
O brilho, as cores e os adereços do Carnaval ajudam a compor a festa, mas também podem trazer riscos para quem tem pele sensível ou histórico de alergias.
Tecidos sintéticos, tintas, colas, espumas e até o protetor solar podem desencadear irritações, dermatites e crises alérgicas. Especialistas alertam que a prevenção começa antes mesmo de sair de casa: na escolha da fantasia.
De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), optar por materiais hipoalergênicos e tecidos leves reduz a chance de irritações cutâneas. A entidade chama atenção para produtos comuns durante a folia que podem causar reações adversas, especialmente em crianças.
Fantasia x dermatite
O dermatologista e alergista Mario Cézar Pires, do Hospital do Servidor do Estado de São Paulo, explica que fantasias muito quentes, apertadas ou feitas com tecidos sintéticos favorecem problemas de pele.
“O ideal é escolher roupas leves, que permitam ventilação e não fiquem em contato excessivo com a pele”, orienta.
Segundo o médico, brilhos colados, lantejoulas, tintas e elásticos podem provocar dermatite de contato — reação inflamatória caracterizada por coceira, vermelhidão e descamação. “Quando há histórico de alergia, o cuidado deve ser redobrado, principalmente em crianças”, afirma.
A dermatologista Selma Hélène, do Hospital Israelita Albert Einstein e presidente do Departamento de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), também ressalta a necessidade de atenção redobrada à pintura facial.
“É importante usar produtos apropriados para a pele infantil e remover completamente a maquiagem antes de dormir”, recomenda.
Como evitar alergias no Carnaval
Espumas, tintas e calor entram na lista de risco
Entre os itens destacados pela ASBAI estão os sprays de espuma, que podem causar lesões em mucosas — ocular, oral e nasal — além de sensibilização da pele em caso de contato prolongado.
A entidade alerta que o uso por crianças não é recomendado e que produtos importados irregularmente podem não atender às normas do Inmetro, além de serem inflamáveis.
As tintas faciais devem ser preferencialmente orgânicas e aplicadas em áreas limitadas da pele, evitando comprometer a transpiração. O cuidado deve ser ainda maior quando são aplicadas perto dos olhos e da boca.
Outro ponto de atenção é a urticária induzida pelo calor ou pela exposição solar. Em dias de alta temperatura, o uso de protetor solar é essencial — mas a própria ASBAI lembra que o produto também pode causar dermatite de contato.
Por isso, a orientação é escolher versões hipoalergênicas ou seguir recomendação médica, especialmente em pessoas com histórico de reação. Além disso, picadas de insetos comuns no verão, como borrachudos e pernilongos, podem desencadear reações importantes. Ferroadas de formigas, vespas e abelhas podem causar anafilaxia, considerada a forma mais grave de reação alérgica e potencialmente fatal.

Alergia alimentar e cuidados na praia
Para quem passa o feriado em cidades litorâneas, a ASBAI reforça o alerta para alergias alimentares, especialmente a frutos do mar.
Pessoas com diagnóstico conhecido devem evitar o contato cruzado com alimentos que contenham proteínas alergênicas e seguir o plano de ação para emergências orientado pelo médico.Caso surjam sintomas durante a refeição, o consumo deve ser interrompido imediatamente e deve-se procurar atendimento médico.
A associação destaca ainda que não é possível prever a primeira reação alérgica em quem nunca apresentou sintomas, o que reforça a importância da atenção a sinais como coceira, inchaço, dificuldade para respirar e mal-estar súbito.
Com planejamento e escolhas mais conscientes, é possível aproveitar o Carnaval com segurança. A atenção aos detalhes — da fantasia ao que vai no prato — faz diferença para evitar que uma reação alérgica interrompa a festa.
Fonte: Conteúdo republicado de metropolis

Deixe um comentário