Delegado da PF negociou favores com CV em troca de nomeação da esposa

Arte/Metrópoles
Delegado Fabrizio

A coluna apurou que o delegado federal Fabrízio Romano, preso na última segunda-feira (9/3) por suposto conluio com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), teria feito favores a traficantes em troca da nomeação de sua esposa, Monica Gil Câmara Romano, para um cargo comissionado.

Evidências compiladas ao longo da investigação que culminou na operação Anomalia, deflagrada pela Polícia Federal (PF), demonstram que o delegado e o ex-secretário de Estado Alessandro Pitombeira Carracena teriam se aliado à advogada Patrícia Carvalho Falcão, também presa na segunda (9), para interferir num processo de extradição do traficante holandês Gerel Lusiano Palm.

O criminoso foi preso em 2021, no Rio de Janeiro, por tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e tráfico de drogas.

A PF aponta que Fabrizio atuou de forma incompatível com seu cargo, oferecendo influência interna na PF em favor do traficante. “Em consequência disso, o delegado solicitou “adiantamentos” financeiros e negociou a nomeação de sua esposa como contrapartida por sua atuação ilícita”, diz os documentos acessados pela coluna.

Troca de mensagens

Prints compilados na investigação revelam conversas entre o delegado e o ex-secretário, em 13 de novembro de 2023.

Dois dias depois do primeiro contato, onde os dois conversaram sobre o processo do traficante holandês, Carracena enviou passagens com destino a Brasília a um terceiro investigado para que fosse realizada uma reunião no Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre a situação de Gerel. A investigação aponta que Patrícia teria sido responsável por comprar as passagens.

Após a reunião entre investigados, houve novas trocas de mensagens. De acordo com os registros analisados, Fabrizio perguntou a Carracena se o grupo havia sido bem atendido durante a reunião. O ex-secretário respondeu que sim e agradeceu.

Na sequência, Fabrizio questionou se a advogada — que, pelo contexto da conversa, seria Patricia — estaria “com o coração mole” para um “adiantamento”. Para os investigadores, a expressão indicaria a possibilidade de pagamento de alguma vantagem pecuniária em troca de favores.

Carracena, por sua vez, responde que estaria “trabalhando nessa possibilidade”, sugerindo que a negociação ainda estava em andamento.

As investigações também apontam que as trocas de mensagens e encontros entre Fabrizio e Carracena continuaram ao longo de novembro e dezembro de 2023.

Em outra conversa, registrada em 13 de dezembro de 2023, Fabrizio cobra de Carracena informações sobre um número de inquérito de São Paulo. Na mensagem, ele afirma que colocaria uma “sombra” para “levantar tudo o que fosse possível” sobre uma pessoa não identificada no diálogo.

Segundo o conteúdo da conversa, Fabrizio afirma ainda que já teria escolhido alguém para realizar o levantamento de informações e que eles “nem iriam aparecer”, o que, para os investigadores, indicaria a tentativa de realizar o monitoramento de forma discreta.

Nesse mesmo dia,o delegado enviou a documentação de sua esposa Monica para Carracena. Poucos meses depois ela foi nomeada para um cargo comissionado.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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