
O relator da CPI do Crime Organizado do Senado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta quarta-feira (25/3) que o relatório final do colegiado deverá incluir menções ao Banco Master.
Segundo ele, o documento deve apontar a atuação da instituição de Daniel Vorcaro como um “duto de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos”.
“Essa é a linha que seguiremos, em conformidade com o plano de trabalho aprovado no início das atividades”, afirmou o senador ao Metrópoles.
A CPI passou a concentrar esforços sobre o Banco Master à medida que investigações sobre fraudes financeiras envolvendo a instituição passaram a indicar envolvimentos de autoridades com negócios associados a Vorcaro.
Tradicionalmente, comissões parlamentares de inquérito apresentam sugestões de mudanças legislativas e pedidos de indiciamento. De acordo com aliados de Alessandro Vieira, no entanto, tanto os indiciamentos quanto as propostas ainda estão em fase de definição. Os trabalhos do colegiado devem ser concluídos até 14 de abril.
O Banco Master está no centro da apuração da Polícia Federal sobre fraudes financeiras. Investigadores apontam que a instituição de Daniel Vorcaro pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de CDBs irregulares.
Vorcaro chegou a ser preso em uma das ações da PF. No mesmo dia da prisão, o Banco Central decidiu colocar o Master sob administração especial e decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira da instituição. À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
Ao longo dos últimos meses, a CPI adotou iniciativas para aprofundar a apuração sobre o Banco Master. Algumas das medidas foram, contudo, barradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em fevereiro, por exemplo, o ministro do STF André Mendonça abrandou as convocações dos irmãos do ministro Dias Toffoli na CPI, aprovadas dias antes. Os requerimentos pediam que José Carlos e José Eugenio Dias Toffoli prestassem esclarecimentos sobre as atividades de cassino no resort Tayayá, ligado à família de Toffoli e a Vorcaro.
Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram a quebra de sigilo da Maridt, empresa da família Toffoli que tinha participação societária no resort. A medida foi vetada posteriormente pelo ministro do STF Gilmar Mendes.
Em decisão liminar, o decano da Corte atendeu a um pedido feito pela própria empresa ao Supremo. Para o ministro, a quebra dos sigilos extrapolou o escopo da investigação da CPI. O colegiado entrou com recurso na terça-feira (24/3).
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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