
Samuel Chrisostomo, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), uma das instituições envolvidas no caso que ficou conhecido como a Farra do INSS, efetuou em uma mesma data 60 transferências bancárias após receber R$ 1,6 milhão da Conafer, em outubro de 2023.
As informações constam em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS e obtido pela reportagem.
O repasse foi feito por meio da empresa Cifrão Tecnologia, um dos vários CNPJs criados por Samuel – preso por envolvimento nos descontos indevidos, e que opera na parte superior de um sobrado localizado no Distrito Federal.
O Metrópoles apurou que no mesmo endereço também estão localizadas companhias da sócia de outra ONG investigada na fraude do INSS: a Associação de Aposentados do Brasil (AAB).
No período, R$ 300 mil foram encaminhados, via Pix, para a BSF Gestão de Saúde, companhia que foi investigada na CPI da Covid, em 2021, por suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde.
Na mesma data, outro Pix de R$ 150 mil foi encaminhado para a JSM Serviços, R$ 100 mil para N & C Distribuidora de Agropecuários e R$ 22 mil a Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da AAB. Samuel também transferiu R$ 525 mil para a Solution BRB Nova, uma segunda empresa pertencente a ele.
As outras transferências foram feitas por meio de boletos, Transferência Eletrônica Disponível (TED) e totalizaram R$ 486.173,93.
A Cifrão, de acordo com o Coaf, trata-se de uma microempresa que exerce atividade de desenvolvimento de programas de computador, com faturamento de R$ 11.240,86. “No mês em análise, mesmo com nova atualização cadastral, movimentou aproximadamente R$ 1.625.759,14 a mais do que a capacidade declarada”, diz o documento.
A BSF Gestão de Saúde, por sua vez, é uma empresa focada em consultoria e gestão de benefícios em saúde, especialmente planos de medicamentos e assistência farmacêutica.
Os repasses à vista, imediatos, além da movimentação exorbitante da Cifrão alertou órgãos de fiscalização que não conseguiram identificar explicação para as transferências, levantando suspeita de ser uma empresa laranja.
Operação
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, em 13 de novembro, nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que mira esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A ação mobilizou equipes em 17 estados e no Distrito Federal.
Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e diversas medidas cautelares. Entre os presos estão:
Os alvos estão espalhados por Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.
Como o esquema funcionava
Segundo as investigações, os suspeitos atuavam inserindo dados falsos em sistemas oficiais para incluir beneficiários em associações ou entidades fictícias. A partir disso, eram feitos descontos mensais indevidos diretamente nos pagamentos de aposentados e pensionistas, muitos deles sem qualquer conhecimento sobre as cobranças.
O grupo é investigado por formar organização criminosa voltada à obtenção de vantagens financeiras por meio de estelionato previdenciário, além de corrupção ativa e passiva para facilitar o acesso fraudulento aos sistemas do INSS.
Também há apurações sobre ocultação de patrimônio, supostamente utilizado para dificultar o rastreamento dos valores desviados.
Outro lado
O Metrópoles tentou contatar os citados, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. O espaço segue aberto para futuras manifestações
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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