Como atleta de Francisco Morato chegou às Paralimpíadas de Inverno. Veja vídeo

Divulgação / Alessandra Cabral – CPB
Paralimpíadas de Inverno começam nesta sexta-feira (6/3), e Elena Sena estreia após uma trajetória de superação e títulos internacionais - Metrópoles

Elena Sena, de 22 anos, moradora de Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, vai integra a delegação brasileira que disputará, a partir da próxima sexta-feira (6/3) até o dia 15 de março, as Paralimpíadas de Inverno Milano Cortina 2026.

O Brasil terá oito representantes nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, sendo três mulheres e cinco homens. A delegação competirá nas modalidades de biatlo, esqui cross-country e snowboard. Esta será a maior participação feminina do país em edições de inverno.

Disputando as provas de esqui cross-country e biatlo, Elena Sena reforça a equipe feminina brasileira na competição ao lado de Aline Rocha e Vitória Machado. Para a jovem, a convocação representa não apenas a estreia em um evento deste porte, mas o resultado de uma trajetória marcada por adaptação ao esporte de neve e preparação intensa para competir em alto nível.

Moradora do bairro Recanto Feliz, em Francisco Morato, Elena cresceu longe de qualquer estrutura voltada aos esportes de inverno, principalmente, na neve.

O primeiro contato com o esporte veio ainda na escola pública, em um projeto de contraturno da prefeitura.

“Eu ficava o dia inteiro na escola porque gostava de estar fazendo as coisas”, relembra. Foi ali que se apaixonou pelo handebol. Chegou a ser titular nos jogos interescolares, mas sentia que existia um limite. “Eu assistia aos campeonatos na televisão e pensava: eu nunca vou poder estar ali”. Ela sequer sabia que existia a possibilidade de entrar no esporte paralímpico.

Centro Paralímpico

O ponto de virada na trajetória de Elena começou quando um professor percebeu seu potencial esportivo e decidiu inscrevê-la na escolinha do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na zona sul da capital paulista, a . Para treinar, ela precisava cruzar cidades utilizando trens, metrô e ônibus, enfrentando longas horas de deslocamento. Ainda assim, não hesitou. “Era uma oportunidade gigantesca”, afirma.

Na época com 17 anos, o início dos treinos no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro marcou uma mudança significativa em sua trajetória. Foi ali que passou a conviver diariamente com outros atletas com deficiência, muitos com vivências semelhantes à sua. A atleta nasceu com uma má-formação na perna esquerda, que não se desenvolveu completamente.

Ao Metrópoles, Elena contou que o seu primeiro esporte começou pelo vôlei sentado. Ela vivia um momento de crescimento nas atividades esportivas quando, por acaso, durante um passeio escolar em Jundiaí, interior de São Paulo, viu atletas praticando roller ski, uma versão do esqui no asfalto. “A semana inteira eu não consegui parar de pensar em ski. Eu fiquei obcecada”, relembra.

O entusiasmo, porém, encontrou um obstáculo, em 2020, devido à pandemia de Covid-19, que fechou as atividades do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro e interrompeu os treinos presenciais. Elena descreve o período como desafiador, mas agarante que nunca cogitou parar. Sem acesso à estrutura oficial, adaptou a rotina e passou a treinar roller ski no quintal de casa. Todos os dias.

Ao lado dela, a família teve papel central. O pai ajudou a improvisar equipamentos e estruturas para manter a preparação ativa, enquanto a mãe reorganizou a rotina da casa para que a filha pudesse seguir treinando.

“Eu não tinha perspectiva de quando as coisas iam voltar, mas eu pensava: quando abrir, eu preciso estar pronta.”

Ciclo Olímpico

Quando as atividades foram retomadas, ela voltou ainda mais preparada. Intensificou os treinos em cidades do interior paulista, como São Carlos, passou a competir em etapas nacionais e, na sequência, internacionais. Vieram provas na Argentina e temporadas na Europa, incluindo competições na Noruega, país referência no esqui. A evolução técnica se consolidou também no biatlo, modalidade que combina esqui e tiro esportivo.

Após acumular resultados consistentes no ranking mundial e cumprir os índices exigidos, Elena teve a convocação confirmação, obtida com um ciclo construído entre treinos improvisados em casa, competições  fora do país e uma rede de apoio familiar que esteve presente em cada etapa do caminho. Ela jáiniciou oficialmente os preparativos para as Paralimpíadas de Inverno 2026.


Elena Sena resume o momento com emoção e senso de responsabilidade. “Eu sinto muito orgulho de tudo o que eu construí até aqui. Cada treino, cada dificuldade, cada apoio da minha família fizeram parte desse caminho.” Para ela, a convocação é mais do que um resultado esportivo, é a confirmação de que persistir valeu a pena.

Mais do que representar o país, a atleta leva para a neve a própria trajetória. “Eu entro para dar o meu melhor e buscar o primeiro lugar. Se não vier, eu sei que entreguei tudo”, afirma. A estreia nas Paralimpíadas de Inverno simboliza não apenas um marco na carreira, mas a confirmação de um projeto que começou no quintal de casa e agora ganha projeção mundial.


1º fim de semana das Paralimpíadas de Inverno

Sexta-feira,  6 de março

16h — Cerimônia de abertura

Porta-bandeiras: Aline Rocha e Cristian Ribera

Sábado, 7 de março

6h — Biatlo 7,5km Sprint

Aline Rocha

Elena Sena

Domingo, 8 de março

6h — Biatlo 12,5km Individual

Elena Sena


O restante da programação do Time Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 pode ser conferido aqui. Para ver todas as datas, horários e modalidades, basta acessar o cronograma completo disponível no link.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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