Chega de polarização

Chega de polarização

Por Narciso Mendes2 de março de 2026 – 05h00 3 min de leitura

Mesmo angustiado numa prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro não perdeu o seu poder de mando.

Com toda a sua família aboletada nos mais diversos mandatos eletivos, o que sempre revelou ser seu maior interesse político, ainda que inelegível e aprisionado, mesmo assim, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua mandando e desmandando no polo politicamente contrário ao que restar do denominado lulismo.

De pronto e por considerar a nossa polarização política bastante nociva a nossa própria democracia, e como bem dizia Bertold Brecht: “maldito é o país que precisa de heróis”, ainda assim, o que poderia existir de pior já nos espera, uma nova onda da nossa polarização política.

Nada, na nossa e em qualquer outra democracia, de pior poderia acontecer, que o ressurgimento da nossa polarização, e está por sua vez, de caráter eminentemente familiar.

Da prisão em que se encontra, Jair Bolsonaro impôs a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro à presidência da República, a do seu filho Carlos Bolsonaro a Senador pelo Estado de Santa Catarina, a da sua esposa, Michele Bolsonaro, a senadora pelo Distrito Federal, a do seu irmão Renato Bolsonaro a deputado federal pelo Estado de São Paulo, a do seu filho, Renan Bolsonaro atualmente vereador, a deputado federal pelo Estado de Santa Catarina e se a nossa legislação vier permitir, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro será candidato a senador pelo Estado de São Paulo.

Quem em sã consciência democrática avaliar o acima descrito e com ele concordar, democrata não é, até porque o familismo político não apenas rima como se revela contrário a toda e qualquer lógica democrática.

Quantos foram os familiares dos ex-presidentes Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Roussef e Michel Temer que participaram da nossa atividade político-partidária, ou mais precisamente, obtiveram mandatos eletivos em razão do familismo político? Por mais que tenha procurado não encontrei ninguém.

Entretanto, ainda que preso e inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua mandando e desmandando no que ele, os seus parentes e aderentes entendem como sendo uma intransferível herança.

Ao preterir a candidatura à presidência da República do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em favor da candidatura do seu filho Flávio Bolsonaro tão somente o ex-presidente Jair Bolsonaro reafirmou que o seu partido político foi, é e sempre será o BFC- Bolsonarismo Futebol Clube.

Carlos Bolsonaro, não por acaso, o mais boquirroto de todos os seus familiares já chegou a dizer que numa disputa política você pode ser derrotado e sair ganhando, desde não repasse sua herança a terceiros.

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *