Delegado explica causa das 6 novas mortes investigadas em hospital do DF

Reprodução/Web
Técnicos de enfermagem

O delegado que investiga outras seis novas mortes no Hospital Anchieta, Raphael Seixas, afirmou, nessa quarta-feira (25/3), que todos os óbitos teriam sido causados por paradas cardiorrespiratórias. Agora, a apuração quer saber se elas teriam sido provocadas por substâncias injetadas propositalmente pelos três técnicos de enfermagem presos suspeitos de tirar a vida de pacientes de forma deliberada.

“A causa da morte foi um dos critérios para a gente adotar a instauração dos inquéritos, além do atendimento, da data da morte, e a equipe que estava trabalhando”, explicou Seixas.

O delegado-chefe da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte) informou que com exceção de um paciente, todos as outras vítimas eram idosas de idade entre 73 a 83 anos.

“A maioria era gente idosa. Somente em um caso não era, mas a gente resolveu instalar esse inquérito e, no momento oportuno, vai ser esclarecido”, contou o delegado do caso.

Seixas confirmou ainda que uma das seis vítimas teria recebido a mesma substância letal que matou outros três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em novembro e dezembro de 2025.

“O que a gente pode confirmar até agora é que uma das seis vítimas recebeu a mesma substância que teria sido aplicada nos outros três pacientes que tiveram suas mortes confirmadas”, disse.

Apesar disso, o delegado-chefe da 12ª DP afirmou que ainda não se pode confirmar que a substância teria sido a responsável pela morte. “Temos que aguardar todas as investigações e a perícia do Instituto Médico Legal”, explicou.

A pedido da PCDF, o Metrópoles, desde o início do caso, não tem revelado o nome da substância, que seria um medicamento capaz de provocar parada cardíaca se usado de forma incorreta ou ministrado em altas dosagens.

Câmeras de segurança

Os seis novos inquéritos que apuram as novas mortes não terão o uso de câmeras para auxiliar as investigações. Como os casos aconteceram no passado e as denúncias foram posteriores, já não havia mais tais imagens registradas no sistema de segurança.

O delegado afirmou que a ausência de vídeos pode atrapalhar as investigações, mas destaca que outros pontos serão analisados. “A gente vai analisar o que foi prescrito para as vítimas, as amostras de sangue, o acesso à farmácia. As imagens seriam boas, de fato, mas não são o único elemento”, destacou.

Segundo o titular da investigação, foram denunciadas nove mortes no total, sete por familiares dos falecidos e dois anonimanente. Porém, três casos foram descartados pelo fato de os três técnicos de enfermagem investigados não estarem trabalhando quando os óbitos ocorreram.

A Polícia Civil viu indícios parecidos com as mortes dos outros três pacientes, principalmente as datas, que teriam ocorrido dentro de um período próximo.

Os inquéritos recém-instaurados terão também como embasamento o depoimento de todos os parentes das vítimas, médicos, enfermeiros, além do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

“Todas as mortes que não foram naturais e ocorreram no período em que os técnicos estavam trabalhando serão investigadas”.

De acordo com a delegacia, os óbitos sob investigação são de pessoas entre 73 e 83 anos. Todos elas tiveram paradas cardiorrespiratórias repentinas, o que fez as famílias procurarem a Polícia Civil.

O que diz o Anchieta

Sobre essas novas mortes suspeitas, o Anchieta se manifestou por meio de nota. leia abaixo:

O Hospital Anchieta reforça que foi o responsável por identificar indícios de comportamentos atípicos relacionados a três óbitos ocorridos na instituição, tendo atuado de forma proativa e transparente ao comunicar imediatamente os fatos às autoridades competentes, contribuindo para o início das investigações.

A instituição permanece à disposição da Polícia Civil e dos órgãos competentes, colaborando de forma integral com as apurações e fornecendo todas as informações necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

Em relação aos casos atualmente em investigação, o Hospital Anchieta assegura que os desfechos clínicos negativos de pacientes sem qualquer vínculo com a atuação dos profissionais atualmente presos não têm relação com falhas na prestação de serviços da instituição. Cabe lembrar que o Hospital Anchieta atua sob rigorosos padrões de qualidade e segurança do paciente, reconhecidos por certificações nacionais e internacionais, que atestam a consistência de seus protocolos assistenciais e processos internos.

A instituição acompanha com atenção o andamento das investigações e confia na condução técnica e criteriosa das autoridades, certo de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.

Por respeito aos pacientes e às famílias envolvidas, e em conformidade com a legislação vigente, o hospital não comenta casos específicos“.

Relembre o caso

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o momento em que os técnicos de enfermagem aplicam substâncias que mataram três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Entre as substâncias utilizadas pelos técnicos para matar as vítimas, está desinfetante.

João Clemente Pereira, 63, Marcos Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75, tiveram parada cardiorrespiratória na UTI da unidade e faleceram.

Agora, a PCDF investiga, ao todo, 13 mortes ocorridas no local. A corporação deve analisar prontuários e cruzar as informações com escalas médicas da UTI da unidade.

Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues, 28, e Marcela Camilly, são acusados de injetar altas doses de medicamentos nos pacientes João, Marcos e Miranilde.

Os técnicos seguem presos preventivamente enquanto aguardam julgamento pelas mortes.

Justiça aceita denúncia

No último dia 12/3, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o trio por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Com a anuência da Justiça, os técnicos agora se tornaram réus.

Em 18 de março último, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios aceitou denúncia contra o trio de técnicos de enfermagem pelas mortes dos três pacientes supracitados. Para a Corte, há indícios suficientes de materialidade e autoria para dar início à denúncia de homicídio qualificado contra Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly.

Caso sejam condenados, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte de paciente.


Mais sobre o caso


As defesas dos investigados sustentam a inocência dos clientes e afirmam que os fatos ainda estão em fase de apuração. O Hospital Anchieta, por sua vez, reafirma que foi o responsável por comunicar as suspeitas às autoridades e diz colaborar integralmente com a diligência policial.

Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

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