Coronel preso pela morte de esposa PM ganha 4 vezes mais do que ela

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Imagem colorida mostra tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso suspeito de matar a policial militar Gisele Alves Santana, ganha R$ 30.861,87, segundo o Portal da Transparência do governo de São Paulo. O valor corresponde a quatro vezes mais do que recebia a esposa morta, que recebia salário de R$ 7.222,33.

Segundo o Tribunal de Justiça Militar (TJM), o coronel usava de sua posição hierárquica na corporação como instrumento de dominação e violência contra a soldado da Polícia Militar (PM). Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para vigiar as atividades dela.

Além disso, a mulher era proibida de trabalhar com colegas homens e tinha sua patente menosprezada pelo marido. Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29° Batalhão da Polícia Militar (29° BPM/M).

Fora do ambiente profissional, denúncias anônimas também apontam que o relacionamento entre Geraldo e Gisele era marcado por ameaças, perseguição e episódios de instabilidade emocional. Uma dessas testemunhas relatou que o coronel não permitia que a policial saísse maquiada quando estava longe dele.

Outros relatos indicam que Gisele não frequentava a academia sozinha, porque o marido costumava acompanhá-la nos treinos, até mesmo quando ele não ia se exercitar. Os depoimentos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação que busca esclarecer as circunstâncias da morte da militar.


Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel


O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, questiona o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar, já que, “se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, e não no âmbito da Justiça Militar”.

“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou Malavasi.

Justiça comum mantém prisão

Nesta quinta-feira (19/3), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, após audiência de custódia. Segundo a Justiça, não foram identificadas irregularidades no cumprimento de mandado de prisão expedido pelo tribunal comum e, por isso, o coronel seguirá preso.

A Corte havia decretado a prisão preventiva de Geraldo Neto no final da tarde de quarta-feira (18/3), atendendo a um pedido da Polícia Civil, feito nessa terça-feira (17/3), após conclusão do inquérito que investiga o caso.

O Ministério Público do estado (MPSP) se manifestou favorável à prisão e denunciou o tenente-coronel por feminicídio com duas qualificadoras – motivo torpe e meio que dificultou a defesa da vítima – e fraude processual. Ele é acusado de alterar a cena do crime.

A Justiça comum aceitou a denúncia e expediu o mandado de prisão preventiva. O coronel, no entanto, já estava preso desde a manhã dessa quarta, quando foi detido em casa por agentes da Corregedoria da PM, a pedido do Tribunal de Justiça Militar (TJM).

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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