase - destaque galeria3 imagensNanopartícula desenvolvida para o tratamento de candidíaseGabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exteriorFechar modal.MetrópolesA tese de Gabriela Corrêa Carvalho venceu o Prêmio Unesp de Teses 20251 de 3

    A tese de Gabriela Corrêa Carvalho venceu o Prêmio Unesp de Teses 2025

    Material cedido ao MetrópolesNanopartícula desenvolvida para o tratamento de candidíase2 de 3

    Nanopartícula desenvolvida para o tratamento de candidíase

    Material cedido ao MetrópolesGabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exterior3 de 3

    Gabriela ao lado dos paraninfos de sua defesa: o colega de doutorado Jiachen Li, e Gésinda, técnica da University of Groningen, que a apoiaram ao longo da pesquisa conduzida no exterior

    Material cedido ao Metrópoles

    O resultado

    Sob orientação do professor Marlus Chorilli, o trabalho criou um sistema inovador de liberação controlada de medicamentos para o tratamento da candidíase vulvovaginal. O diferencial é a combinação, em uma única formulação tópica, de um antifúngico natural (curcumina) e um anti-inflamatório (cloridrato de benzidamina).

    A iniciativa foi possível devido a um sistema chamado “nano em nano”, que consiste em colocar uma nanopartícula dentro de outra. O resultado chegou a um hidrogel termoresponsivo.

    “A termoresponsividade desse hidrogel faz com que, em contato com a mucosa, ele se torne gel. Isso possibilita que ele fique aderido na mucosa, porque também tem propriedade mucoadesiva, ficando ali por mais tempo, não escorrendo. Então, não causa desconforto, e também propicia que ele fique aderido aí para uma ação por um tempo maior”, explica Gabriela Carvalho.

    Para disponibilizar o medicamento a pacientes, as etapas de estudo clínico ainda devem ser realizadas. “A formulação apresentou uma atividade promissora. A gente conseguiu atestar que ele não seria tóxico, então a gente teve uma aplicação consciente, mesmo em camundongos, mas, até chegar no humano, mais testes devem ser realizados”, esclarece a cientista.

    Segundo Silvana Chedid, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, a pesquisa da tecnologia nanoscópica pode potencialmente reduzir a quantidade de medicamento necessária e aumentar a ação local, com menos efeitos colaterais.

    “Esse tipo de abordagem pode ser uma alternativa promissora, especialmente para infecções resistentes ou recorrentes, algo ainda pouco resolvido pelos tratamentos tradicionais”, aponta a médica.

    Sobre a candidíase

    A candidíase é uma infecção fúngica causada pelo crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, especialmente Candida albicans, que normalmente fazem parte da microbiota vaginal sem causar problemas, mas que podem se multiplicar em excesso e causar sintomas desconfortáveis.

    De acordo com a ginecologista, as causas e fatores de risco incluem: uso de antibióticos, que alteram a flora vaginal protetora; alterações hormonais, como na gravidez ou com pílulas anticoncepcionais; sistema imunológico enfraquecido ou doenças como diabetes; calor, umidade e roupas apertadas que favorecem proliferação fúngica. No entanto, conforme a especialista, às vezes pode ocorrer sem uma causa óbvia.

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    A candidíase não é considerada uma doença sexualmente transmissível, embora atividade sexual possa estar associada. “Medidas simples podem reduzir o risco de infecção, como evitar roupas íntimas muito justas ou que retenham umidade; não usar produtos perfumados na região íntima; limpeza adequada da região, de frente para trás, e trocar absorventes com frequência; evitar banhos muito quentes e manter estilo de vida saudável para fortalecer o sistema imunológico; e controlar o açúcar no sangue em pessoas com diabetes”, explica Chedid.

    O tratamento clássico envolve o uso de antifúngicos, que podem ser tópicos, como cremes, ou orais. “Esses medicamentos são eficazes na maioria dos casos, mas o uso inadequado, sem diagnóstico médico preciso ou por automedicação repetida, pode aumentar a resistência dos fungos aos medicamentos”, detalha a médica.

    A infecção

    • A candidíase é muito comum, segundo a especialista. Estima-se que até 75% das mulheres terão pelo menos um episódio ao longo da vida.
    • ⁠O diagnóstico médico é fundamental, já que sintomas como corrimento branco espesso, coceira intensa, ardência ao urinar ou incômodo durante relações sexuais podem se parecer com outras infecções.
    • O tratamento deve ser adequado ao agente específico.
    • Automedicação pode piorar o problema. O uso repetido de antifúngicos sem orientação pode promover resistência, o que intensifica episódios futuros.
    • ⁠Em casos de infecção recorrente (três ou mais vezes por ano), uma avaliação mais detalhada por um ginecologista é recomendada.

     

  • Sem operações violentas, mortes por PMs no litoral despencam em 2025

    Sem operações violentas, mortes por PMs no litoral despencam em 2025

    Após a explosão da letalidade policial na Baixada Santista, impulsionada pela Operação Verão de 2024, o número de mortes provocadas por policiais militares (PMs) nas principais cidades do litoral paulista despencou em 2025. No ano passado, Santos, São Vicente e Guarujá registraram juntas 25 mortes decorrentes de intervenção policial.

    No ano anterior, o número era de 111. A queda foi de quase 78%. Os dados são do painel do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

    Em números absolutos, Santos teve a maior queda, com 30 mortes a menos. Na sequência vem São Vicente, com uma diferença de 29 homicídios. Em Guarujá, foram 28.

    Mortes decorrentes de intervenção policial

    Santos

    • 2022 – 8
    • 2023 – 17
    • 2024 – 43
    • 2025 – 13

    São Vicente

    • 2022 – 9
    • 2023 – 13
    • 2024 – 36
    • 2025 – 7

    Guarujá

    • 2022 – 13
    • 2023 – 32
    • 2024 – 32
    • 2025 – 5

    A queda na letalidade não acompanhou a tendência registrada em todo o estado. Em 2025, o número de mortes cometidas por policiais militares foi o maior dos últimos cinco anos, superando a marca de 2024.  Segundo dados do Gaesp, foram 663 no ano passado, contra 653 no ano retrasado.

    Operação Verão no litoral

    Em 2024, a tradicional Operação Verão, realizada anualmente para reforçar o policiamento na Baixada Santista durante a alta temporada, ganhou contornos violentos após o policial militar Samuel Cosmo, da Rota, ser morto a tiros na comunidade do Mangue Seco, em Santos. Na semana anterior, o PM Marcelo Augusto, de folga, também havia sido morto.

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    Após os homicídios, o governo de São Paulo determinou o envio de dezenas de viaturas de batalhões de elite da PM para a Baixada Santista, com a realização de incursões diárias em comunidades. O saldo foi de 66 mortes, com denúncias de tortura e execuções sumárias.

    No ano anterior, entre julho e setembro de 2023, uma operação nos mesmos moldes foi realizada. A Operação Escudo, como ficou conhecida, deixou 28 vítimas.

    Operação após crise

    No fim de 2024, após uma sequência de casos de violência envolvendo policiais militares, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a reconhecer uma crise na segurança pública e afirmou que seria necessário redesenhar a corporação.

    No mês seguinte, teve início a Operação Verão de 2025. Dessa vez, a postura dos policiais foi diferente, com drástica redução do número de incursões nas comunidades. Entre o início de janeiro e o fim de março do ano passado, foram registradas seis mortes considerando as cidades de Santos, São Vicente e Guarujá.

    PMs de folga

    Ao contrário do que ocorreu com o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço no estado, a parcial de 2025 indica que os homicídios envolvendo PMs de folga não deve alcançar o patamar registrado em 2024. No ano passado, foram 127, maior quantidade desde 2022. Até 19 de dezembro, o painel do Gaesp indicava 104 homicídios.

    Questionada pelo Metrópoles ao longo do ano sobre episódios de violência policial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) tem afirmado reiteradamente que “não tolera desvios de conduta,” e que todas as mortes cometidas por policiais são investigadas com acompanhamento da Corregedoria e do Ministério Público. Além disso, diz a pasta, em todos os casos são instauradas comissões para identificar “não conformidades”.

  • Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP

    Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP

    A queda de árvores em São Paulo não é um evento raro. A população se habituou a lidar com troncos e galhos espalhados pela capital, especialmente após tempestades e vendavais, como o ciclone extratropical que, ao passar pela cidade em dezembro, derrubou mais de 500 árvores, segundo o Corpo de Bombeiros.

    Entre os problemas, são comuns estragos na rede elétrica com desabastecimento de energia, danos materiais e risco de acidentes fatais. Mas o tema desperta uma dúvida que nem todo paulistano sabe responder: o que ocorre depois que uma árvore cai na cidade?

    Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP - destaque galeria16 imagensÁrvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencialA primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila LeopoldinaAs toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveisO restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavacoO cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em aduboFechar modal.MetrópolesA Prefeitura de São Paulo possui uma iniciativa para reaproveitar árvores que caem em parques públicos1 de 16

    A Prefeitura de São Paulo possui uma iniciativa para reaproveitar árvores que caem em parques públicos

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesÁrvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencial2 de 16

    Árvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencial

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila Leopoldina3 de 16

    A primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila Leopoldina

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesAs toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveis4 de 16

    As toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveis

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesO restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavaco5 de 16

    O restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavaco

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesO cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em adubo6 de 16

    O cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em adubo

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA maior parte da madeira recolhida após temporais chega quebrada ou com dejetos, por isso costuma ser transformada em cavaco7 de 16

    A maior parte da madeira recolhida após temporais chega quebrada ou com dejetos, por isso costuma ser transformada em cavaco

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesJá as toras apropriadas para a fabricação de móveis são separadas e recebem um primeiro tratamento. Chapas de alumínio evitam rachaduras8 de 16

    Já as toras apropriadas para a fabricação de móveis são separadas e recebem um primeiro tratamento. Chapas de alumínio evitam rachaduras

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA madeira para fabricação de móveis é enviada para a segunda etapa do reaproveitamento9 de 16

    A madeira para fabricação de móveis é enviada para a segunda etapa do reaproveitamento

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesOs móveis são fabricados na marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte de São Paulo10 de 16

    Os móveis são fabricados na marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte de São Paulo

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA madeira é cortada em chapas e passa por uma secagem para evitar farpas e empenamento11 de 16

    A madeira é cortada em chapas e passa por uma secagem para evitar farpas e empenamento

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesApós a secagem, os marceneiros começam a fabricação12 de 16

    Após a secagem, os marceneiros começam a fabricação

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesTodos os móveis fabricados são enviados para uso nos parques municipais13 de 16

    Todos os móveis fabricados são enviados para uso nos parques municipais

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesAs administradoras dos parques solicitam uma vistoria da prefeitura, que define o que será produzido14 de 16

    As administradoras dos parques solicitam uma vistoria da prefeitura, que define o que será produzido

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesOs móveis são utilizados nas áreas comuns e administrativas dos parques15 de 16

    Os móveis são utilizados nas áreas comuns e administrativas dos parques

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesDesde o início do programa, em 2024, foram fabricados 45 bancos, 8 escorregadores, 
41 conjuntos de piquenique e diversos outros materiais16 de 16

    Desde o início do programa, em 2024, foram fabricados 45 bancos, 8 escorregadores,
    41 conjuntos de piquenique e diversos outros materiais

    Rodrigo Tammaro/Metrópoles

    Ela pode tanto se transformar em um mobiliário quanto compostagem gratuita à população a partir de uma iniciativa da prefeitura de reaproveitar o material de podas e quedas de árvores em parques municipais.

    O que é cavaco

    A primeira etapa do reaproveitamento de árvores e galhos na capital paulista, maioria eucaliptos, é o envio para um pátio na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde o material passa por uma seleção: as toras com medidas e características adequadas são separadas e enviadas para a produção de móveis, que posteriormente serão concedidos a parques públicos.

    Já os troncos, galhos e folhas inapropriados para a confecção moveleira — que representam o maior volume — são triturados e transformados em um resíduo vegetal chamado de cavaco.

    Esse material triturado pode ser utilizado, por exemplo, para substituir as britas usadas em canteiros de plantas e trilhas nos parques.

    “Ao invés de usar pedras para forrar os espaços, usamos essa madeira triturada”, afirma a engenheira florestal Isabel Jorge, que supervisiona o pátio de recebimento de toras.

    “A drenagem é melhor, ela previne ervas daninhas e é mais ecológica. Quando o cavaco entra em decomposição, é só substituir. Fica mais prático”, acrescenta ela ao Metrópoles.

    Outra alternativa é a compostagem. Esse é o uso mais comum do material de tempestades, já que geralmente a madeira é recolhida com outros resíduos, como plásticos e tecidos.

    O cavaco “contaminado” é distribuído para outros espaços de compostagem espalhados pela cidade, onde é misturado com restos de frutas, verduras e legumes oriundos de feiras e transformado em adubo, o que leva aproximadamente 120 dias.

    O produto, usado em jardins e praças públicas, é distribuído gratuitamente para a população.

    Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB), a prefeitura possui seis pátios de compostagem. Cada um recebe entre 300 e 400 toneladas de resíduos de poda por ano.

    O processo de secagem

    No caso da confecção de móveis, o caminho é diferente. O material selecionado no pátio da Vila Leopoldina é transformado em pranchas de madeira e enviado para uma marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte, onde ocorre a segunda etapa do reaproveitamento.

    Antes, as pranchas são colocadas para secagem. O processo leva cerca de dois meses com o intuito de preservar a qualidade do material e evitar fiapos ou empenamento. Em seguida, começa a produção, a cargo da empresa Florestana, de acordo com a demanda dos parques gerenciados pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).

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    “Os administradores entram em contato com a SVMA e solicitam os móveis. Nosso arquiteto faz uma vistoria e verifica qual é a necessidade específica daquele parque”, diz a engenheira.

    Os móveis são finalizados com verniz naval para aumentar a resistência. Não são pintados porque a intenção é manter o aspecto mais natural e rústico.

    A transformação

    Desde fevereiro de 2024, foram produzidos pela Florestana:

    • 45 bancos
    • 8 escorregadores
    • 41 conjuntos de piquenique (compostos por uma mesa e dois bancos)
    • 201 unidades de cerquinhas
    • 3 passarelas
    • 15 placas
    • 1 guarita de segurança
    • 201 unidades de cerquinhas
    • Mais de 2 mil bolachas de madeira
    • Também foram fornecidos materiais para manutenção dos parques, como o madeiramento de 50 balanços, 48 bancos com estrutura de ferro ou concreto e 13 mesas com estrutura de concreto.
    • Para outros tipos de manutenção, foram entregues mais de 110 peças diversas.

    Os benefícios

    O reaproveitamento de madeira originada de podas e quedas de árvores tem importância ecológica, econômica e social.

    Além de diminuir o desperdício, a iniciativa aproveita um resíduo, que seria descartado em aterros, na fabricação de produtos de qualidade, bem como amplia a produção de composto orgânico nas composteiras.

    O processo todo economiza matéria-prima, reduz o deslocamento dos caminhões, que se deslocariam a aterros distantes, e gera empregos no município.

    Além disso, segundo os profissionais diretamente envolvidos no reaproveitamento de madeira, a principal realização de todo o processo é o fornecimento de produtos de qualidade a frequentadores dos parques.

    “Teve uma vez em que eu ajudei a montar móveis no parque Chico Mendes, na zona leste. Montamos três mesas e fomos trabalhar em outra área. Pouco tempo depois, quando a gente passou lá de novo, umas 15 pessoas já estavam usando as mesas”, lembrou o arquiteto Daniel Henrique Conti, que realiza as vistorias para definir quais móveis serão fabricados. “Muitas vezes o pessoal fica esperando e pergunta se a gente vai demorar, porque eles já querem usar. Ficamos bem felizes com isso, porque é um trabalho sendo valorizado e também um retorno para a cidade.”

    Uma reforma na marcenaria do Parque Anhanguera promete ampliar o reaproveitamento de árvores na capital. Enquanto isso, a SMVA também estuda formalizar o uso da madeira fora dos parques.

    “Espero que aumente cada vez mais, porque é muito gostoso de ver os parques mais bonitos e naturais. Espaços que antes estavam abandonados, hoje têm uma estrutura sensacional por causa do reaproveitamento. Seria preciso definir os detalhes com a secretaria, mas a demanda existe. E a população pode usufruir”, concluiu Isabel.

  • Nutri lista os perigos para a saúde de manter intestino inflamado

    Nutri lista os perigos para a saúde de manter intestino inflamado

    Férias e festas de fim de ano são praticamente sinônimos de comilança. Neste período, torna-se missão quase impossível passar ileso às delícias servidas em confraternizações, ceias, almoços em família e encontros com amigos. O resultado de “chutar o balde” tende a ser um intestino inflamado.

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    Após a temporada de excessos na alimentação, a coluna Claudia Meireles acionou a nutricionista Clara Alves Delavy, do Rio de Janeiro, para saber as consequências do intestino inflamado para a saúde.

    Nutri lista os perigos para a saúde de manter intestino inflamado - destaque galeria4 imagensFicar com o intestino inflamado constantemente pode desencadear o surgimento de outras condições de saúdeCom o passar do tempo, ficar com o intestino inflamado pode contribuir para a piora da saúde metabólicaA nutricionista explica como a má alimentação impacta na saúde intestinalFechar modal.MetrópolesO intestino é o órgão responsável pela digestão e absorção de nutrientes1 de 4

    O intestino é o órgão responsável pela digestão e absorção de nutrientes

    AlexLMX/Getty ImagesFicar com o intestino inflamado constantemente pode desencadear o surgimento de outras condições de saúde2 de 4

    Ficar com o intestino inflamado constantemente pode desencadear o surgimento de outras condições de saúde

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    Com o passar do tempo, ficar com o intestino inflamado pode contribuir para a piora da saúde metabólica

    Sefa ozel/Getty ImagesA nutricionista explica como a má alimentação impacta na saúde intestinal4 de 4

    A nutricionista explica como a má alimentação impacta na saúde intestinal

    seb_ra/Getty Images

    “Na prática, a inflamação intestinal costuma estar bastante ligada à alimentação no dia a dia, especialmente quando há excesso de ultraprocessados, muito açúcar e gorduras de má qualidade, além de pouca ingestão de fibras”, enfatiza a expert. Ela destaca que as causas da inflamção não são só essas.

    A nutricionista salienta que o consumo frequente de álcool, o estresse constante, o uso repetido de alguns medicamentos e até intolerâncias alimentares que a pessoa pode nem saber que tem também entram como fatores importantes no processo inflamatório.

    Segundo Clara, quando o intestino está inflamado, os primeiros efeitos percebidos envolvem a digestão e a absorção de nutrientes. Ambas “deixam de funcionar bem”.  “Isso acaba desequilibrando a microbiota e aumentando a permeabilidade intestinal, o que favorece ainda mais a inflamação no corpo como um todo”, explica.

    Foto colorida de mulher com dor abdominal - MetrópolesComer exageradamente opções ricas em açúcar e gorduras atrapalham o funcionamento do intestino

    A especialista em nutrição clínica argumenta que, com o passar do tempo, esse processo inflamatório tende a desencadear ou piorar problemas. Ela lista a síndrome do intestino irritável, intolerâncias alimentares, deficiências de nutrientes, queda da imunidade, constipação ou diarreia frequentes como algumas das consequências das inflamações.

