Com 62,25% de perdas, Acre está entre os quatro com pior eficiência no saneamento do país

PROBLEMA ANTIGO

Com 62,25% de perdas, Acre está entre os quatro com pior eficiência no saneamento do país

Por Whidy Melo23 de março de 2026 – 05h34 3 min de leitura
Foto: Whidy Melo

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No último domingo (22), data em que se celebrou o Dia Mundial da Água — instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para reforçar a importância da preservação e do uso sustentável dos recursos hídricos — um levantamento nacional chama atenção para a situação do Acre no cenário do saneamento básico.

O Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, divulgou o “Estudo de Perdas de Água 2025 (SINISA, 2023)”, que analisa a eficiência dos sistemas de abastecimento no país. Segundo o estudo, o Brasil desperdiça 40,31% da água tratada antes que ela chegue às torneiras — um problema de impacto ambiental, econômico e social. No recorte estadual, o Acre aparece entre os estados com os piores indicadores do país.

O estado figura entre os quatro piores do país nesse indicador, ao lado de Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Pará (58,71%). O estudo aponta que as maiores ineficiências estão concentradas principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Em contraste, estados como Goiás (25,68%), Distrito Federal (31,46%), São Paulo (32,66%) e Paraná (33,11%) apresentam índices inferiores a 35%, demonstrando maior eficiência na gestão do sistema.

Perdas por ligação também são três vezes superiores à média nacional

No Índice de Perdas por Ligação, que mede o volume médio perdido por ponto de consumo ativo, o Acre também apresenta um dos piores desempenhos do país.

O estado registra 1.001,04 litros por ligação por dia, quase três vezes acima da média brasileira, que é de 348,86 litros por ligação por dia. Apenas o Amapá (1.057,73 L/lig/dia) e Roraima (933,03 L/lig/dia) aparecem com índices semelhantes ou superiores.

Estados como Goiás (124,25 L/lig/dia), Tocantins (178,81 L/lig/dia) e Paraná (221,97 L/lig/dia) estão entre os mais eficientes nesse indicador.

Segundo o estudo, os dados evidenciam desigualdades regionais persistentes em infraestrutura, capacidade de investimento e maturidade operacional das companhias de saneamento.

Estados que apresentam simultaneamente altos índices de perdas na distribuição e por ligação — como é o caso do Acre — enfrentam maior risco de intermitência no abastecimento, pressão sobre mananciais e necessidade de investimentos mais robustos para recuperar eficiência.

Brasil está distante dos padrões internacionais

O estudo ainda aponta que houve pouca evolução nos últimos anos. Entre 2019 e 2023, o índice nacional de perdas na distribuição subiu de 39,24% para 40,31%, distante da meta de 25%. Já as perdas por ligação aumentaram de 339,48 litros por dia para 348,86 litros por dia no mesmo período — também acima da meta de 216 litros estabelecida pelo governo federal.

Whidy Melo

Whidy Melo

Whidy Melo é acreano de Rio Branco, repórter, documentarista, fotógrafo e videomaker.

kennedywhidy@gmail.com

Fonte: Conteúdo republicado de ac24horas

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