Cinzas dos Mamonas são unidas a sementes de árvores em nova homenagem

Milena Vogado/Metrópoles
Imagem colorida mostra homenagem aos Mamonas Assassinas no Jardim Bioparque do Cemitério e Crematório Primaveras, em Guarulhos - Metrópoles

As cinzas dos integrantes dos Mamonas Assassinas, mortos em um acidente aéreo há exatos 30 anos, em 2 de março de 1996, foram unidas a sementes de jacarandá em mais uma homenagem póstuma ao grupo, nesta segunda-feira (2/3).

O procedimento, que iniciou às 14h com uma cerimônia exclusiva aos familiares, foi realizado no Jardim Bioparque do Cemitério e Crematório Primaveras, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, onde os músicos foram sepultados. Eles foram exumados em 23 de fevereiro.

Após a cerimônia, as sementes já transplantadas foram levadas em um cortejo a um espaço de incubação no cemitério, onde elas criarão raízes e se tornarão pequenas mudas. Só então, em um ou dois anos, as mudas serão plantadas em um memorial permanente, que ficará aberto para visitação dos fãs.

“Utilizamos as cinzas, resultantes da cremação, junto com outros compostos, para contribuir com o desenvolvimento de uma árvore desde a semente”, explicou Selma Capanema, executiva do Jardim Bioparque.

Logo após o plantio das sementes, as urnas foram levadas até o centro de incubação do BioParque, onde devem permanecer por até dois anos, até estarem aptas a serem transplantadas no espaço do memorial.

Familiares descrevem emoção com homenagem

Ao Metrópoles, familiares da banda falaram sobre os sentimentos despertados pela data e pela homenagem.

Ito Reoli, pai de Sérgio e Samuel, foi o responsável por instalar a urna do filho mais novo na incubadora do BioParque, o que lhe despertou bastante emoção.

“Chorei, não tem jeito. Eu sou chorão. A cada vez que olho a foto deles [no túmulo], eu choro. Parece que eles estão olhando pra gente. Nunca é fácil, especialmente nessas datas”, desabafou.

Segundo ele, após essas três décadas passadas, “a saudade permanece”.

Célia Alves, mãe de Dinho, compartilha a emoção. “O sentimento é o mesmo [de 30 anos atrás]. Em nenhum momento eu me esqueci dele, em dia nenhum”, declarou.

Ela descreveu a cerimônia de homenagem como “top demais, como dizem”.

“Os fãs todos vão gostar demais. Porque os fãs vinham, olhavam para o túmulo, e ficava por ali. Agora eles vão ter outros momentos, com as árvores crescidas, por exemplo”, disse.

A irmã caçula do vocalista dos Mamonas, Grace Alves, demonstrou gratidão pelo carinho que os músicos recebem até os dias de hoje.

“Lógico, o coração fica apertado de reviver alguns momentos de tristeza, mas a gente entende que estamos aqui hoje pra viver por eles, pra mostrar pra todo mundo como eles são maravilhosos e eternos”, afirmou.

Ela espera que os netos, os bisnetos e as demais gerações da família, assim como os fãs, tenham a oportunidade de visitar o memorial “protegidos pela sombra gostosa de uma árvore linda”.

“É um motivo de orgulho, de alegria, e de muita saudade também”, descreveu.

30 anos sem Mamonas Assassinas

Os Mamonas Assassinas foram um verdadeiro meteoro na história da música e da cultura brasileira. A banda durou pouco mais de seis meses, lançou um único álbum e fez apenas uma turnê de grande porte, em âmbito nacional.

Foram mais de 150 shows em cerca de 180 dias. Quase 2 milhões de álbuns foram vendidos em pouco menos de um ano e 25 mil exemplares comercializados em apenas 12 horas.

Símbolo de gerações e paixão de uma legião de fãs, a banda morreu há exatos 30 anos, em 2 de março de 1996, em um acidente aéreo que deixou a nação consternada.

Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel partiram de repente, jovens, no auge, expressando e causando aquela vontade de “quero mais”.

Tamanho é o legado que, 30 anos depois, os músicos ainda tocam nas rádios, são citados nas emissoras de TV e se consolidaram no imaginário e na saudade dos brasileiros.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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