    De acordo com a nutricionista, a inflamação intestinal constante também afeta outras áreas do organismo. “Pode contribuir para alterações hormonais, piora da saúde metabólica e até do bem-estar emocional”, detalha. Clara Alves Delavy acrescenta que o quadro impacta até a saúde mental, por conta da “conexão direta entre intestino e cérebro.”

    “No fim das contas, um intestino equilibrado impacta diretamente na qualidade de vida e prevenção de doenças crônicas”, garante a expert em nutrição esportiva. A nutricionista defende que manter o órgão desinflamado oferece benefícios que vão “muito além” da digestão.

    Ilustração colorida de intestino entre as mãos de um homem - MetrópolesA especialista ressalta que ter um intestino “equilibrado” impacta na saúde em geral

    Para saber mais, siga o perfil da coluna no Instagram.

  • Stranger Things: como série criou o Mundo Invertido com boia espaguete

    Stranger Things: como série criou o Mundo Invertido com boia espaguete

    Um dos elementos mais marcantes de Stranger Things é o visual do Mundo Invertido, que chama atenção pela atmosfera realista e original. Ao longo de cinco temporadas, a dimensão paralela a Hawkins se tornou um dos maiores símbolos da série.

    Stranger Things: como série criou o Mundo Invertido com boia espaguete - destaque galeria9 imagensStranger Things 5Noah Schnapp como Will Byers e Jamie Campbell Bower como Vecna na quinta temporada de Stranger ThingsVecna, em Stranger ThingsNatalia Dyer como Nancy Wheeler e Charlie Heaton como Jonathan Byers em Stranger ThingsEssa é uma das cenas mais marcantes do personagem na 4ª temporada de Stranger ThingsFechar modal.MetrópolesStranger Things 51 de 9

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    Natalia Dyer como Nancy Wheeler e Charlie Heaton como Jonathan Byers em Stranger Things

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    Jamie acabou se tornando o queridinho do público com o personagem

    Steve Dietl/NetflixMillie Bobby Brown como Eleven em Stranger Things9 de 9

    Millie Bobby Brown como Eleven em Stranger Things

    Netflix/Divulgação

    O que poucos sabem é que, para construir esse universo sombrio, a produção recorreu a materiais inusitados e a técnicas que combinam tecnologia com trabalho manual. Grande parte do cenário foi criada fisicamente, permitindo interação real dos atores com os elementos.

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    Para formar os cipós espalhados pelo Mundo Invertido, a equipe utilizou espaguetes de piscina. Ao todo, foram empregados cerca de 44 km dessas boias, além de aproximadamente 130 km de corda. Também foram produzidos 84 km de gavinhas, pequenos galhos em formato espiral.

    Cipós do Mundo Invertido foram criados por meio de boias para piscina

    Para aumentar o realismo, todos os elementos receberam uma camada de poliuretano engrossado, um plástico com textura semelhante à borracha. O revestimento foi feito manualmente, e cerca de 70% dos espaguetes foram preparados por um único integrante da equipe.

    Os cenários do Mundo Invertido foram projetados para serem reutilizáveis e modulares, o que permitiu desmontagem, recuperação e reaproveitamento das estruturas.

    Demorgorgon

    A Netflix afirmou que, em apenas cinco semanas de filmagem, a equipe criou mais efeitos especiais do que na temporada anterior, resultando nos episódios com maior número de efeitos de toda a série.

    Além dos cenários, a equipe também construiu um Demogorgon em tamanho real para a série. A escultura, que representava o monstro já morto, foi produzida por impressão 3D e pesava entre 79 e 100 kg. Para carregá-las durante as gravações, era preciso pelo menos quatro pessoas em uma maca.

  • Prisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista

    Prisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista

    Com a conclusão do julgamento dos quatro núcleos centrais da tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), 23 dos 29 condenados cumprem alguma medida restritiva de liberdade, embora nem todas as ações penais tenham transitado em julgado. O número foi atualizado após a prisão preventiva do ex-assessor Filipe Martins.

    Ao todo, sete condenados cumprem pena, nove estão presos preventivamente, nove em prisão domiciliar, três estão soltos e dois são considerados foragidos. Apenas os réus do núcleo 1, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já cumprem pena em estabelecimentos prisionais em regime fechado — com exceção de Augusto Heleno, que cumpre pena em regime domiciliar; de Mauro Cid, em regime aberto; e de Alexandre Ramagem, foragido nos Estados Unidos.

    Entenda

    • Filipe Martins foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
    • Ao todo, apenas dois condenados na trama golpista são considerados foragidos.
    • Alexandre Ramagem está nos Estados Unidos e é considerado foragido porque o julgamento do núcleo 1 transitou em julgado.
    • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, dono do Instituto Voto Legal, é considerado foragido após não ter sido localizado pela Polícia Federal para o cumprimento de prisão domiciliar.

    Entre os réus do núcleo 2, quase todos estão em prisão preventiva. A ex-secretária do Ministério da Justiça Marília de Ferreira Alencar cumpre prisão domiciliar, enquanto os demais permanecem presos preventivamente em penitenciárias (veja lista abaixo), como o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, detido na semana do Natal após fugir do país.

    Já entre os condenados do núcleo 3, conhecido como “kids pretos”, quatro estão em prisão preventiva, enquanto outros três cumprem prisão domiciliar. As únicas exceções nesse núcleo são os militares Márcio Nunes de Resende Júnior e Ronald Ferreira de Araújo Júnior, condenados a regime aberto e que podem negociar acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Além do núcleo 1, cujo trânsito em julgado já foi decretado pelo STF, o núcleo mais próximo de ter a execução das penas efetivada é o núcleo 3, cujo acórdão já foi publicado — embora os prazos ainda não tenham sido iniciados em razão do recesso do Judiciário. Os demais núcleos ainda não tiveram seus acórdãos publicados.

     

    Condenação

    A última condenação analisada pela Primeira Turma do STF foi a do núcleo 2, julgamento no qual Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, foi condenado, assim como outros quatro réus. O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Fernando de Sousa Oliveira foi absolvido.

    Martins foi condenado, em 16 de dezembro, a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, além de outros crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Apesar da condenação, ele cumpria apenas medidas restritivas, como prisão domiciliar — adotada após a fuga de Silvinei Vasques, quando Moraes considerou haver risco de evasão por parte dos demais réus.

    Prisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - destaque galeria9 imagensPrisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 2Prisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 3Prisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 4Jair BolsonaroPrisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 6Fechar modal.MetrópolesJair Bolsonaro (PL)1 de 9

    Jair Bolsonaro (PL)

    Rafaela Felicciano/MetrópolesPrisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 22 de 9

    Fábio Vieira/MetrópolesPrisão de Filipe Martins: como estão os condenados por trama golpista - imagem 33 de 9

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    Jair Bolsonaro

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    Agência SenadoFilipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro8 de 9

    Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro

    Breno Ezaqui/MetrópolesA Primeira Turma do STF julga, a partir desta terça-feira (8/12), os réus do núcleo 2 da trama golpista, entre eles Filipe Martins9 de 9

    A Primeira Turma do STF julga, a partir desta terça-feira (8/12), os réus do núcleo 2 da trama golpista, entre eles Filipe Martins

    BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

  • Sergio Camargo: mostra é acessível e atrativa a todos os públicos

    Sergio Camargo: mostra é acessível e atrativa a todos os públicos

    A exposição É Pau, É Pedra…, dedicada à arte e à trajetória de Sergio Camargo, ocupa o Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional, reunindo trabalhos de diferentes fases do artista. Realizada pelo Metrópoles e em cartaz até 6 de março de 2026, a mostra gratuita apresenta um dos maiores conjuntos de obras do consagrado escultor já exibidos no país.

    Leia também

    A mostra é um convite a pessoas de todas as idades, dos pequenos aos idosos, uma vez que conta com acessibilidade. Para artistas, escultores e criativos do quadradinho do Distrito Federal e arredores, é uma oportunidade rara de observar de perto obras que influenciaram a escultura global — peças que inspiram, provocam e expandem repertórios.

    Camargo é um artista cuja trajetória ultrapassa fronteiras. Suas esculturas conquistaram espaço em instituições de vários países, consolidando seu nome como uma referência da arte brasileira no cenário internacional.

    A mostra permanece em cartaz até 6 de março, convidando os visitantes a vivenciar a arte em um espaço que recentemente foi tomado pela energia e pelo ineditismo do Metrópoles Catwalk — evento que transformou o Distrito Federal no epicentro da moda brasileira, reunindo talentos locais e nomes de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como supermodelos e designers que moldam a indústria nacional.

    O atelier do artista foi reproduzido na exposição

    Serviço

    Exposição “É Pau, é Pedra…”, de Sergio Camargo, realizada pelo Metrópoles
    Visitação de 10 de dezembro a 6 de março, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

  • Bolsonaro teve um 2025 marcado por condenação, prisão e cirurgias

    Bolsonaro teve um 2025 marcado por condenação, prisão e cirurgias

    O 2025 do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foi marcado por revezes. Peça central nas investigações da trama golpista para impedir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de subir ao poder, Bolsonaro foi indiciado em 2024 e, no ano seguinte, virou réu e se tornou condenado. Ele também foi preso (primeiro em domiciliar e depois e regime fechado). Além disso, o líder da direita brasileira também enfrentou vários problemas de saúde, tanto que passou a virada de ano internado após passar por procedimentos médicos.

    Condenação

    • Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que planejou a tentativa de golpe de Estado.
    • Inquérito da tentativa de golpe foi instaurado quatro dias antes de Bolsonaro ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
    • Já no início do cumprimento da pena, Bolsonaro foi submetido a quatro procedimentos cirúrgicos em apenas uma semana, no hospital DF Star.

    Ao longo de um ano e meio, a Polícia Federal (PF) investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da tentativa de golpe. O inquérito foi instaurado quatro dias antes da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornando o ex-chefe do Palácio do Planalto inelegível por oito anos.

    O processo se desenrolou até o ponto em que Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão e preso para cumprir a pena em regime fechado.

    Após o início do cumprimento da pena, o ex-presidente passou por quatro procedimentos cirúrgicos em uma semana, no hospital DF Star, às vésperas da virada do ano. Apesar disso, retornou posteriormente à Superintendência da PF para cumprir a condenação.

    Leia também

    Evidências

    As investigações tiveram início por evidências de uma narrativa fraudulenta de Bolsonaro e aliados para descredibilizar as urnas eletrônicas, especialmente em dois episódios: a live de julho de 2021 e a reunião entre o ex-presidente e seus ministros, na qual discutiram estratégias golpistas — seis desses ministros presentes foram condenados.

    O relatório da PF, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, mostra que as investigações começaram porque evidências encontradas em apreensões e diligências indicavam que assessores próximos a Bolsonaro, como Mauro Cid e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), atuavam na produção de desinformação, além de alimentarem ataques ao sistema eleitoral e orientarem manifestações golpistas.

    Materiais apreendidos mostraram que, após o segundo turno, houve manutenção incentivada de atos em quartéis; uso indevido do relatório do Ministério da Defesa para sustentar fraude inexistente; e tentativa de retardar a divulgação do relatório real para manter a narrativa golpista. Os indícios, segundo a PF, configuram movimento articulado, justificando a abertura do inquérito em 26 de junho de 2023.

    As investigações avançaram até a PF firmar acordo de delação premiada com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid, que colaborou com provas e contextualização de materiais existentes no inquérito. Todo o conteúdo relevante — provas, áudios e mensagens — foi anexado ao inquérito remetido ao STF, no qual a PF dividiu as apurações em seis núcleos e, inicialmente, em novembro do ano passado, indiciou 37 pessoas.

    O inquérito foi enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que, após cinco meses, finalizou a peça acusatória e denunciou Bolsonaro e aliados em quatro núcleos, em material com quase 900 páginas. Para Gonet, as investigações evidenciaram que Bolsonaro era o líder da organização criminosa que atuou para planejar um golpe de Estado que o manteria no poder, mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

    Em seu parecer — posteriormente acatado integralmente contra Bolsonaro —, a PGR afirmou que Bolsonaro e seu candidato a vice-presidente, general Braga Netto, atuaram para consumar um golpe de Estado no Brasil.

    Para o PGR, corroborando a PF, o plano teve início em 2021, com ataques sistemáticos ao sistema eletrônico de votação. Gonet também afirmou que aliados de Bolsonaro mobilizaram aparatos para impedir eleitores de votar em Lula, além de facilitarem os atos de violência e depredação em 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

    As apurações da PGR corroboram apontamentos da PF sobre a existência de uma minuta do golpe que teria sido redigida, ajustada e “enxugada” por Bolsonaro, visando a interdição do Poder Judiciário, impedindo a posse de Lula e convocando novas eleições. Gonet também mencionou, na denúncia, o plano da organização criminosa para a execução de Lula, Alckmin e do relator das ações contra Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes.

    Bolsonaro teve um 2025 marcado por condenação, prisão e cirurgias - destaque galeria4 imagensBolsonaro é um dos oito réus investigados por supostamente tramarem um golpe de Estado no BrasilBolsonaro teve um 2025 marcado por condenação, prisão e cirurgias - imagem 3O interrogatório do ex-presidente Jair BolsonaroFechar modal.MetrópolesO interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro1 de 4

    O interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro

    Bolsonaro é um dos oito réus investigados por supostamente tramarem um golpe de Estado no Brasil2 de 4

    Bolsonaro é um dos oito réus investigados por supostamente tramarem um golpe de Estado no Brasil

    Antonio Augusto/STFBolsonaro teve um 2025 marcado por condenação, prisão e cirurgias - imagem 33 de 4

    Antonio Augusto/STFO interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro4 de 4

    O interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro

    Antonio Augusto/STF

    Réu e interrogatório

    Com a denúncia apresentada ao STF, após a PGR se debruçar na análise do inquérito da PF — que tinha mais de 30 volumes e milhares de páginas —, a Primeira Turma pautou, em várias sessões em março, e tornou Bolsonaro e aliados réus, divididos em quatro núcleos. O recebimento da denúncia ocorreu de maneira unânime por todos os ministros.

    Os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam o voto de Moraes, que afirmou que não havia a menor dúvida de que Bolsonaro discutiu e manuseou a minuta do golpe e que, desde 2021, o ex-chefe do Palácio do Planalto partiu para a estratégia de difundir notícias falsas para atacar as urnas eletrônicas.

    Com a denúncia aceita, o relator deu início à fase de instrução, ouvindo testemunhas de defesa e acusação, além dos próprios réus, que tiveram a oportunidade de se defender perante o STF em junho. Na ocasião, Bolsonaro, em interrogatório, admitiu que “hipóteses” foram debatidas, inclusive com comandantes das Forças Armadas, mas que “dentro das quatro linhas da Constituição”.

    “Não tinha clima, não tinha oportunidade, não tínhamos uma base minimamente sólida para se fazer qualquer coisa”, destacou Bolsonaro, em frente a Moraes.

    Num dos trechos mais emblemáticos do depoimento, Bolsonaro classificou a ideia de golpe como “abominável”, ressaltando que nunca cogitou tal ação. Ele ainda rebateu a declaração do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que alegou que Bolsonaro teria “enxugado” uma minuta golpista para permanecer no poder.

    “Da minha parte e dos militares, nunca se falou em golpe. Golpe é uma coisa abominável. O golpe até seria fácil de começar; o after day [dia seguinte, em tradução livre] é simplesmente imprevisível. O Brasil não poderia passar com uma experiência dessa, não foi sequer cogitada essa hipótese de golpe no meu momento”, explicou.

    Ele negou relação com os ataques de 8 de Janeiro de 2023, que definiu como “baderna”.

    Condenação

    Ao longo do período de instrução, com o cumprimento de diligências complementares, além da apresentação das alegações finais dos réus e da PGR, Moraes pediu, em agosto, que o então presidente da Turma, ministro Cristiano Zanin, marcasse o julgamento de Bolsonaro e dos demais réus do núcleo 1. As datas foram reservadas para setembro.

    Antes, entretanto, Bolsonaro já cumpria algumas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar, em decorrência de outro processo ao qual foi indiciado pela PF junto a um dos seus filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no inquérito sobre coação no curso da trama golpista.

    Bolsonaro foi alvo de busca e apreensão em julho, quando teve de colocar a tornozeleira eletrônica. O episódio ocorreu em meio às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil, especialmente sobre a articulação, segundo a PF, de Eduardo no país norte-americano — caso que também atingiu Moraes, então sancionado na Lei Magnitsky. Sobre esse caso, entretanto, Bolsonaro, por ora, não foi denunciado pela PGR.

    Em meio a esses desdobramentos, Bolsonaro foi julgado em setembro. Em seu voto, Moraes concordou com o parecer da PGR e votou pela condenação de Bolsonaro e dos demais aliados. O ministro chegou a fazer uso de organogramas para sustentar que o ex-presidente era o líder da organização criminosa.

    “Esse julgamento não discute se houve ou não tentativa de golpe, se houve ou não tentativa de abolição ao Estado de Direito. O que se discute é a autoria. Não há nenhuma dúvida nessas todas condenações (anteriores) de que houve tentativa de abolição, que houve tentativa de golpe, que houve organização criminosa”, ressaltou Moraes.

    Condenações

    O julgamento foi concluído em 11 de setembro, quando os ministros encerraram seus votos e chegaram ao placar de 4 a 1 — com um longo voto vencido de Luiz Fux. Logo em seguida, os magistrados deram início à dosimetria e concluíram a pena de Bolsonaro: 27 anos e 3 meses de prisão — a mais alta entre todos os réus envolvidos. O ex-presidente, naquele momento, cumpria prisão domiciliar.

    Com o entendimento, Bolsonaro e aliados foram condenados pelos crimes de organização criminosa armada; golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União (exceto Alexandre Ramagem); e deterioração de patrimônio tombado (exceto Ramagem). Já Mauro Cid, delator do esquema, foi condenado a 2 anos de prisão em regime aberto.

    Apesar da condenação, todos os réus seguiram soltos. Conforme determina o regimento interno do STF e a Constituição, os prazos para que as defesas pudessem recorrer correriam após a publicação do acórdão, que ocorreu somente no fim de outubro. A partir daquele momento, abriu-se prazo para que as defesas e o Ministério Público apresentassem seus embargos contra a decisão da Turma.

    Posteriormente, foram expedidas ordens de prisão para os condenados ao regime fechado. O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, no entanto, fugiu para os Estados Unidos.

    Hoje, Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da PF, em Brasília. Os demais réus também cumprem suas respectivas penas: os generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno no Comando Militar do Planalto (CMP); Braga Netto na Vila Militar, no Rio de Janeiro; Almir Garnier nas instalações da Estação Rádio da Marinha; e Anderson Torres, na Papudinha. Ramagem é considerado foragido; e Cid cumpre pena de 2 anos em regime aberto.

  • Deputada e influencer Sarah Poncio deve R$ 1,7 bilhão à União

    Deputada e influencer Sarah Poncio deve R$ 1,7 bilhão à União

    A deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) acumula mais de R$ 1,7 bilhão em dívidas com o governo federal, apontam dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Tratam-se de 65 débitos tributários, como impostos, taxas e previdenciários, atualizados até a última segunda-feira (29/12).

    A cifra bilionária contrasta com o patrimônio de R$ 2 milhões – incluindo R$ 300 mil em dinheiro vivo – que Sarah Poncio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022. O montante, todavia, não contém as participações dela nas seis empresas às quais é vinculada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja).

    À coluna, a equipe de Sarah Poncio negou a existência das dívidas – ainda que estejam oficialmente registradas na PGFN. A justificativa é de que o montante bilionário se refere a uma empresa da qual o pai dela, o pastor evangélico Márcio Poncio, foi sócio enquanto a deputada estadual era menor de idade, “o que torna completamente inadequada qualquer tentativa de lhe atribuir responsabilidade por esses valores” (leia mais abaixo).

    A influenciadora digital, sob os holofotes da família Poncio, voltou à cena após um vídeo nas redes sociais mostrá-la caminhando ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB-RJ), que é casado, no shopping Village Mall, na Barra da Tijuca. Assista:

    Conforme noticiou a coluna de Fábia Oliveira, no Metrópoles, mensagens divulgadas pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) sugerem ter havido uma confusão no local depois que a esposa do parlamentar, supostamente, flagrou os dois juntos. Leia:

    “A esposa do deputado RODRIGO AMORIM andava desconfiada e foi tirar dúvidas. Acertou em cheio. Não fosse pela confusão criada em ambiente público, eu nem daria a informação, por se tratar de pessoas de alta exposição. Mas infelizmente havia muita gente presente e o caso já é de domínio público. Antes de publicar, após receber a informação, conversei com pessoas que confirmaram o acontecimento”, escreveu.

    Deputada e influencer Sarah Poncio deve R$ 1,7 bilhão à União - destaque galeria6 imagensSarah PoncioSarah Poncio.Sarah Poncio.Rodrigo Amorim.Garotinho.Fechar modal.MetrópolesPost publicado por Garotinho no Instagram.1 de 6

    Post publicado por Garotinho no Instagram.

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    Sarah Poncio

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    Sarah Poncio.

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    Sarah Poncio.

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    Rodrigo Amorim.

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    Garotinho.

    Reprodução/Internet.

    Sarah Poncio se candidatou pela primeira vez em 2022, mas nem mesmo o sobrenome e a fama a ajudaram a se eleger. Os 26.626 votos obtidos nas urnas lhe deixaram como suplente até assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em janeiro de 2025.

    Na biografia como deputada estadual, Sarah Poncio elenca a saúde, a transparência e a inclusão digital, a segurança e qualidade de vida, além do fortalecimento da família, como prioridades do mandato. Essa última bandeira se alia à religião – o pai dela é pastor.

    A família Poncio ganhou projeção nas redes sociais, nas quais a vida como subcelebridades era retratada quase como em um reality show. Todos viviam na mesma casa: o pai e a mãe, a empresária Simone Poncio; Sarah e o então marido, o empresário Jonathan Couto; e o irmão dela, o cantor Saulo Poncio, e a então namorada, a atriz Letícia Almeida.

    Num relacionamento marcado por supostas traições, Letícia Almeida engravidou de uma menina, que nasceu em fevereiro de 2018. Saulo Poncio assumiu a paternidade, a qual negou meses depois. Em julho de 2018, a atriz revelou que o cunhado, Jonathan Couto, era o pai. O fato abalou o casamento dele com Sarah Poncio, que o perdoou posteriormente.

    Letícia Almeida, Jonathan Couto e Saulo Poncio se envolveram em uma confusão no passadoLetícia Almeida, Jonathan Couto e Saulo Poncio se envolveram em uma confusão no passado

    A união lhes rendeu dois filhos biológicos e um adotivo, que acabou devolvido à mãe, e chegou ao fim em setembro de 2021. Rumores de reconciliação surgiram em novembro passado, mas o ex-casal negou.

    O que diz Sarah Poncio

    “Sarah Poncio não é a devedora desses valores. Os débitos dizem respeito a uma empresa da qual seu pai foi sócio, sem que Sarah Poncio tenha integrado o quadro societário, mantido qualquer vínculo, desempenhado qualquer função ou obtido qualquer tipo de benefício relacionado a essa empresa.

    Além disso, a maior parte desses débitos foi registrada em período no qual nem mesmo seu pai exercia a administração da empresa, o que demonstra que nem ele poderia ser responsabilizado por tais dívidas.

    Outro ponto essencial é que, à época da constituição dos débitos, Sarah Poncio era menor de idade, o que torna completamente inadequada qualquer tentativa de lhe atribuir responsabilidade por esses valores.

    Essa forma de atuação, adotada em diversos casos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tem sido amplamente criticada por violar princípios básicos do direito, como a legalidade, o devido processo legal e a responsabilidade pessoal, tendo sido afastada pelo Poder Judiciário em diversos precedentes.

    No caso específico de Sarah Poncio, existem decisões judiciais que reconhecem sua ilegitimidade, estando a discussão atualmente suspensa até pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça.

    Por fim, é importante deixar absolutamente claro que Sarah Poncio não possui qualquer débito de imposto próprio, sempre manteve suas obrigações fiscais pessoais em dia e não responde por qualquer dívida tributária relacionada a outra empresa, sendo incorreta qualquer tentativa de associar seu nome a inadimplência fiscal.”

  • Sem paz em Gaza: Israel seguiu com ataques após cessar-fogo em 2025

    Sem paz em Gaza: Israel seguiu com ataques após cessar-fogo em 2025

    Entre negociações, incertezas e riscos, o cessar-fogo entre Israel e Hamas enfrentou diversos altos e baixos ao longo de 2025. Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, tratativas avançaram, também mediadas pelo Catar, Egito e Turquia. Ainda assim, a paz não se consolidou na região mais afetada pela guerra: a Faixa de Gaza.

    Em outubro de 2025, o governo israelense anunciou que havia aprovado um acordo de cessar-fogo em Gaza. Desde o segundo semestre de 2024, o plano de paz vinha sendo negociado com a mediação do Catar, dos Estados Unidos e do Egito, mas encontrava entraves.

    Em 2025, o aumento da ofensiva israelense em Gaza gerou revolta em diversos países, especialmente entre os principais mediadores do cessar-fogo, como o Egito, que condenou os ataques e rejeitou a “agressão de Israel ”.

    Estima-se que ao menos 70 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza por conta dos ataques israelenses desde o outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.

