Cervejeiros do mundo, uni-vos! (por Eduardo Fernandez Silva)

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Foto colorida de copo enchendo de cerveja - Metrópoles

Cerca de dois séculos atrás o grito de mobilização dirigia-se a outro público, os trabalhadores. A oposição a esse grupo venceu, pelo menos até agora. Em razão das consequências dessa vitória, e de novas descobertas pela ciência, devemos atualizar o brado, insistindo e repetindo: cervejeiros do mundo, uni-vos!!  Quem sabe dessa união resultará um mundo melhor?

Primeiro esclarecimento: cervejeiro pode ser o fabricante de cerveja, ou o apreciador da bebida. Refiro-me a estes últimos, pois são em maior número!

Segundo esclarecimento: as mudanças climáticas estão ameaçando a fabricação de cerveja: o lúpulo e a cevada são muito sensíveis às ondas de calor e às secas e, portanto, junto ao terceiro elemento essencial, a água, estão em perigo! Sem esses, ficamos sem cerveja? Será possível a vida sem cerveja?

Claro, o consumo excessivo dessa bebida traz problemas diversos de saúde, e quase todos queremos mais saúde e menos doenças, e não menos saúde e mais doenças, como preferem as corporações farmacêuticas e proprietárias de hospitais. Donde os cervejeiros devemos unir-nos para combater as causas dos riscos à apreciada bebida e às mudanças climáticas, outro fator de agravamento da saúde pública!

Ocorre que no noroeste da América do Norte, onde se produz 75% do lúpulo da Trumplândia, antigo EUA, as temperaturas neste mês de março estão dezessete graus centígrados – isso mesmo, dezessete!! – acima da média esperada para o mês! Isso, neste que já é o quarto ano de seca devido à aceleração do degelo das antigamente ditas neves eternas dos picos nevados! Cervejeiros do mundo, uni-vos! Sob pena de ficarmos sem água e sem cerveja!

Uma das IAs disponíveis na internet sugere que a “cerva” pode ser substituída por chás gelados, drinks sem álcool ou limonada! Tudo bem, mas o mundo ficará mais sem graça; concordam? E, sem o quase sempre dourado líquido, como ficarão os donos da AMBEV, transformados de grandes bilionários em menores bilionários? Coitados!

Cervejeiros, não se desesperem! Há chances para nós, mas como estas tornam-se menores a cada dia, nossa união é urgente! Além de batalharmos por deixar todo o petróleo, carvão e o GNL no subsolo, há experiências promissoras com o cultivo da ainda desconhecida Kernza, marca registrada do The Land Institute, organização dita sem fins lucrativos que pesquisa e promove agricultura sustentável.

Trata-se de um grão perene, o que reduz o consumo de combustíveis para replantio. É rico em fibras e tem mais proteínas que a quinoa! Suas raízes profundas melhoram a saúde do solo, sequestram carbono, protegem a qualidade da água e, necessitando de menos fertilizantes nitrogenados, são mais resistentes a loucuras como o mais recente ataque do sionismo e da Trumplândia à paz no mundo!

A Kernza pode ser um substituto da cevada, e deixa na bebida um sabor de nozes. Mais importante, seu cultivo agride menos o planeta que as práticas agropecuárias hoje dominantes. Donde se pode alterar até mesmo o brado que intitula este texto, clamando não apenas aos cervejeiros, mas a todos que são ou poderão vir a ser pais, mães, avôs e avós, de forma a reduzir os riscos que nossos filhos e netos correm atualmente.

Donde: “Humanos, unamo-nos, em prol da continuidade da espécie! Visemos uma vida boa – conforme definição de cada um, sempre respeitando cada outro – e não o grande lucro!”

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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