
Apontado como chefe do esquema que aplicava o “golpe do pneu” contra idosos em oficinas mecânicas, Maurício Fernando Saraiva de Oliveira, 59 anos,também ocupa o cargo de diretor jurídico do Sindicato das Empresas de Serviços e Indústrias Mecânicas e Reparadoras de Automóveis Caminhões, Tratores, Motos e Autopeças do Distrito Federal (Sindirve-DF).
A coluna Na Mira apurou que Maurício tomou posse na diretoria do sindicato em abril de 2024. A reportagem obteve acesso à ata da eleição, que confirma a nomeação do empresário para o cargo.
Conforme o documento, os diretores empossados exerceriam mandato de três anos, com término previsto para 2027.
À época em que tomou posse como diretor da entidade, Maurício já possuía uma condenação em primeira instância que determinou um ano de reclusão e quatro anos e sete meses de detenção em regime semiaberto por crimes contra o consumo e associação criminosa.
Em 2021, o investigado também foi um dos alvos da Operação Rota Scam I. O foco da investigação era empresas do grupo Grid Pneus, vinculadas a Maurício, que já aplicavam a mesma modalidade de golpes contra idosos.
Mesmo após a condenação, os investigadores identificaram um padrão que reforçou a suspeita de continuidade criminosa. As empresas mudavam frequentemente de nome e de sócios, mas permaneciam nos mesmos endereços, estratégia interpretada como tentativa de ocultar os verdadeiros responsáveis.
Ao Metrópoles, o presidente do Sindirve, Carlos Kobayashi, informou que a entidade repudia qualquer ato de ilegalidade ou práticas abusivas contra consumidores.
“A diretoria estará tomando todas as iniciativas dos bons costumes e a legalidades”, afirmou.
Operação Rota Scam III
Na última quarta-feira (25/2), Maurício foi preso temporariamente no âmbito da Operação Rota Scam III que apura denúncias de um esquema criminoso que tinha idosos como alvo dentro de oficinas mecânicas.
A coluna Na Mira apurou que os comércios estão localizados na Asa Sul, no Sudoeste, em Taguatinga Sul e Santa Maria.
As oficinas envolvidas no esquema são:
De acordo com as investigações, as lojas são comandadas por Maurício, identificado como chefão da quadrilha.
Mesmo com as empresas investigadas formalmente registradas em nome de terceiros, os chamados “laranjas”, a Polícia Civil do DF (PCDF) reuniu uma sequência de provas que apontam o empresário como líder do esquema.
A PCDF concluiu que os sócios “de direito” das atuais oficinas investigadas mantêm laços diretos com as firmas de Mauricio investigadas em 2021, seja por relações familiares ou por vínculos empregatícios.
Na sexta-feira (27/2), a Justiça do DF decidiu pela substituição da prisão temporária por prisão domiciliar, após pedido da defesa. Além do recolhimento domiciliar, foram impostas medidas cautelares pelo prazo de 30 dias, dentre elas proibição de manter contato com outros investigados.
Troca de pneu por R$ 20 mil
Os alvos principais dos criminosos eram idosos, escolhidos pela vulnerabilidade. Ao buscar um simples reparo, como a troca de um pneu, a vítima era induzida a autorizar serviços desnecessários. Depois, surgiam “novos defeitos” e os orçamentos disparavam para valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Quando questionavam o preço do serviço, os clientes eram pressionados e coagidos. O esquema era marcado por fraude, intimidação e exploração da boa-fé de pessoas idosas. Em alguns episódios, caso se recusassem a efetuar o pagamento do valor cobrado, as oficinas ameaçavam reter os veículos das vítimas.
Outras ocorrências anteriores também vieram à tona, como o caso de um homem de 75 anos que, em 2022, foi coagido a pagar R$ 17,7 mil em serviços feitos de maneira indevida em uma das oficinas investigadas.
Em 2025, outro idoso de de 79 anos foi uma vítima da empresa JK Pneus. Ele havia procurado a oficina somente para realizar o balanceamento da roda dianteira do carro, mas ao retornar no local lhe apresentaram um orçamento de R$17,5 mil. Após muito reclamar, acabou pagando R$ 10 mil pelo serviço.
O prejuízo que as vítimas sofreram é estimado pela PCDF em mais de R$ 600 mil.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Maurício para solicitar posicionamento, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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