
A trajetória de Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é um dos destaques do desfile da Acadêmicos de Niterói neste domingo (15/2), na Marquês de Sapucaí. A escola abre o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo inspirado na vida do chefe do Executivo federal, da infância no sertão pernambucano à chegada à Presidência da República.
Intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o samba é narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva da mãe de Lula.
Eurídice nasceu em 1915, em Caetés — então distrito de Garanhuns. Sertaneja e analfabeta, casou-se aos 20 anos com Aristides Inácio da Silva, ensacador de café. Teve 12 filhos, dos quais quatro morreram ainda pequenos em razão da seca na região.
Anos depois, Aristides deixou Caetés para tentar a vida em Santos (SP). Cinco anos mais tarde, retornou, engravidou a esposa novamente e voltou ao litoral paulista levando o filho Jaime, que já sabia ler e escrever. Em uma das cartas enviadas ao pai, Jaime sugeriu que a mãe e os irmãos vendessem o que tinham e migrassem para São Paulo para reunir a família.
Em 1952, ao tentar fugir da seca e da pobreza, Dona Lindu embarcou em um pau de arara com sete filhos e, após 13 dias de viagem, chegou a Santos. Lula, o sétimo dos oito filhos do casal, tinha então sete anos. A vida no litoral paulista tornou-se cada vez mais difícil, já que Aristides era alcoolátra e agredia Dona Lindu e os filhos. Em 1955, ela deixou o marido e mudou-se com as crianças para São Paulo, onde enfrentou a fome e lutou pela alfabetização dos filhos.
Dona Lindu morreu em 1980, aos 64 anos, vítima de câncer uterino, em São Bernardo do Campo. Na época, Lula estava preso no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DOPS) por liderar uma greve dos metalúrgicos no ABC Paulista. O então dirigente sindical, que ficou detido por um mês, recebeu autorização para comparecer ao velório da mãe.
Parque Dona Lindu
Críticas
Lula acompanhará a homenagem na Marquês de Sapucaí e os desfiles das agremiações em sequência no camarote do prefeito do Rio, Eduardo Paes. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, vai desfilar em um dos carros alegóricos ao lado de artistas, familiares e convidados.
A apresentação foi alvo de polêmicas e gerou questionamentos na Justiça sobre possíveis irregularidades envolvendo o uso de recursos públicos e propaganda eleitoral antecipada. O governo federal, por meio da Embratur, destinou R$ 12 milhões em verba pública para escolas do Grupo Especial do Carnaval do Rio. A agremiação que homenageará o presidente deve receber R$ 1 milhão pela participação no desfile.
Na quinta-feira (12/2), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade duas ações sobre o tema. A relatora, Estela Aranha, afirmou que a lei eleitoral veda apenas pedido explícito de voto e que eventuais irregularidades podem ser apuradas posteriormente.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, por conta do receio de implicações jurídicas, o Palácio do Planalto fez uma série de recomendações a ministros e auxiliares que acompanharão o titular do Executivo antes, durante e após as festas.
O comunicado orienta que as autoridades evitem o uso de verbas públicas e partidárias em despesas com as festividades, além de não realizar transmissões ao vivo em canais institucionais. O documento também recomenda evitar símbolos, gestos, falas ou manifestações de teor político, além de desaconselhar entrevistas ou produção de conteúdo com conotação eleitoral. Pré-candidatos devem evitar qualquer identificação partidária.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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