    Israel x Hamas

    • Um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas foi finalmente alcançado após dois anos de conflitos intensos na Faixa de Gaza, no dia 9 de outubro.
    • O anúncio foi dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o qual informou que ambos assinaram a primeira fase do cessar-fogo.
    • A primeira fase se destaca pelo cessar-fogo imediato e a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos após o reféns retornarem a Israel.
    • Ao fim do cumprimento dos termos acordados na primeira etapa, outros pontos do plano de paz começam a ser abordados.
    • As ofensivas tiveram início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando dezenas.

    Com a volta de Trump ao poder, ele se colocou como o principal mediador do cessar-fogo entre Israel e Hamas e anunciou, no dia 9 de outubro, o fim da guerra em Gaza — dias depois de divulgar um plano de paz com 20 pontos, que inclui a desmilitarização do Hamas, a criação de uma comissão de paz e a troca de reféns israelenses e palestinos.

    A dinâmica do acordo é dividida em três fases, que previam uma pausa total nos ataques e a troca de reféns israelenses e de palestinos detidos, vivos ou mortos.

    Até o momento, o pacto permanece na primeira fase, mas, segundo Trump, a segunda fase já está em andamento.

    Leia também

    Para João Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel-Aviv, assessor do Instituto Brasil-Israel e membro do podcast Do Lado Esquerdo do Muro, o primeiro cessar-fogo na Faixa de Gaza “cumpriu exatamente aquilo que ele se comprometeu a fazer, que era uma pausa para que o Hamas soltasse as sequestradas mulheres e crianças”.

     

    Sem paz em Gaza: Israel seguiu com ataques após cessar-fogo em 2025 - destaque galeria6 imagensFumaça sobe sobre a Cidade de Gaza após um ataque israelense, visto de NuseiratMilhares de pessoas retornam para a cidade de Gaza após cessar-fogoItamaraty expressa preocupação com flotilha vai para Faixa de GazaCriança em GazaUma organização de caridade distribuiu alimentos para palestinos que enfrentam sérias dificuldades no acesso a necessidades básicas devido ao bloqueio e às operações militares contínuas de Israel na Faixa de Gaza, em 24 de julho de 2025Fechar modal.MetrópolesFAIXA DE GAZA – 10 DE OUTUBRO: Palestinos carregando seus pertences retornam às suas casas após o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza em 10 de outubro de 20251 de 6

    FAIXA DE GAZA – 10 DE OUTUBRO: Palestinos carregando seus pertences retornam às suas casas após o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza em 10 de outubro de 2025

    Hassan Jedi/Anadolu via Getty ImagesFumaça sobe sobre a Cidade de Gaza após um ataque israelense, visto de Nuseirat2 de 6

    Fumaça sobe sobre a Cidade de Gaza após um ataque israelense, visto de Nuseirat

    Khames Alrefi / Anadol / Getty ImagesMilhares de pessoas retornam para a cidade de Gaza após cessar-fogo3 de 6

    Milhares de pessoas retornam para a cidade de Gaza após cessar-fogo

    Hassan Jedi/Anadolu via Getty ImagesItamaraty expressa preocupação com flotilha vai para Faixa de Gaza4 de 6

    Itamaraty expressa preocupação com flotilha vai para Faixa de Gaza

    Reprodução/Redes SociaisCriança em Gaza5 de 6

    Criança em Gaza

    UNDP PAPP/Abed ZagoutUma organização de caridade distribuiu alimentos para palestinos que enfrentam sérias dificuldades no acesso a necessidades básicas devido ao bloqueio e às operações militares contínuas de Israel na Faixa de Gaza, em 24 de julho de 20256 de 6

    Uma organização de caridade distribuiu alimentos para palestinos que enfrentam sérias dificuldades no acesso a necessidades básicas devido ao bloqueio e às operações militares contínuas de Israel na Faixa de Gaza, em 24 de julho de 2025

    Ali Jadallah/Anadolu via Getty Images

    Miragaya acrescentou ainda que, mesmo as violações, não dá para dizer que é o acordo de paz seja frágil, porque ele “está durando, ainda que não tenha acordo sobre a parte dois”.

    “O interesse pelo cessar-fogo em si é maior do que o interesse pelas condições para que ele possa ser concretizado, ou seja, quem quer manter o cessar-fogo acontecendo tem a pausa da guerra como prioridade”, pontuou Miragaya.

    Gaza sem paz

    Após o anúncio do fim da guerra, inúmeros palestinos começaram a retornar à região. O recuo das tropas israelenses facilitou o retorno das pessoas que passaram dois anos sob cerco de bombardeios, fome e destruição.

    Apesar do acordo, Gaza, de fato, não saiu do alvo do exército israelense, que afirma continuar com ofensivas em lugares específicos para atingir membros do grupo Hamas.

    O Ministério da Saúde Palestino em Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou que cerca de 356 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde o cessar-fogo.

    As forças israelesens, por sua vez, afirmaram que as tropas “permanecem deslocadas de acordo com o cessar-fogo e continuarão atuando para eliminar qualquer ameaça imediata”.

    A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês) denunciou a fome no território, que, segundo eles “ressalta a fragilidade dos avanços desde o início do cessar-fogo em outubro”.

    “Embora a província de Gaza não esteja mais classificada como em situação de fome, 1,6 milhão de pessoas ainda enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda”, afirmou a agência.

    Eles pontuaram que, para acabar com a situação, “é preciso que os suprimentos cheguem em grande escala e que os trabalhadores humanitários possam fazer seu trabalho”. As agências da ONU denunciam que Israel não está permitindo a liberação de suprimentos essenciais para Gaza.

    “A UNRWA possui cestas de alimentos para 1,1 milhão de pessoas e farinha para toda a população que aguarda entrar na Faixa de Gaza”, pontuou a agência.

    Desmilitarização do Hamas

    Em um dos 20 pontos apresentados por Trump para estabelecer a paz em Gaza, está a desmilitarização do grupo radical Hamas, que afirma que não realizará tal ato, alegando ter o direito de se proteger contra Israel.

    Miragaya diz  não acreditar na desmilitarização do grupo, pois não há concordância da parte deles. “Pode acontecer do Hamas fazer uma desmilitarização de fachada, pressionado pelos países árabes que bancam acordo com o Catar e a Turquia, mas não até o fim porque isso vai contra os princípios ideológicos do Hamas”, contou o especialista.

    O especialista completa que o cenário mais provável para os próximos anos é que as fases dois e três do cessar-fogo não saiam do papel. Os dois lados permaneceriam na primeira fase, mantendo-se no meio termo “durante meses ou até anos”.