Coronel preso disse ter testosterona de jovem e "libido altíssima"

Reprodução/Câmera Monitoramento
Homem sem camisa ao telefone - Metrópoles

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil ter níveis de testosterona equivalentes aos de um jovem entre 16 e 21 anos e uma libido “altíssima”.

A declaração foi feita após ele ser preso sob suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, 32, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo.

No interrogatório, o oficial detalha exames realizados no fim de janeiro e afirma que sua testosterona chegou a 939, “sem reposição hormonal”, índice que, segundo ele, é equivale ao de jovens.

“A minha testosterona […] deu 939, que nas tabelas lá do médico é uma testosterona de um jovem de 16 a 21 anos. Imagina eu ali meses, quase ali sem ter relação sexual”, disse, em seguida reforçando: “a minha testosterona é muito alta, sempre foi”, associando o dado à própria libido.

As falas aparecem no contexto de uma tentativa de explicar a dinâmica íntima do casal, marcada, segundo o próprio inquérito, por cobranças constantes de sexo.

Mensagens extraídas do celular da vítima mostram que Geraldo pressionava Gisele a manter relações como uma espécie de contrapartida dentro da relação. “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele em uma das conversas analisadas pelo 8º Distrito Policial (Brás).

“Não vou trocar sexo por moradia”

Gisele, por sua vez, resistia. Nas mensagens, a soldado deixava clara a insatisfação com a cobrança e rejeitava a imposição. ]

“Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, respondeu.

Em outro trecho citado no inquérito policial, obtido pela reportagem, ela também afasta investidas do marido e afirma que ele deveria “se satisfazer da sua própria maneira, nas suas próprias mãos”, indicando um distanciamento significativo na vida sexual do casal.

Os diálogos reforçam que a relação já estava em processo de ruptura. De acordo com o inquérito, Gisele cogitava a separação e se opunha à dinâmica imposta pelo oficial, que vinculava o sustento financeiro à exigência de afeto e relações íntimas. Para a Polícia Civil, o conteúdo das mensagens evidencia um cenário de desgaste, pressão psicológica e conflito crescente entre os dois.

A morte da soldado é investigada como feminicídio. Inicialmente, Geraldo sustentou que Gisele teria tirado a própria vida por não aceitar o fim do relacionamento que, asseverou, teria sido proposto por ele. A versão, no entanto, passou a ser questionada à medida que avançaram as perícias e a análise do material digital.

Mensagens apagadas e expulsão

Como revelou o Metrópoles, a Polícia Civil conseguiu recuperar mensagens apagadas do celular da soldado Gisele. Nas conversas, ela não apenas admite a separação, como concorda com o fim do relacionamento, o que enfraquece a narrativa apresentada pelo tenente-coronel.

Para os investigadores, o conteúdo recuperado coloca em xeque a hipótese de suicídio levantada pelo oficial da PM — que ainda a sustenta — e reforça as suspeitas sobre quem puxou o gatilho que feriu mortalmente a vítima na cabeça.

Geraldo Leite Rosa Neto segue trancafiado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.

Fontes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmaram à reportagem, em sigilo, que o Comando da PM abriu um procedimento no qual delibera o possível desligamento do oficial da corporação. Caso isso ocorra, ele pode ser demitido ou expulso.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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